miniaturadaimagem|Torres de transmissão da CHESF no Piauí A Axia Energia Nordeste, anteriormente chamada de Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) é uma sociedade anônima de capital aberto que atua na geração e transmissão de energia em alta e extra-alta tensão, explorando a bacia hidrográfica do rio São Francisco, com sede no Recife.

História

Antecedentes Em 1576, o historiador e cronista português Pero de Magalhães Gândavo, esteve no rio São Francisco e descreveu que o rio era navegável, mas que a partir de um ponto não se podia passar, em razão da existência de uma grande cachoeira.

Em 1801, o naturalista José Vieira Couto escreveu a respeito da potencialidade oferecida pelo São Francisco para beneficiar a agricultura de suas regiões ribeirinhas.

O aproveitamento da energia hidráulica de Paulo Afonso, na divisa de Alagoas com a Bahia, é uma antiga aspiração. Vários pedidos relativos à exploração do seu potencial hidráulico foram feitos ao longo dos anos.

Em 1910, o cidadão inglês Richard G. Reidy solicitou a concessão das cachoeiras de um trecho do rio, mas a solicitação foi indeferida pelo governo do Marechal Hermes da Fonseca.

Em 1913, o industrial cearense Delmiro Gouveia foi o primeiro a utilizar a força da cachoeira, instalando ali a Usina Hidrelétrica de Angiquinho para movimentar sua fábrica de fios e linhas.

Em 1921, foi realizado primeiro levantamento topográfico da cachoeira de Paulo Afonso. Os estudos foram ampliados na década de 1940.

Criação Em 1944, o engenheiro agrônomo pernambucano Apolônio Sales, ministro da Agricultura do governo Getúlio Vargas, apresentou a proposta de criação da Chesf como empresa pública sob controle da União e que seria responsável pela construção de uma grande central geradora em Paulo Afonso, como instrumento para o desenvolvimento econômico da região Nordeste.

A Chesf foi criada durante o Estado Novo, pelo presidente Getúlio Vargas através do Decreto-Lei nº 8.031 de 3 de outubro de 1945, e constituída na primeira assembleia geral de acionistas, realizada em 15 de março de 1948. Foi a primeira empresa pública de eletricidade do país.

Desde o primeiro governo de Getúlio Vargas (1930–1945), quando se implantou uma vigorosa política de substituição das importações, ficou assentado que os grandes empreendimentos, de interesse estratégico para o desenvolvimento do país, deveriam ficar sob tutela estatal. Criaram-se então, a Companhia Siderúrgica Nacional (1940), a Companhia Vale do Rio Doce (1942), e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (1945). No seu segundo governo (1951–1954), foi fundada a Petrobrás - Petróleo Brasileiro S/A (1953). miniaturadaimagem|Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso IV. Em 15 de janeiro de 1955, a Chesf inaugurou a usina de Paulo Afonso I.

Com a reestruturação do setor elétrico na década de 1960, tornou-se uma subsidiária da Eletrobras, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Na época, havia uma crescente demanda por energia elétrica necessária para a industrialização e uma carência de investimentos por parte da concessionárias privada para a expansão do setor elétrico do país, o que promoveu a entrada do Estado no setor energético.

Em 1967, foi concluída a usina de Paulo Afonso II.

Expansão Em 1973, a Chesf absorveu a Companhia Hidro Elétrica de Boa Esperança (Cohebe), responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Boa Esperança em 1970, no rio Parnaíba, na divisa entre Piauí e Maranhão. Outras usinas também foram incorporadas, como as de Bananeiras, Funil, Curemas e Araras.

Na década de 1970, a Chesf atuou simultaneamente na construção de várias obras. Em 1974, foi concluída a Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso III. A Usina Hidrelétrica de Moxotó (Apolônio Sales) entrou em operação em abril de 1977. A Usina de Paulo Afonso IV entrou em operação no ano de 1979. Também atuou na expansão de sistemas de transmissão no Nordeste.

Em 1975, a sede da Chesf foi transferida do Rio de Janeiro para Recife.

Em 1981, foi concluída a interligação dos sistemas de transmissão do Norte-Nordeste, possibilitando o intercâmbio de energia entre a Chesf e a Eletronorte, que estava construindo a hidrelétrica de Tucuruí. miniaturadaimagem|A barragem de Sobradinho, na Bahia. Para o pleno aproveitamento do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, seria necessária a regularização da vazão do rio São Francisco. Em 1973, foi iniciada a construção da Barragem de Sobradinho, formando um dos maiores lagos artificiais do mundo, com quilômetros quadrados de área e quilômetros cúbicos de água, além de aproveitamento para construção da Usina Hidrelétrica de Sobradinho. A barragem foi inaugurada em outubro de 1978; a primeira unidade da usina em novembro de 1979; em 1980, a eclusa que permite a navegação entre Pirapora e Juazeiro. A obra envolveu o deslocamento de 70 mil pessoas.

Em 1988, foi inaugurada a Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga (Itaparica). Entre 1994 e 1997, os geradores da usina de Xingó entraram em operação. A usina tem 3162 MW de capacidade e é a maior da Chesf e uma das maiores do país.

Século XXI miniaturadaimagem|Imagem de satélite do lago de Sobradinho em 2018. A companhia chega ao século XXI com a missão de produzir, transmitir e comercializar energia elétrica para a Região Nordeste do Brasil. Atende tradicionalmente a oito estados do Nordeste (Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí). Com a abertura permitida pelo novo modelo do setor elétrico brasileiro, a Eletrobras Chesf tem contratos de venda de energia em todos os submercados do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A partir de 2006, a Chesf voltou a investir na construção de usinas hidrelétricas, participando de usinas na Amazôniaː Usina Hidrelétrica de Jirau, Usina Hidrelétrica de Belo Monte, Usina Hidrelétrica de Sinop e Usina Hidrelétrica Dardanelos. A partir de 2010, passa a atuar na construção de usinas eólicas.

Privatização da Eletrobras Em 14 de junho de 2022, foram vendidas 802,1 milhões de ações da Eletrobrás, com um preço base de R$ 42, em uma operação que movimentou R$ 33,7 bilhões. Com isso, a participação da União no capital votante da estatal foi reduzida de 68,6% para 40,3%.

Entre os principais acionistas estão o GIC, fundo soberano de Singapura, o veículo de investimentos de fundo de pensão canadense CPPIB e a gestora brasileira 3G Radar, ligada ao 3G Capital.

Geração de energia miniaturadaimagem|Comportas da Usina Hidrelétrica de Xingó. A Axia Energia Nordeste é uma das maiores geradoras de energia elétrica do Brasil, com 10.460.430 kW de potência instalada. Opera doze usinas hidrelétricas e catorze usinas eólicas.

A maior usina hidrelétrica construída do sistema é Xingó, com 3.162 MW de potência instalada.

Em 2018, iniciou a produção de energia através de fonte solar com a implantação da Plataforma Fotovoltaica de Petrolina, com 2,5 MW, instalada no Centro de Referência de Energia Solar de Petrolina, o CRESP.

Em 2019, foi inaugurada a Usina Solar Flutuante com potência de geração de 1MWp sobre a lâmina d'água do reservatório de Sobradinho.

Usinas hidrelétricas: Usina Hidrelétrica de Xingó — Rio São Francisco, 3.162 MW — e Usina Hidrelétrica Paulo Afonso IV — Rio São Francisco, 2.462 MW — Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga antiga Usina Hidrelétrica de Itaparica — Rio São Francisco, 1.500 MW — e Usina Hidrelétrica de Sobradinho — Rio São Francisco, 1.050 MW — Usina Hidrelétrica Paulo Afonso III — Rio São Francisco, 794 MW — Usina Hidrelétrica Paulo Afonso II — Rio São Francisco, 443 MW — Usina Hidrelétrica Apolônio Sales antiga Usina Hidrelétrica Moxotó — Rio São Francisco, 400 MW — e Usina Hidrelétrica de Boa Esperança — Rio Parnaíba, 237 MW — Usina Hidrelétrica Paulo Afonso I — Rio São Francisco, 180 MW —

Pequenas centrais hidrelétricas (PCH): PCH Funil — Rio de Contas, 30 MW — (Ubaitaba) PCH Pedra — Rio de Contas, 20 MW — (Jequié) PCH Curemas — Rio Piancó, 3 MW — (Coremas)

Usinas eólicas: UEE Acauã — 6,00 MW — (Pindaí) UEE Angical 2 —10,00 MW — (Pindaí) UEE Arapapá — 4,00 MW — (Pindaí) UEE Caititu 2 — 10,00 MW — (Pindaí) UEE Caititu 3 — 10,00 MW — (Pindaí) UEE Carcará — 10,00 MW — (Pindaí) UEE Casa Nova II — 32,90 MW — (Casa Nova) UEE Casa Nova III — 28,20 MW — (Casa Nova) UEE Casa Nova A — 27,00 MW— (Casa Nova) UEE Corrupião 3 — 10,00 MW — (Pindaí) UEE Coqueirinho 2 — 16,00 MW — (Pindaí) UEE Teiú 2 — 8,00 MW — (Pindaí) UEE Papagaio — 10,00 MW — (Pindaí) UEE Tamanduá — 16,00 MW — (Pindaí) Participações em usinas (SPE)ː

Hidrelétricasː Usina Hidrelétrica de Belo Monte — Rio Xingu, 11.233 MW — (participação de 15%) Usina Hidrelétrica de Jirau — Rio Madeira, 3.450 MW — (participação de 20% (690 MW)) Usina Hidrelétrica de Sinop — Rio Teles Pires, 401,88 — (participação de 24,50%) Usina Hidrelétrica Dardanelos — Rio Aripuanã, 180 MW — (participação de 24,50%) Eólicasː UEE Caiçara I — 27 MW — (Serra do Mel) — (participação de 49,00%) UEE Caiçara II — 18 MW — (Serra do Mel) — (participação de 49,00%) UEE Junco I — 24 MW — (Serra do Mel) — (participação de 49,00%) UEE Junco II — 24 MW — (Serra do Mel) — (participação de 49,00%)

Transmissão A Axia Energia Nordeste possui um sistema de transmissão com abrangência nos nove estados do Nordeste, composto por 136 subestações (sendo 15 de propriedade de terceiros onde a Chesf possui ativos), o que representa cerca de 38% das instalações operacionais de transmissão do Grupo Eletrobras, totalizando uma capacidade de transformação de 70.296,37 MVA (geração + transmissão), além de 21.801,22 km de linhas de transmissão de corrente alternada, nas tensões de 500, 230, 138 e 69 kV, que tem a finalidade de transportar tanto a energia gerada pelas usinas próprias quanto a recebida do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Ver também Axia Energia Edifício Sede da CHESF (Salvador)

Ligações externas

Axia Energia Nordeste Categoria:Empresas fundadas em 1945 Categoria:Empresas de geração e transmissão de energia do Brasil Categoria:Empresas ex-estatais do Brasil Categoria:Empresas do Recife Categoria:Economia da Região Nordeste do Brasil