Michel Henry (Haiphong, 10 de janeiro de 1922 - Albi 3 de julho de 2002) foi filósofo, e romancista francês. Henry desenvolveu um pensamento chamado de "Fenomenologia da Vida”, dando continuidade e ao mesmo tempo se opondo às obras de Edmund Husserl e Martin Heidegger. Insere-se na corrente da de grandes nomes da fenomenologia francesa, ao lado de autores como Emmanuel Levinas, Jean-Luc Marion e Paul Ricœur, de quem foi orientando.Fisette, Denis. "Phénoménologie et métaphysique: remarques à propos d'un débat récent." (1999). p. 91-116 (em Francês)
Aproveitando-se do fato da questão do de ser ter sido retomada na posteridade de Heidegger, Michel Henry combinou as contribuições mais vivas da filosofia para produzir um dos últimos sistemas filosóficos de fôlego.Philippe Grosos, Questions de système. Etudes sur les métaphysiques de la présence à soi, éd. l’Age d’Homme, 2007, chapitre intitulé « Michel Henry ou le dernier système », .Philippe Grosos, Revue Les études philosophiques (numéro 2 de avril - juin 1998), article intitulé « Michel Henry ou le dernier système », p. 197-218. Seu pensamento tem estado em diálogo constante com as demais ciências humanas, sociais e da saúde.”WONDRACEK, Karin Hellen Kepler. Da felicidade ao pathos: uma introdução à Fenomenologia da Vida de Michel Henry. [s.d.] Disponível em: <http://www.sig.org.br/_files/artigos>
Biografia
Michel Henry nasceu no Vietnã (então Indochina) e ficou órfão de seu pai com dezessete dias. Seu pai foi um oficial da marinha e morreu em um acidente automobolístico. Quando Henry tinha sete anos, sua mãe retornou com ele para a França, estabelecendo-se primeiramente em Lille, onde Henry morou com seu avô que era músico, compositor e diretor de conservatório. Sua mãe era pianista, o que levou Henry a crescer num ambiente impregnado de música clássica. Ele então estudou no Liceu Henrique IV. Em junho de de 1943, ele se engaja na Resistência Francesa, juntando-se aos Maquis de Ain e Haut-Jura, grupo de combatentes que atuavam nas montanhas e florestas de Bugey e Haut-Jura durante a Segunda Guerra Mundial.Jean-Marie Brohm et Jean Leclercq, Michel Henry, éd. l’Âge d’Homme, Les dossiers H, 2009 ()
Na época, Henry usou o o codinome de "Kant", e tinha como tarefa descer das montanhas para cumprir suas missões em Lyon ocupada pelos nazistas. Essa experiência de clandestinidade que marcou profundamente sua filosofia.
No final da guerra, passou na agrégation em filosofia, dedicando-se então à elaboração de uma tese sob a orientação de Jean Hyppolite , Jean Wahl , Paul Ricoeur , Ferdinand Alquié e Henri Gouhier. Ele passou dez anos escrevendo sua tese principal sobre A essência da manifestação, publicada em 1963, onde ele procurou superar a principal lacuna de toda filosofia intelectualista, que ele argumentou ser "a ignorância da vida real dos indivíduos vivos". A redação de sua tese secundária dedicada a Maine de Biran, intitulada Filosofia e fenomenologia do corpo, foi concluída em 1950, e publicada em 1965.Jean-Marie Brohm et Jean Leclercq, Michel Henry, éd. l’Âge d’Homme, Les dossiers H, 2009 ()
Em 1945 concluiu seus estudos filosóficos em Paris com o trabalho intitulado Le Bonheur de Spinoza (A felicidade de Espinosa). Doutorou‐se na Université Lille Nord de France. A partir de 1960, professor de filosofia na Universidade de Montpellier onde pacientemente construiu sua obra longe das modas filosóficas e longe das ideologias dominantes.Jean-Marie Brohm et Jean Leclercq, Michel Henry, éd. l’Âge d’Homme, Les dossiers H, 2009 ()Paul Audi, Michel Henry, Les belles lettres, 2006, : "Michel Henry fait partie de ces très rares philosophes qui, dans la seconde moitié du siècle dernier, se sont frayé leurs voies propres à l'écart des modes contemporaines." Foi professor convidado da École Normale Supérieure e da Sorbonne em Paris, da Universidade Católica de Louvain, da Universidade de Washington e da Universidade de Tóquio.
A Henry interessa a subjetividade viva, isto é, a vida real dos sujeitos vivos, esta vida que perpassa toda a sua obra e que garante a sua unidade apesar da diversidade dos temas abordados. Aqueles que fizeram seus cursos na Universidade Paul Valéry em Montpellier lembram-se de seu rigor e de sua força intelectual. Suas análises particularmente originais sobre Husserl são consideradas um marco na história da recepção da fenomenologia na França e no mundo.Jean-Marie Brohm et Jean Leclercq, Michel Henry, éd. l’Âge d’Homme, Les dossiers H, 2009 ()
Como escritor, seu romance L'Amour les eyes Fermés ganhou o Prêmio Renaudot em 1976 .
Atualmente seus arquivos filosóficos e literários estão disponíveis no Fonds d’archives Michel Henry, dirigido pelo Prof. Dr. Jean Leclercq, da Universidade Católica de Louvain. Em língua portuguesa a obra henryana tem sido estudada no projecto de investigação O que pode um corpo?, a decorrer no CEFi Universidade Católica Portuguesa, em Portugal, sob a orientação da Profª. Drª. Florinda Martins, e no Grupo de Pesquisa em Fenomenologia da Vida, das Faculdades EST, no Brasil, sob a orientação da Profª. Drª Karin Hellen Kepler Wondracek.
Obra Obras sobre Filosofia L’Essence de la manifestation, PUF, collection "Epiméthée", 1963, et réédition 1990 Philosophie et Phénoménologie du corps, PUF, collection "Epiméthée", 1965, et réédition 1987 Marx : I. Une philosophie de la réalité, Gallimard, 1976, et collection "Tel", 1991 II. Une philosophie de l’économie, Gallimard, 1976, et collection "Tel", 1991 Généalogie de la psychanalyse. Le commencement perdu, PUF, collection "Epiméthée", 1985 - [Genealogia da Psicanálise: o começo perdido,2009] La Barbarie, Grasset, 1987, et collection "Biblio Essais", 1988, PUF, collection "Quadridge", 2001 Voir l’invisible, sur Kandinsky, Bourin-Julliard, 1988, PUF, collection "Quadridge", 2005 Phénoménologie matérielle, PUF, collection "Epiméthée", 1990 Du communisme au capitalisme. Théorie d'une catastrophe, Odile Jacob, 1990, et Éditions l'Age d'Homme, 2008 C'est moi la Vérité. Pour une philosophie du christianisme, Éditions du Seuil, 1996 Incarnation. Une philosophie de la chair, Éditions du Seuil, 2000 - [Encarnação: uma filosofia da carne, 2002] Paroles du Christ, Éditions du Seuil, 2002
Obras póstumas Auto-donation. Entretiens et conférences, Éditions Prétentaine, 2002, réédition Beauchesne, 2004 Le bonheur de Spinoza, PUF, collection "Epiméthée", 2003 Phénoménologie de la vie : Tome I. De la phénoménologie, PUF, collection "Epiméthée", 2003 Tome II. De la subjectivité, PUF, collection "Epiméthée", 2003 Tome III. De l’art et du politique, PUF, collection "Epiméthée", 2003 Tome IV. Sur l’éthique et la religion, PUF, collection "Epiméthée", 2004 Entretiens, Éditions Sulliver, 2005 Le socialisme selon Marx, Éditions Sulliver, 2008
Literatura Le Jeune Officier, Gallimard, 1954 L'Amour les yeux fermés, Prix Renaudot, Gallimard, 1976, et collection "Folio", 1982 - [O amor de olhos fechados, 2001] Le Fils du roi, Gallimard, 1981 Le Cadavre indiscret, Albin Michel, 1996
Em Português Genealogia Da Psicanálise. O Começo Perdido. Curitiba: Editora UFPR, 2009. ISBN 9788573352283 A Barbárie. São Paulo: É Realizações Encarnação, Uma filosofia da carne. São Paulo: É Realizações Ver o Invisível, Sobre Kandinsky. São Paulo: É Realizações O que pode um corpo? Universidade Católica Editora Palavras de Cristo. São Paulo: É Realizações O Jovem Oficial. São Paulo: É Realizações Socialismo na Obra de Marx. Contraponto O Cadáver Indiscreto. São Paulo: É Realizações Eu Sou a Verdade, Por uma filosofia do cristianismo.São Paulo: É Realizações Filosofia e Fenomenologia do Corpo, Ensaio sobre a ontologia biraniana. São Paulo: É Realizações O Amor de Olhos Fechados. São Paulo: É Realizações O Filho do Rei. São Paulo: É Realizações
Bibliografia Wondracek, Karin Hellen Kepler. "Ser nascido na vida: a fenomenologia da vida de Michel Henry e sua contribuição para a clínica." (2010). Antúnez, Andrés Eduardo Aguirre, and Karin Hellen Kepler Wondracek. "Fenomenologia em Michel Henry: implicações na psicopatologia e psicoterapia." Revista da Abordagem Gestáltica: Phenomenological Studies 18.1 (2012): 3-12. Antúnez, Andrés Eduardo Aguirre. "Histórico das relações entre filosofia e medicina no curso de Michel Henry em Portugal e as relações com a psicologia clínica." Psicologia USP 26 (2015): 318-322. Cunha, Ana Cristina Reis. "Do corpo à carne em Michel Henry." Synesis 10.1 (2018): 1-16. FERREIRA, Maristela Vendramel. Michel Henry e os problemas da encarnação: o corpo doente 1. Psicologia USP, v. 26, p. 352-357, 2015. Furtado, José Luiz. "A filosofia de Michel Henry: uma crítica fenomenológica da fenomenologia." Revista Dissertatio de Filosofia 28 (2008): 231-249. Heleno, José Manuel. "Michel Henry e a noção de arte." Revista Filosófica de Coimbra—n. o 49 (2016): 91-110. Kanabus, Benoît, and Florinda Martins. "O conceito de corpopropriação em Michel Henry e Christophe Dejours." Humanística e Teologia 35.2 (2014): 101-113. Martins, Florinda, and Américo Pereira. Michel Henry: o que pode um corpo?: contributos em língua portuguesa para um projecto internacional de investigação em rede. Universidade Católica Editora, 2010. Safra, Gilberto. "A contribuição de Michel Henry para a prática clínica na atualidade." Psicologia USP 26 (2015): 378-383. Ligações externas
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