A história dos cinemas de Curitiba está entrelaçada com a história dos cinemas que se localizavam nas ruas, através do século XX, iniciando com o 1º cinema da cidade, que ficava no Parque Coliseu Curitibano, até o início do século XXI, quando a sobrevivência de alguns poucos cinemas prenuncia o fim dos cinemas de rua e o domínio incontestável das salas de cinema dos shoppings. thumb|right|250px|Trecho da Rua das Flores outrora chamado Cinelândia Curitibana, com o Edifício Moreira Garcez, onde funcionava o Cine Palácio

Histórico No fim do século XIX, em 8 de junho de 1896, era realizada a 1ª sessão de cinema do Brasil, na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, e em 28 de fevereiro de 1900 era fundado o Cinematógrafo Paris, em São Paulo. Em 1907, foram inauguradas as 18 salas de cinema no Rio de Janeiro, entre 10 de agosto e 24 de dezembro. A partir de então, através do Brasil centenas de salas de cinema foram construídas, e salões foram improvisados para a projeção dos filmes.

Em Curitiba, em 25 de agosto de 1897, aconteceu a primeira exibição de imagens em movimento do estado do Paraná, e o local escolhido foi o Theatro Hauer, posteriormente Cine Marabá, em Curitiba.

Francisco Serrador Após a 1ª projeção de cinema em Curitiba, no Theatro Hauer, o cinema só surgiria como entretenimento em 1904, com o empenho do imigrante espanhol Francisco Serrador, que viera para o Brasil em 1887. Serrador montou, em 1904, um cinema dentro do Parque Coliseu Curitibano, que oferecia diversões desde 1902. O Parque Coliseu fora fundado por Serrador, Manuel Laffite e Antonio Gadotti. Serrador, prevendo o sucesso que o cinema se tornaria, fundou a empresa Richembourg, especializada em exibições cinematográficas, ampliando seus interesses para o interior do Paraná e São PauloDESTEFANI, Cid Cinema em Curitiba. Curitiba: Gazeta do Povo, Vida e Cidadania, Sessão Nostalgia, 6 de fevereiro de 2011, p. 24.

Após 1907, Serrador parte para São Paulo, onde fundou o Cine Bijou e outros 4 cinemas. Abriu também cinemas em Campinas e Santos. Em 1910, monta no Rio de Janeiro o Cine Chantecler, e participa do início da Cinelândia Carioca. Dono da Empresa Brasil de Filmes, ou como era conhecida, “Circuito Serrador”, Francisco morre no Rio de Janeiro em março de 1941.

Antonio Mattos Azeredo O português Antonio Mattos Azeredo, por volta de 1924, arrendara o Palácio Theatre e o Mignon Theatre e, mais tarde, o Cine PopularDESTEFANI, Cid. Curitiba:Gazeta do Povo, 20/02/2011. In: Cinema em Curitiba 3.ª parte. A Cia. Cine Theatral Paraná era uma empresa dos sócios Annibal Requião, Joaquim Sampaio, Francisco Fido Fontana, Ângelo Casagrande e Antonio Mattos Azeredo, este com 55% das ações DESTEFANI, Cid., 2011, idem.

O Palácio Theatre era um barracão de madeira que pertencera a João Moreira Garcez, de quem Mattos Azeredo arrendou, fazendo nele melhorias. Quando foi construído o Edifício Garcez, no início de 1930, o cinema já era todo de alvenaria, e o público chegava até ele através do corredor no andar térreo do edifício, com entrada pela Avenida Luiz Xavier.

O Cine Mignon ficava na Rua XV de Novembro após a esquina da Rua Marechal Floriano, e pertencia a Joaquim Taborda Ribas; Mattos Azeredo sublocava parte do imóvel.

Além desses dois, havia ainda o Cine Popular. O Cine Theatral Paraná mantinha, além disso, exibições em três salões da sociedade alemã de Curitiba, no Teuto Brasileiro, no Andewerger e no Theatro Hauer.

Antonio Mattos Azeredo chegou ainda a explorar o primeiro Cine Glória, depois Cine Odeon, na Avenida Luiz Xavier, e na Rua XV de Novembro o Cine Imperial, que depois da Segunda Guerra Mundial passaria a se chamar Cine Vitória, e depois teria o nome novamente mudado para Cine Ritz. Azeredo ainda dirigiu o Cine Avenida, propriedade de Feres Merhy, com a saída do primeiro arrendatário, José Muzillo.

Francisco Zanicotti Francisco Zanicotti abriria, no final da década de 1910, associado com Domingos Foggiatto, o Cine Central, antes Cine Éden, no início da Rua XV de Novembro, o Cine América, instalado num barracão que fora caserna do "Tiro Rio Branco", onde hoje está o Banco do Brasil no lado da Rua Dr. Murici, e o primeiro cine retirado do centro, o Cine Floriano que ficava na Rua Marechal Floriano entre as ruas Iguaçu e Silva JardimDESTEFANI, Cid. Curitiba:Gazeta do Povo, 13/02/2011. In: Cinema em Curitiba 2.ª parte .

Annibal Requião No limiar da década de 1910, Annibal Requião, fotógrafo e pioneiro da cinegrafia no Paraná, instala o Cine Smart, na Rua XV de Novembro. Requião filmava os acontecimentos importantes ocorridos na cidade e os projetava em seu cinema durante a década de 1910.

Sociedade Morgenau Por volta de 1919, a Sociedade Morgenau, quando não apresentava seus tradicionais bailes para a comunidade, arrastava as cadeiras para o salão, colocava um projetor e improvisava uma sessão de cinema. A partir de então, as vantagens financeiras da indústria do cinema promoveram a construção de salas diversas, especialmente construídas e organizadas para a projeção cinematográfica, envolvendo a sétima arte em uma atmosfera de glamour e sedução. O fascínio das salas de cinema conduziu não apenas ao aproveitamento comercial da projeção e suas arrecadações, mas também transformou o cinema em ponto de encontro, de informação, de influência e de status artístico, alcançando uma significação sócio-cultural que atravessou o século XX, de forma singular e indelével.

Cinemas de rua Os cinemas localizados na rua iniciaram com o século XX, tornaram-se símbolos de modernidade e glamour, influenciaram a sociedade na formação e interpretação de seus costumes, sonhos e tradições, e igualmente com o século XX partiram, sob o saudosismo de várias gerações que cresceram sob suas luzes e fantasias. Um dos principais pontos de encontro, o cinema de rua marcou época, e fez parte da vida social da grande maioria das cidades brasileiras. Inicialmente improvisados, com cadeiras de palha, utilizando salões de baile, teatros e sociedades, com o passar do tempo foram ficando mais sofisticados, com edifícios construídos especialmente para a projeção.

No final do século XX, porém, mediante as mudanças sociais que banalizaram a violência urbana, o surgimento dos shoppings foi a solução plausível para a insegurança das ruas. O cinema de rua se tornou vulnerável e começou a decair, mediante a queda da frequência. A multiplicação das salas de cinema dos shoppings veio ao encontro não apenas da necessidade da segurança que as ruas não mais ofereciam, mas também em virtude da grande oferta e rotatividade de filmes, quando a sala de cinema menor em tamanho e maior em número possibilitava atender mais adequadamente à demanda cinematográfica.

Em Curitiba, salas foram construídas especialmente para a projeção de cinema. De acordo com o almanaque "Guia Paranaense", em 1916 Curitiba contava com sete cinemas: Cine Mignon, Cine Éden, Cine Smart, Cine Radium, Cine Bijou, Cine Progresso, Cine AméricaGuia Paranaense, 1916. In: DESTEFANI, Cid. Gazeta do Povo. Curitiba: 17 de abril de 2011. Nostalgia, p. 10. O Cine Avenida foi construído em 1929 exatamente com a finalidade de ser um cinema. Os cinemas de rua marcaram presença através do século XX, e houve época, particularmente nos anos 70, em que 15 cinemas estiveram funcionando ininterruptamente nas ruas da cidadeMILLARCH, Aramis. “A nossa economia”. O Estado do Paraná, 24/09/76.

Quando surgiu o cinema no Shopping Curitiba, em 1996, com seis salas no conceito multiplex, os cinemas do centro da cidade começaram a perceber uma queda crescente no movimento, o que foi acentuado quando surgiram as cinco salas do Shopping Crystal. Com a abertura, porém, de dez salas no então chamado Estação Plaza Show, hoje Shopping Estação, veio a tecnologia em equipamentos modernos e, a partir disso, muitos cinemas, como o Cine Condor e o Cine Lido, foram colocados à venda. O Cine Astor sobreviveu até a exibição do filme Titanic, recorde mundial de bilheteria. Quando saiu de cartaz, fechou. Atualmente, os cinemas de rua de Curitiba fecharam ou viraram bingos, igrejas, centros comerciais, e as quase 60 salas de cinema da cidade estão totalmente concentradas em shoppings.

Cinelândia Curitibana A Cinelândia Curitibana compreendia uma área em que um complexo de cinemas foi sendo construído a partir dos anos 20, localizando-se na Rua XV de Novembro e Avenida Luiz Xavier, também conhecida Rua das Flores, entre o Palácio Avenida e Edifício Garcez, perto da Praça General Osório. Desde a construção do Palácio Avenida, onde se inaugurou o Cine Avenida em 1929, outros cinemas aí se instalaram, como o Cine Ópera, inaugurado em 1941, o Cine Palácio e o Cine Odeon, e a Avenida Luiz Xavier, juntamente com o trecho correspondente da Rua XV de Novembro ficaram então conhecidas, durante o período áureo do cinema, até a primeira metade dos anos 70, como Cinelândia Curitibana. Na década de 1930, a Rua XV de Novembro ainda era estreita e era a via central, passagem obrigatória de todo o tráfego de veículos e de inúmeras linhas de ônibus que circulavam no sentido Oeste/Leste. A área se tornou um ponto de encontro social e cultural da época, entrando em decadência nos anos 80. Atualmente, apesar de a área ter sido recuperada, com a restauração do Palácio Avenida, os cinemas já deixaram de existir.

Principais cinemas de rua de Curitiba Cine Mignon O Cine Mignon foi criado na década de 1910, ficava na Rua XV de Novembro após a esquina da Rua Marechal Floriano, e pertencia a Joaquim Taborda Ribas; Mattos Azeredo sublocava parte do imóvel. Apesar de a grande maioria dos cinemas da época serem acondicionados em salas improvisadas, o Cine Mignon possuía já sala de espera, botequim e café. Cine Éden Depois denominado Cine Central, foi aberto por Francisco Zanicotti, no final da década de 1910, associado com Domingos Foggiatto, no início da Rua XV de Novembro. Posteriormente foi o Cine BroadwayDESTEFANI, Cid. Curitiba: Gazeta do Povo, 27/02/2011. In: Cinema em Curitiba 4ª parte . Cine Smart Foi instalado por Annibal Requião, fotógrafo e pioneiro da cinegrafia no Paraná, na Rua XV de Novembro. Requião filmava os acontecimentos importantes de Curitiba e os projetava em seu cinema durante a década de 1910. Cine Radium Criado na década de 1910, ficava na Avenida do Portão (atual República Argentina), e pertencia a João BettegaDESTEFANI, Cid. Gazeta do Povo. Curitiba: 17 de abril de 2011. Nostalgia, p. 10. Cine Bijou Ficava na Rua Marechal Floriano, 122, nos anos 1910, e pertencia à Empresa Foggiatto. Cine Progresso Cinema existente nos anos 1910, ficava na Rua Ivahy (atual Getúlio Vargas), esquina com Rua Ractecliff, e pertencia a Bilton & Cia. Cine Morgenau Em 1919, a antiga Sociedade Morgenau, especializada em promover bailes para a comunidade, nas noites em que não havia baile arrastava as cadeiras, colocava um projetor, e o salão se transformava em um cinema, um dos primeiros cinemas de Curitiba, localizado na região do Cristo ReiOs gols que não existiram — um “causo” do futebol de antigamente Portal GRPCom - acessado em 28 de dezembro de 2010. Posteriormente foi vendido e construído na Rua Schiller, no Capanema.

Em 1960, os irmãos Jorge, Joaquim e Erasmo de Souza arrendaram o cinema, e sua programação incluía, anualmente, uma projeção sobre a Sexta-Feira Santa. Em 1977, noticiava-se uma provável extinção do Cine Morgenau, que não se concretizou:

Em 1983, o Cine Morgenau mudou-se para o Centro Comercial Rui Barbosa, e nessa época, foi-lhe oferecido exibir o filme “Garganta Profunda”, que, surpreendentemente, ficou em cartaz por 12 semanas, com sessões corridas e superlotadas. A partir de então, passou a exibir filmes pornográficosSOUZA, Jorge de. Entrevista a Leandro Hammer, 22/05/08. O Cine Morgenau ainda sobrevive, na Rua Conselheiro Laurindo, a despeito das muitas dificuldades enfrentadas com o advento dos cinemas em shoppings.

Cine Avenida