A Linha Garças de Minas a Belo Horizonte é uma ferrovia brasileira de bitola métrica, localizada no estado de Minas Gerais. A linha interliga o município de Iguatama, onde se conecta à antiga linha tronco da Rede Mineira de Viação, à cidade de Belo Horizonte, capital estadual.

Originalmente construída como parte da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), a linha integra atualmente o sistema da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), sendo operada pela VLI Multimodal. Constitui um importante corredor ferroviário de cargas no centro-sul do Brasil.

História

Planejamento e construção (fins do século XIX a 1920) A implantação da linha entre Garças de Minas e Belo Horizonte insere-se no contexto da expansão ferroviária brasileira durante a Primeira República, quando as ferrovias eram vistas como instrumentos fundamentais para a integração territorial e o escoamento da produção agrícola e mineral.

A Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), originalmente construída em bitola estreita de 762 mm, passou por um processo de expansão e adaptação no início do século XX, com a construção de trechos em bitola métrica, buscando maior integração com outras malhas ferroviárias do país.

As obras da linha tiveram início em 1911, avançando progressivamente em direção à capital mineira. O traçado estabeleceu ligação com a região de Garças de Minas, então pertencente ao município de Formiga, importante ponto de articulação ferroviária com a Estrada de Ferro Goiás.

O prolongamento até Belo Horizonte foi concluído em 1920, consolidando a inserção da capital no sistema ferroviário da EFOM e ampliando sua conectividade com o interior do estado e outras regiões do Brasil.

Integração à Rede Mineira de Viação (1920-1960) Ao longo das décadas seguintes, a linha passou a integrar a Rede Mineira de Viação (RMV), resultado da incorporação e reorganização de diversas ferrovias mineiras. Nesse período, a linha Garças de Minas a Belo Horizonte desempenhou papel estratégico no transporte de cargas e passageiros, conectando regiões agrícolas do oeste mineiro à capital estadual.

A padronização em bitola métrica facilitou a interoperabilidade com outras linhas da RMV, consolidando a ferrovia como eixo estruturante do sistema ferroviário mineiro.

Incorporação à Rede Ferroviária Federal (1960-1990) Com a criação da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), em 1957, a linha foi incorporada ao sistema ferroviário nacional, passando a operar sob gestão estatal. Nesse período, houve progressiva priorização do transporte de cargas em detrimento do transporte de passageiros, tendência observada em diversas ferrovias brasileiras.

A linha manteve sua importância como corredor logístico regional, especialmente para o escoamento de produtos agropecuários e minerais.

Concessão à iniciativa privada e operação contemporânea (1996-presente) No contexto das reformas neoliberais da década de 1990, a malha ferroviária da RFFSA foi concedida à iniciativa privada. Em 1996, a linha passou a integrar a concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), responsável pela operação de extensas malhas ferroviárias nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil.

Atualmente, a operação é realizada pela VLI Multimodal, que administra a FCA. A linha constitui parte de um importante corredor ferroviário de cargas, conectando o Centro-Oeste e o Triângulo Mineiro aos portos do Espírito Santo, em articulação com a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).

Apesar da modernização logística, muitos trechos da antiga infraestrutura da EFOM ainda preservam características históricas, constituindo importante patrimônio ferroviário de Minas Gerais.

Características A linha possui aproximadamente 296 km de extensão e foi implantada em bitola métrica, padrão predominante na expansão ferroviária mineira do início do século XX.

Seu traçado conecta regiões de importância econômica, permitindo a articulação entre áreas produtoras do interior de Minas Gerais e os principais eixos logísticos do país.

Operação Desde 1996, a linha integra a malha ferroviária concedida à iniciativa privada no processo de desestatização da Rede Ferroviária Federal. Atualmente, sua operação está sob responsabilidade da VLI Multimodal, por meio da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica.

A ferrovia compõe um corredor logístico estratégico, conectando o Centro-Oeste e o Triângulo Mineiro aos portos do Espírito Santo, com integração à Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).

Ver também Estrada de Ferro Oeste de Minas Rede Mineira de Viação Ferrovia Centro-Atlântica Transporte ferroviário no Brasil

Ligações externas Rede Mineira de Viação – Linha Tronco

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