O Caminho de Ferro de Luanda é uma linha ferroviária que atravessa Angola de oeste a leste, sendo uma das mais importantes do tipo no país.
Com 479 km de comprimento e uma bitola de 1067 mm, liga a estação do Bungo e o Porto de Luanda, na capital de Angola, à estação de Malanje, capital da província do mesmo nome, e à do Dondo, na província de Cuanza Norte, através do Ramal do Dondo. Está em construção um ramal para ligar a capital ao Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto.
Histórico
Nos finais da década de 1860, o governo português tomou como política a construção de grandes obras de engenharia nas colônias com os objetivos de contribuir para a colonização e exploração dos recursos e legitimação da presença de Portugal nas colônias. Uma das principais obras nesse sentido seria uma linha férrea em território angolano.Pereira, Hugo Silveira. O papel do Estado no caminho-de-ferro de Ambaca (Angola): da concessão a privados à nacionalização. Valência: VII Congresso de História Ferroviária, 18-20 outubro de 2017.
Construção (1885–1899) Em 1885, a concessão de uma linha férrea que ligaria Luanda à Pamba de Ambaca (atual LucalaEvolução histórica da vila do Lucala em fotografias. Portal Angop. 24 de junho de 2013.) foi entregue ao empresário Alexandre Peres, que arrematou a licitação com um lance de 19,999 contos, comprometendo-se a formar a Companhia do Caminho de Ferro Através de África (CCFAA), que levaria a cabo o empreendimento. A previsão de entrega total do empreendimento era para o ano de 1891.
O capital para construção foi angariado através de ações e obrigações (juro de 5%). Ao final do aporte total, os encargos da companhia eram de 425,25 contos de réis. Mesmo assim, o empreendimento só foi levado a cabo porque o Estado português deu garantia de rendimento, assegurando o cumprimento dos compromissos com os obrigacionistas, caso o empreendimento não desse retorno financeiro na sua operacionalização.
A construção iniciou-se em 1886, encontrando grandes dificuldades para o seu devido prosseguimento. Assim, somente em 1889 foram abertos os primeiros 60 km, e; só em 1899 o "Caminho de Ferro de Ambaca" chega ao seu termo final, em Lucala, sendo inaugurado.Os Caminhos de Ferro de Angola (CFA). Correio Ambulante. Consultado em 20 de fevereiro de 2019. O custo total, obviamente, dado os atrasos, foi muito maior do que o inicialmente orçado.
Operação comercial (1899–1976) A operação comercial mostrou-se muito abaixo do planejado, retornando enormes prejuízos à CCFAA até 1910, quando, pela primeira vez o resultado financeiro líquido foi positivo. O enorme passivo foi totalmente coberto pelo Estado português. thumb|200px|esquerda|Composição do CFL abandonada, em 2004. A construção da linha férrea até Malanje, conforme planejado como extensão anteriormente, foi retirada da CCFAA e repassada ao Estado português em 13 de novembro de 1902, dado o medo de que a Companhia não conseguisse honrar novamente com suas obrigações. A obra do "Caminho de Ferro de Malanje" iniciou-se em maio de 1903 e terminou em pouco mais de 5 anos, totalmente levada a cabo pelo Estado.
Desacordos entre a estatal portuguesa "Companhia dos Caminhos de Ferro de Ambaca–Malanje" (CCFAM) e a CCFAA — com esta última solicitando mais aporte financeiro da nação para manutenção do trecho Luanda–Lucala —, fizeram com que a operação dos trechos fosse totalmente independente.
A chamada "questão de Ambaca" arrastou-se desde 1918, quando Portugal foi obrigado a fazer o primeiro resgate financeiro da CCFAA, evitando sua falência total. A questão só foi resolvida no Estado Novo, com a nacionalização da CCFAA, em 1938, onde também ocorreu a fusão desta com a CCFAM, formando a "Companhia dos Caminhos de Ferro de Luanda" (CCFL). Foi somente em 1918 que os caminhos de ferro de Ambaca e Malanje são unificados, passando ambos a ser chamados de "Caminho de Ferro de Luanda" (CFL).
Após a completa estatização, a linha entrou em um período áureo, entre as décadas de 1940 e 1970, onde rivalizava em importância e volume transportado com o Caminho de Ferro de Benguela.
Declínio (1976–2001) Com a independência, o CFL entrou num período de declínio, dada a redução do volume de carga transportado, perda de pessoal qualificado, dificuldades financeiras e falta de investimentos resultantes na deterioração da linha.127 de anos de Caminhos de Ferros de Luanda. Rede Angola. 1 de novembro de 2015.
Aliado a isto, o conflito da Guerra Civil Angolana trazia consigo as sabotagens e os ataques diversos, que tornavam a operação impossível, principalmente a partir de 1984.
Após anos paralisado, o CFL retomou timidamente a operação entre Malanje e Luanda em agosto de 1991, impulsionado pelos Acordos de Paz de Bicesse.
Reabilitação (2001–presente)
A partir de 2001 o governo angolano iniciou um processo de reforma das linhas férreas e das estruturas portuárias, restaurando, no CFL, primeiramente os trechos da região de Luanda.
Outro ponto importante foi a recapitalização da CCFL, que havia sido passada ao controle estatal angolano em 1976, mas que estava praticamente inativa. Assim, em 2003, é convertida em "Empresa do Caminho de Ferro de Luanda-E.P." (ECFL-EP).
A partir de 2005, foi feita uma total revisão da linha até Malanje, sem contudo avançar nos ramais.Programa de Reabilitação dos Caminhos de Ferro do pais termina em Dezembro. Portal Angop. 27 de novembro de 2004.
Em 27 de dezembro de 2010 o transporte de passageiros de Luanda a Malanje foi finalmente restaurado.Viagem de Comboio Luanda/Malanje custa mil kwanzas. Portal Angop. 27 de dezembro de 2010.
Depois de uma paralisação de 20 meses devido à pandemia do Covid-19 e outros problemas da via, a circulação de comboios de passageiros e de carga ao longa de toda a linha foi reposta a partir de 2 de novembro de 2021.
Operações Principais estações miniatura|200px|direita|Traçado do Caminho de Ferro de Luanda, incluindo o Ramal do Dondo. As principais estações do CFL são: Bungo; Viana; Catete; Zenza do Itombe; Nadalatando; Lucala; Cacuso; Malanje.
Ramais Ativos Ramal do Dondo: linha ferroviária com 55 km de comprimento que liga a estação do Zenza do Itombe (donde se conecta ao Caminho de Ferro de Luanda) à estação do Dondo, na província de Cuanza Norte; Ramal do Aeroporto: linha ferroviária, em construção, que liga a estação de Baia à estação do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto.
Desativados Ramal do Golungo Alto: foi construído 1907 e 1909, ligando a estação de Canhoca à do Golungo Alto, então capital distrital. Embora este esforço, o Golungo foi posteriormente preterida como capital em função de N'dalatando.Comboio chega a Malanje até ao fim do ano. Quitexe. 1 de maio de 2009.O Inicio dos Caminhos-de-Ferro em Angola. AngolaBela. Consultado em 20 de fevereiro de 2019. O ramal encontra-se atualmente desativado; Ramal de Calumbo: que ligava Viana ao Calumbo;Carimbos numéricos volantes (08) * Canhoca. A mala Posta. 8 de agosto de 2012 Anel ferroviário de Cassoneca–Cacuaco: ligava Cassoneca ao porto de Luanda.CFL. Marcofilia de Angola. Consultado em 20 de fevereiro de 2019. Ramal do Alto Dande, em sistema Sistema Decauville, de Cabiri até Catete.
Ocorrências Entre as ocorrências desde a entrada em operação do Caminho de Ferro de Luanda, a mais grave ocorreu em 10 de agosto de 2001, quando aconteceu o ataque ao comboio de Zenza, um atentado terrorista perpetrado pelos guerrilheiros da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) contra civis num comboio que circulava no ramal entre Zenza e Dondo.
Ligações externas Web do CFL