thumb|240px|direita|Curvas de indiferença são curvas que representam combinações de consumo do bem X (Good X) e do bem Y (good Y) que auferem o mesmo nível de utilidade. Na figura, estão três curvas de indiferença, cada uma com infinitas possibilidades de combinação de consumo entre o bem 1 e 2 Em economia, a utilidade é uma medida numérica da satisfação abstrata que um consumidor obtém a partir de determinado conjunto de bens e serviços (também chamado de 'cesta de mercado' ou 'cesta de consumo').

Historicamente, este termo é costumeiramente usado com dois significados diferentes:

Pode se referir a uma medida do bem-estar geral de uma pessoa, ou uma quantificação da felicidade do indivíduo. Este sentido de utilidade se assemelha ao conceito original da filosofia utilitarista, desenvolvida por filósofos da moral, como Jeremy Bentham e John Stuart Mill.

Também pode se referir a um objetivo ou meta a ser maximizado através do consumo, que é relevada pelo comportamento do indivíduo. Nesta concepção, a utilidade é uma descrição matemática das preferências do consumidor.

A relação precisa entre essas duas formas de utilidade econômica tem sido fonte de controvérsia tanto entre economistas quanto em filósofos da ética, com a maioria afirmando que ambos são distintos mas, de forma geral, relacionados.

A análise da variação da utilidade permite explicar o comportamento que resulta das opções tomadas por cada agente para aumentar a sua satisfação. A utilidade é frequentemente usada para estudar as decisões de consumo quando se coloca em alternativa vários bens e serviços, a posse da riqueza ou o usufruto de tempo de lazer. Um caso típico é o estudo da forma como um indivíduo decide dividir o seu tempo disponível entre trabalho e lazer.

Em geral, é reconhecido por economistas que a grandeza cardinal da utilidade de uma cesta de consumo não é relevante, mas sim sua ordinalidade, isto é, a relação entre sua utilidade e a de outras combinações de bens e serviços. Por conta disso, utilidade é normalmente aplicada pelos economistas em construções como a curva de indiferença (que apresenta, para um determinado nível de satisfação, a quantidade de bens que um indivíduo ou uma sociedade aceitariam ter), e a função de utilidade. Utilidade individual e utilidade social pode ser interpretados como a variável dependente de uma função de utilidade (como um mapa da curva de indiferença) e como uma função de bem-estar social, respetivamente. Quando associado à produção ou à escassez de bens, sob certos pressupostos, essas funções podem apresentar uma eficiência de Pareto, como ilustrado pelas caixas de Edgeworth nas curvas de contrato. Essa eficiência é um conceito central na economia do bem-estar. Utilidade é a capacidade que objetos ou serviços possuem em satisfazer uma ou mais necessidades.

Unidade de medida A utilidade é uma grandeza que tem apenas dimensão ordinal SARAIVA, António. Microeconomia. Instituto superior de contabilidade e administração do Porto. Disponível em: <http://www.iscap.ipp.pt/~asaraiva/Ficheiros/MicroeconomiaI.pdf>. Página 63.. Isto quer dizer que não há uma unidade de medida universal e comparável de utilidade que permitiria dizer, por exemplo, que o consumo de 1 colher de arroz gera 2 unidades de utilidade e o consumo de uma jóia gera 10 unidades.

No entanto, em cada problema, um determinado valor de utilidade é atribuído a cada vetor de consumo de modo que: 1) a vetores considerados indiferentes entre si pelo consumidor (e que portanto estão na mesma curva de indiferença, são atribuídos os mesmos valores de utilidade. 2) se o consumidor prefere o vetor de consumo A ao vetor de consumo B, então o valor de utilidade atribuído a A é maior que o atribuído a B.

Histórico

A doutrina do utilitarismo viu a maximização de utilidade como um critério para a organização moral da sociedade. De acordo com os utilitaristas, como Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1876), a sociedade deve ter como objetivo maximizar a utilidade total de indivíduos, apontando para "a maior felicidade para o maior número de pessoas ". Numa outra teoria, de John Rawls (1921-2002), a sociedade teria o papel de maximizar a utilidade dos indivíduos que inicialmente recebem um montante mínimo de utilidade.

Função utilidade A utilidade ou satisfação que um consumidor aufere de cada bem ou serviço é medida, pelo menos em teoria, por uma função chamada de função utilidade. Ou seja, a função de utilidade é uma transformação (modelagem) do conceito de utilidade, que faz uma ordenação dos benefícios apercebidos por uma pessoa, de acordo com a satisfação que estes lhe trarão.

Em termos formais, seja X o conjunto de todas as escolhas (alternativas) disponíveis ao agente econômico (consumidor). uma função é uma função utilidade se atribui a cada elemento de X (que é o domínio da função) um valor numérico, o que permite ordenar os elementos de X de acordo com as preferências do agente MAS-COLELL, Andreu; WHINSTON, Michael D. e GREEN, Jerry R. Microeconomic theory. New York: Oxford University Press, 1995. 981 páginas. ISBBN-13 978-0-19-507340-9. Por exemplo, se a função atribuir valor 1 ao bem "banana" e valor 2 ao bem "maçã", saberemos que o agente econômico que tem aquela função utilidade prefere maçã a banana.

Exemplo Num jogo, o resultado é incerto, desconhecido. A informação disponível permite apenas inferir as probabilidades dos eventos favoráveis e desfavoráveis. Na teoria das probabilidades, o valor esperado fornece o lucro esperado caso seja positiva, ou o prejuízo esperado caso seja negativa. Em jogos de azar, por exemplo, a expectância sempre é negativa para o jogador e positiva para a banca. Ao jogador cabe buscar uma estratégia que torne a sua expectância de lucro a maior possível.

Entretanto, pode-se dizer que existem diferentes perfis de jogadores. Uns preferem arriscar-se mais a perder se isso trouxer a possibilidade de altos ganhos. Outros preferem arriscar-se menos a perder, mesmo que isso signifique um menor lucro.

A função de utilidade de um jogador expressa o seu perfil de aversão ao risco. Por exemplo, quando o gerente de um banco infere sobre o perfil de investidor de um cliente (agressivo, arrojado ou conservador), na verdade, está sendo analisada a função utilidade que caracteriza esse cliente como investidor.

Quando se deseja então buscar uma estratégia de jogo otimizada que leve em conta o perfil do jogador, não se busca maximizar o valor esperado dos pontos adquiridos, mas o valor esperado da função utilidade, que é uma função dos pontos.

Tipos comuns de funções utilidade Alguns formatos específicos de funções utilidade são encontrados frequentemente na literatura econômica. São eles: funções de utilidade homotéticas funções de utilidade quase-lineares funções de utilidade com separabilidade aditiva: não são homotéticas. Têm a forma . São muito utilizadas para representar a utilidade preferências de consumo entre diferentes períodos do tempo (por exemplo, consumir na juventude e não poupar para a velhice ou o contrário).

Ver também

Categoria:Microeconomia Categoria:Economia comportamental Categoria:Utilitarismo