Rita e Roberto é o décimo segundo álbum de estúdio da musicista brasileira Rita Lee, e o quarto álbum de estúdio creditado à sua parceria com o produtor e multi-instrumentista Roberto de Carvalho. Foi lançado em setembro de 1985 pela gravadora Som Livre. Na época, foi considerado dissonante, pois afastou-se do pop rock pronunciado da carreira da dupla em favor de uma estética mais soturna, relacionada com a subcultura gótica.

Após as vendagens baixas de seu último trabalho, Bombom (1983), Rita Lee e Roberto de Carvalho afastaram-se dos holofotes e não promoveram o disco. Em sua apresentação na primeira edição do festival Rock in Rio, o casal planejou uma volta marcante, mas obstante aos falsos rumores de que Rita estivesse com leucemia, e as avaliações negativas ao Bombom e à figura de Carvalho pela crítica musical, Rita retornou aos estúdios motivada a gravar um novo disco, e para confrontar as críticas à Roberto, o novo trabalho foi intitulado com o nome da parceria, Rita e Roberto.

Foi gravado nos estúdios Sigla, em Rio de Janeiro e São Paulo. A mixagem foi feita no estúdio Sunset Sound Studios, em Los Angeles. A dupla inspirou-se em atos ambientados à atmosferas taciturnas, como os grupos britânicos The Cure e Depeche Mode. A gravação ainda contou com a participação de Herbert Vianna, João Barone e Paula Toller, além dos ex-colegas de Rita ainda em seu período n'Os Mutantes, Sérgio Dias e Liminha. A estética foi, entretanto, um dos motivos pelos quais o álbum não conseguiu grande apreço popular, atingindo 500 mil cópias vendidas, vendagem considerada baixa para os números da artista. Em retrospectiva, o crítico musical Mauro Ferreiro escreveu sobre o disco: "(O álbum foi) efeito de desgaste na vida pessoal da artista."

Para a divulgação, uma série de diretores foram chamados para produzirem videoclipes para as canções do álbum, em um especial televisivo dirigido por Jorge Fernando. Entre eles, estavam os produtores Nelson Motta e Tizuka Yamasaki. Rita e Roberto foi o último trabalho de Lee publicado pela Som Livre, que assinaria um novo contrato com a EMI Music. A cantora voltaria ao selo antigo em 1990, no lançamento de seu segundo disco ao vivo, Rita Lee em Bossa 'n' Roll.

Em 1995, Rita e Roberto foi remasterizado e reeditado em disco compacto pela EMI Music como parte da coleção Rita Lee Collection. Em 2015, recebeu nova remasterização e relançamento nesse formato, agora sob o selo da Universal Music. Em 2021, foi relançado em disco de vinil, também pela Universal.

Contexto Em decorrência do sucesso de seus discos anteriores, Lee ganhou grande exposição na mídia nacional e internacional. Apesar da fama, a cantora continuou tendo problemas com drogas, havendo sido internada em centros de reabilitação certas vezes. Ao mesmo tempo, a censura de suas canções, considerada por Rita como uma "perseguição broxante", fez com que ela realizasse uma pausa na carreira. Esse intervalo intensificou os rumores (supostamente criados pelo produtor e jornalista Ezequiel Neves), já há algum tempo veiculados, de que Lee estaria com leucemia. Em sua volta aos palcos, na primeira edição do Rock in Rio, o casal planejou fazer um retorno marcante, de maneira a espantar os boatos. O projeto falhou devido ao fato de que, na assinatura do contrato do festival, além da sua "magreza extrema", Lee utilizou uma peruca. Segundo ela, esses fatos "contribuíram para a (sua) fama de 'doente terminal'".

Lançando em 1983, o álbum Bombom, apesar de boa vendagem, foi recebido negativamente pela crítica musical, o que fez com que Lee tirasse um tempo longe dos holofotes e não promovesse o álbum. Além dos rumores sobre leucemia, Rita era majoritariamente mal vista pelos críticos da época. Segundo a artista conta em sua autobiografia, isso resultava do machismo persistente na cena do rock. Roberto de Carvalho, que trabalhara com Rita desde a segunda metade da década de 1970, era visto, por muitos críticos, como um empecilho para a "volta triunfante" da cantora ao rock. Segundo Rita, essas dificuldades motivaram a gravação de um novo álbum que, para confrontar os críticos de Roberto, foi intitulado Rita e Roberto.

Produção Em 1984, devido às várias internações de Lee em reabilitação contra o seu vício em drogas, a Som Livre, sua gravadora, lançou a compilação Rita Hits, afim de cumprir o contrato. Após a retaliação ao álbum Bombom, em razão de sua forte ambientação no tecno-pop, a dupla decide adotar uma esfera mais soturna no próximo trabalho. A depressão e a fase penosa que Rita e Roberto enfrentavam à época foram determinantes para que o álbum saísse com o resultado esperado. As composições do disco foram inspiradas em atos ambientados em atmosferas taciturnas, como as bandas britânicas The Cure e Depeche Mode. A foto da capa, registrada em preto e branco e com o título em destaque, apresentam detalhes minimalistas.

O álbum foi gravado em 48 canais nos estúdios Sigla, em Rio de Janeiro e São Paulo. Entre os músicos que participaram das gravações, estão os então membros d'Os Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna e João Barone. Vianna e Paula Toller fazem vocais de apoio na canção "Glória F". Os ex-colegas de Lee em seu período n'Os Mutantes, o guitarrista Sérgio Dias e o baixista Liminha, também participaram no álbum. A mixagem foi realizada no estúdio Sunset Sound Studios, em Los Angeles. A sessão de mixagem foi dirigida por Max Pierre, que já havia trabalhado com a dupla em trabalhos anteriores.Rita e Roberto (1985). Encarte da edição em CD, 1995. EMI.

Canções Em sua autobiografia, Lee conta que o álbum contém uma aura cinematográfica. A faixa de abertura, "Vírus do Amor", em descrição da cantora, possui uma "levada swingadona e potente, bem-arranjada e executada à perfeição", e retrata a epidemia de HIV. Sobre "Vítima", que, segundo a cantora, é uma homenagem à Alfred Hitchcock, a faixa foi baseada no filme de 1964 do mesmo cineasta, Janela Indiscreta. A canção virou tema de abertura da novela A Próxima Vítima, em 1995.

"Gloria F" descreve, de maneira surrealista e em primeira pessoa, um suicídio. O eu-lírico da canção narra post mortem os fatos após ter tirado a própria vida. "Nave Maria" teve sua letra escrita por Caetano Veloso, que embutiu referências religiosas. "Yê Yê Yê" é uma crítica ao movimento pop da década de 1980. "Noviças do Vício" criticou celebridades consideradas fúteis. Inspirada no synth-pop, "Choque Cultural" possui um tom mais satírico-humorístico, focado em evidenciar a comicidade de mostrar conflitos culturais. A última faixa do álbum, "Não Titia", é uma crítica ao rumor de que Lee estava com leucemia.

Lançamento e divulgação Rita e Roberto foi lançado em dezembro de 1985, não sendo precedido por nenhum single. O álbum não obteve grande apreço popular, atingindo apenas 500 mil cópias vendidas, uma vendagem considerada baixa para os números da artista. O disco foi o último trabalho de Rita Lee e Roberto de Carvalho pela gravadora Som Livre. Após um hiato de um ano, eles assinariam com a EMI Music. A artista voltaria ao selo anterior em 1991, com a gravação de seu segundo disco ao vivo, Rita Lee em Bossa 'n' Roll.

Um especial da Rede Globo, dirigido por Jorge Fernando, convidou outros diretores para produzirem videoclipes para o álbum, como Roberto Talma, Nelson Motta, Tizuka Yamasaki, Herbert Richers Jr. e o próprio Fernando.

Recepção crítica A crítica musical considerou o álbum dissonante, pois adotando uma nova estética, o casal distanciava-se do pop rock pronunciado de sua carreira em favor de uma atmosfera soturna, relacionada à subcultura gótica.

Em retrospectiva, o revisor do Grupo Globo, Mauro Ferreiro, escreveu em 2020 que o álbum foi "efeito de desgaste na vida pessoal da artista, então às voltas com internações para se livrar do vício em drogas (embaraços que levaram a gravadora Som Livre a improvisar em 1984 o disco de remixes Rita Hits para a cantora ganhar tempo), o álbum Rita e Roberto encenou suicídio surrealista em "Gloria F", faixa que perfilou a personagem-título em gravação que aglutinou no coro Paula Toller e Herbert Vianna (também na guitarra).

Relançamentos Em 1995, Rita e Roberto foi remasterizado e reeditado em disco compacto pela EMI Music como parte da coleção Rita Lee Collection. Em 2015, recebeu uma nova remasterização e relançamento nesse formato, agora sob o selo da Universal Music.

Em 2021, o álbum foi relançado em disco de vinil translúcido roxo, novamente pelo selo da Universal Music.

Lista de faixas

Certificações e vendas

|scope="row" style="background-color: #f2f2f2;"| Brasil (Pro-Música Brasil) | style="text-align:center"| Ouro |style="text-align:center"|

Ficha técnica Fonte:

Rita Lee – vocais principais, vocais de apoio e kazoo Roberto de Carvalho – vocais de apoio, guitarras, teclados, baixo elétrico, programação de Lynn Drums (em "Vírus do Amor")

Músicos adicionais

Ary Viva – vocais de apoio (em "Glória F", "Noviças do Vício" e "Não Titia") Paula Toller – vocais de apoio (em "Glória F") Herbert Vianna – vocais de apoio (em "Glória F"), guitarra elétrica (em "Glória F") Sérgio Dias – guitarra elétrica (em "Vítima", "Nave Maria" e "Não Titia") Liminha – baixo elétrico (em "Vírus do Amor", "Molambo Souvenir", "Glória F" e "Noviças do Vício"), programação de Lynn Drums (em "Vírus do Amor") Otavio Fialho – baixo elétrico (em "Não Titia"), vocais de apoio (em "Noviças do Vício") João Barone – bateria (em "Vítima", "Molambo Souvenir" e "Não Titia") John Robinson – bateria (em "Vírus do Amor" e "Glória F") Sergio Herval – bateria (em "Yê Yê Yê", "Noviças do Vício", "Choque Cultural") Erich Bulling – programação de Lynn Drums (em "Nave Maria") Paulinho da Costa – percussão Pinduca – xilofone Tony Morgan – gaita

Produção musical

Roberto de Carvalho – produção, arranjo, mixagem Antonio "Mug" Canázio – engenharia de gravação, mixagem, programação de Lynn Drums (em "Vírus do Amor" e "Nave Maria") Rita Lee – mixagem Jorge Guimarães – mixagem Suely Aguiar – coordenação de produção Técnicos assistentes: Beto Silva, Werliton, João Maria, Leco, Jackson, Steven, David e Elmer

Produção gráfica

Felipe Taborda, Jejo Cornelsen – criação e direção de arte, direção de ilustrações Miro – fotos Tadashi, Osvaldo – cabelo e maquiagem Suely Aguiar – flagrantes de estúdio

Categoria:Álbuns de Rita Lee Categoria:Álbuns de 1987 Categoria:Álbuns em língua portuguesa na década de 1980

Ligações externas

Fontes

Lee, Rita (2016). Rita Lee: uma autobiografia. São Paulo: Globo Livros, 2016.

Categoria:Álbuns de Rita Lee Categoria:Álbuns de 1985