(; Léptis Magna, - Ebóraco, ) foi imperador romano de 193 a 211. Quando morreu foi proclamado Divus pelo senado.

De ascendência púnica e berbere, Severo conseguiu situar-se na sociedade romana e até mesmo ter uma próspera carreira política e chegou a ser governador da Panônia. Após a morte do imperador Pertinax, os pretorianos venderam o trono do império a Dídio Juliano, um rico e influente senador. Contudo, desde o começo do seu reinado Juliano teve de enfrentar uma férrea oposição procedente do povo e o do exército.

Aproveitando a debilidade do novo imperador, uma série de governadores de província entre os que se encontrava o próprio Severo, rebelaram-se. Com o fim de antecipar-se em relação a seus rivais na sucessão, Severo marchou contra Roma e depôs Juliano, que veio a ser executado por ordem do senado.

Após uns anos de guerras civis nos quais teve de enfrentar com Pescênio Níger em Síria e a Clódio Albino na Gália, Severo conseguiu consolidar o seu poder e fundar uma dinastia que perpetuariam os seus filhos, Geta e Caracala. Apesar de Geta ser assassinado pouco depois da morte do seu pai pelo seu irmão maior.

Militarmente, o seu reinado caracterizou-se pela bem-sucedida guerra que efetuou contra o Império Parta, consequência da qual a Mesopotâmia voltou a cair sob controle romano. Nesta campanha, os seus soldados saquearam a cidade de Ctesifonte e venderam os sobreviventes como escravos. Ao seu regresso a Roma, foi erigido um Arco do Triunfo a fim de comemorar esta vitória. Nos seus últimos anos teve de defender as fronteiras dos ataques dos bárbaros, que punham em perigo a integridade territorial do império. Especialmente duros foram os levantamentos na Britânia, pelo qual Severo mandou reforçar o Muro de Adriano.

As suas relações com o senado nunca foram boas, pois tornara-se impopular entre os senadores ao demarcar o seu poder com apoio do exército. Ordenou executar dúzias de senadores sob acusações de corrupção e conspiração, e substituiu-os por homens fiéis à sua causa. Dissolveu a guarda pretoriana e substituiu-a pela sua própria guarda pessoal a fim de se assegurar um total controle político e a sua própria segurança. Durante o seu reinado acamparam nas imediações da capital imperial cerca de 50 000 soldados. Embora sua ânsia de poder tornasse Roma numa ditadura militar, Septímio Severo foi muito popular entre a população devido ao fato de ter restabelecido o moral após os anos decadentes do governo de Cómodo e a conseguir conter a corrupção.

Biografia Origens e cursus honorum thumb|200px|left|Áureo de Septímio Severo Severo era de origem berbereEncyclopedia Americana, Scholastic Library Publishing, 2005, v. 3, p. 569:Henri Irénée Marrou, Crise de notre temps réflexion chrétienne de 1930 à 1975, Beauchesne, 1978, p. 124.Marcel le Glay, Rome : Tome 2, Grandeur chute de l'Empire , Librairie Académique Perrin, 2005, p. 336.Gilbert Meynier. L’Algérie des origines : De la préhistoire à l’avènement de l’Islam , La découverte, 2007, p. 74. e púnicoAnne Daguet-Gagey, Septime Sévère, Payot, 2000, p. 38.Michael Grant, The Severans, Routlegde, 1996, p. 7.Nascéra Benseddik, Thagaste, Souk Ahras, Pátrie de saint Augustin, Inas, 2004, p. 25: através do seu pai, Geta, que obteve a cidadania romana no século I. A sua mãe Fúlvia Pia descendia de uma família no que se combinavam, através de uma série de matrimônios, itálicos com habitantes do Norte da África.Claude Briand-Ponsart, L'Afrique romaine : De l'Atlantique à la Tripolitaine 146 av. J.-C. — 533 ap. J.-C., Armand Collin, 2005, p. 70. Ambos os ramos familiares estavam compostos por notáveis; o seu avô servira como prefeito de Léptis Magna antes que Tibério convertesse a cidade numa colônia governada por um duúnviro. Severo nasceu em Léptis Magna, onde mais tarde, quando se tornou imperador, ele construiu um palácio, como memorial da sua boa sorte.Procópio de Cesareia, Sobre os edifícios, Livro VI, 4.5

Contraiu matrimônio com Júlia Domna, uma mulher árabe da Síria.Maxime Rodinson, Les Arabes (1979) , Puf, 2002, p. 58: Dona era filha de Júlio Basiano, sumo sacerdote do Templo do Sol de Emèse. Fruto deste matrimônio nasceram duas crianças, Geta e Caracala.Dião Cássio, História romana, volume IX, livros 71–80, ISBN 0-674-99196-6 (texto completo).

O historiador Dião Cássio descreve-o como um homem de baixa estatura, delgado, corpulento e taciturno. Porém, a sua rápida ascensão política reflete a prosperidade da qual por esta época gozava a província da África Proconsular, e a sua integração no mundo romano.

Graças a um dos seus primos que frequentara a corte imperial, Severo deixou Léptis Magna e foi a Roma com 18 anos de idade. Ali serviu em numerosos postos civis e militares. Foi eleito questor em Roma em 169, degrau necessário para a posterior participação no senado, e serviu como questor provincial na Sardenha (171), região insular da Itália no Mediterrâneo Ocidental, a 200 quilômetros da península Itálica.

Nomeado legado em 173, cargo de emissário ou oficial do estado-maior, do procônsul na África, Gaio Septímio Severo, voltou a Léptis Magna e casou-se (176) com Pácia Marciana, que morreu sem ter filhos, poucos anos depois. Tornou-se pretor (177), comandante de legião na Síria (180-182) e foi nomeado governador da Gália Lugdunense em 184, antiga região da Europa que compreendia a atual França, parte do território belga e oeste da Alemanha. Viúvo, casou-se (187) com Júlia Domna, membro de importante família de sacerdotes de Emesa, na Síria, com a qual teve os filhos Caracala (188) e Geta (189).

Durante o reinado de Cômodo, desempenhou brilhantemente a sua carreira senatorial, e foi destinado durante uma época para a Gália Lugdunense, onde nasceram os seus dois filhos varões.

Graças ao apoio do prefeito da guarda pretoriana, Emílio Laeto, obteve o posto de legado da província da Panônia Superior, na qual lhe foi dado o comando de três legiões para defender a fronteira.

Luta pelo trono: O ano dos cinco imperadores thumb|200px|right|Busto de Severo no Museu Arqueológico Nacional de Espanha, Madrid

A 31 de dezembro de 192, o imperador Cômodo foi declarado inimigo pelo senado e assassinado por um dos seus libertos, Narciso. Pertinax foi eleito pelo senado como novo imperador após ter pago um generoso donativum aos pretorianos.

À sua chegada ao poder, o novo imperador apercebeu-se de que as arcas imperiais estavam vazias. A fim de revitalizar a economia, Pertinax decidiu eliminar despesas supérfluas, para o qual eliminou os pretorianos do poder e impôs uma disciplina mais severa. Três meses depois foi assassinado e sucedido por Dídio Juliano, que adquiriu o trono num leilão dirigido pelos pretorianos no que se impôs ao sogro de Pertinax, Tito Flávio Sulpiciano.

Após os assassinatos de Cômodo (192) e de Pertinax (193), impôs-se pelas armas contra os partidários de Dídio Juliano e foi proclamado imperador por suas tropas, jurando vingar a morte de seu predecessor, chegando até a acrescentar Pertinax ao seu nome.

Para combater Pescênio Níger, que havia sido proclamado imperador pelas legiões do Oriente, marchou para a Itália, encontrando pouca resistência, e, depois que a maioria do senado o apoiou, Dídio Juliano foi morto e os pretorianos que haviam assassinado Pertinax fugiram. Tendo de enfrentar dois candidatos rivais ao trono - Níger no Oriente e Clódio Albino no Ocidente, preferiu enganar temporariamente este último associando-o ao trono, enquanto se dirigia ao Oriente para enfrentar Níger, que foi finalmente derrotado e morto em Antioquia (194), cidade do sul da Anatólia, a atual Antáquia. Puniu severamente as cidades e as províncias desleais - especialmente Antioquia, que perdeu parte do seu território, e Bizâncio, que continuará a resistir mesmo depois da morte de Níger, sendo tomada de assalto e saqueada - e iniciou (195) a invasão da Mesopotâmia, onde subjugou os árabes osroenos, adiabenos e cenitas.

A 1 de junho de 193, o senado condenou Dídio Juliano à morte, aplanando assim o caminho de Severo, que se apresentou em Roma com o seu exército a 9 de junho daquele ano. O assassino de Juliano foi um dos pretorianos que o levaram para o poder. À sua chegada a Roma, Severo convidou a guarda pretoriana a um banquete no seu acampamento. Porém, quando os pretorianos chegaram foram desarmados por uma força de soldados de Severo, que executaram os assassinos de Pertinax. Severo substituiu os pretorianos por soldados originários da Panônia.

left|thumb|150px|Busto de Júlia Domna, Museu do Louvre, Paris Foi então que revoltas surgiram: No Oriente Pescênio Níger, governador da província da Síria, recusou aceitar Severo como imperador. O seu próprio exército proclamou-o imperador, e pronto obteve o apoio da província do Egito. Severo marchou imediatamente para leste e esmagou o indisciplinado exército de Níger. A batalha decisiva aconteceu em Isos, na Primavera de 194. Na Britânia havia uma ameaça muito mais séria sobre o novo imperador. Clódio Albino era um influente senador de origem africana que relevara o falecido Pertinax no governo da ilha. O seu exército era numeroso e estava muito bem treinado, consequência de anos de guerra contra as tribos escocesas. Severo conciliou-se habilmente com Albino ao oferecer-lhe o título de César e o consulado de 194.

Porém, em 195, após uma campanha contra o Império Parta, Severo proclamou Albino inimigo público. Este último cruzou o Canal da Mancha em 196 à frente de cerca de 40 000 soldados. A decisiva Batalha de Lugduno travou-se um ano depois perto da localidade do mesmo nome. Após a batalha, na qual Severo e as suas legiões resultaram vitoriosos, Albino escapou, suicidando-se pouco depois.

Severo mandou despojar da roupa o corpo do seu inimigo para que fosse pisoteado por um cavalo. A sua cabeça foi enviada para Roma e o seu corpo foi jogado no rio Ródano. A mulher e os filhos de Albino foram assassinados pouco depois de receber a notícia. Outros 29 senadores que o apoiaram foram executados brutalmente.

Tendo consolidado o seu poder, Septímio Severo tomou o nome de Pertinax, proclamou-se filho de Marco Aurélio, e criou uma genealogia fictícia que se remontava a Nerva.

O seu reinado: aspectos militares

O reinado de Septímio Severo teve um marcado caráter militar, refletido em numerosas medidas tomadas pelo imperador, como a substituição dos pretorianos pelos legionários da Panônia.

Entre 197 e 199, foram travadas com sucesso uma série de campanhas contra o Império Parta que derivaram no estabelecimento da nova província da Mesopotâmia. Após a conquista da cidade de Ctesifonte, em cujo assédio faleceram cerca de 100 000 pessoas, os romanos apoderaram-se dos tesouros dos partas. Severo dedicou os cinco anos posteriores a organizar a administração da nova província, cuja instituição foi vista pelo povo irani como uma usurpação do seu território, sendo motivo de discórdia com o Império.

thumb|250px|Dinastia severa. O rosto de Geta foi destruído depois do damnatio memoriae decretado pelo seu irmão e assassino Caracala.têmpera sobre madeira, Museus Estatais de Berlim Severo conhecia as dificuldades do soldado porque as vivera ele próprio, e por isso pôs em funcionamento uma série de medidas a fim de aumentar a sua qualidade de vida:

Aumentou consideravelmente o salário dos soldados, o que provocou um desequilíbrio nas finanças e a economia imperiais. Melhorou o annone militar organizando-o oficialmente como uma instituição. A compra e manutenção do equipamento e fornecimento era responsabilidade dos soldados, enquanto do transporte era responsável a administração de Septímio Severo.