miniaturadaimagem|302x302px|Mapa do atual Zoneamento da cidade, destaque para os distritos localizados em Zonas de Centralidades (ZC) em rosa claro e Zonas Mistas (ZM) em azul. Zoneamento da cidade de São Paulo é o conjunto de normas e instrumentos urbanísticos que regulam o uso, a ocupação e o parcelamento do solo no município de São Paulo, estabelecendo diferentes categorias de zonas, parâmetros construtivos e diretrizes para o desenvolvimento urbano. O zoneamento é um dos principais mecanismos de planejamento urbano da cidade, com o objetivo de organizar o crescimento, promover a inclusão social, proteger o meio ambiente e orientar a distribuição de atividades econômicas e habitacionais.O zoneamento paulistano passou por sucessivas transformações desde o início do século XX, refletindo mudanças nas políticas urbanas, nas demandas sociais e nas pressões do mercado imobiliário. Atualmente, é regido principalmente pelo Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo (PDE) de 2014, pela Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS) de 2016 e suas revisões mais recentes.

Histórico A legislação urbanística de São Paulo evoluiu de normas restritas a áreas específicas para instrumentos abrangentes e participativos. O primeiro marco foi o Código Arthur Saboya (1929), que disciplinou as construções e o uso do solo em parte do município. Em 1934, o Ato nº 663 consolidou a legislação de zoneamento, mas ainda sem abrangência total.

A partir da década de 1970, o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI) e a Lei Geral de Zoneamento (1972) passaram a abranger todo o território municipal, introduzindo o macrozoneamento e parâmetros como densidade e coeficiente de aproveitamento.

O Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo (PDE) de 2002 e a Lei nº 13.885/2004 ampliaram a participação popular e detalharam normas para parcelamento e uso do solo. O PDE de 2014 (Lei nº 16.050) orientou o desenvolvimento sustentável, definiu macroáreas, eixos de estruturação e as ZEIS.

A Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS) de 2016 detalhou o zoneamento, definindo zonas residenciais, mistas, de centralidade, industriais, rurais e especiais. Revisões intermediárias do PDE (2023) e da LPUOS (2024) ajustaram parâmetros, mapas e dispositivos para alinhar a legislação aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e corrigir inconstitucionalidades.

Zonas vigentes de 1971 a 2002 + Zona Características Exemplos Imagem 1 Zona de uso estritamente residencial de densidade demográfica baixa. Regiões compostas por edificações unifamiliares de até 3 pavimentos, normalmente de alto padrão, contribuindo para a valorização das áreas lindeiras. Concentrados principalmente nas zonas Oeste e Sul. * Zona Oeste: Alto da Lapa e Bela Aliança (City Lapa), Alto de Pinheiros, City Boaçava, City Butantã, a região dos Jardins (Jardim América e Jardim Europa), Sumaré e bairros do distrito do Morumbi (Jardim Panorama, Jardim Leonor, Jardim Guedala, Vila Tramontano, Cidade Jardim e Jardim Everest). * Zona Norte: City América, Jardim França, Jardim Guapira, Jardim São Bento, Jardim Barro Branco e Palmas do Tremembé. * Zona Sul: Interlagos, Jardim Lusitânia, Jardim da Glória, Planalto Paulista, Brooklin Velho, Chácara Flora e do Jardim da Saúde. * Zona Central: Pacaembu. 200x200px 2 Zona predominantemente residencial de baixa densidade. Permite casas geminadas, comércio e serviços locais, pequenas indústrias e usos institucionais. CA básico 1,0 (máx. 2,0 para multifamiliar), taxa de ocupação 50%, gabarito até 3 pavimentos (9 m). Localização: áreas periféricas, entorno de represas e Cantareira. Central: Vila Olímpia Sul: Represa Guarapiranga Norte: Tremembé (próx. Cantareira) Leste: Parque do Carmo Oeste: Vila Madalena 200x200px 3 Zona predominantemente residencial de média densidade. Permite habitação horizontal e vertical, comércio e serviços locais. CA básico 2,5 (máx. 4,0), taxa de ocupação 50%, gabarito até 8 pavimentos (25 m). Localização: centros de bairros em todas as regiões. Central: Perdizes Sul: Vila Mariana Norte: Santana Leste: Tatuapé Oeste: Lapa 200x200px 4 Zona mista de média-alta densidade. Permite usos residenciais, comerciais, serviços e pequenas indústrias. CA básico 3,0 (máx. 4,0), taxa de ocupação 50%, gabarito até 12 pavimentos (32 m). Localização: subcentros regionais, exceto oeste do Pinheiros e leste do Parque do Carmo. Central: Mooca Sul: Santo Amaro Norte: Vila Maria Leste: Penha Oeste: Pinheiros 200x200px 5 Zona mista de alta densidade. Permite coexistência de habitação e usos não residenciais. CA básico 3,5 (máx. 4,0), taxa de ocupação 50%, gabarito até 16 pavimentos (48 m). Localização: áreas centrais e grandes corredores. Central: Santa Ifigênia Sul: Liberdade Norte: Campos Elíseos Leste: Bela Vista (parte leste do centro) Oeste: Consolação 200x200px 6 Zona predominantemente industrial. Permite residências e comércio local com restrições. CA básico 1,5, taxa de ocupação 70%, gabarito até 9 m. Localização: margens dos rios Pinheiros, Tietê, Tamanduateí e rodovias principais. Central: Brás (adjacente ao Tamanduateí) Sul: Jurubatuba (próx. Pinheiros) Norte: Casa Verde (próx. Tietê) Leste: Vila Prudente (próx. Tamanduateí) Oeste: Jaguaré (próx. Pinheiros) 200x200px 7 Zona exclusivamente industrial. Uso não residencial, CA 0,8, taxa de ocupação 60%, gabarito até 9 m. Localização restrita: limite oeste da Cantareira (Norte) e proximidades do Parque do Carmo (Leste). Norte: Jaraguá (limite oeste Cantareira) Leste: Itaquera (próx. Parque do Carmo) 200x200px 8 Zona de usos especiais. Áreas públicas, rurais, parques, grandes instituições. Parâmetros definidos por legislação específica. Localização: grandes equipamentos urbanos e áreas de transição. Central: Invernada da Polícia Militar Sul: Parque do Estado Norte: Horto Florestal Leste: Fazenda do Carmo Oeste: Cidade Universitária (USP) 200x200px 9 Zona predominantemente residencial, casas isoladas/geminadas, comércio e serviços locais. CA 1,0, taxa de ocupação 50%, gabarito até 2 pavimentos (6 m). Localização: bairros residenciais horizontais. Central: Vila Buarque Sul: Jardim da Saúde Norte: Jardim São Bento Leste: Vila Formosa Oeste: Sumaré 200x200px 10 Zona predominantemente residencial de alta densidade. Permite comércio/serviço local (até 250 m²). CA básico 2,5 (máx. 4,0), taxa de ocupação 50%, gabarito até 16 pavimentos (48 m). Localização: bairros verticalizados. Central: Bela Vista Sul: Brooklin Oeste: Alto de Pinheiros 200x200px 11 Zona predominantemente residencial de baixa densidade, semelhante à Z2, mas proíbe serviços pesados e industriais. CA 1,0, taxa de ocupação 50%, gabarito até 3 pavimentos (12 m). Localização: áreas próximas a represas e bairros periféricos. Sul: Vila Moraes Norte: Engenheiro Goulart 200x200px 12 Zona predominantemente residencial de média densidade, equivalente à Z3, mas sem uso industrial. CA 2,0 a 2,5 (máx. 4,0), taxa de ocupação 50%, gabarito até 8 pavimentos (25 m). Estimula remembramento de lotes. Central: Higienópolis Sul: Mirandópolis Norte: Santana (área distinta da Z3) Leste: Vila Matilde Oeste: Perdizes (área distinta da Z3) 200x200px 13 Zona predominantemente residencial de média densidade, estimula áreas residenciais tranquilas, permite apenas comércio e serviços locais. CA 1,0, taxa de ocupação 50%, gabarito até 3 pavimentos (12 m). Localização restrita. Oeste: Alto da Lapa 200x200px 14 Zona predominantemente residencial de baixa densidade, apenas residência unifamiliar em lotes >2.000 m², comércio/serviço local e saúde. CA 0,26, taxa de ocupação 26%, gabarito até 2 pavimentos (9 m). Sul: Jardim Marajoara Oeste: Jardim Europa 200x200px 15 Zona estritamente residencial de baixa densidade, apenas residência unifamiliar em lotes >5.000 m², CA 0,12, taxa de ocupação 12%, gabarito até 1 pavimento (6 m). Localização: áreas de proteção ambiental próximas às represas. Sul: Represa Guarapiranga 200x200px 16 Zona de uso coletivo de lazer, lotes >5.000 m², CA 0,3, taxa de ocupação 30%, gabarito até 2 pavimentos (9 m). Localização: margens das represas. Sul: Represa Billings 200x200px 17 Zona predominantemente residencial de baixa densidade, permite comércio/serviço local e prédios residenciais até 9 andares (25 m). CA igual à Z2. Localização: áreas de transição entre zonas estritamente residenciais e zonas mistas. Sul: Jardim São Paulo 200x200px 18 Zona predominantemente residencial de baixa densidade, permite comércio/serviço local e diversificado. CA igual à Z2. Localização: núcleos comerciais em loteamentos aprovados. Sul: Jardim São Luís 200x200px 19 Zona de uso misto com predominância de comércio e serviços, criada para reordenamento espacial ao longo do ramal leste do metrô. CA 2,5 a 4,0, taxa de ocupação 30–40%, gabarito até 10 pavimentos (34 m). Localização restrita ao eixo leste. Leste: Itaquera 200x200px

Macrozoneamento e Zoneamento vigente O zoneamento vigente de São Paulo organiza o território em diferentes categorias de zonas, cada uma com finalidades e parâmetros próprios, como coeficiente de aproveitamento, taxa de ocupação e gabarito.

PDE O novo PDE tem como seu principal objetivo garantir a melhoria da qualidade de vida em todos os bairros. Nas áreas consolidadas, ele diminui o potencial construtivo e impõe um gabarito máximo, garantindo um limite para a produção imobiliária e a preservação da qualidade de vida ao mesmo tempo em que estabelece um aumento do potencial construtivo junto aos corredores de transporte público coletivo que chegam agora às periferias, tendo grande estímulo ao uso misto e à geração de empregos, além de garantias de socialização do espaço público.

Zoneamento Trata-se de uma mudança de escala de regulação: das Macroáreas e Eixos ao longo das redes de transporte no Plano Diretor, para quadras e lotes no Zoneamento, com objetivo de efetivar melhorias na qualidade de vida da população a partir do equilíbrio do funcionamento das atividades e da garantia de que as ações futuras na cidade venham acompanhadas de medidas de qualificação ambiental, social, econômica e cultural.

As zonas residenciais predominam em bairros tradicionais e periféricos, enquanto zonas mistas e de centralidade concentram-se em regiões centrais e ao longo de corredores de transporte. Zonas industriais localizam-se em áreas estratégicas, afastadas de zonas residenciais, e as ZEIS estão distribuídas tanto em áreas centrais quanto periféricas, visando a inclusão social. Principais zonas

Zona Residencial (ZR) miniaturadaimagem|Morumbi A Zona Residencial (ZR) é uma classificação de zoneamento urbano destinada predominantemente ao uso habitacional, com restrições à instalação de atividades comerciais e industriais. Essa zona busca preservar a qualidade de vida dos moradores, garantindo um ambiente tranquilo e adequado para a moradia. Além disso, apresenta parâmetros específicos de ocupação e uso do solo que limitam o adensamento e a altura das edificações.

Características principais

Coeficiente de aproveitamento: varia de baixo a médio, controlando a densidade construtiva e garantindo que a infraestrutura urbana suporte adequadamente o uso residencial.

Taxa de ocupação: baixa, promovendo maior permeabilidade do solo e espaços livres, o que contribui para a drenagem urbana e a qualidade ambiental.

Gabarito: limitado, restringindo a altura das edificações para manter a escala urbana e evitar impactos visuais e ambientais.

Exemplos As Zonas Residenciais são regulamentadas pela Lei nº 16.402/2016, que disciplina o uso e ocupação do solo no município. Essas zonas são comuns em bairros consolidados, como o Jardim América, Pacaembu, Jardim Europa e o Morumbi, onde predominam habitações unifamiliares e multifamiliares de baixa densidade. Nessas áreas, atividades comerciais e industriais são restritas para preservar o caráter residencial.

Zona Mista (ZM) miniaturadaimagem|Vila Madalena