O foi um cruzador protegido operado pela Marinha Imperial Japonesa e a primeira embarcação da Classe Naniwa, seguido pelo Takachiho. Sua construção começou em março de 1884 nos estaleiros britânicos da Armstrong Mitchell em Newcastle upon Tyne e foi lançado ao mar em março de 1885, sendo finalizado em fevereiro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por dois canhões de 260 milímetros montados em duas barbetas, tinha um deslocamento normal de mais de três mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de dezoito nós.
Os primeiros anos de serviço do Naniwa foram tranquilos e envolveram principalmente exercícios de rotina. A Primeira Guerra Sino-Japonesa começou em 1894 e o navio teve papéis de destaque em julho da Batalha de Pungdo, quando ajudou a afundar um navio de transporte de tropas, e em setembro na Batalha do Rio Yalu, quando enfrentou e ajudou a afundar alguns cruzadores chineses. Também teve participações menores em ações contra Porto Artur e Weihaiwei, na Campanha das Pescadores e na invasão de Formosa. Depois do fim da guerra passou por algumas reformas.
A Guerra Russo-Japonesa começou em fevereiro de 1904 e o Naniwa participou nos primeiros dias de conflito da Batalha da Baía de Chemulpo, em seguida ajudando a bloquear Porto Artur. Esteve presente em agosto na Batalha de Ulsan, quando ajudou a afundar o cruzador blindado russo Rurik, e em maio de 1905 da Batalha de Tsushima, quando enfrentou couraçados e cruzadores inimigos. Depois desta guerra foi relegado à deveres secundários como navio hidrográfico e de patrulha. Encalhou nas Ilhas Curilas em junho de 1912 e não conseguiu ser reflutuado, sendo desmontado.
Características
thumb|esquerda|250px|Desenho da Classe Naniwa A Classe Naniwa foi projetada por William Henry White, o chefe arquiteto naval dos estaleiros da Armstrong Mitchell, como uma versão aprimorada do cruzador protegido chileno Esmeralda e da Classe Mersey britânica. O Naniwa e seu irmão Takachiho, ao serem finalizados, foram considerados os dois cruzadores mais avançados e poderosos do mundo.
O Naniwa tinha 91,4 metros de comprimento entre perpendiculares e 97,5 metros de comprimento de fora a fora, boca de catorze metros e calado máximo de 6,2 metros. Seu deslocamento normal era de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha seis caldeiras cilíndricas que alimentavam dois motores horizontais de dupla expansão com dois cilindros, cada um girando uma hélice. A potência indicada era de cavalos-vapor (5,6 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de dezoito nós (33 quilômetros por hora). Carregava carvão suficiente para uma autonomia de nove mil milhas náuticas (dezessete mil quilômetros) a treze nós (24 quilômetros por hora). A tripulação consistia em 338 oficiais e marinheiros.
O armamento principal originalmente consistia em dois canhões Krupp de 260 milímetros instalados em montagens giratórias em barbetas, uma à vante e outra à ré da superestrutura. O armamento secundário era composto por seis canhões Krupp de 149 milímetros colocados em montagens giratórios em plataformas semicirculares no convés principal, três em cada lateral. A defesa contra barcos torpedeiros era formada por dois canhões Nordenfelt de 57 milímetros na ponte de comando de vante, quarenta canhões Nordenfelt de 25 milímetros em dez montagens quádruplas posicionadas ao longo da superestrutura e quarenta metralhadoras Nordenfelt de 11 milímetros em quatro montagens com dez canos nas gáveas. Além disso, o navio também foi equipado com quatro tubos de torpedo de 356 milímetros, dois em cada lateral acima da linha de flutuação.
A proteção de Naniwa consistia em um convés blindado com 51 milímetros de espessura na partes retas e 76 milímetros nas partes inclinadas para baixo; a parte reta ficava 30,5 centímetros acima da linha de flutuação, enquanto a parte inclinada descia até ficar 1,2 metro abaixo da linha de flutuação. À meia-nau, os compartimentos subdivididos formados pela parte inclinada do convés eram preenchidos com carvão, enquanto as áreas à vante e à ré eram preenchidas com ensecadeiras a fim de limitar inundações. As paredes da torre de comando tinha 76 milímetros de espessura, já as estações de recarregamento da bateria principal eram protegidas por 51 milímetros de aço.
Carreira Início de serviço O Naniwa foi encomendado em 22 de março de 1884 dos estaleiros da Armstrong Mitchell no Reino Unido pois o Japão na época não tinha a capacidade de construir navios do tipo. O batimento de quilha ocorreu nos estaleiros da empresa em Low Walker em Newcastle upon Tyne em 27 de março sob o número de construção 475 e foi lançado ao mar em 18 de março de 1885. Foi finalizado em 15 de fevereiro de 1886 e zarpou para o Japão em 28 de março com uma tripulação japonesa sob o comando do capitão Itō Sukeyuki, tendo sido o primeiro navio de guerra japonês comprado no exterior a ser trazido para o Japão com uma tripulação totalmente japonesa.
Chegou em Tóquio no dia 26 de junho e foi designado em julho para a Frota de Prontidão como um navio de segunda classe. O Naniwa e seu irmão Takachiho receberam o imperador Meiji e a imperatriz Shōken em 26 de novembro enquanto realizavam exercícios de torpedos. Transportou em 1º de dezembro o primeiro-ministro Itō Hirobumi, o ministro do exército major-general Ōyama Iwao, o ministro da marinha tenente-general Saigō Tsugumichi e o ministro da justiça Yamada Akiyoshi de Yokohama para Kobe, em seguida para Pusan na Coreia e por fim de volta para Yokohama no dia 13. Ele e seu irmão transportaram Meiji e Shōken de Yokohama para Quioto no início de 1887 e de volta, em seguida participaram da manobras de frota entre 22 de agosto e 5 de setembro. Dois meses depois circunvagaram o arquipélago japonês com outros quatro navios. O Naniwa se tornou a capitânia da Frota de Prontidão em 17 de junho de 1888, viajando para Okinawa, Formosa, Wonsan na Coreia e Chifu na China mais tarde no mesmo ano. O cruzador recebeu o imperador em 15 de outubro enquanto ele observava o lançamento do cruzador protegido Takao no Arsenal Naval de Yokosuka. O Naniwa foi designado para o Distrito Naval de Yokosuka em 1889. Na segunda metade do ano visitou portos na Rússia, Coreia e China junto com seu irmão enquanto também participava de manobras de frota.
thumb|255px|O Naniwa em Honolulu em 1893 ou 1894 Participou em abril de 1890 das Grandes Manobras junto com o Exército Imperial, em seguida esteve presente em uma revista naval para Meiji e então viajou pelo litoral leste da Coreia e Vladivostok na Rússia entre junho e julho. O Naniwa e Takachiho foram reclassificados como navios de primeira classe em 23 de agosto. Passou o ano seguinte patrulhando águas domésticas. Os dois cruzadores zarparam em 2 de fevereiro de 1892 para Hong Kong e mais tarde no mesmo ano participaram das Grandes Manobras. O Naniwa foi para Honolulu no Havaí no início de 1893 para proteger interesses e cidadãos japoneses durante a queda da monarquia havaiana, retornando para casa em maio. Voltou para Honolulu em dezembro. Fuzileiros navais do Naniwa e da corveta britânica HMS Champion desembarcaram para protegerem seus cidadãos durante a "Semana Negra" de dezembro de 1893 a janeiro de 1894, quando o governo provisório havaiano passou a temer que os Estados Unidos iriam tentar restaurar o governo monárquico. Um cidadão japonês que tinha sido condenado por assassinato escapou da prisão de Honolulu durante a confusão e procurou refúgio no Naniwa. O capitão Tōgō Heihachirō se recusou a entregá-lo de volta para as autoridades havaianas e isto quase causou um incidente diplomático entre o Japão e os Estados Unidos. O cruzador chegou de volta em casa em 15 de abril e se tornou em 19 de julho a capitânia do contra-almirante Tsuboi Kōzō, o comandante da Primeira Esquadra Voadora.
Primeira Guerra Sino-Japonesa
Forças rebeldes durante a Rebelião Camponesa Donghak fizeram o governo coreano pedir ajuda para a China em maio de 1894, que no mês seguinte começou a enviar tropas Asan. O governo japonês não queria deixar que a Coreia ficasse sob controle chinês, assim começou no mesmo mês a enviar suas próprias tropas para Chemulpo, ocupando Chemulpo e a capital Seul. A chegada em 16 de julho de mais tropas chinesas no rio Taedong enfureceu os japoneses, que emitiram um ultimato ameaçando guerra caso mais tropas chegassem na Coreia. Li Hongzhang, o Vice-rei de Zhili, acreditava que os japoneses estavam blefando e assim enviou mais 2,5 mil tropas para Asan. Em resposta, os japoneses enviaram em 23 de julho a Frota Combinada para Kunsan em preparação para uma guerra e no mesmo dia forçaram o rei Gojong a renunciar a sua relação tributária com a China. Dois navios levando soldados chegaram na noite de 23 para 24 de julho, com um terceiro contingente programado para chegar na manhã do dia 25.
A Primeira Esquadra Voadora de Tsuboi, formada pelo Naniwa e os cruzadores protegidos Akitsushima e Yoshino, foi destacada da Frota Combinada e enviada para a ilha de Pungdo, na entrada da Baía de Asan, onde deveria se encontrar com outros três navios de guerra vindos de Chemulpo para bloquearem litoral oeste da Coreia e impedir a chegada reforços chineses em Asan. A linha de telégrafo para Chemulpo tinha sido cortada pelos rebeldes e assim os navios japoneses no local permaneceram atracados.
Batalha de Pungdo thumb|esquerda|260px|Ilustração japonesa da canhoneira Kwang-yi em chamas na Batalha de Pungdo O cruzador protegido e a canhoneira Kwang-yi da chinesa Frota Beiyang zarparam em surtida de Asan na manhã de 25 de julho, possivelmente com o objetivo de se encontrarem com o navio britânico fretado SS Kowshing, que estava levando as últimas tropas chinesas para a Coreia. O Jiyuan provavelmente tentou passar muito perto do Naniwa e Tōgō achou que era um ataque de torpedos, assim abriu fogo nos primeiros tiros da guerra. O cruzador chinês foi seriamente danificado, com seu canhão de vante incapacitado, mas mesmo assim conseguiu chegar em Weihaiwei apesar de ser perseguido pelo Yoshino. Enquanto isso, o Naniwa e o Akitsushima atacaram o Kwang-yi, que foi encalhado para não afundar e cuja tripulação sofreu várias mortes.
O Jiyuan passou pelo Kowshing enquanto fugia, mas não informou sobre a batalha e a tripulação deste identificou erroneamente o cruzador como japonês. Tōgō ordenou às 9h15min que o Kowshing parasse e seu capitão, Thomas Galsworthy, consentiu que sua embarcação fosse revistada. Tōgō declarou que o Kowshing estava sendo tomado por estar transportando tropas chinesas e ordenou que tripulação e passageiros abandonassem o navio. Entretanto, as tropas chinesas assumiram o controle da embarcação e se recusaram a cumprir essas ordens. Um oficial alemão em serviço chinês tentou negociar um acordo pacífico, mas não conseguiu e assim Tōgō abriu fogo às 13h10min por temer a chegada de reforços inimigos. Um torpedo foi lançado a apenas 150 metros de distância, mas passou por baixo do Kowshing. Os canhões do Naniwaincapacitaram a sala de caldeiras britânica, possivelmente fazendo uma caldeira explodir, também acertando o navio abaixo da linha de flutuação. Isto causou pânico no Kowshing enquanto todos a bordo tentavam evacuar. Os canhões maiores do Naniwa continuaram a disparar contra o navio naufragando, enquanto os canhões menores atacaram os sobreviventes na água. A embarcação afundou às 13h47min e os japoneses lançaram botes em uma tentativa de resgatar a tripulação europeia, ignorando os chineses, mas só conseguiram encontrar Galsworthy e outros dois. O Naniwa foi atingido uma vez, mas o projétil não detonou e não causou danos ou baixas. O cruzador japonês disparou 36 projéteis de seus canhões maiores e de seus canhões menores.