thumb|direita|300px|Vista parcial de Coronel Fabriciano em 1943, então distrito pertencente a Antônio Dias. Foto tirada por Diló, fotógrafo do município de Nova Era. A história de Coronel Fabriciano, município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, iniciou-se no final do século XVI. Expedições seguiam pelos chamados Sertões do Rio Doce à procura de metais preciosos, no entanto o povoamento da região foi proibido no começo do século XVII, a fim de evitar contrabando do ouro extraído na região de Diamantina.
O povoamento foi liberado em 1755 e no decorrer do século XIX o fluxo de tropeiros levou à formação do povoado de Santo Antônio de Piracicaba na região do atual Melo Viana e à posterior criação do distrito em 1923. Na mesma ocasião, a localidade passou a ser atendida pela EFVM e foi construída a Estação do Calado, ao redor da qual se estabeleceu o núcleo urbano que corresponde ao Centro de Fabriciano. Em 1936, houve a instalação da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, que esteve presente até a década de 60, fortalecendo a formação de um núcleo urbano que culminou na emancipação de Coronel Fabriciano em 27 de dezembro de 1948.
Nas décadas de 40 e 50, respectivamente, Coronel Fabriciano passou a sediar os complexos industriais da Acesita e Usiminas, que foram essenciais para o desenvolvimento da cidade. Mas, com a emancipação política de Timóteo e Ipatinga, ocorrida em 1964, as empresas foram incorporadas aos respectivos municípios. O crescimento populacional associado à presença das indústrias exigiu o surgimento de bairros e conjuntos habitacionais. Além disso, a manutenção da atividade siderúrgica contribuiu para a formação da Região Metropolitana do Vale do Aço, que corresponde a um dos maiores polos urbanos do estado.
Primórdios da colonização thumb|esquerda|O Monumento ao Tropeiro (por Antônio Bonifácio) em Santa Vitória dos Cocais, doado pela Emalto em 2016, é uma referência aos tropeiros que atravessavam a área desde o século XIX. Foto de 2019. O desbravamento da região do atual município de Coronel Fabriciano teve início na segunda metade do século XVI. Expedições como a de Fernandes Tourinho, em 1572, seguiam pelos chamados Sertões do Rio Doce à procura de metais preciosos. O local se encontrava em uma via de escoamento das pedras preciosas extraídas na região central mineira, que ligava a Estrada Real em Diamantina ao Litoral do Espírito Santo, para ser exportado, no entanto o povoamento e a abertura de novas trilhas pela região do Vale do Rio Doce foram proibidos pela coroa portuguesa na primeira metade do século XVII, a fim de evitar o contrabando de ouro por meio do rio Doce e seus afluentes, como o Piracicaba. Com a intenção de afastar forasteiros, diziam-se ser terras com vegetação densa e animais peçonhentos, com predominância da ferocidade de botocudos.
O povoamento foi liberado em 1755, após Minas Gerais passar por um declínio na produção de ouro. Nesta mesma ocasião, foi aberta uma estrada ligando Vila Rica (atual Ouro Preto, então capital da Província de Minas Gerais) a Cuieté, visando ao transporte do ouro extraído na região do atual município de Conselheiro Pena, cujo metal viria a se esgotar após 1780. A passagem, no entanto, continuou a ser usada após a construção de um presídio em Cuieté, que recebia condenados por delitos ao longo da Estrada Real. Associada ao fluxo do transporte pelos rios, a partir da existência dessa estrada é que surgiram os primeiros focos de colonizadores no interior do Vale do Rio Doce. Por volta de 1800, estabeleceu-se em área fabricianense Francisco Rodrigues Franco. Na mesma ocasião, José Assis de Vasconcelos, oriundo de Santana do Alfié, em São Domingos do Prata, tomou posse de terras nas proximidades do atual núcleo industrial da Usiminas.
Em 1825, uma estrada foi aberta por Guido Marlière ligando Antônio Dias ao rio Santo Antônio, nas proximidades de Naque, cruzando a Serra dos Cocais por onde depois surgiria o povoado de São José dos Cocais. Assim, o fluxo de tropeiros entre os povoamentos, intensificado ao longo do século XIX, que cruzavam a região vindos de Antônio Dias, Ferros, Santana do Paraíso, Mesquita e Joanésia, levou à formação de um pequeno aglomerado, mais tarde denominado Santo Antônio do Gambá, também conhecido como Santo Antônio de Piracicaba, no atual bairro Melo Viana. O firmamento de pequenos proprietários de terra implicou o desenvolvimento do povoamento em função da agropecuária.Revista Caminhos Gerais, nº 21, pag. 17.Revista Caminhos Gerais, nº 35, pag. 23. Vindo de Leopoldina, em 11 de setembro de 1831, Francisco de Paula e Silva (conhecido por Chico Santa Maria, por ser natural de Santa Maria de Itabira) se estabeleceu juntamente com sua família e numerosos escravos após receber do imperador Dom Pedro II três sesmarias; Alegre, Limoeiro e Timóteo. Francisco se instalou à margem direita do rio Piracicaba, tendo iniciado a remoção da mata virgem, a fim de facilitar o comércio entre os núcleos populacionais vizinhos. Desenvolveu a agricultura na região e sua fazenda servia como ponto de parada para os viajantes.
Pouco tempo depois, Francisco Romão — foragido da justiça em busca de refúgio — passou a ser o encarregado pelo transporte de pessoas e mercadorias através dos rios Piracicaba, Doce e Santo Antônio, interligando São Domingos do Prata, Antônio Dias, Mesquita e Joanésia. Na foz do ribeirão Caladão, havia um movimento associado à presença de um pequeno porto, onde as mercadorias transportadas pela estrada embarcavam rumo às localidades vizinhas por meio do rio Piracicaba. O local passou a ser conhecido como Barra do Calado, devido à disposição entre os dois cursos hidrográficos, sendo o termo "Calado" uma provável referência ao silêncio necessário para não se chamar atenção de indígenas escondidos naquela área, ainda no começo do século XIX. Em 1919, João Teixeira Benevides trouxe de Ferros a primeira professora (sua sobrinha, Maria de Lourdes de Jesus) e doou terrenos para a construção da primeira escola, o primeiro cemitério e para a igreja de Santo Antônio de Piracicaba, observando-se nessa ocasião um crescimento do comércio e a formação do núcleo urbano. João Teixeira chegou ao arraial recém-casado com Guilhermina Ribeiro da Silva, ambos oriundos de Ferros, atraídos pelos projetos da locação da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Raimundo Alves de Carvalho se estabeleceu em 27 de setembro de 1922, vindo de São Pedro dos Ferros, e foi o responsável pela criação da primeira farmácia.
Desenvolvimento do povoado thumb|direita|Antiga Igreja de São Sebastião, construída em 1929. Foi a primeira igreja da região central da cidade. Originalmente, a localidade fez parte da Vila de Itabira, criada em 1833 ao ser desmembrada de Caeté e elevada à condição de cidade em 1848, e em 1911 o povoamento passou a pertencer a Antônio Dias. Na década de 1920, após a retomada da construção da EFVM, paralisada em Belo Oriente, observou-se um desenvolvimento populacional em função do estabelecimento de trabalhadores incumbidos da obra na Barra do Calado. Dezenas de barracas foram improvisadas para abrigo dos trabalhadores,Revista Caminhos Gerais, nº 35, pag. 22. muitos dos quais nordestinos oriundos da Bahia e de Sergipe, tendo ainda a presença de imigrantes. A região do bairro Manoel Domingos, por exemplo, começou a ser povoada na década de 1910, com a chegada do imigrante português Manoel Domingues (a quem o nome do atual bairro homenageia), que também teve participação na construção da via férrea. Grande parte dos moradores que povoaram aquela área nos anos seguintes era descendente de seus 28 filhos. O sergipano coronel Silvino Pereira foi o responsável pela vinda de vários dos forasteiros, tendo mais tarde se tornado comerciante e político.
Pela lei estadual nº 823, de 7 de setembro de 1923, foi criado o distrito com a denominação de Melo Viana, tendo a sede em Santo Antônio de Piracicaba. A Estação do Calado, por sua vez, foi inaugurada em 9 de junho de 1924. Anteriormente à inauguração, o terminal permaneceu quase dois anos abandonado, devido a um desvio inesperado do traçado da via férrea após cruzar o atual bairro Cariru, em Ipatinga. A instalação do distrito ocorreu em 15 de maio de 1927, sendo o nome "Melo Viana" uma referência ao ex-senador, secretário de interior e vice-presidente da república Fernando de Melo Viana. Manoel Camilo da Fonseca foi nomeado como primeiro juiz de paz distrital, dando posse ao seu primeiro escrivão de paz, João Batista Pereira. Os primeiros registros civis feitos foram o batismo das gêmeas Duraci de Distaneta, filhas do casal Antônio Viana, e o casamento do sírio Maron Abibi com Geralda Honrata de Souza. thumb|esquerda|Miniatura da Estação do Calado na Catedral de São Sebastião (2015)
Ao mesmo tempo, ao redor da estação, começaram a ser levantadas as primeiras moradias do Calado, região onde se ergueu o Centro de Fabriciano. O predomínio era de pequenos barracos e somente em 1928 é que foi construída, além da estação, a primeira casa coberta com cerâmica e assoalhada; o Sobrado dos Pereira, que ainda existe na esquina da atual rua Pedro Nolasco com a Coronel Silvino Pereira, sendo também o primeiro estabelecimento comercial da cidade. No mesmo ano, Rotildino Avelino foi eleito primeiro vereador representante do Calado, estando presente na localidade desde 1925 como alfaiate e comerciante, passando depois de algum tempo a proprietário de terra e produtor de carvão. Na ocasião, os mortos eram sepultados no cemitério existente nas redondezas da Igreja Santo Antônio, na então sede do distrito, ou onde hoje está situada a Praça JK, ou mesmo jogados às margens da EFVM. Silvino Pereira instalou o primeiro serviço de iluminação pública, abastecido por uma espécie de usina termelétrica, fornecendo energia também a máquinas de beneficiamento de café, algodão e arroz no povoado cortado pelas ruas de Cima (ex-rua Seca, atual Duque de Caxias) e de Baixo (atuais Silvino Pereira e Pedro Nolasco).Revista Caminhos Gerais, nº 35, pag. 24.
Em 1928, foi instalada a Escola Rural Mista, que foi a primeira escola regular, dirigida pela professora Mariana Roque Pires. A primeira igreja do Calado foi construída em 1929, dedicada a São Sebastião em honra à devoção dos residentes. Na ocasião, o comerciante Rotildino Avelino encomendou do Rio de Janeiro uma imagem do mártir, dando origem às primeiras comemorações em homenagem ao orago. Em 1º de março de 1930, foram realizadas as primeiras eleições, presididas por Eugênio dos Santos, tendo Getúlio Vargas (da Aliança Liberal) obtido 336 votos e Júlio Prestes (PRP) 144 votos para presidente da república. Devido à distância percorrida pelo então escrivão José Zacarias da Silva Roque até o terminal ferroviário, o Cartório do Melo Viana foi transferido para o Calado em 1933, alterando-se então a sede do distrito para a região do atual Centro da cidade.
Expansão econômica Configuração do núcleo urbano thumb|direita|Caminhão transporta madeira extraída em Coronel Fabriciano na década de 1940. Veículo Chevrolet pertencente a Antônio Pereira (Totonho).