Cessacionismo é a visão cristã na qual se formula que parte dos chamados dons do Espírito Santo, apesar de terem sido de fundamental utilidade e importância nos primórdios da igreja cristã, cessaram de existir ainda no período da Igreja PrimitivaMacArthur, John. "Strange Fire – Session One – John MacArthur". The Cripplegate. DISQUS.Aleksandar Katanovic, "The End of Charismatic Gifts, publicado no website da Free Brethren House Churches of Christ, a group of Cessationist Christians. Augustus Nicodemus Lopes; O culto espiritual: Um Estudo em 1 Coríntios Sobre Questões Atuais e Diretrizes Bíblicas para o Culto Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 1999, pág 174 e 177 . Os cessacionistas podem ser divididos em vários "níveis". Alguns, mais radicais, não aceitam por exemplo o dom de curas na igreja moderna B. B. Warfield, em The Cessation of the Charismata, no livro Counterfeit Miracles, 1918 . Já outros, defendem a tese de que o dom de profecia cessou na boca de profetas humanos, sendo restrita à manifestação da profecia escrita na Bíblia Sagrada Misael Batista do Nascimento, Cristão Frutífero, 2004, pág 55 . É unânime entre os cessacionistas que o dom de línguas, nos moldes do falar em línguas (sejam línguas estranhas conhecidas — xenoglossia — ou indecifráveis — glossolalia), se encerrou nos tempos apostólicos. Entendem os cessacionistas que tais e restritos dons serviram a um propósito, a fundação da Igreja Primitiva, em momento que os apóstolos teriam que cumprir o ide sem possuírem qualificação de doutores ou mestres. Segundo eles, o encerramento do livro teria tornado desnecessária a existência dos dons milagrosos e de profecias.

Por outro lado, propoentes, como John MacArthur, ressaltam que os cessacionistas creem plenamente em milagres, curas e todo o tipo de maravilhas e sinais, mas operados diretamente por Deus, na sua soberania, no seu tempo, de acordo com seu próprio desígnio e propósitos.

A visão cessacionista é bastante difundida entre teólogos reformados, fundamentalistas e bíblicos. Entre teólogos e pastores mais conhecidos, estão Richard Gaffin, John F. MacArthur e Daniel B. Wallace. No Brasil, Augustus Nicodemus está entre os cessacionistas Misael Batista do Nascimento, Cristão Frutífero, 3ª Edição, Outubro de 2004, pág 49 .

Benjamin Breckinridge Warfield

Benjamin Warfield está entre os mais citados teólogos cessacionistas, em face de sua obra The Cessation of the Charismata, no livro Counterfeit Miracles (Milagres Falsificados). Nessa obra, Warfield foi um dos primeiros a fazer uma compilação do pensamento sobre o tema de diversos autores renomados, argumentando que alguns dos dons do Espírito Santo teriam se manifestado somente até o terceiro e quarto séculos, mas depois teriam cessado. Nesse sentido, Warfield separa os efetivos dons apostólicos transmitidos pela imposição de mãos, da crendice difundida pelos “romances pagãos que invadiram o império” — Incredible Tales of Beyond Thule (Antônio Diógenes), Babylonian Tales (Jâmblico), Efesio Stories (Xenofonte), Etiopiano de Heliodoro (romance de Aquiles Tácio e de Chariton) e Metamorfoses (Apuleio). Neste ponto Warfield está trazendo informações da obra de E. von DobschUtz “Der Roman in der Altchristlichen Literatur,” in the Deutsche Rundschau, vol. CXI, April, 1902, p. 88 Escreve ele:

Os Batistas Independentes atribuem a Warfield a introdução do liberalismo no Seminário Teológico de Princeton, bem como teria sofrido influência do racionalismo alemão, onde fizera a escolha por seguir por sua vida e ministério Sementes do Modernismo – Tópico: 1ª Semente maligna: Criticismo Textual . Por isso, é apontado por alguns como opositor natural do sobrenaturalismo na Igreja. Em contrafluxo a seu escrito, segundo presbiterianos, Warfield teria sido, em seu período, um dos grandes adversários do racionalismo e do antissobrenaturalismo. Warfield compreendia que os dons do espírito eram de posse dos Apóstolos. Defendia que a transmissão de poderes pela imposição de mãos, no período contemporâneo, não passava pelo crivo da análise da história, e nem passava pelo crivo da análise de autores renomados ao longo dos tempos.

B. B. Warfield apresenta com isso, que não só ele, mas autores da era pós-reforma, já defendiam que o carisma cessara junto com a Era Apostólica, mas que este ensino teria reduzido gradualmente, para outro ensino, principalmente na Inglaterra, que teria continuado por algum tempo após o período pós-apostólico, e depois efetivamente encerrado. Para isso, cita uma linguagem figurada de A. Tholuck:

Cristo não aparece como o sol em terras tropicais, que nasce sem uma madrugada e define sem crepúsculo, mas, como milênios de profecia o precederam, assim milagres o seguiram, e as forças que Ele primeiro despertou estavam ativos em maior ou menor medida, por um período subseqüente. Na enseada do terceiro século temos testemunhos credíveis da persistência das forças de milagroso que estavam ativos no primeiro século. citado na obra The Cessation of the Charismata, retirado do livro Counterfeit Miracles, 1918, de B. B. Warfield

Warfield conclui comentando essa figura poética para defender a continuidade dos dons até certo período: A mecânica concepção do milagre-trabalho de ambos, Cristo e seus seguidores se esconde por trás de tais figuras; Cristo libera forças que naturalmente requerem algum tempo para esgotarem suas energias B. B. Warfield, in The Cessation of the Charismata, no livro Counterfeit Miracles, 1918 . Com isso, Warfield estabelece em suas análises que o período mais comumente fixado para sua continuação é de três séculos, e a data da sua cessação, é normalmente dito que foi no período de ConstantinoWarfield, aqui, além de dizer que era a opinião preponderante entre os teólogos anglicanos, usa como referência o teólogo Conyers Middleton, Miscellaneous Works, London, 1755, vol. 1, p. xli. - "É que eles subsistiram durante os três primeiros séculos, e cessa no início do quarto, ou assim que o cristianismo veio a ser estabelecida pelo poder civil. Isso, eu digo, parece ser a noção mais prevalecente neste dia entre a generalidade dos protestantes, que acham que é razoável imaginar que os milagres devem então cessar, quando o fim deles foi obtida e a igreja não mais os quer, sendo entregues às adversidades, e seguros de sucesso, sob a proteção da maior potência da terra. . Warfield usa as obras de Conyers Middleton para citar autores que apoiavam esta posição, incluíndo o arcebispo John Tillotson, Nathaniel Marshall, Daniel Waterland, John Chapman, e William WhistonConyers Middleton, Miscellaneous Works, London, 1755, vol. 1.

Já para William Whiston, a data da cessação dos dons seria por volta de 381 d.C., que segundo ele, marca o triunfo do atanasianismo e que seria como Ariano, portanto, afirma que marcaria também a vitória final do erro da igreja, com ists teria posto fim a tais manifestaçõesAfirmações se sustentam na obra de Conyers Middleton, Miscellaneous Works, London, 1755, vol. 1. Citando o historiador Gerhard Uhlhorn, por meio do seu livro The Conflict of Christianity with Heathenism, registra: as testemunhas que estão acima de qualquer suspeita não deixam margem para dúvida de que os poderes miraculosos da era apostólica continuaram cessando até, pelo menos, no terceiro séculocitado na obra The Cessation of the Charismata, retirado do livro Counterfeit Miracles, 1918, de B. B. Warfield .

Com isso, Warfield estabelece ser “muito plausível” que os milagres teriam sido dado com a finalidade de fundarem a Igreja, e que foram diminuindo gradativamente até que "a Igreja se tornou capaz de se suster com seus próprios pés"B. B. Warfield, in The Cessation of the Charismata, no livro Counterfeit Miracles, 1918 . Citando a obra do Bispo John Kaye:

Warfield usa do mesmo método de análise às obras de Irineu de Lyon, que teria falado genericamente dos milagres, com a exceção de que acrescenta em suas narrativas o testemunho de duas novas classes de milagres, o de falar em línguas e de ressuscitar os mortos, o qual teria sugerido que fora testemunho. Contudo, procurando negar o testemunho de Irineu de Lyon por meio da subjetividade da narrativa e por não haver detalhamento dos fatos, usando para isso escritos de Teófilo, um contemporâneo de Irineu, onde sugere alguém desafiando Teófilo a apresentar quem tenha ressuscitado, e este teria se esquivado. Concluindo com esta esquiva que se Teófilo de desviou de uma resposta, é porque não viu, nem Irineu de Lyon, seu conterrâneo, teria visto.

Warfield registra ainda que "Orígenes confessa ter sido testemunha ocular de muitos casos de exorcismo, cura e profecia, embora ele se recusou a registrar em detalhes para não despertar risos dos incrédulos (Cont. Cels., I, ii; III, xxiv; VII, iv, lxvii)" e que "Cipriano fala de dons de visões e exorcismos", para apontar que nenhum reclama para si tendo feito milagres, nem detalha os milagres, alegando novamente falta de detalhes nas narrativas. Warfield chega a usar comentários satíricos de Gibbon como fonteWarfiel usa comentários do livro The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, chap. xv, § m, ed. Smith, 1887, vol. II, pp. 178 ff. para ilustrar a questão de Teófilo, em que um nobre grego afirmara que se o Bispo de Antioquia apontasse um ressureto, esse nobre abraçaria a fé cristã.

Evolui o pensamento de que Papias e Eusébio, quando escrevem, teriam em mente “não acontecimentos com contemporâneos, mas casos passados.” Warfild afirma: É muito claro que Eusébio não estava familiarizado com ressurreição dos mortos em seus dias, e também Papias não estava familiarizado com eles em seus dias” Warfield usa o ensaio de J. H. Bernard - in an essay on “The Miraculous in Early Christian Literature,” published in the volume called The Literature of the Second Century, by F. R. Wynne, J. H. Bernard, and S. Hemphill (New York, James Pott & Co., 1892, página não incluída – citação incluída na Nota 26: [Papias] “virtually implies that he himself never saw any such occurrence, his only knowledge of ‘miracles’ of this kind being derived from hearsay.” .

Reformados O reformado Misael Batista, na obra "Cristão Frutífero", resume em três categorias a posição das igrejas sobre dons espirituais: Cessacionismo — que afirma a cessação de alguns dos dons ainda na época da Igreja Primitiva. Carismático simplista — onde afirma que "os dons são confundidos com ofícios" e aponta como a "posição irrefletida" que "produz desequilíbrios" praticada na "maioria das igrejas pentecostais, neopentecostais e carismáticas". Contemporaneidade reformada — que é a posição defendida pela sua vertente presbiteriana. Nesse caso, se faz distinção entre "dons" e "ofícios". Afirma que há "dons que deixaram de existir" enquanto alguns outros dons "tiveram seu modo de funcionamento alterado".

Segundo John Stott, e.g., o dom de profecias, do ponto de vista reformado, seria o "falar com vistas à edificação da igreja John. R. W. Stott, Batismo e Plenitude do Espírito Santo. São Paulo: Vida Nova, 1993. trecho citado por Misael Batista do Nascimento, Cristão Frutífero, 2004, pág 51 ", por isso, para os reformados, profecia seria "sinônimo de pregação Misael Batista do Nascimento, Cristão Frutífero, 2004, pág 51 ", seria "a Palavra, pregada ou apresentada nos sacramentos Misael Batista do Nascimento, Cristão Frutífero, 2004, pág 54 a 59 ".

Os profetas de outrora não eram munidos de estudos ou esboços, entanto, para a contemporaneidade reformada, "a origem da iluminação para a mensagem é a mesma", assim, o que era dito por inspiração do Espírito ao membro da Igreja Primitiva, agora é dada ao pregador da atualidade por várias horas de meditação e oração no esboço que ministrará à igreja. Por isso, para a "fé reformada, não há pregação legítima sem a iluminação e operação do Espírito Santo".