thumb|Ellen White com seu marido, James White. Controvérsias sobre Ellen G. White são as polêmicas envolvendo a líder religiosa americana Ellen Gould White (1827 - 1915). Co-fundadora do adventismo e da Igreja Adventista do Sétimo Dia, escreveu numerosos textos religiosos no século XIX.

Textos

Masturbação Com intenção de advertir os adventistas da época, Ellen G. White publicou em 1864 conselhos relacionado à masturbação no folheto sob o título An Appeal to Mothers: The Great Cause of the Physical, Mental, and Moral Ruin of Children of Our Time (Um Apelo às Mães: A Grande Causa da Ruína Física, Mental e Moral de Nossa Época).

Os especialistas Fernando Almeida (professor de urologia da Unifesp) e Arlete Gianfaldoni (ginecologista assistente do Hospital das Clínicas de SP) declaram que a masturbação, tanto para homens quanto para mulheres, não faz mal ao corpo ou mente do ponto de vista médico. E ainda segundo outros especialistas, a masturbação: "Por muito tempo, foi entendida como um mau hábito e esse conceito equivocado foi transmitido de geração para geração." Explicam que já no século XVIII, devido a crendices e tabus, a masturbação era condenada pela sociedade, pela igreja, e pela própria ciência. Naquela época por exemplo, o Samuel Auguste Tissot escreveu um tratado sobre as consequências do ato da masturbação e destacou que esta poderia causar doenças mentais e cerebrais, bem como a fraqueza física, a palidez, o desinteresse geral e até os sinais de esquizofrenia e epilepsia. Pela afirmação desses profissionais, estudos mostraram que a masturbação é uma prática natural e saudável e declaram: "Hoje sabemos que masturbação não causa impotência, distúrbios psicóticos ou qualquer outro dano físico, mental ou de desempenho sexual."Grünspun H. Distúrbios Neuróticos da Criança. 4ª ed. São Paulo: Ed. Atheneu, 1998. Kanner L. Tratado de Psiquiatria Infantil. Santiago: Zig-Zag, 1951. Reis MMF. Masturbação.

Alguns psicólogos entre os quais o Prof. Aurélio Bolsanello e a Dr. Maria A. Bolsanello, declaram que o que prejudica, não é o ato da masturbação em si, mas a angústia que se associa a ela; ou seja, a ideia de culpa ou arrependimento pode originar graves traumas emocionais. Segundo Bolsanello, além da masturbação ser necessária para o adolescente, não é uma perversão, mas uma fase psicológica inofensiva derivada de um impulso sexual sadio. E ainda afirma: "Muitas interpretações errôneas são feitas sobre as consequências da masturbação, como: debilidade física, perda da virilidade, deficiência mental e prejuízos morais". E conclui: "Uma educação mais adequada se faz premente a pais e filhos a fim de corrigir-se um erro antigo que a tanto de nós faz sofrer e a história repetir-se."Análise do comportamento humano em psicologia- conselhos- A adolescência vol II, psicologia geral e atual, pg 85. (Editora educacional brasileira S.A)

A ciência recentemente provou que a masturbação ajuda a prevenir o câncer de próstata, bem como outros tipos de câncer, no homem, principalmente quando praticado por pessoas acima de 50 anos. Ao contrário de estudos anteriores, os cientistas estudaram apenas os efeitos da masturbação, enquanto os outros estudos consideravam também relações sexuais, que podem trazer infecções, e com isso, aumentar a ocorrência de câncer de próstata. Um estudo realizado na Universidade de Nottingham, publicado em 29 de Janeiro de 2009, desmitifica a relação masturbação-câncer, ao atribuir a maior ocorrência de câncer à maior concentração de hormônios, e também ao aumento do apetite sexual, que seria efeito, e não causa. O tratamento por hormônios acaba por estimular, involuntariamente, as células cancerígenas.]

Lepra e carne de porco Segundo a sra. White, comer carne de porco produz lepra. Ela declarou: "O comer porco tem produzido escrófulas, lepra e tumores cancerosos. O ingerir carne desse animal está ainda causando o mais intenso sofrimento à humanidade" (mensageira do senhor pg 281)(conselhos sobre regime alimentar pg 393). As informações de uns especialistas indicam que essa crença(ou teoria) era muito antiga. Na descrição de Nancy de Pilla Montebello e Wilma Maria Coelho Araújo, os egípcios acreditavam na transmissão da lepra pelo porco e por isso "criadores de porcos eram proibidos de entrar em templos egípcios".Carne & cia serie alimentos e bebidas vol. 1 pg 62. Por Wilma Maria Coelho Araújo e Nancy de Pilla Montebello – Editora Senac. Também segundo o relato da pesquisadora gastronômica Maria L. M. Cavalcanti, por essa mesma razão o porco não era pintado nas tumbas dos faraós, e os hebreus tinham essa mesma crença da transmissão da lepra pelo suíno.

Sobre a transmissão da doença, pesquisadores afirmam que o animal que pode transmitir a lepra além do homem, em alguns casos, é o tatu. Declaram: "a hanseníase constitui-se em uma das poucas doenças infecciosas em que um modelo animal não pode ser desenvolvido com sucesso, a não ser em situações especiais com tatus"Haroldo José de Matos, Nádia Duppre, Maria Fernanda Sardella Alvim, Leila Maria Machado Vieira, Euzenir Nunes Sarno, Cláudio José Struchiner (1999). Epidemiologia da lepra em coorte de contatos intradomiciliares no Rio de Janeiro (1987-1991) E ainda segundo a Dra Maria Eugenia N. Gallo (chefe do laboratório de hanseníase do Instituto Osvaldo Cruz - IOC ), o contágio é exclusivamente entre os seres humanos. Os pacientes da forma multibacilar (contagiosa) sem tratamento, eliminam os bacilos através do aparelho respiratório superior (secreções nasais, gotículas da fala, tosse, espirro).

Amálgama – a polêmica dos parágrafos omitidos Descrevendo um grande pecado, Ellen White relatou:

"Mas se há um pecado acima de todo outro que atraiu a destruição da raça pelo dilúvio, foi o aviltante crime de amálgama de homem e besta que deturpou a imagem de Deus e causou confusão por toda parte.".Spiritual Gifts, Vol. 3, pg.64, 1864 - resumo (formato áudio). "Toda espécie de animal que Deus criou foi preservada na arca. As espécies confusas que Deus não criara, resultantes da amálgama, foram destruídas pelo dilúvio. Desde o dilúvio, tem havido amálgama de homem e besta como pode ser visto nas quase infindáveis variedades de espécies animais e em certas raças de homens.".Spiritual Gifts, Vol. 3, pg. 75, 1864

Segundo o artigo de Gordon Sigley e na opinião do escritor apologista Dirk Anderson, a afirmação da Sra White sobre o amálgama (mistura, fusão, cruzamento) de homem e besta (animal) foi uma das mais controvertidas e embaraçosas para seus seguidores. Na opinião de Dirk, a afirmação da sra. White parecia indicar que ela cria que, a união sexual entre seres humanos e bestas (animais) antes e depois do dilúvio produziu espécies diferentes, amalgamadas (e que Deus não criara). A citação da sra White,diz que os resultados do amálgama podiam ser vistos "em certas raças de homens." Já na época, esses parágrafos causaram sérias perguntas, como: Quais raças são resultado da amálgama? Em 1868, o dirigente adventista Urias Smith publicou sua defesa de Ellen White. Nesse livro, Smith conjecturava que a união entre seres humanos e bestas havia criado raças como os bosquímanos (indígenas) da África, algumas tribos de hotentotes, entre outras..(A Nuvem branca -por Dirk Anderson-1999 1ª ed.2001 2ª ed. -Uriah Smith, The Visions of Mrs. E. G. White, p. 103, 1868.) (Gordon Shigley, "Amalgamation of Man and Beast: What Did Ellen White Mean?", Spectrum, vol. 12, no. 4 - 1982) A Sra White não fizera qualquer declaração com respeito à defesa de Urian Smith.(Gordon Shigley, "Amalgamation of Man and Beast: What Did Ellen White Mean?", Spectrum, vol. 12, no. 4 1982). Tiago White o marido de Ellen White, revisou o livro de Smith antes da publicação e o recomendou aos leitores da revista oficial da igreja, a Review and Herald. E no mesmo ano, o Sr e a Sra White levaram 2.000 exemplares do livro de Smith consigo para oferecê-los durante as reuniões campais.( Gordon Shigley, "Amalgamation of Man and Beast: What Did Ellen White Mean?", Spectrum, vol. 12, no. 4 1982, pg. 14.) (A Nuvem branca – por Dirk Anderson ed. 1999 -2001)

Os parágrafos sobre o amálgama voltaram a ser publicados em 1870 no livro Spirit of Prophecy, Vol. 1, e continuaram causando controvérsia.(A nuvem branca-por Dirk Anderson-1999 1ª ed. 2001 2ª ed.). Durante anos, vários homens haviam oferecido diferentes interpretações das declarações de Ellen White. "críticos e apologistas de Ellen White postaram-se em batalha em torno desse assunto de elevada carga emocional."(Gordon Shigley, "Amalgamation of Man and Beast: What Did Ellen White Mean?", Spectrum, vol. 12, no. 4 1982) (http:michelsonperguntas.blogspot.com) Em setembro de 1947, houve uma reunião onde quinze dos mais importantes líderes eclesiásticos adventistas estavam presentes para ouvir dois biólogos adventistas, o Dr. Frank L. Marsh e o Dr. Harold W. Clark, debaterem o sentido de tais declarações publicadas no século XIX pela profetisa de sua igreja, Ellen G. White. As posições dos biólogos eram diferentes. O Dr Clark afirmava que a Sra White realmente referia-se ao cruzamento de seres humanos com animais. Mas o Dr Marsh defendia a interpretação de cruzamentos separados: humano com humano, animal com animal. Houve uma batalha de argumentos, sem haver consenso completo. "a controvérsia nunca foi totalmente superada.(Gordon Shigley, "Amalgamation of Man and Beast: What Did Ellen White Mean?", Spectrum, vol. 12, no. 4 1982

O Centro de pesquisas Ellen White (CentroWhite), aceitando a versão defendida pelo Dr Marsh, declara que a Sra. White nunca sugeriu a existência de seres subumanos ou qualquer tipo de relação híbrida animal/homem. Ela falou sobre "espécies animais" e "raças humanas", mas não sobre algum tipo de amálgama de animais com seres humanos. "Nenhum dicionário jamais usou a palavra "amalgamação" para descrever a coabitação de homem com animal. O emprego da palavra no século XIX incluía a miscigenação de diversas raças". E acrescentam: "Reconhecemos, porém que estudantes sérios dos escritos de Ellen White divergem sobre o que ela queria dizer por amalgamação. A responsabilidade da prova repousa sobre aqueles que afirmam que a Sra. White deu ao termo um novo e estranho significado.

Apoiando a tese de Frank L. Marsh, o adventista Dr Francis D. Nichol escreveu o livro: Ellen White and her Critics, onde Nichol diz que a amalgamação (humano com humano) referia-se ao cruzamento da raça (ímpia-dos homens) de Caim, com a raça (crente-de Deus) de Seth. E os animais ao se cruzarem em diferentes raças, também estavam cometendo crime, ou pecado contra a lei natural de Deus.Ellen G. White and Her Critics pg 306- 322) (www.whiteestate.org/issues/amalg.html). Nichol declarou: "Acreditamos que o significado da frase-chave em questão é encontrado por sua compreensão de leitura: "amálgama de homem e [de] besta." Assim, a passagem seria falar do amálgama de diferentes raças da humanidade e da fusão de diferentes raças de animais. A construção gramatical e de uso comum nos permitem compreender "de" como sendo implícita".(Ellen G. White and Her Critics pg 306- 322) (www.whiteestate.org/issues/amalg.html).

Após 1871, os parágrafos do amálgama foram omitidos das edições posteriores. E o filho de Ellen White, W.C. White, explicou: "Quanto aos dois parágrafos que se encontram em Spiritual Gifts e também em Spirit of Prophecy, relativamente ao amálgama e à razão por que foram omitidos dos livros posteriores, e à questão de quem assumiu a responsabilidade de omiti-los, posso falar com perfeita clareza e convicção. Eles foram omitidos por Ellen G. White". "A Sra. White não só tinha bom juízo baseado numa compreensão clara e abarcante das condições e as conseqüências naturais de publicar o que escrevia, como muitas vezes recebia instruções diretas do anjo do Senhor em relação com o que devia ser omitido ou acrescentado nas novas edições.".Mensagens Escolhidas vol 3 pg 452