Goiás é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Situa-se na Região Centro-Oeste do país, no Planalto Central brasileiro. O seu território é de , sendo delimitado pelos estados de Mato Grosso do Sul a sudoeste, Mato Grosso a oeste, Tocantins a norte, Bahia a nordeste, Minas Gerais a leste, sudeste e sul e pelo Distrito Federal a leste.
Com 7,2 milhões de habitantes, é o estado mais populoso da Região Centro-Oeste e o 11º mais populoso do país. Possui, ainda, a nona maior economia entre as unidades federativas brasileiras. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, em 2022 registram-se eleitores. Goiânia é a capital e maior cidade do estado, assim como sede da Região Metropolitana de Goiânia. Outras cidades importantes, fora da região metropolitana de Goiânia, são: Anápolis, Rio Verde, Itumbiara, Catalão, Luziânia, Águas Lindas de Goiás, Valparaíso de Goiás, Formosa, Planaltina, Jataí, Caldas Novas, Cristalina e Goianésia, que também são algumas das maiores cidades em população do interior do estado. Seus municípios situados a leste formam a Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno, uma das duas RIDES no país. Ao todo, o estado possui 246 municípios.
Como marco simbólico, o governo estadual "muda" de sede periodicamente, como uma forma de homenagem ao município que recebe a capital. Exemplo desse movimento, a Lei Estadual n° 22.813, de 27 de junho de 2024, indica que a sede simbólica da Capital do Estado de Goiás funciona no Município de Trindade, anualmente, na quinta-feira que antecede a data de encerramento da Festa do Divino Pai Eterno. Já a cidade de Goiás recebe essa distinção anualmente no dia que se comemora sua fundação, 25 de junho, desde 1962.
A história de Goiás remonta ao início do século XVIII, com a chegada dos bandeirantes vindos de São Paulo, atraídos pela descoberta de minas de ouro. Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, liderou a primeira bandeira com a intenção de se fixar no território, que saiu de São Paulo em 3 de julho de 1722. A região do Rio Vermelho foi a primeira a ser ocupada, onde fundou-se Vila Boa (mais tarde renomeada para Cidade de Goiás), que serviu como capital do território durante 200 anos. O processo de independência de Goiás se deu gradativamente, impulsionado pela formação de juntas administrativas. O desenvolvimento e povoamento do estado deu-se, de forma mais intensificada, a partir da mudança da capital para Goiânia, na década de 1930, e com a construção de Brasília, em 1960.
Etimologia A origem do topônimo Goiás (anteriormente, Goyaz) é incerta e necessita de pesquisas mais aprofundadas. Usualmente, afirma-se que o termo viria da suposta tribo dos índios Goiases que teria habitado a região próxima a Cidade de Goiás e se extinguido rapidamente. Entretanto, não há qualquer vestígio físico ou imaterial da existência real de tal tribo.Artigo 'Os Índios Goyá, os Fantasmas e Nós, de Antón Corbacho Quintela, publicado na Revista UFG de junho de 2006 Há apenas relatos distantes, esparsos e divergentes"História antiga das Minas Gerais", publicada por Diogo de Vasconcelos em 1904; "Memória sobre o descobrimento, governo, população e coisas mais notáveis da Capitania de Goyaz", escrita pelo padre Luiz Antônio da Silva e Souza em 1812; "Raízes do Brasil", de Sergio Buarque de Holanda que apontam que haveria um mito entre os indígenas e caboclos vicentinos, principais integrantes das bandeiras que iniciaram a ocupação de Goiás no século XVIII, dizendo que haveria no interior do continente um povo chamado “Goyá” ou “Guaiana” que possuía cerâmica e agricultura bem desenvolvidas e seriam parentes da Nação Tupi. Daí o termo “Guaiá”, forma composta de “Gua” e “iá”, que em Tupi significa, entre outras possibilidades, "indivíduo igual", "pessoas de mesma origem". Isto nos leva a supor que quando as bandeiras encontraram ouro na Serra Dourada, próximo à atual cidade de Goiás, o nome mítico "Guaiá" teria sido empregado para denominar a área pelos indígenas paulistas, que também pertenciam ao grupo Tupi. Como os únicos integrantes dos Tupis na região eram os Avá-Canoeiros, podemos concluir que eles tiveram na realidade contato com esta tribo. Outra conclusão possível e que seriam Kaiapós.ver obra de Joaquim Francisco Mattos
História
Pré-história e povos indígenas
Os vestígios mais antigos de presença humana no território goiano são datados de 11 mil anos atrás, como os fortes indícios de ocupação pré-histórica nos municípios de Uruaçu e Niquelândia que, juntos, abrigam abundante material lítico do chamado "homem Paranaíba", tido como o representante humano de Goiás. Contemporâneos a essa sociedade, foram encontrados vestígios em Serranópolis, Caiapônia e na bacia do rio Paranã, em abrigos rochosos de arenito e quartzito e em grutas de maciços calcários.
Por volta de dois mil anos atrás, quando o clima e a vegetação da região provavelmente eram bastante similares às condições atuais, o território de Goiás foi ocupado por tradições ceramistas, sendo a mais antiga a tradição Una, que habitavam abrigos e grutas naturais e tinham sua alimentação baseada em vegetais, cultivando milho, cabaça, amendoim, abóbora e algodão. Os Aratus, que chegaram posteriormente, habitavam grandes agrupamentos, situados em ambientes abertos, principalmente em matas próximas a rios ou riachos, sendo os primeiros aldeões conhecidos na região, e, assim como os Una, cultivavam milho, feijão e algodão. A tradição Uru, que habitava o rio Araguaia e seus afluentes, chegou à região no século XII. Pouco tempo depois, chegaram os povos tupis.
Na época da chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500, o que é hoje Goiás era habitado tanto por povos tupis quanto por povos jês, como os avás-canoeiros, xavantes, caiapós, apinajés e javaés.
Período colonial thumb|Gravura do século XVIII, mostrando bandeirantes.
O território que viria a ser Goiás começou a ser desbravado no início do século XVII pelos bandeirantes paulistas, à procura de metais preciosos e captura de indígenas para trabalhar como escravos na agricultura e minas, sendo as expedições pioneiras a alcançar essa região as de Belchior Dias Carneiro (1607) e Antônio Pedroso de Alvarenga (1615). Além destes exploradores, outras expedições saíam do Pará, nas chamadas "descidas", com vistas à catequese e ao aldeamento dos indígenas da região. Todas essas expedições tinham como rota o território do atual estado, mas não se dava a criação de vilas permanentes e nem a manutenção de um notável número de população na região.
Uma das bandeiras mais conhecidas e importantes recebidas pelo território goiano foi a de Bartolomeu Bueno da Silva em 1682, pioneira em encontrar ouro nessas terras, em pequena quantidade. Essa expedição explorou uma área entre as margens do Rio Araguaia até a região do atual município de Anhanguera. Bueno da Silva se interessou pelo ouro que adornava algumas mulheres indígenas de uma tribo e, sem conseguir encontrar informações confiáveis sobre a localização das jazidas, ameaçou pôr fogo nas fontes d’água da região, utilizando-se de aguardente para convencer os indígenas de que tinha tal poder, assim recebendo o apelido Anhanguera (“diabo velho” ou “feiticeiro”).
Devido à descoberta de ouro em Minas Gerais (próximo a Ouro Preto) e em Mato Grosso (próximo a Cuiabá) entre 1698 e 1718, acreditava-se que a região também possuía abundância em minérios, ideia que ganhou força com a crença, de origem renascentista, de que o ouro era mais abundante quanto mais próximo da Linha do Equador e no sentido leste-oeste. Esse fator, somado à derrota dos paulistas na Guerra dos Emboabas, fez com que a busca do ouro pelos bandeirantes na região de Goiás se intensificasse cada vez mais, fazendo deste o foco das expedições paulistas.
Em 1720, Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera II, junto com seus cunhados João Leite Ortiz e Domingos Rodrigues do Prado, requereu licença ao Rei João V de Portugal licença para explorar os sertões centrais da América Portuguesa em busca de ouro e pedras preciosas. Em 3 de julho de 1722, a bandeira de Anhanguera II partiu de São Paulo, com o objetivo de encontrar a Serra dos Martírios (um local místico, nunca encontrado, onde grandes cristais aflorariam, tendo formas semelhantes a coroas, lanças e cravos, referentes à Paixão de Cristo), alcançando a região do rio Vermelho, onde encontrou ouro em grande quantidade. Ao retornar à capital paulista em outubro de 1723, Bueno da Silva apresentou os seus achados ao governador da capitania, Dom Rodrigo César de Meneses, e foi nomeado capitão-mor das "minas das terras do povo Goiá". Em 1733, devido às acusações de sonegação de renda e disputas entre a metrópole e a Capitania de São Paulo, o filho de Anhanguera perdeu direitos obtidos junto ao rei, falecendo pobre e sem poder em 1740.
esquerda|thumb|Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, construída em 1728 em Pirenópolis. O maior e mais antigo patrimônio histórico e eclesiástico, e maior exemplo barroco de Goiás.
Com a descoberta de ouro em Goiás, o governador Meneses comunicou ao rei de Portugal as descobertas e, consequentemente, em 1726, foram cedidas sesmarias ao longo do trajeto de Bueno e Ortiz. Com isso, o segundo Anhanguera retornou à região das minas, parando num local próximo à Serra Dourada, onde fundou a primeira povoação de Goiás, Barra (atual Buenolândia). Com a descoberta de minas mais abundantes próximas a Barra, os mineradores fundaram, no local dessas jazidas, em 26 de julho de 1727, a povoação de Sant’Ana, elevada à condição de vila em 1739, com o Vila Boa de Goiás (atual município de Goiás).
Novas jazidas foram descobertas nos anos seguintes à fundação de Vila Boa, originando novas povoações, como Meia Ponte (atual Pirenópolis), Ouro Fino, Santa Cruz (atual Santa Cruz de Goiás), Crixás e Traíras (atual Tupiraçaba). Com a mineração de ouro, vieram para o território goiano portugueses e paulistas, além de africanos escravizados para trabalhar nas jazidas. No norte da Capitania de Goiás (atual Tocantins), os contingentes humanos eram majoritariamente oriundos do Norte e Nordeste do Brasil, gerando diferenças culturais com o sul da capitania (atual Goiás).
thumb|Igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída em 1750, em Pirenópolis.
Depois da descoberta de ouro em Goiás, as autoridades portuguesas e coloniais procuraram aproximar-se dessa região produtora, para controlar a produção aurífera e evitar seu contrabando, uma resposta mais rápida aos ataques indígenas e controlar os conflitos e revoltas entre os mineradores. Com isso, um Alvará Régio de 1744 criou a Capitania de Goiás, desmembrada da de São Paulo, com essa divisão efetivada em 1748 e tendo como primeiro governador Marcos José de Noronha e Brito.
Por volta de 1750, o ouro, que era antes encontrado quase à superfície, tornou-se de captação mais difícil, no subsolo e rios. Nesta época, as principais regiões de Goiás exploradas eram o centro-sul (proximidades dos limites com São Paulo). o Alto Tocantins e o Norte da capitania, até os limites da cidade de Porto Nacional (hoje pertencente ao Tocantins). Estas regiões, entretanto, só viriam a receber ocupação humana intensamente a partir dos séculos XIX e XX, como resultado da ampliação da pecuária e agricultura.thumb|esquerda|Divisão administrativa do Brasil após a Guerra dos Emboabas.
Fim do ciclo do ouro e Império thumb|Expedição brasileira para Mato Grosso: Acampamento da divisão expedicionária nas matas virgens de Goiás, na altura do Rio dos Bois. thumb|Município de Goiás em 1830.