"Rockstar 101" (estilizado com todas as letras maiúsculas) é uma canção da cantora barbadense Rihanna, gravada para o seu quarto álbum de estúdio, Rated R (2009). Conta com a participação do guitarrista norte-americano Slash, tendo sido composta pela intérprete em parceria com The-Dream e Tricky Stewart, cuja produção musical esteve a cargo destes dois últimos com coprodução vocal de Makeba Riddick. O tema foi enviado para as estações de rádio norte-americanas a 18 de maio de 2010 através da Def Jam Recordings, atuando como o quarto single do disco nos Estados Unidos. Posteriormente, foi comercializado no mercado digital em formato de extended play (EP) de remisturas e disponibilizado para as emissoras de rádio da Austrália em julho do mesmo ano. Sonoramente enquadrada nos géneros grunge, rock e dubstep, a sua arquitetura instrumental edifica-se sobre solos de guitarra elétrica executados por Slash e Tim Stewart, sintetizadores industriais e batidas sincopadas de bateria. No plano lírico, a narrativa retrata com irreverência e empoderamento o estilo de vida destemido, rebelde e hedonista associado ao estatuto de uma estrela de rock.

A receção crítica concedida à faixa foi predominantemente mista: diversos analistas elogiaram a crueza da entrega vocal de Rihanna e a audácia da fusão com o universo do rock, embora outros comentadores tenham manifestado reservas quanto ao direcionamento melódico e considerado a participação de Slash discreta e secundária face ao peso da produção eletrónica. Em termos comerciais, a composição alcançou a 64.ª posição da tabela norte-americana Billboard Hot 100, atingiu o 2.º posto na Dance Club Songs — permanecendo durante 24 semanas na contagem. Foi ainda galardoada com a certificação de disco de platina pela RIAA pelas mais de um milhão de cópias vendidas. No plano internacional, atingiu a 24.ª colocação na Austrália, onde foi certificada com ouro pela ARIA, além de alcançar o 61.º lugar na contagem internacional da Coreia do Sul.

O teledisco correspondente, filmado sob a direção de Melina Matsoukas com estética gótica e industrial, apresenta a cantora a encarnar a persona cénica de Slash — envergando a sua icónica cartola, óculos escuros e cabeleira negra encaracolada —, acompanhada por correntes desenhadas por Fannie Schiavoni e pela participação especial do baterista Travis Barker, dos Blink-182. A sua divulgação contemplou uma atuação na nona temporada do concurso televisivo American Idol, na qual a vocalista atuou ao lado do guitarrista luso-americano Nuno Bettencourt, constando ainda no alinhamento das digressões mundiais Last Girl on Earth Tour e Diamonds World Tour.

Antecedentes e lançamento Inicialmente, a faixa "Te Amo" havia sido selecionada pela Def Jam Recordings para suceder a "Rude Boy" na promoção internacional de Rated R. Contudo, nas vésperas da apresentação agendada da artista no programa televisivo norte-americano American Idol, os responsáveis da empresa optaram por reorientar a estratégia de divulgação no mercado dos Estados Unidos, determinando que "Rockstar 101" assumisse o papel de quarto single de trabalho em território norte-americano. A decisão foi publicamente ratificada pelo apresentador Ryan Seacrest após a transmissão do espetáculo musical. Em declarações concedidas ao canal de notícias Entertainment Tonight, a intérprete partilhou a sua satisfação perante o momento promocional:

A composição começou a ser difundida nas estações de rádio norte-americanas contemporâneas e rítmicas a 18 de maio de 2010. No plano comercial digital, foi disponibilizado a 2 de junho um conjunto alargado de remisturas em formato de extended play (EP) na plataforma Masterbeat, seguido pelo lançamento na iTunes Store dos Estados Unidos a 13 de julho. Na Austrália, a gravação foi enviada para as emissoras de rádio locais a 19 de julho de 2010.

Estrutura musical e composição

"Rockstar 101" é uma canção de andamento moderado estruturada a partir dos géneros grunge, rock e dubstep, apresentando uma extensão temporal de 3 minutos e 58 segundos. A produção esteve a cargo de Tricky Stewart e The-Dream, com auxílio da intérprete na escrita, e foi gravada ao longo de 2009 nos estúdios Serenity Sound Studios em Los Angeles, The Boom Boom Room em Burbank e Triangle Sound Studios em Atlanta. A sua instrumentação caracteriza-se pelo trabalho de guitarra elétrica conduzido por Tim Stewart e pelo guitarrista convidado Slash, pelo acompanhamento de teclados executado por Monte Neuble e por uma sonoplastia industrial amparada por sintetizadores. A produção vocal foi supervisionada por Makeba Riddick, enquanto a engenharia de som foi orientada por Marcos Tovar, Brian "B-LUV" Thomas, Andrew Wuepper, Chris "TEK" O'Ryan e Pat Thrall, assistidos por Luis Navarro, AJ Clark, Jason Sherwood e Steven Dennis; a fase de mistura foi finalizada por Jaycen Joshua nos Larrabee Sound Studios, com o apoio de Giancarlo Lino.

De acordo com a partitura musical, a composição desenvolve-se no compasso de tempo comum (4/4), estabelecendo um andamento vivo de 110 batidas por minuto na tonalidade de mi menor. No plano temático, a lírica concebe uma visão desinibida e arrogante sobre o arquétipo da estrela de rock, na qual a protagonista rejeita categoricamente o papel de submissão ou fragilidade: "Eu sou uma estrela de rock, amor [...] Nunca fiz o papel de vítima / Prefiro ser a perseguidora". Steve Jones, no diário USA Today, elogiou a contundência da mensagem, assinalando que os versos constituíam "a declaração mais reveladora nos dias de hoje", concluindo que a peça espelhava de forma genuína "o seu estatuto de celebridade omnipresente".

Receção pela crítica Após o lançamento do disco, as apreciações críticas concedidas à obra revelaram-se divididas entre o aplauso à sua postura desafiadora e a reprovação perante a sua densidade sonora. Leah Greenblatt, na revista Entertainment Weekly, caraterizou a execução instrumental de Slash como "agressiva". Ann Powers, no periódico Los Angeles Times, salientou que "Rihanna coloca a sua forte voz [na canção], atingindo o seu registo mais baixo com um olhar feroz", observando detalhadamente: "'A única coisa que me falta é uma guitarra preta', ela rosna na produção de Stewart, sendo que a sua modulação pesada deixa evidente que pode continuar sem o símbolo fálico de rock definitivo", embora tenha advertido na sua conclusão que "a presença de Slash soa como uma reflexão tardia". Jon Pareles, no conceituado jornal The New York Times, destacou que a faixa se impõe por exibir "um forte acorde de poder", considerando ainda que a afirmação "Nunca fiz o papel de vítima" constituía uma resposta direta ao escrutínio mediático desencadeado pelo caso de agressão física que envolveu o seu ex-companheiro Chris Brown. Por seu turno, Sean Fennessey, na publicação Spin, observou com ironia que a cantora "trabalha com afinco para rugir sobre as suas credenciais de rockeira", notando que "ela queixa-se de forma tão dengosa que faz pensar que é a sua primeira vez".

Em sentido desfavorável, Emily Tartanella, na revista eletrónica PopMatters, considerou a criação "pouco brilhante", alinhando com a perspetiva de Bill Lamb no portal About.com, que classificou o tema como "uma das mais fracas" criações de todo o alinhamento, adiantando que "parecia destinada a terminar a sequência de três presenças consecutivas no top 10" e concluindo que "seria difícil ver 'Rockstar 101' a conquistar um amplo espectro de ouvintes pop na rádio". Ryan Dombal, na plataforma Pitchfork, rotulou o andamento de "lento e sonolento", traçando paralelismos com "G4L" ao considerá-las faixas de difícil sustentação em virtude da sua "insensata exibição e produção torpe". Alexis Petridis, no diário britânico The Guardian, reparou que a cadência imponente de "Umbrella" parecia ter incentivado a intérprete a "cortar um homem ao meio", aproximando a energia do tema aos acordes dominantes de "Fire Bomb".

Vídeo musical thumb|esquerda|140px|alt=Fotografia de meio-corpo do baterista Travis Barker.|O baterista Travis Barker efetuou uma participação especial no teledisco como integrante da banda de apoio de Rihanna. O vídeo musical foi filmado em abril de 2010 sob a direção da cineasta norte-americana Melina Matsoukas, marcando a sua terceira colaboração audiovisual com a vocalista após a produção de "Hard" e "Rude Boy". Uma antevisão de 30 segundos foi veiculada na Internet a 19 de maio de 2010, ocorrendo a estreia da montagem definitiva através do serviço Vevo a 25 de maio de 2010. Jayson Rodriguez, da MTV News, definiu a narrativa visual como "uma mistura de estética gótica com movimentos sensuais de Rihanna e uma banda furiosa que conta com Travis Barker na bateria". Impossibilitado de comparecer pessoalmente nas gravações, Slash expressou admiração perante a homenagem prestada pela cantora:

A montagem desenvolve-se através de oito sequências cénicas distintas, incorporando influências estéticas de bandas industriais como Nine Inch Nails e The Bravery. Numa das cenas, a cantora surge quase totalmente despida com o corpo coberto por tinta preta espessa, ostentando uma coroa de espinhos estilizada e correntes metálicas criadas pela desenhadora Fannie Schiavoni; noutras passagens, percorre uma floresta fria e gélida e encarna a figura mítica de Slash, envergando a sua tradicional cabeleira negra encaracolada, cartola preta, óculos escuros e um cigarro entre os lábios. A metragem exibe ainda a artista a destruir uma guitarra elétrica contra o solo e a atuar com um vestuário confecionado a partir de cordas de baixo elétrico, contando com o baterista Travis Barker integrado na sua banda fictícia.

Apresentações ao vivo thumb|direita|170px|Rihanna a interpretar "Rockstar 101" na digressão Last Girl on Earth Tour (2010-11). A divulgação em palco teve início a 7 de abril de 2010 durante a nona temporada do concurso televisivo American Idol, transmitido pela rede FOX. Na atuação, Rihanna envergou um fato justo preto de cabedal e empunhou uma guitarra modelo Gibson Flying V, apresentando-se perante um cenário dominado pelo logótipo "R" metálico de Rated R. O guitarrista português Nuno Bettencourt, integrante da banda Extreme, acompanhou a cantora e executou o solo de guitarra elétrica ao vivo. Brian Mansfield, no periódico USA Today, considerou que a interpretação fora "meio cantada, meio falada e deliberadamente exagerada, com a cantora a tentar parecer mais imponente do que é, o que, naturalmente, faz parte do próprio espírito do rock 'n' roll".

O tema figurou igualmente no alinhamento oficial da digressão mundial Last Girl on Earth Tour (2010–2011), passando por arenas de cidades como Antuérpia, Zurique, Toronto e Las Vegas, e foi resgatado em 2013 para o repertório da Diamonds World Tour.

Faixas e formatos No mercado digital foram disponibilizados dois lançamentos de extended play (EP) dedicados a remisturas para pistas de dança concebidas por Dave Audé, Mark Picchiotti e Chew Fu: uma edição de doze faixas na plataforma Masterbeat e uma versão alargada de catorze faixas na iTunes Store e Amazon.

Desempenho comercial