Quinto Pompeu Falcão () foi um senador e general romano, nomeado cônsul sufecto para o nundínio de setembro a dezembro de 108, em conjunto com Marco Tício Lústrico Brutiano. É conhecido sobretudo por ter exercido o governo de várias províncias, entre elas a Britânia, a Judeia, a Mésia Inferior e a Lícia e Panfília.
Durante o reinado de Adriano, Falcão esteve à frente da Britânia em contexto de revolta local e, mais tarde, foi nomeado procônsul da Ásia, função considerada um dos pontos culminantes na carreira de um senador de estatuto consular.Eck, "Jahres- und Provinzialfasten der senatorischen Statthalter von 69/70 bis 138/139", Chiron, 13 (1983), p. 158.
Nome Seu nome completo era Quinto Róscio Célio Murena Sílio Deciano Vibúlio Pio Júlio Eurícles Herculano Pompeu Falcão (), um caso frequentemente citado de polionímia. Werner Eck demonstrou que Falcão era filho de Sexto Pompeu Falcão e de Clódia Falconila, da Sicília, e identificou Quinto Pompeu Prisco (Quintus Pompeius Pr[iscus]) como seu irmão.Werner Eck, "Senatorische Familien der Kaiserzeit in der Provinz Sizilien", Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik, 113 (1996), pp. 109-128.
As mais antigas inscrições que o mencionam, datadas de seu governo da Mésia Inferior (115–118), utilizam a forma abreviada Quinto Róscio Murena Célio Pompeu Falcão (), o que indica que, em algum momento, ele foi adotado por outro senador que pretendia perpetuar o próprio nome e linhagem. A identidade desse pai adotivo é discutida na bibliografia moderna. Tanto Ronald Syme quanto Anthony Birley o identificam com Marco Róscio Célio, cônsul sufecto em 81.Anthony Birley, The Fasti of Roman Britain (Oxford: Clarendon Press, 1981), pp. 97–99.
Segundo Olli Salomies, é possível que se trate do procônsul da Bitínia e Ponto, Marco (Róscio) Murena, de seu filho, Marco (Róscio) Murena, ou de seu neto, Marco Róscio Quírnia Lupo Murena, questor em Creta e Cirenaica.Olli Salomies, Adoptive and polyonymous nomenclature in the Roman Empire (Helsínquia: Societas Scientiarum Fennica, 1992), p. 122. Porém, o próprio Salomies observa que o pai adotivo de Falcão provavelmente teria o prenome "Quinto", como o do adotado, e não "Marco".Salomies, Adoptive and polyonymous nomenclature, p. 123. Por isso, propõe que o pai adotivo fosse um Quinto Róscio, possivelmente originário da Sicília e aparentado a alguns dos Róscios já mencionados.Salomies, Adoptive and polyonymous nomenclature, pp. 124–125.
A inscrição mais recente a mencioná-lo, datada de 123, utiliza já o nome completo. Entre 115 e 123, Falcão acrescentou os elementos "Sílio Deciano Vibúlio Pio Júlio Eurícles Herculano" ao seu nome. Os dois primeiros remetem ao cônsul sufecto em 94, Lúcio Sílio Deciano. Os últimos derivam do último dos euríclidas de Esparta, Caio Júlio Eurícles Herculano, que morreu entre 136 e 137. Já "Vibúlio Pio" provém de outro senador, Lúcio Vibúlio Pio, que adotou Eurícles Herculano em seu testamento.A. J. S. Spawforth, "Balbilla, the Euryclids and Memorials for a Greek Magnate", Annual of the British School at Athens, 73 (1978), pp. 254–261. A incorporação sucessiva desses nomes tem sido interpretada como reflexo das relações de parentesco e patronato que Falcão estabeleceu com distintas famílias senatoriais e equestres.
Carreira Uma inscrição descoberta em Hierápolis no Piramo (moderna Castabala, na Cilícia), fornece os principais detalhes da carreira de Falcão.
Início da carreira Falcão iniciou sua trajetória pública como membro de um dos quatro comitês dos vigintíviros, o dos decemviri stlitibus iudicandis, etapa normalmente considerada o primeiro passo para quem pretendia ingressar no Senado Romano. Uma carta de Plínio, o Jovem a Falcão, escrita em 97,Plínio, o Jovem, Epístolas, 1.23. permite relacionar esse período com seu posterior mandato como tribuno da plebe e sugere que ele teria nascido por volta de 70.
Ainda como tribuno, Falcão utilizou pelo menos uma vez sua prerrogativa de veto, intercedendo, sem êxito, em favor de Aulo Dídio Galo Fabrício Vejento, favorito do imperador Domiciano e três vezes cônsul, durante a tumultuada sessão do Senado na qual Plínio acusou Publício Certo. Apesar da divergência, Plínio não parece ter se ressentido do veto, já que continua a tratar Falcão com cordialidade em cartas posteriores.William C. McDermott, "Stemmata quid faciunt? The Descendants of Frontinus", Ancient Society, 7 (1976), p. 243. De acordo com McDermott, Falcão serviu em seguida como pretor peregrino em 99 ou 100.
Sob Trajano: guerras dácias e governos provinciais Anthony Birley caracteriza a carreira de Falcão até o início do reinado de Trajano como relativamente discreta. A situação mudou quando ele recebeu o comando da V Macedônica durante a campanha dácia de Trajano (101–102), pelo qual recebeu uma condecoração militar. Após a guerra, foi nomeado governador da Lícia e Panfília e, posteriormente, da Judeia. Birley sugere que a criação da província da Arábia Pétrea em 106 tenha levado à escolha de um administrador experiente para a província vizinha, no caso a Judeia.
Seu consulado sufecto data de 108 e pode ter sido exercido in absentia, enquanto ainda estava ocupado com funções fora de Roma.Birley, The Fasti of Roman Britain, pp. 98–99.
Via Trajana e Mésia Inferior De volta a Roma, Falcão foi nomeado primeiro superintendente da Via Trajana. McDermott observa que, embora o título não correspondesse a um dos cargos mais altos disponíveis para um consular, a importância que Trajano atribuía às vias e à infraestrutura — em particular à necessidade de oferecer uma alternativa à Via Ápia, que atravessava os Pântanos Pontinos em más condições — tornava o encargo significativo. A missão de Falcão era supervisionar a construção da nova estrada, concluída em 112.McDermott, "Stemmata quid faciunt?", pp. 245–246.
Depois de alguns anos como privatus, Falcão voltou a exercer comando provincial como governador da Mésia Inferior, onde sua presença está documentada entre 116 e 117.
Governo da Britânia sob Adriano Sua nomeação para a Britânia seguiu-se imediatamente, sendo descrita por Birley como "um dos primeiros atos de Adriano". A História Augusta relata que Adriano, ao tornar-se imperador, enfrentou várias revoltas, incluindo uma na Britânia, onde "não era possível manter os britanos sob controle romano".História Augusta, Vida de Adriano 5.
Sheppard Frere propôs que os brigantes lideravam a revolta e mantinham laços estreitos com os e do sul da Caledônia. Apesar da escassez de detalhes, uma inscrição recuperada em Jarrow e moedas comemorativas cunhadas em 119 são interpretadas como indícios do êxito de Falcão em restaurar a ordem na província.Sheppard Frere, Britannia (Londres: Routledge, 1978), pp. 147–148.
Uma referência do orador Frontão a numerosas perdas militares na Britânia durante o reinado de Adriano tem sido vinculada por alguns autores a esse conflito, embora também tenha sido sugerido que se refira a outra campanha.Frontão, Principia Historiae, fragmentos, apud Birley, The Fasti of Roman Britain, p. 99. Em 122, Adriano visitou as ilhas Britânicas e promulgou várias reformas, entre elas a decisão de construir a Muralha de Adriano. Para levar adiante essas medidas, o imperador substituiu Falcão por Aulo Platório Nepos antes de retornar a Roma.
Procônsul da Ásia e últimos anos Tendo regressado a Roma tarde demais para participar do sortitio das províncias proconsulares naquele ano, Falcão foi designado procônsul da Ásia para o período de 123–124.Eck, "Jahres- und Provinzialfasten...", p. 158. O governo da Ásia era tradicionalmente contado entre os postos mais elevados da carreira senatorial.
McDermott sugere que os dois cargos provinciais imediatamente anteriores de Falcão — na Mésia Inferior e na Britânia — foram particularmente exigentes e que ele provavelmente os exerceu sem a companhia de sua família. No caso da Ásia, há indícios de que sua esposa e seu filho o acompanharam.McDermott, "Stemmata quid faciunt?", p. 250. Ao término do mandato, Falcão retirou-se para suas propriedades, provavelmente nas proximidades de Túsculo.
A última referência conhecida a Falcão encontra-se em uma carta do jovem Marco Aurélio a Frontão, provavelmente escrita em 143, na qual relata uma visita feita três anos antes ao antigo senador e general. Nessa ocasião, Falcão mostrou ao futuro imperador e ao pai deste sua propriedade rural e exibiu uma árvore de muitos ramos que chamava de "catachanna".
Família Falcão casou-se com Sósia Pola, filha de Quinto Sósio Senécio, cônsul em 99 e 107, e neta de Sexto Júlio Frontino, três vezes cônsul (97, 98 e 100).Ronald Syme, "Ummidius Quadratus, Capax Imperii", Harvard Studies in Classical Philology, 83 (1979), p. 295. O casamento provavelmente ocorreu em 108, logo após o retorno de Falcão da Judeia, ou pouco depois.McDermott, "Stemmata quid faciunt?", pp. 244–245. O casal teve pelo menos um filho, Quinto Pompeu Sósio Prisco, cônsul em 149.
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