A Baía da Horta é uma baía localizada no concelho e cidade da Horta, ilha do Faial, Açores.
Esta baía localiza-se frente à cidade da Horta e alberga não só o Porto da Horta como toda uma vasta atividade marítima fortemente ligada ao mar. É um dos pontos de encontro da vela internacional, com várias regatas internacionais a cruzar as suas águas. Os limites geográficos desta baía encontram-se entre a Ponta da Espalamaca e o Monte da Guia.
A configuração acentuada da enseada e o abrigo natural que esta proporciona em relação aos ventos e à ondulação dominantes conferem-lhe uma função histórica de porto de refúgio no Atlântico Norte, sendo descrita como um dos primeiros ancoradouros seguros para as embarcações que navegam com os ventos alísios.
Geografia A baía abre-se para leste, para o canal do Faial, e é delimitada a norte pela Ponta da Espalamaca e a sul pelo Monte da Guia, elevação vulcânica a partir da qual se observa a totalidade da enseada, a cidade da Horta e a vizinha ilha do Pico.
No extremo meridional, junto ao Monte da Guia, situa-se a enseada do Porto Pim, com praia de areia vulcânica escura, separada da baía principal pelo istmo onde se desenvolveu o antigo núcleo portuário e industrial da cidade.
Na vertente norte, o miradouro da Espalamaca permite a observação do conjunto da baía, da cidade e do canal do Faial; a estrutura que hoje serve de miradouro corresponde a uma posição militar construída em 1941 destinada a albergar duas metralhadoras.
História miniaturadaimagem|220x220px|A baía da Horta com o povoado principal, em 1589
Navegação, atividade baleeira e comunicações O ancoradouro da baía é utilizado desde o início do século XVIII por navios baleeiros, clíperes e embarcações de recreio. Em 1817 aí fundeou o iate Cleopatra's Barge, apontado como a primeira embarcação de recreio norte-americana a atravessar o Atlântico. A antiga fábrica de transformação de baleia, situada no Porto Pim, encontra-se hoje ocupada pelo Observatório do Mar dos Açores. miniaturadaimagem|219x219px|O porto da Horta visto do couraçado alemão Schlesien, antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1938 Ao longo dos séculos XIX e XX, a baía associou-se sucessivamente ao comércio do denominado ciclo da laranja, à atividade baleeira, à instalação das companhias de cabos submarinos de telégrafo e às primeiras travessias aéreas do Atlântico Norte, realizadas em 1919. Na cidade estabeleceram-se residentes estrangeiros, o primeiro consulado norte-americano no arquipélago e estações de cabo submarino.
Arqueologia subaquática O acompanhamento arqueológico de trabalhos de dragagem realizados na baía conduziu à identificação do sítio designado Baía da Horta 3, onde foi registado um conjunto de catorze peças de artilharia em ferro, além de outros vestígios. A maioria das peças foi preservada em depósito subaquático, tendo três sido recolhidas para estudo. As peças, de três calibres distintos, foram atribuídas a fabrico inglês segundo o modelo de John Armstrong e datadas da segunda metade do século XVIII, admitindo-se a sua associação a um naufrágio ocorrido em finais do século XVIII ou inícios do século XIX.
Porto e marina miniaturadaimagem|219x219px|O novo terminal marítimo da Horta em construção, em 2010 A baía alberga o porto comercial da Horta e a Marina da Horta, o porto de recreio mais antigo dos Açores. A marina entrou em funcionamento em 1986, com capacidade para 300 embarcações, e detém a Bandeira Azul da Europa desde 1987; é habitualmente referida como a quarta marina oceânica mais visitada do mundo e constitui escala para várias embarcações de recreio por ano. Segundo dados divulgados pela RTP, a marina representa cerca de 12% do produto interno bruto da ilha do Faial, atingindo a lotação máxima entre abril e julho. miniaturadaimagem|219x219px|A marina da Horta, em 2010 Entre 2009 e 2012 foi executada a primeira fase da requalificação e reordenamento da frente marítima portuária, cuja primeira pedra foi lançada em 30 de março de 2009, com um prazo de execução de 36 meses e um valor de empreitada de cerca de 33,6 milhões de euros. miniaturadaimagem|219x219px|Vista da baía, em 2018 Em julho de 2012, o novo Cais Norte foi inaugurado, num investimento global da ordem dos 47 milhões de euros, e integra um quebra-mar com 393 metros, um cais de acostagem com cerca de 270 a 280 metros para navios, uma ponte-cais com rampas ro-ro para outras embarcações, uma estação marítima, aterros com cerca de 20 000 metros quadrados e áreas de estacionamento. Com esta infraestrutura, o transporte de passageiros e o tráfego turístico passaram a concentrar-se em zona distinta da destinada à movimentação de carga. O reordenamento da restante bacia portuária, que considerou a separação da área de pesca e a criação de espaços para grandes iates e para reparação naval, permaneceu em fase de projeto. miniaturadaimagem|219x219px|Vista da Ponta da Espalamaca, em 2021 miniaturadaimagem|220x220px|Pinturas na Marina da Horta, em 2011 Em 2019, o Conselho de Ilha do Faial debateu com a Portos dos Açores a requalificação da baía, mantendo-se dúvidas quanto à intervenção.
Em fevereiro de 2025, o reordenamento do porto da Horta foi apontado na Assembleia Legislativa como estando sem evolução havia quatro anos.
Em janeiro de 2026, a Portos dos Açores lançou concurso público para a construção do Edifício Marina, equipamento multiusos destinado a articular a nova frente marítima urbana com o porto de recreio, com preço base de três milhões de euros e prazo de execução de 20 meses, após um primeiro procedimento que ficara deserto. O programa do edifício contempla um auditório exterior e instalações de apoio portuário, serviços marítimos e área de restauração.
Condições de navegação miniaturadaimagem|220x220px|Pinturas na Marina da Horta, em 2014 miniaturadaimagem|220x220px|Velejadores a pintar a sua bandeira na marina da Horta, em 2018 Em setembro de 2021, o presidente da Portos dos Açores, Rui Terra, anunciou a intenção de estudar a agitação marítima registada no interior do porto comercial e da marina, a fim de avaliar a eventual relação daquela com a construção do terminal marítimo de passageiros.
Em agosto de 2023, um iate de recreio norte-americano com 32 metros de comprimento encalhou durante uma manobra no interior da baía, tendo saído do local pelos seus próprios meios, com o auxílio da subida da maré e da atuação de uma equipa de mergulho, sem que se registassem danos ou feridos.
Em outubro de 2025, um requerimento parlamentar solicitou esclarecimentos ao Governo Regional sobre a ausência de rebocador no porto da Horta.
Pinturas murais Os paredões e pontões da marina encontram-se cobertos por pinturas executadas pelas tripulações das embarcações que ali fazem escala, prática iniciada na baía da Horta e posteriormente difundida a outros portos açorianos. As pinturas representam habitualmente as embarcações, os países de origem e as rotas percorridas, reunindo estilos e técnicas diversos, desde o desenho realista à caricatura.
A tradição é associada a uma superstição segundo a qual as tripulações que não deixem registo pintado no molhe enfrentarão contrariedades na viagem seguinte. O costume é frequentemente remetido para a década de 1970 e relacionado, em relatos de origem legendária, com o desaparecimento no mar do veleiro Ariadne, que teria invernado na Horta e se perdido após a partida, na primavera de 1967, sem que a tripulação tivesse deixado qualquer marca no molhe. O conjunto é apresentado como a maior coleção de pintura marítima deste género no mundo e constitui atração turística da ilha.
Requalificação da frente marítima urbana miniaturadaimagem|220x220px|Vista da baía, em 2016 Em 2013, o projeto municipal de requalificação da frente-mar da cidade da Horta foi apresentado e abrange uma extensão superior a dois quilómetros, distribuída por três freguesias. Estruturado em cinco troços, de modo a assegurar o funcionamento da cidade durante a execução, previa um investimento global da ordem dos dez milhões de euros até 2022, financiado em cerca de 85% pelo Programa Operacional 2020.
Em agosto de 2018, a primeira fase, consignada pelo valor de cerca de 1,46 milhões de euros e com prazo de execução de 300 dias, incidiu sobre o adro da igreja das Angústias, o largo do Infante e a construção de um parque de estacionamento parcialmente coberto na rua de São João, com cerca de 140 lugares distribuídos por três níveis. miniaturadaimagem|220x220px|A baía vista do mar, em 2021 Em fevereiro de 2022, a segunda unidade da obra, orçada em 2,5 a 3 milhões de euros e com prazo de execução de 18 meses, obteve visto prévio do Tribunal de Contas e teve início nesse ano, num contexto em que o Governo Regional, a autarquia e a Portos dos Açores não haviam ainda concluído o entendimento quanto ao financiamento.
A intervenção suscitou contestação pública, centrada na preservação do património histórico, designadamente da calçada existente na avenida marginal, tendo sido promovida uma petição destinada a travar a sua remoção.
Em novembro de 2022, a Câmara Municipal da Horta realizou uma sessão pública de esclarecimento sobre a empreitada, na qual esclareceu ajustamentos ao projeto, sublinhando a necessidade de prosseguir a execução.
Em julho de 2024, o troço central da frente marítima foi inaugurado, correspondendo a um investimento de três milhões de euros, com participação de um milhão de euros do Governo Regional. A intervenção abrangeu 17 360 metros quadrados e incluiu a construção de uma praça central e de novo arruamento, a plantação de mais de cem árvores, a criação de 71 lugares de estacionamento e a execução de uma ciclovia. Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal da Horta, Carlos Ferreira, considerou a construção do edifício da marina essencial para completar a requalificação, lamentando que a mesma não tivesse ainda avançado.
Reconhecimento e valorização miniaturadaimagem|220x220px|Monte da Guia visto da avenida, em 2022 Desde 2012, que a baía da Horta integra o Clube das Mais Belas Baías do Mundo, distinção atribuída no congresso mundial das baías realizado nesse ano em Bodrum, na Turquia, e em Patmos, na Grécia. Trata-se da segunda baía portuguesa a integrar aquele clube, após a baía de Setúbal. O clube é uma associação sem fins lucrativos, apoiada pela UNESCO e constituída em 10 de março de 1997 em Berlim, que se dedica à promoção do desenvolvimento turístico, económico e social sustentável dos seus membros.
Em junho de 2023, a direção da associação reuniu-se pela primeira vez na Horta, com o objetivo de estreitar relações entre os membros e preparar a assembleia-geral seguinte.
Em agosto de 2020, o então presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo Silva, anunciou o início dos procedimentos tendentes à candidatura da baía da Horta a Património da Humanidade da UNESCO, invocando a relevância histórica da enseada, nomeadamente no âmbito das primeiras travessias transatlânticas, do ciclo da laranja e da atividade baleeira.
Em 2021, foi inaugurada, na praça Infante Dom Henrique, a Casa da Baía da Horta, espaço expositivo promovido pela Câmara Municipal da Horta e concebido como ponto de cruzamento de viajantes, histórias e rotas. O edifício tem planta triangular, com implantação que retoma a geometria dos baluartes do vizinho forte de Santa Cruz. Nos três vértices situam-se núcleos temáticos dedicados a testemunhos de baías de todo o mundo, à história da baía do Faial e a rotas e distâncias globais, com recurso a suportes multimédia.
Cultura e eventos miniaturadaimagem|220x220px|Peter Café Sport, em 2014 A baía é palco regular de regatas internacionais, entre as quais a Les Sables, Les Açores, Les Sables e o rali ARC Europe, cuja frota realiza a travessia entre as Bermudas e o Faial, com cerca de 1800 milhas náuticas.
No mês de agosto realiza-se a Semana do Mar, que associa regatas de veleiros, corridas de baleeiras e um programa festivo urbano.