"Woohoo" é uma canção da cantora e compositora norte-americana Christina Aguilera, gravada para o seu sexto álbum de estúdio, Bionic (2010), que conta com a participação vocal da rapper trinidense Nicki Minaj. O tema foi inicialmente disponibilizado a 18 de maio de 2010 em formato de descarregamento digital nos Estados Unidos como faixa promocional, sendo posteriormente promovido pela editora discográfica RCA Records como o segundo single oficial do disco através do seu envio para as estações de rádio norte-americanas de formato rhythmic a 25 de maio de 2010, e da sua edição digital em diversos mercados internacionais a 28 de maio. Composta por Aguilera, Onika Maraj, Claude Kelly, Ester Dean e Jamal Jones, com produção musical conduzida por Jones sob o pseudónimo artístico Polow da Don e assistência vocal de Kelly, a obra funde os géneros electro-R&B e hip-hop. A sua instrumentação assenta no recurso a sintetizadores vibrantes, batidas pesadas de percussão eletrónica, acordes ocasionais de piano e linhas de baixo, incorporando uma demonstração autorizada da obra "Add már uram az esőt", gravada em 1972 pela cantora húngara Kati Kovács. Liricamente, a composição aborda de forma explícita, audaz e bem-humorada o prazer sexual feminino, focando-se na prática de sexo oral e cunilíngua.

A receção crítica atribuída à faixa foi mista a positiva: enquanto diversos avaliadores elogiaram a prestação ágil e teatral de Nicki Minaj e a pujança vocal de Aguilera, outros consideraram a temática excessivamente lasciva e derivativa de êxitos como "Milkshake" (2003) de Kelis e "Hollaback Girl" (2005) de Gwen Stefani. Com o decorrer dos anos, a canção foi alvo de reavaliações retrospetivas favoráveis que enalteceram o seu estatuto vanguardista na celebração da sexualidade feminina. Comercialmente, alcançou a 79.ª posição na prestigiada tabela norte-americana Billboard Hot 100 — assinalando o décimo quinto tema consecutivo de Aguilera a pontuar na contagem —, a 46.ª colocação na Canadian Hot 100, o 27.º lugar na listagem internacional da Coreia do Sul e o 10.º posto na Deutsche Black Charts da Alemanha. A sua divulgação incluiu uma apresentação ao vivo na cerimónia dos MTV Movie Awards de 2010, integrando posteriormente o alinhamento das digressões The Liberation Tour (2018), The Xperience (2019) e o concerto no festival LadyLand em 2021.

Antecedentes e lançamento Em janeiro de 2010, numa entrevista concedida à revista Marie Claire, Aguilera revelou o título do álbum Bionic e apontou três faixas em desenvolvimento: "Lullaby", "Bionic" e "Glam", esta última inicialmente indigitada para servir como o primeiro single promocional do disco. Contudo, em março do mesmo ano, a artista anunciou que a faixa de avanço oficial seria "Not Myself Tonight", manifestando o seu entusiasmo com a sonoridade eletrónica que preparara para o regresso aos lançamentos discográficos. A 8 de maio de 2010, a cantora confirmou através de uma mensagem partilhada no seu sítio oficial que as gravações de Bionic estavam finalizadas, anunciando a inclusão de "Woohoo": "Estou muito orgulhosa desta canção e quis partilhar convosco uma amostra do que está a caminho".

A música foi disponibilizada a 18 de maio de 2010 para descarregamento digital nos Estados Unidos com estatuto promocional. Face ao impacto favorável do tema na Internet, a editora discográfica RCA Records decidiu elevá-lo a segundo single oficial do disco, enviando-o para as estações de rádio norte-americanas de formato contemporâneo rítmico a 25 de maio de 2010, sendo subsequentemente comercializado nas lojas digitais da iTunes Store de países como a Bélgica, o Brasil, Espanha, Noruega e Portugal a 28 de maio. No Reino Unido, a faixa chegou a ser indigitada como o segundo lançamento oficial de promoção de Bionic, contudo, conforme documentado pela Official Charts Company, os planos de edição comercial no território britânico acabaram por ser cancelados à última hora. Paralelamente, o lançamento de um teledisco oficial esteve previsto, tendo o estilista Stevie Boi afirmado através das redes sociais que fora convidado para desenhar os figurinos e espartilhos do teledisco conjunto de Aguilera e Minaj; no entanto, as gravações foram canceladas pela editora discográfica sem que qualquer material final fosse divulgado ao público.

Estrutura musical e composição

"Woohoo" é uma composição de andamento moderado estruturada a partir dos géneros electro-R&B e hip-hop, incorporando nuances rítmicas de dancehall e reggae, contando com uma duração de 5 minutos e 28 segundos. A sua produção musical esteve a cargo do produtor norte-americano Polow da Don, tendo as sessões de gravação decorrido ao longo de 2010 nos estúdios No Excuses Studios, em Los Angeles, e The Red Lips Room, em Beverly Hills, sob a orientação dos engenheiros Josh Mosser e Jeremy Stevenson. A captação vocal foi dirigida por Oscar Ramirez, com produção vocal adicional assegurada por Claude Kelly e assistência de Matt Benefield, ao passo que a fase técnica de mistura foi finalizada por Jaycen Joshua com a colaboração de Giancarlo Lino. A arquitetura sonora é impulsionada por camadas de sintetizadores densos, acordes pontuais de piano e linhas marcadas de baixo, integrando uma demonstração autorizada da obra "Add már uram az esőt", composta por Tibor Koncz e István S. Nagy e interpretada originalmente pela cantora húngara Kati Kovács em 1972. O seu refrão repetitivo e cadenciado foi apontado por Rob Harvilla, no jornal The Village Voice, como exibindo fortes afinidades rítmicas com "Milkshake" de Kelis e "Lip Gloss" de Lil Mama.

De acordo com a partitura musical publicada pela Hal Leonard Corporation, a peça foi concebida no compasso de tempo comum (4/4), estabelecendo um andamento moderado assente na tonalidade de lá menor. A extensão vocal percorrida pela artista estende-se desde a nota grave de sol na terceira oitava (G3) até à nota aguda de dó na quinta oitava (C5). Liricamente, a narrativa articula-se em torno da celebração descomplexada do sexo oral, assumindo o termo coloquial "woohoo" como uma metáfora direta para o órgão genital feminino e a prática de cunilíngua. A franqueza sexual explícita do texto gerou controvérsia pública, fator que, segundo o coautor Claude Kelly, condicionou a receção comercial da gravação nas emissoras radiofónicas norte-americanas. Em publicações divulgadas na plataforma Tumblr, Kelly saiu em defesa da faixa:

Receção pela crítica

Aquando da edição de Bionic, o registo recolheu apreciações críticas mistas a positivas da imprensa musical, que elogiou unanimemente a intervenção de Nicki Minaj e o controlo vocal de Aguilera, dividindo-se, todavia, quanto à natureza deliberadamente provocatória da temática. Alexis Petridis, no diário britânico The Guardian, observou com ironia: "Se vamos criar uma faixa de cinco minutos inteiramente sobre cunilíngua, é uma excelente estratégia recrutar a desbocada rapper Nicki Minaj, cuja entrega alucinada empresta aos acontecimentos uma atmosfera de eletrizante desinibição". Benjamin Boles, no jornal canadiano Now, considerou a colaboração o ponto mais alto de todo o disco, sustentando que a participação especial de Minaj resgata a gravação e lhe confere autenticidade urbana. Chris Ryan, da plataforma MTV Buzzworthy, qualificou o registo como "uma explosão de pop eletrónico e sensual concebido para os clubes", declarando: "Em Nicki Minaj, Aguilera encontrou a parceira perfeita para as suas aventuras eróticas", comparando a atmosfera a "uma prima mais desinibida de 'Rude Boy', de Rihanna, ou de 'Hollaback Girl', de Gwen Stefani". Sara D. Anderson, no portal AOL Radio, assinalou que o arranjo sincopado funde com naturalidade a potência da voz de Aguilera com as táticas verbais incisivas de Minaj. Becky Bain, em resenha para o sítio Idolator, apontou a canção como estando léguas à frente do primeiro single "Not Myself Tonight", frisando: "Se há alguém capaz de rivalizar com a ousadia desmedida de Christina Aguilera, essa pessoa é Nicki Minaj; juntas formam uma dupla irrepreensível".

Em sentido contrário, Stephen Thomas Erlewine, da base de dados musical AllMusic, teceu reservas ao tema, escrevendo que ostentava "um refrão repetitivo e penetrante que se assemelha ao ruído de uma broca de dentista, falhando o propósito de soar sedutor", ainda que tenha reconhecido que a crueza temática já não soava tão alienante quanto na era de Stripped (2002). Numa linha semelhante, Michael Cragg, da revista eletrónica musicOMH, considerou a abordagem pouco subtil, afirmando que a faixa "aborda a temática do sexo oral, mas revela-se tão sensual quanto uma consulta no dentista". Genevieve Koski, na sua análise para o portal The A.V. Club, descartou o tema como "entulho eletrónico datado no cerne do alinhamento".

Reavaliação retrospetiva Ao longo dos anos posteriores, e em particular aquando da celebração do décimo aniversário de Bionic em 2020, "Woohoo" foi alvo de uma expressiva reavaliação crítica que celebrou a sua audácia concetual. Glenn Rowley, redator da revista Billboard, apelidou a gravação de "um hino lascivo e arrebatador", ao passo que Mike Wass, no sítio Idolator, argumentou que a faixa é "indiscutivelmente o hino mais icónico alguma vez gravado sobre a genitália feminina", elegendo-a no 31.º lugar entre as quarenta melhores criações da carreira de Aguilera e lamentando que não tivesse alcançado a liderança das tabelas internacionais. Daniel Megarry, ao escrever para a revista britânica Gay Times, sustentou que a colaboração se encontrava muito à frente do seu tempo em 2010, enfatizando que os versos de Minaj constituem um dos momentos mais brilhantes de toda a sua trajetória artística. Numa perspetiva similar, a publicação britânica Attitude sublinhou que a canção "não é de todo subtil, mas é incrivelmente divertida", enquanto Harrison Brocklehurst, no portal The Tab, incluiu "Woohoo" entre os melhores lançamentos da cantora, rotulando-a de "a perfeição do pop irreverente e uma obra-prima sincopada de palmas que envelheceu de forma extraordinária".

Apresentações ao vivo A 6 de junho de 2010, Aguilera apresentou a composição ao vivo pela primeira vez durante a cerimónia anual dos MTV Movie Awards, realizada no Gibson Amphitheatre, em Los Angeles. O tema funcionou como o clímax de um bloco contínuo que integrou previamente a faixa-título "Bionic" e o single "Not Myself Tonight". Durante a exibição, a cantora e os bailarinos despiram as capas de couro preto que envergavam para exibir corações vermelhos estilizados na zona pélvica dos figurinos, culminando num coração luminoso iluminado por LED sobre o fato da artista. James Montgomery, da MTV News, caracterizou a coreografia como "um número de dança assumidamente sedutor", descrevendo o desfecho: "Aguilera rematou o espetáculo no centro do palco, com o enquadramento televisivo focado na sua cintura, onde pulsava autonomamente um coração luminoso". A receção mediática ao número foi controversa: colunistas como Jarett Wieselman, no New York Post, e Soraya Roberts, no diário New York Daily News, consideraram o visual excessivamente agressivo e provocatório, enquanto Tamar Anitai, na MTV Buzzworthy, ironizou que a exibição se assemelhava a uma festa libertina para adultos, sublinhando que a intérprete se afastara em definitivo da imagem juvenil dos tempos do canal Disney.

Anos mais tarde, a canção foi resgatada para os espetáculos ao vivo da cantora, integrando o alinhamento da digressão The Liberation Tour em 2018 e da residência fixa de concertos em Las Vegas, The Xperience, ao longo de 2019 e 2020. Em setembro de 2021, Aguilera interpretou "Woohoo" como parte do seu alinhamento principal no LadyLand, festival de música celebrado em Brooklyn, Nova Iorque.

Desempenho comercial