direita|thumb|200px|Campanário de Chioggia.

Chioggia (Cióxa // em dialecto veneto-chioggiotto, em latim: Clodia) é uma comuna italiana da província de Veneza, com cerca de 49.832 habitantes.

É a sétima cidade mais populosa da região do Vêneto e a primeira entre aquelas que não são capitais de província.

Geografia física Território A cidade de Chioggia encontra-se na foz do Ádige, na parte mais a sul da província de Veneza. O centro histórico da cidade situa-se na extremidade meridional da lagoa sobre um grupo de pequenas ilhas divididas por canais e ligadas por pontes. Ao contrário de Veneza, grande parte da sua área urbana pode ser percorrida por automóveis e transportes públicos. Graças à construção da Ilha da União (e da sua ponte homónima que atravessa a lagoa do Lusenzo), forma um único centro urbano juntamente com a vizinha Sottomarina - situada na faixa de terra que separa a lagoa do mar. O resto da cidade está localizada no interior e compreende a foz dos rios Brenta e Ádige - juntamente com muitos outros rios e canais menores a Sul – e com o litoral interno lagunar junto do Valle di Millecampi a Noroeste de Chioggia. Igualmente relevante é a presença da Reserva Natural do Bosco Nordio entre as duas fracções de Sant'Anna e Cavanella d'Adige. Este proporciona um raro exemplo do que foi o ponto alto do litoral do alto Adriático; este, que nos tempos antigos foi o mais distinto de todo o território do Golfo de Veneza.http://www.parks.it/riserva.bosco.nordio/|sito ufficiale riserva naturale Bosco Nordio

No que diz respeito ao risco sísmico, Chioggia está classificada como zona 4, ou seja, de risco muito baixo.Ordinanza del Presidente del Consiglio dei Ministri numero 3.274 del 20-03-2003.

Clima

Segundo a escala de Köppen-Geiger, Chioggia possui um clima de tipo Cfa, isto é, quente mas temperado (típico do Vale do Pó) dado a proximidade do mar. Ali existe uma pluviosidade significativa ao longo do ano. Mesmo o mês mais seco tem uma elevada pluviosidade. A temperatura média anual em Chioggia é 13.4°C e a sua pluviosidade média anual é de 779mm.

A precipitação é mais intensa na Primavera e no Outono, enquanto que no Inverno a neve não é muito frequente nem duradoura. Isto deve-se ao sal proveniente do mar e das águas lagunares. A névoa do Inverno e o calor estival são frequentes dada a elevada humidade da zona. Os ventos principais são o Bora, o Scirocco, que causa o fenômeno da água alta, e o Libeccio, um vento quente de Sudoeste, proveniente do deserto do Saara.

Do ponto de vista legislativo, a cidade de Chioggia encontra-se na "Faixa climática E".

left|thumb|fenômeno de Acqua alta em Chioggia com os passadiços instalados. Em fundo a Loggia dei Bandi e o Monte di Pietà

Chioggia é também afectada por altos picos de maré (conhecidos em todo o mundo como Acqua alta) que se verificam com particular intensidade na Lagoa de Veneza; chegando a provocar inundações nas áreas urbanas. Geralmente, quando o fenômeno da Acqua alta atinge Veneza, Chioggia segue-lhe o passo - ainda que não tenha o mesmo impacto mediático - com iguais consequências negativas para as habitações, palácios e atividades comerciais. Está implementado um protocolo específico para lidar com este fenômeno da Acqua alta, isto é, existe uma monitorização periódica do fenômeno, de modo a prevenir os efeitos negativos do mesmo: Esta monitorização é levada a cabo pelo Centro de Marés da Cidade de Veneza, que coordena o sistema de alerta de base, caracterizado por um alarme acústico de tipo electro-mecânico. O som alerta para uma maré superior a 110cm; uma eventual repetição alerta para uma previsão superior a 140cm; e uma terceira repetição está associada ao ultrapassar da cota de 160cm.

O sistema de defesa das águas altas proporciona um serviço de passadiços, como acontece em Veneza; este segue um protocolo preciso, que determina os percursos levantadas em relação à altura da maré. O fenômeno está também regulado pelo projeto MOSE (diques de pequena escala), constituído por anteparas móveis situados nos canais de acesso à cidade a fim de impedir que as marés inundem o centro da cidade, com excepção das águas excepcionais que se verão confrontados pelos grandes diques MOSE, obra ainda em fase de construção.

História As origens A lenda sobre as origens de Chioggia está ligada a Eneias, mítico herói troiano fugido da destruição de Troia que navegou pelo Mediterrâneo para, posteriormente, se fixar no Lácio. Com Eneias partiram também Aquilio e Cláudio que, a meio da viagem, se separaram do seu concidadão para a lagoa veneziana, fundando, respectivamente Pádua, Aquileia e Clodia. Uma prova desta fundação mítica é o símbolo da cidade, um leão vermelho rampante sobre prata, escolhido pelo próprio Cláudio em memória da sua cidade natal, e o nome da própria cidade.

A partir de achados arqueológicos recentesMura di contenimento e palafitte per la bonifica degli isolotti lagunari nella laguna del Lusenzo ed ancore in bronzo egee nei pressi dell'Isola di San Domenico. e estudos recentes,Tale origine di Chioggia è validamente documentata da Vincenzo Bellemo nel "Il territorio di Chioggia" tip. Lodovico Duse, Chioggia 1893 podemos situar, como hipótese, o nascimento da cidade por volta do ano pelos Pelasgos, povo de navegadores originário da Tessália, que colonizaram muitas cidades na costa do Adriático. O nome de Chioggia, deriva de Cluza, "construída artificialmente", para explicar a natureza insular-lagunar da cidade que, sem intervenção humana, estaria submersa a cada maré alta. Outros nomes são, indubitavelmente, de origem pré-helénica como Lusenzo - canal e lagoa localizados entre Chioggia e Sottomarina - Bebe (antiga torre que serviu de posto avançado na fronteira entre os territórios venezianos e de Pádua), Perotolo e Evrone.M. Marcozzi, Chioggia, pp 7-9. Os primeiros assentamentos da cidade de Chioggia, devem estar, portanto, localizados junto da foz do Brenta, que, naquela época, era uma das entradas da lagoa, com o nome de Brondolo, na pequena ilha de Vicus a levante da Fossa Clodia, canal que corresponde agora à Lagoa de Lusenzo, e em Evrone, que corresponde ao porto de Chioggia.L. Padoan, cap V pp 15-17

História antiga Certo é que a cidade já existia no período romano.M. Marcozzi, pp 15-28. Uma prova é a típica estrutura geométrica rectangular que distingue Chioggia; formada por um cardo, o actual Corso del Popolo, e um decúmano. Como todas as cidades do Veneto, Chioggia fazia parte da Região X, a "decima regio", que compreendia ainda a Ístria.

As primeiras fontes históricas provêm de Plínio, o Velho que na sua Naturalis Historia descreve a zona lagunar veneta como "a terra dos rios" dizendo ainda que:

... saindo do Delta de Pádua, depois de Adria, porto etrusco que deu o nome ao Mar Adriático, encontram-se as fozes originais da superabundância de águas, ditas "Fossas Filistinas" nas quais está o Ádige, que flui desde os Alpes tridentinos e o Togisono (Bacchiglione) que desce dos campos de Pádua. parte desta água alimenta ainda o porto de Brondolo, como os dois Meduaci, o Menor e o Maior (os dois ramos do Brenta) e o Bacino de Chioggia (Fossa Clodia-Canal Lombardo) alimentam Porto Evrone. A estas águas também se juntam as do Pó.

Plínio, o Velho, Naturalis Historia

Chioggia era importante, sobretudo, pelas suas salinas e o seu centro de produção do "Sal Clugiae", um dos mais apreciados por Cassiodoro e pelo próprio Plínio. Ainda que, hodiernamente, já não existam salinas a funcionar, na Antiguidade, a produção de sal era a actividade mais importante para a economia da cidade, que empregava grande parte da população e da força laboral disponível. Nas águas de Chioggia existiam 72 recintos de água, ou "fondamenti di salina", que iam deste o porto da cidade até às margens adjacentes dos domínios de Pádua; que produziam cerca de 216 vezes as necessidades de toda a população durante um ano.L. Padovan, cap XXIII. O sal produzido era, de facto, indispensável para o comércio e o seu preço permitia aos seus habitantes comprar outra qualquer mercadoria difícil de encontrar nas terras lagunares. O "Sal Clugiae", sal de Chioggia, era considerado um bem estatal, o que levaria a Confederação Veneziana a combater numerosas vezes contra os Ferraresi, Romagnoli e Bolognesi de Pádua, que impuseram como única moeda de troca para o comércio, em detrimento de outros tipos de sal de menos renome.

Com o lento declínio do Império Romano, começaram a chegar as primeiras populações bárbaras que, em muitas ocasiões não tiveram escrúpulos em arrasar e devastar as ricas terras dos Romanos. Os primeiros a invadir foram os Visigodos que no ano de , comandados pelo seu rei Alarico, que tentaram ir para o Piemonte; sofrendo, no entanto, numerosas derrotas. A estes, no ano de 404 seguiram-se-lhes os Alanos e os Vândalos. Apenas 7 anos mais tarde, os Visigodos voltaram a Itália e, descendo a partir de Veneza chegaram a Roma, tomando-a e saqueando-a.

Depois de todas as invasões, a mais memorável foi a dos Hunos, em . Estes, comandados por Átila, conquistaram e destruíram Aquileia, Pádua, Verona e muitas outras terras da região. O medo suscitado por tal violência, levou a um grande fenômeno migratório populacional do continente para as ilhas lagunares; o que se traduziu num aumento populacional da cidade já existente e à fundação de novas cidades como Rivo Alto, primeira pálida companheira da futura e gloriosa Veneza. Muitas foram as famílias que, de Pádua, Monselice e Ateste (a actual Este) emigraram, primeiro para Brondolo e depois para Chioggia criando aquele que seria o principal tecido social dos séculos seguintes.L. Padovan, cap IX

História medieval thumb|Relógio da torre de Santo André, o mais antigo do mundo (segundo estudos recentes que demonstraram a sua antiguidade face ao de (Salisbury),, Il Gazzettino 1º dicembre 2005. Grã-Bretanha

Em 568, os Lombardos apareceram em solo itálico, descendo os Alpes e passando por Veneza, comandados pelo seu rei Alboino. Em menos de um século cai o Império Romano do Ocidente e sucedem-se os domínios Érulos, Ostrogodos, Bizantinos e, por fim, o dos Lombardos.

No que concerne a Chioggia e às outras cidades lagunares, foram dominadas pelos povos sobreditos, excepção feita aos Lombardos que não conseguiram conquistar os territórios, mas, ainda assim, mantiveram uma importante independência, causada pela dependência do distante Império de Constantinopla. Formou-se assim, o primeiro Estado Veneziano, composto pelas maiores cidades do litoral adriático governadas por tribunos. As ilhas mais importantes eram: Grado, Bibione, Caorle, Eraclea, Equilio, Torcello, Murano, Rialto, Malamocco, Poveglia, Chioggia major e Chioggia minor. A Chioggia major correspondia à actual Chioggia no interior da lagoa, enquanto que a menor correspondia, aproximadamente, à fachada marítima da actual Sottomarina.

Todas as cidades eram autónomas e governadas independentemente, salvo alguns casos de interesse comum em que as decisões eram tomadas de comum acordo. Para tentar lidar com as invasões da parte dos Lombardos que habitualmente ocorriam em terras venezianas, em 697 reuniram-se em Eraclea todos os tribunos, nobres e bispos da cidade. Daquele concílio, saiu uma nova magistratura que - até à queda da Sereníssima - permaneceu como a mais alta posição institucional: O Doge. Graças ao primeiro Doge, Paoluccio Anafesto, os confins da República foram finalmente definidos com rigor, oficializando a independência das terras lagunares. Chioggia pôde, assim, finalmente, estabelecer os seus domínios do porto da cidade ao rio Ádige, e do mar de Bebe a Conche, com a liberdade de cultivo, pesca, fabrico e plantação de salinas e de sal. thumb|left|Palácio em estilo veneziano de cores vivas, sobreposto ao Canal Vena, que corta longitudinalmente Chioggia e que é um dos lugares mais pitorescos da cidade