As atividades da CIA no Brasil atingiram seu auge no contexto da Guerra Fria, período histórico em que o mundo esteve polarizado entre Estados Unidos da América e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Estas nações defendiam seus respectivos modelos político-ideológicos: o capitalismo e o socialismo real. Foram interferências diretas e ocultas dos EUA na política interna de uma nação soberana, em tese independente, para favorecer os interesses de empresas estadunidenses.

Papel no golpe de 1964

Com a iminência do golpe militar contra o presidente democraticamente eleito João Goulart, o então presidente estadunidense Lyndon Johnson, de acordo com o conteúdo de uma fita de áudio revelada em 2014,"I think we ought to take every step that we can, be prepared to do everything that we need to do," President Johnson instructed his aides regarding U.S. support for a coup as the Brazilian military moved against Goulart on March 31, 1964. decidiu tomar "cada passo que podemos" para apoiar a derrubada de Goulart, que seguia uma política externa independente (portanto prejudicial aos interesses estadunidenses). Goulart se opôs tanto à Invasão da Baía dos Porcos quanto às ações de Cuba na Crise dos Mísseis, mostrando-se não-alinhado com nenhum dos dois modelos político-ideológicos dominantes da época. Logo antes do golpe, um telegrama enviado por uma estação da CIA em São Paulo previu a ação militar contra o presidente João Goulart durante a semana. O golpe, entretanto, começou na noite seguinte.

O embaixador estadunidense, Lincoln Gordon, em consultas com o presidente Johnson, pediu a preparação secreta da CIA no auxílio aos golpistas, que instalaram uma ditadura militar. Telégrafos enviados por Gordon também confirmam outras medidas de apoio da CIA ao golpe, como a "ajuda para fortalecer forças de resistência", o que incluía "apoio secreto para comícios de rua pró-democracia... e o encorajamento de sentimentos democráticos e anti-comunistas no Congresso, nas forças armadas, em sindicatos e grupos de estudantes amigáveis, igrejas e empresas".

Quatro dias antes do golpe, Gordon informou a Washington que poderia "estar pedindo fundos suplementares modestos para outros programas de ação secreta no futuro próximo". Ele também pediu que o governo estadunidense enviasse petroleiros transportando "POL" (sigla para petróleo, óleo e lubrificantes) para facilitar as operações logísticas dos golpistas dentro do Exército e implantasse uma força-tarefa naval para intimidar os partidários de Goulart, além de estar em posição de intervir militarmente a qualquer momento caso o combate se tornasse prolongado.Political and economic manipulations also proving ineffective, the United States stood ready to back a military takeover of Brazil's constitutional democracy.

U.S. operation "Brother Sam" involved shipments of petroleum, a naval task force, and tons of arms and ammunition in preparation for intervention during the 1964 coup. When the Brazilian military gained control without calling on the ready assistance, U.S. policy makers immediately accorded recognition to the new government and set in motion plans for economic support.

A força-tarefa naval chegou a sair dos portos, mas não foi utilizada, assim como muitos dos recursos fornecidos pela CIA aos golpistas.

Agentes da CIA No Outono de 1961, exatamente quando João Goulart estava assumindo a presidência, os Estados Unidos começaram expandir um influxo de agentes da CIA e ajuda a funcionários de instâncias no Brasil. Conselheiros de Ajuda de Segurança Pública como Dan Mitrione eram responsáveis por "melhorar" as forças policiais brasileiras. Engle enviou o oficial da CIA, Lauren J. (Jack) Goin, para o Brasil sob a cobertura de "consultor em investigações científica". Antes de vir para o Brasil, Goin tinha criado a primeira equipe consultiva de polícia na Indonésia, que foi fundamental para o golpe apoiado pela CIA, que culminou com a morte documentada de mais de trezentos mil indonésios. Ele também tinha servido com Engle, quando a primeira Equipe Consultiva de Polícia foi criada na Turquia.A.J. Langguth, Hidden Terrors, New York: Pantheon Books, 1978, pag 51.

Segundo Ivo Acioly Corseuil, chefe do Serviço Federal de Informações e Contrainformação no governo Goulart, o marinheiro José Anselmo dos Santos, líder da Revolta dos Marinheiros de 1964, teria trabalhado para a CIA. Suas acusações são bastante difundidas, mas são criticadas por historiadores recentes que apontam a ausência de evidências para essa versão.. p. 138.

De acordo com documentos oficiais do governo americano, o presidente interino, Temer, foi um informante da embaixada dos EUA no Brasil e foi descrito como um trunfo para os interesses das empresas americanas em vários documentos diplomáticos abertos ao público.Brazil's acting president used to be US intel informant – WikiLeaks. rt.com (13 May 2016)

Ver também Envolvimento dos Estados Unidos em mudanças de regime Dan Mitrione Espionagem da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos no Brasil

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