A poesia épica (, plural: , ) é um subgênero de literatura voltado para a expressão poética de mitos e histórias coletivas. Manifesta-se, principalmente, pela epopeia, um gênero textual que narra os feitos de um herói lendário, a exemplo da Odisseia de Homero e de Os Lusíadas de Luís de Camões.

Epopeia Epopeia é uma narrativa que apresenta, com maior qualidade os fatos originalmente contados em versos, a saber as características: personagens, tempo, ação, espaço. Também pode conter factos heroicos muitas vezes transcorridos durante guerras.

Epopeia é um poema épico ou lírico. Um poema heroico narrativo extenso, uma coleção de feitos, de fatos históricos, de um ou de vários indivíduos, reais, lendários ou mitológicos. A epopeia eterniza lendas seculares e tradições ancestrais, preservada ao longo dos tempos pela tradição oral ou escrita. A epopeia exalta um povo que é representado por um herói (exemplo: Os Portugueses em Lusíadas). Os primeiros grandes modelos ocidentais de epopeia são os poemas homéricos a Ilíada e a Odisseia, os quais têm a sua origem nas lendas sobre a guerra de Troia.

Na literatura romana, o gênero épico atinge sua forma mais influente com a Eneida, de Virgílio (século I a.C.). Inspirando-se na Ilíada e na Odisseia, Santos (2001) explica que Virgílio estrutura a Eneida unindo os dois modelos da épica grega. Os seis primeiros livros seguem o padrão da Odisseia ao mostrar Eneias como um herói viajante que enfrenta provações até compreender seu destino, guiado pelo dever para com os deuses, enfrentando tempestades, oráculos e o amor trágico de Dido. Já os seis últimos livros retomam o modelo da Ilíada ao apresentar conflitos armados que levam à fundação da futura pátria romana. Essa combinação de viagem e guerra cria uma epopeia que integra tradição grega e ideal romano em uma narrativa única, elevando o gênero épico a uma nova dimensão ética e nacional. Portanto, Virgílio combina elementos de guerra e viagem para exaltar o destino de Roma e seus valores fundadores.

Segundo Aristóteles, a epopeia é a imitação de homens superiores, em versos com metro único e forma narrativa, diferenciando-se assim das tragédias. As epopeias não possuem limite de tempo ou espaço, tornando-se ilimitadas, diferindo das tragédias, que apresentam tempo determinado, como, por exemplo, o período de um dia inteiro.

Epopeias orais Os primeiros épicos foram produtos de sociedades pré-letradas e tradições poéticas de história oral. A tradição oral foi usada junto com as escrituras escritas para comunicar e facilitar a difusão da cultura. Nessas tradições, a poesia é transmitida ao público e de intérprete a intérprete por meios puramente orais. O estudo do início do sobre a vida de tradições épicas orais nos Bálcãs demonstrou a paratática, modelo usado para compor esses poemas. O que eles demonstraram foi que os épicos orais tendem a ser construídos em episódios curtos, cada um de igual status, interesse e importância. Isso facilita a memorização, pois o poeta está relembrando cada episódio por vez e usando os episódios completos para recriar todo o épico à medida que o interpreta. A fonte mais provável para os textos escritos das epopeias de Homero foi o ditado de uma apresentação oral.Goody, Jack (1987). A interface entre o escrito e o oral. Cambridge University Press. pp. 110–121. ISBN 978-0-521-33794-6.

Os épicos homéricos, as primeiras obras da literatura ocidental, eram fundamentalmente uma forma poética oral. Essas obras constituem a base do gênero épico na literatura ocidental. Quase todos os épicos ocidentais (incluindo a Eneida de Virgílio e a Divina Comédia de Dante) se apresentam conscientemente como uma continuação da tradição iniciada por esses poemas.

Algumas obras épicas TítuloAutorOnde foi criadaDataEpopeia de Gilgamés anônimo Suméria séc. XXII – Ilíada Homero Grécia c. séc. VIII a.C. Odisseia Homero Grécia c. séc. VIII a.C. Teogonia Hesíodo Grécia séc. VII a.C. Os Trabalhos e os Dias Hesíodo Grécia séc. VII a.C. Mahabharata Viasa Índia séc. IV – III a.C. As Argonáuticas Apolônio de Rodes Grécia séc. III a.C. Ênio Roma séc. III a.C. Eneida Virgílio Roma séc. I a.C. Metamorfoses Ovídio Roma séc. I a.C. Farsália Lucano Roma séc. I Sílio Itálico Roma séc. I Tebaida Estácio Roma séc. I Aquileida Estácio Roma séc. I Valério Flaco Roma séc. I Claudiano Roma séc. IV Claudiano Roma séc. IV Beowulf anônimo Inglaterra séc. VIII – XI Canção de Rolando anônimo França séc. XI Digenis Acritas anônimo Império Bizantino séc. XI ou XII Canção dos Nibelungos anônimo Alemanha c. 1200 Cantar de Mio Cid anônimo Espanha c. 1200 Parzival Wolfram von Eschenbach Alemanha séc. XIII Saga dos Volsungos anônimo Islândia c. 1300 Divina Comédia Dante Alighieri Itália 1304 – 1321 Orlando Furioso Ariosto Itália séc. XIV–XVI Os Lusíadas Camões Portugal 1572 Jerusalém Libertada Torquato Tasso Itália 1580 Malaca Conquistada Francisco de Sá de Meneses Portugal 1634 Paraíso Perdido John Milton Inglaterra 1667 Viriato Trágico Brás Garcia de Mascarenhas Portugal 1699 O Uraguai Basílio da Gama Brasil 1769 Caramuru Santa Rita Durão Brasil 1781 Hermann e Doroteia Goethe Alemanha 1796 – 1797 O Oriente José Agostinho de Macedo Portugal 1814 O novo argonauta José Agostinho de Macedo Portugal 1825O Novo Argonauta, José Macedo, 1825. Destruição de Nínive Edwin Atherstone Inglaterra 1828-1868 Pan Tadeusz Adam Mickiewicz Polónia 1834 Vila Rica Claudio Manuel da Costa Brasil 1839 Kalevala Elias Lönnrot Finlândia 1835–1849 Batismo sobre Savica France Prešeren Eslovênia 1836 A independência do Brasil Antonio Gonsalves Teixeira e Sousa Brasil 1855A Confederação dos Tamoios Domingos José Gonçalves de Magalhães Brasil 1856 Augusto Meira Brasil 1923 Mensagem Fernando Pessoa Portugal 1934 Carlos Alberto da Costa Nunes Brasil 1938 Os Peãs Gerardo Mello Mourão Brasil 1963 Nagib Modad Brasil 1965

Ver também Poesía épica indiana Poeta de guerra

Bibliografia

Aristóteles.Ética a Nicômaco; Poética / Aristóteles; seleção de textos de José Américo Motta Pessanha. — 4. ed. — São Paulo: Nova Cultural, 1991. — (Os pensadores; v. 2) Ética a Nicômaco: tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim da versão inglesa de W.D. Ross; Poética: tradução, comentários e índices analítico e onomástico de Eudoro de Souza. Bibliografia. ISBN 85-13-00232-1 Leoni, G. D., Os gêneros literários da cultura romana. Citroni, M., Consolino, F. E., Labate, M., Narducci, E., "Virgílio", in Literatura de Roma Antiga, trad. port. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2006. Cardoso, Zélia de Almeida. A literatura latina, São Paulo: Martins Fontes, 2011.

Categoria:Formas poéticas