O Club de Madrid (ou Clube de Madri) é uma organização independente sem fins lucrativos criada para promover a democracia e a mudança na comunidade internacional.
Composta de 89 ex-presidentes e ex-primeiros-ministros de 58 países, o Club de Madrid é o maior fórum mundial de antigos Chefes de Estado e de Governo.
Entre seus principais objetivos estão o fortalecimento das instituições democráticas e o aconselhamento sobre a resolução de conflitos políticos em duas áreas fundamentais: liderança democrática e governança; e resposta a crises e a situações pós-crise.
O Club de Madrid trabalha em conjunto com governos, organizações intergovernamentais, órgãos da sociedade civil, acadêmicos e representantes do mundo dos negócios, incentivando o diálogo a fim de promover a mudança social e política. O Club de Madrid também trabalha na busca de métodos eficazes para prestar assessoria técnica e recomendações para os governos nacionais de transição, visando tomar medidas para estabelecer a democracia.
Composição Existem atualmente 89 membros titulares, todos eles antigas autoridades governamentais que têm direito pleno de voto. O clube também tem membros institucionais – os que pertencem a organizações públicas e privadas que compartilham objetivos democráticos similares, incluindo a Fundación de las Relaciones Internacionales y el Diálogo Exterior (FRIDE), e a Fundação Gorbachev da América do Norte (sigla em inglês, GNFA), ambos patrocinadores originais da conferência de fundação em 2001. Além deles, o Club de Madrid tem vários membros honorários, como Kofi Annan e Aung San Suu Kyi; e altos conselheiros, que são especialistas em transição democrática.
O Clube tem sede em Madri (Espanha), apesar de as reuniões serem realizadas em todo o mundo. Atualmente Wim Kok, antigo primeiro-ministro dos Países Baixos (1994-2002), é o presidente da organização, que também tem dois Vice-Presidentes: Jennifer Mary Shipley (Nova Zelândia) e César Gaviria (Colômbia). Presidente – Wim Kok Vice-Presidente – Jennifer Mary Shipley Vice-presidente – César Gaviria O Clube foi criado a partir de um evento sem precedentes, de quatro dias de duração, que teve lugar em outubro de 2001 em Madri, a Conferência sobre Transição e Consolidação Democrática (CDTC). Este evento reuniu 35 líderes mundiais, mais de 100 acadêmicos conceituados e especialistas em política da Europa, das Américas, da Ásia e da África para discutir ideias e meios de implementação de ambas as perspectivas objetivas e subjetivas. A conferência discutiu oito tópicos principais: Desenho constitucional O Poder Legislativo e sua relação com o Executivo O Poder Judiciário e sua relação com Executivo Procedimentos de combate à corrupção O papel das Forças Armadas e das forças de segurança Reforma da burocracia estatal Fortalecimento do político e social e dos partidos políticos Condições econômicas e sociais
Estrutura e organização O principal recurso do Club de Madrid é o seu rol de membros, que inclui 89 ilustres ex-chefes de Estado e de Governo de nações democráticas. A vantagem comparativa do Club de Madrid baseia-se nos seguintes itens-chave: Experiência pessoal e prestígio de seus membros. Acesso aos maiores especialistas do mundo em democracia. Especialização em transição democrática e em problemas de consolidação. Abordagem prática de suas atividades, através da implementação de projetos com resultados tangíveis.
Os membros titulares são os membros do Club de Madrid que fornecem sua experiência pessoal e política como ex-chefes de Estado e de Governo. A nomeação, com base em uma proposta do Conselho de Administração, é aprovada pela Assembleia Geral. As trocas diretas com os atuais líderes dos países no processo de transição democrática em uma base entre pares, e a capacidade dos membros de entregar a mensagem certa no tempo certo são dois dos principais recursos do Club de Madrid. Neste sentido, os membros do Clube de Madrid também podem ajudar a lançar grande foco sobre a atenção internacional necessária quanto aos países-alvo e alavancar o trabalho de outras instituições que visam promover a democracia. Os membros do Club de Madrid são apoiados por uma rede de especialistas de renome internacional que trabalham em conjunto para oferecer assistência sobre uma série de questões sobre reformas democráticas. O Club de Madrid é composto de quatro órgãos executivos e consultivos: Assembleia Geral Conselho de Diretores Secretariado-Geral Comitê Consultivo
Membros Vários membros do Club de Madrid desempenharam papéis importantes nos processos diplomáticos e militares que visaram acabar com as guerras na antiga Iugoslávia na década de 1990: Em 1991, Milan Kucan, que se tornaria presidente da recém-independente Eslovênia, negociou o Acordo de Brijuni, que pôs fim à Guerra dos Dez Dias. Em 1993, o político bósnio Zlatko Lagumdžija aconselhou o então presidente da Bósnia e Herzegovina contra a concordância com o plano de paz Vance-Owen. Os dois haviam sido sequestrados por tropas do Exército Popular da Iugoslávia (JNA) em Sarajevo em 1992, e a libertação de ambos foi negociada através das Nações Unidas. O ex-primeiro-ministro polonês Tadeusz Mazowiecki era um emissário especial da ONU para a Bósnia e Herzegovina em 1992 e, em 1993, publicou um relatório sobre violações dos direitos humanos na ex-Iugoslávia. Em 1995, Mazowiecki renunciou ao cargo em protesto contra a falta de resposta internacional às atrocidades que estavam sendo cometidas na Bósnia – em particular, ao massacre de Srebrenica. O presidente dos EUA, Bill Clinton, foi fundamental para impelir a OTAN a intervir na Bósnia e em Kosovo. Em 1995, seus esforços produziram a Operação Deliberate Force, resultando nos Acordos de Dayton que puseram fim à Guerra da Bósnia. Em 1999, os EUA e outras potências da OTAN procuraram pôr fim à Guerra do Kosovo com o Acordo de Rambouillet, mas a Iugoslávia percebeu que o acordo forçou-a a ceder muito e recusou-se a assiná-lo. Esta recusa resultou na Operação Allied Force, durante a qual a OTAN utilizou supremacia aérea e bombardeio estratégico para enfraquecer as forças militares sérvias e forçá-las a se retirar de Kosovo. O ex-primeiro-ministro sueco Carl Bildt serviu como Enviado Especial da União Europeia para a ex-Iugoslávia e foi copresidente da Conferência de Dayton. Ele se tornou o primeiro Alto Representante para a Bósnia e Herzegovina após a guerra, de 1995 a 1997, e foi Enviado Especial da Secretaria-Geral da ONU aos Bálcãs entre 1999 e 2001. Outros membros do Club de Madrid envolvidos no processo diplomático incluem Helmut Kohl, o ex-Chanceler da Alemanha, que supervisionou a reunificação das Alemanhas Oriental e Ocidental e que foi um signatário dos Acordos de Dayton; o primeiro-ministro canadense Jean Chrétien, que solicitou apoio para a participação do Canadá na Operação Allied Force; e o presidente finlandês Martti Ahtisaari, que, junto com o primeiro-ministro russo Viktor Chernomyrdin, convenceu o presidente sérvio Slobodan Milosevic a retirar-se de Kosovo, em conformidade com as exigências da OTAN.
Membros atuais
Abdul Karim al-Iryani – ex-primeiro-ministro do Iêmen Alejandro Toledo – ex-presidente do Peru Alpha Oumar Konaré – ex-presidente do Mali e ex-presidente da Comissão da União Africana Álvaro Arzú – ex-presidente da Guatemala Amine Pierre Gemayel – ex-presidente do Líbano Anand Panyarachun – ex-primeiro-ministro da Tailândia Andrés Pastrana – ex-presidente da Colômbia Aníbal Cavaco Silva – ex-primeiro-ministro e ex-presidente de Portugal António Guterres – ex-primeiro-ministro de Portugal e ex-Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados António Mascarenhas Monteiro – ex-presidente de Cabo Verde Bacharuddin Jusuf Habibie – ex-presidente da Indonésia Belisario Betancur – ex-presidente da Colômbia Benjamin William Mkapa – ex-presidente da Tanzânia Bill Clinton – ex-presidente dos Estados Unidos Carl Bildt – ex-primeiro-ministro da Suécia e ex-Alto Representante da ONU para a Bósnia e Herzegovina Cassam Uteem – ex-presidente da Maurícia César Gaviria – ex-presidente da Colômbia e ex-secretário-geral da Organização dos Estados Americanos Chandrika Kumaratunga – ex-presidente do Sri Lanka Diego Hidalgo – do Conselho Diretor do Grupo PRISA e fundador do Club de Madrid Eduardo Frei Ruiz-Tagle – ex-presidente do Chile Ernesto Zedillo – ex-presidente do México Esko Aho – ex-primeiro-ministro da Finlândia Felipe González Márquez – ex-presidente do Governo da Espanha Fernando Henrique Cardoso – ex-presidente do Brasil Festus Mogae – ex-presidente de Botsuana Fidel Valdez Ramos – ex-presidente das Filipinas Fuad Siniora – ex-primeiro-ministro do Líbano Gonzalo Sánchez de Lozada – ex-presidente da Bolívia Gro Harlem Brundtland – ex-primeira-ministra da Noruega e ex-diretora-geral da Organização Mundial da Saúde Guy Verhofstadt – ex-primeiro-ministro da Bélgica Han Seung-soo – ex-primeiro-ministro da Coreia do Sul Hanna Suchocka – ex-primeira-ministra da Polônia Helmut Kohl – ex-Chanceler da Alemanha Horst Köhler – ex-presidente da Alemanha Inder Kumar Gujral – ex-primeiro-ministro da Índia Javier Pérez de Cuéllar – ex-secretário-geral das Nações Unidas Jennifer Mary Shipley – ex-primeira-ministra da Nova Zelândia Joaquim Chissano – ex-presidente de Moçambique John Bruton – ex-primeiro-ministro (taioseach) da Irlanda John Kufuor – ex-presidente de Gana e ex-presidente da União Africana John Major – ex-primeiro-ministro do Reino Unido Jorge Quiroga – ex-presidente da Bolívia Jorge Sampaio – ex-presidente de Portugal José Luis Rodríguez Zapatero – ex-presidente do Governo da Espanha José María Aznar – ex-presidente do Governo da Espanha José María Figueres – ex-presidente da Costa Rica Julio María Sanguinetti – ex-presidente do Uruguai Ketumile Masire – ex-presidente de Botsuana Kim Campbell – ex-primeira-ministra do Canadá Kjell Magne Bondevik – ex-primeiro-ministro da Noruega Lee Hong-koo – ex-primeiro-ministro da Coreia do Sul Leonel Fernández – presidente da República Dominicana Lionel Jospin – ex-primeiro-ministro da França Luis Alberto Lacalle – ex-presidente do Uruguai Luísa Diogo – ex-primeira-ministra de Moçambique Martín Torrijos – ex-presidente do Panamá Martti Ahtisaari – ex-presidente da Finlândia Mary Robinson – ex-presidente da Irlanda e ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos Michelle Bachelet – ex-presidente do Chile e diretora executiva da ONU Mulheres Mikhail Gorbachev – ex-secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e ex-presidente da União Soviética Milan Kucan – ex-presidente da Eslovênia Olusegun Obasanjo – ex-presidente da Nigéria Óscar Arias Sánchez – ex-presidente da Costa Rica Osvaldo Hurtado – ex-presidente do Equador Patricio Aylwin – ex-presidente do Chile Percival James Patterson – ex-primeiro-ministro da Jamaica Petre Roman – ex-primeiro-ministro da Romênia Philip Dimitrov – ex-primeiro-ministro da Bulgária Poul Nyrup Rasmussen – ex-primeiro-ministro da Dinamarca Rexhep Meidani – ex-presidente da Albânia Ricardo Lagos – ex-presidente do Chile Romano Prodi – ex-primeiro-ministro da Itália e ex-presidente da Comissão Europeia Roza Otunbayeva – ex-presidente do Quirguistão Ruud Lubbers – ex-primeiro-ministro dos Países Baixos e ex-Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados Sadiq al-Mahdi – ex-primeiro-ministro do Sudão Tadeusz Mazowiecki – ex-primeiro-ministro da Polônia Thabo Mbeki – ex-presidente da África do Sul Vaira Vike-Freiberga – ex-presidente da Letônia Valdas Adamkus – ex-presidente da Lituânia Vicente Fox Quesada – ex-presidente do México Vigdís Finnbogadóttir – ex-presidente da Islândia Vladis Birkavs – ex-primeiro-ministro da Letônia Wim Kok – ex-primeiro-ministro dos Países Baixos Yasuo Fukuda – ex-primeiro-ministro do Japão Zlatko Lagumdžija – ex-presidente do Conselho de Ministros da Bósnia e Herzegovina