A Batalha de Albuera, junto a La Albuera, foi travada em 16 de Maio de 1811. Durante a Guerra Peninsular, um corpo de tropas composto por forças britânicas, portuguesas e espanholas, sob o comando de Beresford, enfrentou o exército de Soult, que pretendia socorrer a guarnição francesa que se encontrava em Badajoz. A batalha resultou inconclusiva, segundo a opinião de Beresford mas, na realidade, o objectivo foi alcançado, se bem que à custa de pesadas baixas. O exército de Soult foi obrigado a retirar e o cerco a Badajoz foi mantido.
Antecedentes No Verão de 1810, o corpo de tropas francês denominado L' Armée du Portugal, sob o comando do Marechal Massena, deu início à terceira invasão de Portugal. Em Outubro desse ano, perante o sistema defensivo das Linhas de Torres Vedras, Massena compreendeu que não tinha possibilidades de atingir Lisboa sem receber reforços.
Numa tentativa de apoiar Massena, de acordo com as ordens recebidas de Napoleão, Soult dirigiu-se para a fronteira portuguesa. A entrada em Portugal por Sul, no entanto, estava bem defendida por praças fortes, em território português e em território espanhol. A 22 de janeiro de 1811,Haythornthwait, p. 37 as tropas francesas conseguem a rendição de Olivença e, no dia 28, começam a construir as trincheiras do cerco à praça forte de Badajoz. A 19 de fevereiro, quando os espanhóis tentaram libertar aquela praça, sofreram uma pesada derrota na Batalha de Gebora e Badajoz acabou por se render a 11 de março. Então já as tropas de Massena, impossibilitadas de obterem abastecimentos num território devastado, estavam em retirada desde o 4 de março.
Às forças francesas no Sul de Espanha, no entanto, nem tudo corria bem. No dia 5 de março desse ano, o Marechal Victor viu as suas Divisões serem derrotadas na Batalha de Barrosa por um corpo de tropas britânicas, portuguesas e espanholas. Quando recebeu estas notícias, Soult decidiu voltar novamente para a Andaluzia deixando em Badajoz uma forte guarnição francesa.
A 25 de março de 1811, um corpo de tropas anglo-lusas sob comando de Beresford recapturou a praça de Campo Maior que tinha sido ocupada pelas tropas francesas desde 21 de março. No dia 9 de abril Beresford dava início ao cerco da praça de Olivença que acabou por se render no dia 15 de abril. Dali partiu em direcção a Badajoz e o cerco teve início no dia 6 de maio.Haythornthwaite, pp. 37 a 39 Iniciava-se a primeira fase do Cerco de Badajoz que teve de ser interrompido para enfrentar as tropas de Soult que avançavam novamente para a região, agora com o objectivo de socorrer aquela praça forte guarnecida por tropas francesas. Beresford, de acordo com as instruções de Wellington, colocou as suas tropas por forma a deter o inimigo em La Albuera.
O campo de batalha A cerca de 25 Km de Badajoz, para Sudeste, situa-se a povoação de La Albuera que no início do século XIX se situava totalmente na margem ocidental do rio com o mesmo nome. La Albuera era uma aldeia grande com a torre da igreja muito alta, situada numa pequena colina frente à linha de alturas, a pouco mais de 150 metros da margem do rio.OMAN, pp. 373 a 375
O Rio Albuera é um afluente do Rio Guadiana e forma-se por junção das ribeiras de Chicapierna e de Nogales. Não tem um grande caudal mas não deixa de constituir um obstáculo. A infantaria e a cavalaria (da época que estamos a tratar) podiam atravessá-lo sem dificuldade mas a artilharia e os trens, com os seus carros, necessitavam de utilizar a ponte situada um pouco a sul da povoação ou alguns pontos em que as margens não constituíam por si só um obstáculo.
Na margem ocidental do Rio Albuera, onde se instalaram os Aliados, excluindo as zonas em que a margem apresenta pequenas escarpas, podemos dizer que o terreno sobe suavemente. Não oferecia, assim, uma nítida vantagem para o defensor. A leste do rio, o terreno, ainda mais suave, era arborizado o que permitia esconder os movimentos das tropas francesas.
As forças em presença Forças Aliadas As Forças AliadasSMITH, p. 362 eram constituídas por tropas britânicas, portuguesas e espanholas. As tropas anglo-lusas (10 449 britânicos e 10 201 portugueses) encontravam-se sob o comando de William Carr Beresford. A estas tropas juntaram-se os exércitos espanhóis (14 634 homens) do General Francisco Javier Castaños e do Capitão-General Joaquín Blake.
Forças britânicas e portuguesas thumb|direita|200px|William Carr Beresford, comandante das forças anglo-lusas.
As forças anglo-lusas somavam 20 650 homens. Estas forças estavam sob o comando do Marechal William Carr Beresford que era então o comandante do Exército Português. Encontravam-se organizadas da seguinte formaːOMAN, pp. 631 e 632
2ª Divisão de Infantaria (britânica), sob comando do Major-general William Stewart, com 5 460 homens; era composta por dez batalhões que formavam três brigadas (Colborne, Hoghton e Abercrombie); dispunha também de 3 companhias de infantaria ligeira pertencentes ao 5/60th Foot;Leia-se 5º Batalhão do 60º Regimento de Infantaria de Linha
4ª Divisão de Infantaria (britânica), sob comando do Major-general Lowry Cole, com 5 107 homens; era composta por duas brigadas britânicas (Myer e Kemmis), estando a segunda reduzida a três companhias;OMAN, pp. 371 e 372 foi-lhe ainda atribuída uma brigada portuguesa (Brigadeiro-general Harvey);Dois batalhões do RI 11 (leia-se «Regimento de Infantaria nº 11»), dois do RI 23 e o 1º Batalhão da Leal Legião Lusitana, um total de 2.927 homens com esta divisão encontrava-se também a brigada de Carlos de España do corpo de tropas do General Castaños.
Brigada Independente da King's German Legion (K.G.L.), sob comando do Major-general Charles Alten, com 1 098 homens; era composta por dois batalhões de infantaria ligeira;
Divisão de Infantaria Portuguesa, sob comando do Major-general John Hamilton, com 4 819 homens; era constituída por oito batalhões de infantaria (dois de cada um dos regimentos: RI 2, RI 4, RI 10 e RI 14) organizados em duas brigadas (Campbell e Fonseca);
Brigada Independente Portuguesa, sob comando do Coronel Richard Collins, com 1 385 homens; era constituída por três batalhões: dois do RI 5 e Caçadores 5;Leia-se «Batalhão de Caçadores 5»
CorpoA designação «Corpo» é aplicada a um conjunto de tropas que não formavam, no seu conjunto, uma unidade orgânica. de Cavalaria Britânica, sob comando do Major-general Long, com 1 164 sabres; era constituído por três regimentos de Dragões;
Corpo de Cavalaria Portuguesa, sob comando do Coronel Loftus William Otway, com 849 sabres; era constituído por quatro regimentos de cavalaria: RC 1 (Leia-se «Regimento de Cavalaria nº 1»), RC 5, RC 7 e RC8;Os RC5 e RC 8 apenas tinham um esquadrão cada (104 + 104 sabres)
Artilharia Britânica, constituída por quatro baterias, duas de tropas britânicas (Lefebure e Hawker) e duas da K.G.L. (Cleeves e Sympher);
Artilharia Portuguesa, constituída por duas baterias (Arriaga e Braun).
Toda a cavalaria aliada estava sob o comando do Major-general William Lumley.OMAN, p. 372
As forças espanholas thumb|direita|200px|Capitão-general Joaquín Blake.
Com um efectivo de 14 634 homens, pertenciam a dois corpos de tropas distintos: um comandado pelo General J Joaquín Blake (12 073 homens), outro pelo General Francisco Javier Castaños (2 561 homens). Estavam organizados da seguinte formaːOMAN, p. 633
O corpo de tropas do General Blake era constituído por:
Divisão de Vanguarda, sob comando do General José de Lardizábal, com 2 398 homens; 3ª Divisão de Infantaria, sob comando do General Francisco Ballesteros, com 3 525 homens; 4ª Divisão de Infantaria, sob comando do General José Zayas, com 4 882 homens; Corpo de Cavalaria com 1 165 sabres; Uma bateria de Artilharia.
O corpo de tropas do General Castaños era constituído por: Uma brigada de infantaria (Brigada da Estremadura) sob o comando do General Carlos de España, com 1 778 homens; Corpo de Cavalaria, sob comando do Conde Penne Villemur, com 721 sabres; Uma bateria de Artilharia.
As forças francesas As forças francesas eram comandadas pelo Marechal Soult e tinham um efectivo aproximado de 24 270 homens. Dispunha de uma considerável força de cavalaria. Estavam organizadas da seguinte formaːOMAN, pp. 634 e 635 thumb|direita|200px|Marechal Nicolas Jean-de-Dieu Soult.
V CE, sob comando do General Jean Baptiste Girard, com 8 437 homens, tinha a seguinte constituição: 1ª Divisão, sob o comando do General Jean Baptiste Girard, com 4 253 homens; 2ª Divisão, sob o comando do General Honoré Gazan, com 4 183 homens. Brigada Werlé, sob o comando do Brigadeiro-general François Werlé, com 5 621 homens; Brigada Godinot, sob o comando do Brigadeiro-general Nicolas Godinot, com 3 924 homens; Grenadiers Réunis, com 1 033 homens; Corpo de Cavalaria, sob o comando do Tenente-general Latour Maubourg, tinha a seguinte constituição: Brigada Briche, sob o comando do Brigadeiro-general André Briche, com 823 sabres; Brigada Bron, sob o comando do General André François Bron, com 1 093 sabres; Brigada Bouvier des Éclat, sob o comando do Brigadeiro-general Bouvier des Éclat, com 879 sabres; Cavalaria ligeira polaca – 1º Regimento de Lanceiros do Vístula, com 591 lanças; 27ª Regimento de Caçadores, com 431 sabres; 4ª Regimento de Caçadores (Espanhol), com 95 sabres; Corpo de Artilharia - Brigadeiro Charles Ruty - 8 baterias – 48 bocas de fogo – 1 243 homens.
As operações thumb|esquerda|200px|Principais símbolos representativos das unidades militares. Além das forças anglo-lusas, Beresford dispunha dos corpos de tropas espanholas de Joaquín Blake e de Castaños. Blak vinha directamente de Cadiz, enviado pela Regência espanhola; desembarcou em Ayamonte e subiu o Guadiana até encontrar forças aliadas. Castaños encontrava-se em Mérida e juntou-se às tropas anglo-lusas ainda em Badajoz. Beresford assumiu o comando de todas estas forças com o acordo dos dois generais espanhóis e dispôs as suas tropas assumindo que Soult iria desencadear o seu ataque principal em La Albuera com a finalidade de romper o centro do seu dispositivo e ocupar as regiões mais elevadas à sua retaguarda, a partir de onde podia controlar a estrada para BadajozːOMAN, p. 375
No flanco esquerdo (Norte) foi colocada a Divisão Hamilton com o apoio da Brigada Collins, posicionada à sua retaguarda. A cavalaria portuguesa, sob comando do Coronel Otway actuava como guarda de flanco; a ela juntaram-se dois esquadrões de cavalaria britânica.
Sobre La Albuera (na linha de alturas a Oeste) foi colocada a 2ª Divisão (Stewart). À sua frente, na povoação de La Albuera, ficaram posicionados os dois batalhões de infantaria ligeira da K.G.L. O General Blake enviou dois batalhões de infantaria para apoiarem a defesa no flanco Sul da povoação. Uma bateria de artilharia de campanha (do Capitão Arriaga), posicionada sobre La Albuera, batia a aproximação à ponte. À retaguarda da 2ª Divisão ficou a cavalaria britânica de Lumley excepto um regimento de dragões ligeiros que tinha sido destacado para o flanco Sul.
À direita da 2ª Divisão estavam as divisões espanholas de Ballesteros, Lardizabal e Zaya, de Norte para Sul por esta ordem. A cavalaria espanhola de Loy e um destacamento da cavalaria britânica constituíam o flanco direito aliado.
Em reserva ficou a 4ª Divisão com a Brigada de Carlos de España das tropas do General Castaños.
Seguindo instruções de Wellesley, Beresford puxou as forças para a contra-encosta por forma que os franceses, quando se aproximaram, apenas viram a cavalaria portuguesa e as tropas posicionadas na posição de Albuera.OMAN, p. 376