Frei Doutor José Ricalde Pereira de Castro (São Tiago de Carreiras, 1 de Novembro de 1715 - ), baptizado com o nome de Santos José Ricalde,O Chanceler José Ricalde Pereira de Castro (dados genealógicos), pelo Dr. Francisco Cirne de Castro Boletim da Academia Portuguesa de Ex-Libris, nº 48, Abril de 1969Inquirição de génere de Santos Jose Ricalde, 28 de Julho de 1733, Arquivo distrital de Braga - ADB foi um clérigo e juiz português.

Era freire da ordem de S. Bento de AvisDiligência de habilitação para a Ordem de São Bento de Avis de José Ricalde Pereira de Castro, 18.1.1745, Código de ref.: PT/TT/MCO/A-C/004-009/0006/00012, Mesa da Consciência e Ordens, Habilitações para a Ordem de São Bento de Avis, Letra J, mç. 6, n.º 15, Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Foi nomeado em 14 de Agosto de 1748 deputado do Tribunal da Inquisição e a 19 de Fevereiros de 1789Limpeza de Sangue, por José Alberto Veiga Meira Torres, Gráfica Casa dos Rapazes, Camara Municipal de Viana do Castelo, 2008, pág. 403 do Conselho Geral do Santo OfícioCatálogo da Colecção de Miscelâneas - Tomo 7.o (Vols. DCLI a DCXCV), Publicações de Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, pág. 176 e do Conselho de El-Rei«A Colegiada de Guimarães sob o signo de Pombal», Boletim dos Trabalhos Históricos, Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, vol. XVI, 1966, pág. 2 3 e comissário geral da Junta da Bula da Santa Cruzada,Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, Editorial Enciclopédia, volume 21, pág. 211 desembargador do Paço, chanceler-mor do ReinoAlvará. Ordenado de Chanceler Mor destes Reinos, 21 de Julho de 1783, Registo Geral de Mercês de D. Maria I, liv.14, f. 223, Arquivo Nacional da Torre do Tombo (1783-1793),António Delgado da Silva, «Collecção da legislação portugueza desde a ultima compilação das ordenações», Volume 3, Typografia maigrense, Lisboa, 1828, pág. 613 procurador das Ordens Militares e Casa do Infantado, prestamario de GontinhãesMarquês de Ávila e Bolama, "Nova Carta Chorografica de Portugal", composto e impresso na Imprensa Lucas, Lisboa, 1914 e cónego da Colegiada de Guimarães«Viana de Outros Tempos e Sua Gente Através da Memória de Porto Pedroso», Arquivo do Alto Minho, volume IV da 2.ª Série (XIV) Tomo I, Viana do Castelo, 1965, pág. 39 (1769), deputado da Junta das Confirmações Gerais.«A Colegiada de Guimarães sob o signo de Pombal, Boletim dos Trabalhos Históricos», Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, vol. XVI, 1966, pág. 2 3

Biografia Um seu contemporâneo, Porto Pedroso, chama a atenção que ele "vai sucedendo aos empregos de seu tio D. Frei Sebastião Pereira de Castro" (que era irmão de seu pai e que "fez as vezes de 1.º Ministro de El-Rei D. João V, e algum tempo de D. José").«Viana de Outros Tempos e Sua Gente Através da Memória de Porto Pedroso», por Alberto Sousa Machado, Arquivo do Alto Minho, volume IV da 2.ª Série (XIV) Tomo I, Viana do Castelo, 1965, pág. 39

Inclusive, chegaram andar os dois mais seu sobrinho Francisco no Seminário Patriarcal«Depois do terremoto; subsídios para a história dos bairros ocidentais de Lisboa», vol. I, Gustavo de Matos Sequeira, Coimbra - Imprensa da Universidade - 1916, pág. 194. Digitalizado pelo Arquivo da Internet em 2014 e a morar todos juntos no edifício conhecido por Casas da Costa do Castelo e depois por Palácio Vila Flor, em Lisboa.As Antigas Portas de S. Lourenço, da Alfofa e de S.to André, por Ferreira de Andrade, boletim Olisipo, ani III, n.º 89, Janeiro de 1960, Lisboa, pág. 27 e 28 Este tinha vindo parar às mãos da mulher do seu pai, que o receberia pela herança da família Cirne, e após a morte de João Rebelo de Cirne Peixoto pai dela.

Licenceia-se em Leis, em 1741, na Universidade de Coimbra.José Ricalde Pereira, matriculas de 1734-01-01 a 1740-10-01, Referência: PT/AUC/ELU/UC-AUC/B/001-001/P/003278, Arquivo da Universidade de Coimbra Voltará lá para se formar ou doutorar em Matemática, Direito e novamente em Leis.José Ricalde Pereira de Castro, matriculas 1779-10-20 a 1783-10-21, Referência: PT/AUC/ELU/UC-AUC/B/001-001/C/007029, Arquivo da Universidade de Coimbra

Ele e seu sobrinho igualmente desembargador, Francisco de Abreu Pereira de Meneses, durante anos, de 1731 a 1767, organizaram o chamado "culpeiro" para o Tribunal do Santo Ofício, a Inquisição de Lisboa.Culpeiro organizado por José Ricalde Pereira de Castro e Francisco de Abreu Pereira de Meneses, Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, liv. 185, ANTT

Por decreto interno de 30 de Junho de 1767 é designado como visitador da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.Catálogo de Decretos, Avisos e Ordens (séc. XVI e XIX), Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Arquivo Histórico, 2011, pág. 68, Código de referência: PT-SCMLSB/SCML/CR/02/02/009

Em 1768 era o autor do «Edital do Em.mo e Rev.mo Cardeal Patriarca de Lisboa, em que declarou que neste patriarcado não tinha lugar a proibição de ovos e lacticínios no tempo da Quaresma, etc. Publicado por ordem do Senado da Câmara de Lisboa».«Edital do eminentissimo e reverendissimo senhor Cardial Patriarca de Lisboa, declarou em que, Que Neste patriarcado Não tinha Lugar a prohibição de ovos, e Lacticínios nenhum tempo da Quaresma: deferindo AO Requerimento Apresentado Pelos procuradores da dita Cidade de Lisboa, demonstrárão em que, Que nella, e não Seu arcebispado fóruns semper uma dita prohibição excluida, Pelo traje anterior á Bulla da Cruzada, antiquissimo, e imemorial tao, Que Não se Pôde assignar o principio que Teve (1768)»Edital, Portugal-Dicionário Histórico

Foi um dos membros indigitados para a Junta de Providência Literária, em 2 de Dezembro de 1770 ainda em funções em 1772, encarregada da reforma universitária após a expulsão dos jesuítas de Portugal.Francisco de Lemos e João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho, «Compendio historico do estado da Universidade de Coimbra: no tempo da invasão dos denominados jesuitas e dos estragos feitos nas sciencias e nos professores, e directores que a regiam pelas maquinações, e publicações dos novos estatutos por elles fabricados», Regia officina typografica, 1771.Zília Osório de Castro, «Poder régio e os direitos da sociedade O “absolutismo de compromisso” no reinado de D. Maria I», Ler História, n. 23, 1992, p.12 Tendo sido um dos, conjuntamente com o Marquês de Pombal e outros que faziam parte do seu chamado "Conselho Pombalino", que compilou o «Compêndio Histórico do Estado da Universidade de Coimbra no tempo da invasão dos denominados Jesuítas e dos estragos feitos nas ciências e nos professores e diretores que a regiam pelas maquinações e publicações dos novos estatutos por eles fabricados», de 1771.Taíse Tatiana Quadros da Silva, «Em busca da hermenêutica moderna no Portugal pombalino. O caso da história e de seu estudo», Programa de Pós-Graduação em História Social da UFRJ, Anais das Jornadas de 2007, pág. 11

Segundo Camilo Castelo Branco, que embora não seja seu contemporâneo, demonstra ter muito má opinião dele e a favor de Pombal, ao contrário do Marquês de Resende que lhe dá opinião de santo, conta que ele será um dos signatários que condenará João Baptista Pele por ter atentado contra o rei D. José I de Portugal."O Saloio", in Narcoticos, por Camillo Castello Branco, Companhia Portugueza Editora, Porto, 1920, pág. 248 Provavelmente já não aprovará a condenação dos Távora, acto que se lhe seguiu, como mais tarde veremos.

Na qualidade de secretário e procurador de D. Pedro III estará na base do acompanhamento da construção de várias e importantes obras na cidade de Lisboa, fazendo acordos com os mestres de obras e restantes mestres de ofícios, para a Família real, entre 1761 e 1778, desde o início das mesmas. Isso aconteceu, nomeadamente, com a capela do Palácio de Queluz, com a basílica, convento e palácio da Estrela e a Igreja de Santa Luzia e de São Brás.O Arquitecto Mateus Vicente de Oliveira (1706-1785) uma práxis original na arquitectura portuguesa setecentista, por Mónica Ribas Marques Ribeiro de Queiroz, Doutoramento em belas artes, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-artes, 2013

Em 1783, uma sua afilhada, a filha de João Dias Tallaia Sotto Maior e o mesmo que já lhe tinha dedicado uma odeCatálogo da Colecção de Miscelâneas - Tomo 7.o (Vols. DCLI a DCXCV), Universidade de Coimbra. Biblioteca Geral, pág. 40, dirige-lhe um discurso que é impresso e publicadoA Representação da Mulher no Pensamento dos Filósofos Iluministas Portugueses, Mestrado em Estudos Românicos Cultura Portuguesa, por Lígia Maria Sánchez Coelho da Silva Cabrita, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2010, pág. 20, nota nº 34 referindo-se a: «Oração Gratulatória que ao Preclarissimo Senhor Jozé Ricalde Pereira de Castro, consagra D. Marianna Victória Tallaia Colasso de Castelo Branco… sua afilhada, aluna da Academia dos Obsequiosos, estabelecida em caza de seu Pai o Capitão João Dias Tallaia Sotto Maior, de que sam protectores Suas Magestades Fidelíssimas e Altezas Reaes», Lisboa, Offic. De João António da Silva, 1783

Nesse mesmo ano, a 31 de MaioJosé Ricalde Pereira de Castro, Carta. Chanceler Mor destes Reinos e Senhorios, 1783-05-31, ref.: PT/TT/RGM/E/001/0014/105511, cota: Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Maria I, liv. 14, f. 223, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, foi nomeado Chanceler-mór do Reino para substituir António Freire de Andrade Encerrabodes recentemente falecido.Tiago C. P. dos Reis Miranda, António Freire de Andrade Encerrabodes (1699-1783) no Espelho de Pombal, pág. 108-109, nota 215: in Gazeta de Lisboa, n.º 19 (2º suplemento), 17 de Maio de 1783

Apesar de suas importantes funções durante o ministério do Marquês de Pombal, escapou às maiores represálias na mudança do reinado, no chamado movimento da "viradeira". Pelo contrário até terá saiu muito valorizado, pois tinha sido a ele que tinha calhado a sorte de organizar a alegação jurídica para a defesa das razões para a aclamação e tomada de posse da D. Maria I do lugar de rainha, de pleno direito. Com a morte do rei D. José, seu pai, era a primeira vez que uma senhora tomava tamanha responsabilidade no Reino de Portugal. Este jurista não só o fez com total sucesso, contrariando a vontade do Pombal que, estrategicamente oponha-se a essa decisão, pretendia seguir a ordem sálica que obrigava a reinar apenas um herdeiro que fosse varão (masculino), como apresentou um extenso discurso de aclamação na própria cerimónia pública do "Levantamento ao Trono" da Rainha, no dia 13 de Maio de 1777, abordando esse aspecto vencedor pela primeira vez em Portugal,Leibniz: a origem dos franceses tradução, apresentação e comentários, por Húdson Kléber Palmeira Canuto, Pró-reitoria de pós-graduação e pesquisa programa de pós-graduaçao em filosofia nível mestrado, Universidade Federal de Sergipe , pág. 32 que foi muito bem aceite e reconhecido.«Discurso de José Ricardo(?) Pereira de Castro», Discurso do Mês, O Portal de HistóriaEste discurso vincava o carácter cooperativo da monarquia portuguesa, e a importância dos reis governarem para os seus súbitos (que eram estes que legitimavam o exercício dos monarcas), que se pretendia que fosse com prudência e suavidade (muito ao contrário do exercício da anterior déspota e tirana governação pombalina, que este pretendia criticar) - D. João de Almeida Portugal e a Revisão do Processo dos Távoras: conflitos, intrigas e linguagens políticas em Portugal nos finais do Antigo Regime (c. 1777-1802), Patrícia Woolley Cardoso Lins Alves, Universidade Federal Fluminense Centro de Estudos Gerais Instituto de Ciências Humanas e Filosofia Departamento de História, 2011, pág. 33 e 185