Macunaíma, "o herói sem nenhum caráter", é o personagem-protagonista do livro de mesmo nome do escritor brasileiro modernista Mário de Andrade. Em sua primeira versão, de 1926, o personagem nasceu "preto retinto e filho do medo da noite", numa fazenda no interior do estado de São Paulo.Revista Entre Livros, nº 20, pgs. 40-41. Editora Duetto. São Paulo (dezembro 2006).
O lendário personagem já existia como "Makunaíma das tribos da Guiana e da Venezuela amazônica", significando “O Grande Mau”. Segundo a análise de Alfredo Bosi, "um ser perigoso, cheio de malícia e perversidade, tal qual se colhe na leitura da obra etnográfica de Theodor Koch-Grünberg, que Mário leu, anotou e seguiu de perto em tantos passos da rapsódia. Esse 'Grande Mau' vive no regime do instinto, às voltas, usando da esperteza para escapar aos deveres da sociedade adulta".
História Filho de uma índia "tapahumas", entre lendas, mitos e fábulas Macunaíma cresceu e, até os 6 anos de idade, recusa-se a falar. Quando, enfim, resolve falar é para dizer: "Ai! Que preguiça”. Macunaíma se divertia espiando o trabalho dos outros e dos irmãos Maanape, "já velhinho", e Jiguê, “na força do homem". Também sentia prazer em cortar a cabeça das saúvas. Não era dado a nenhum esforço e só interrompia o descanso quando "dandava para ganhar vintém". Ficava esperto e espiava quando a família ia tomar banho no rio, todos nus.
Macunaíma fica órfão. Encontra Ci, uma amazona que lhe dá um filho, que morre, e um talismã – a muiraquitã, que lhe é roubada. O nosso herói sai em busca do amuleto. Em São Paulo recupera a “pedra mágica” e volta para a natureza, onde, Vei – "a deusa-do-sol", lhe oferece uma de suas filhas em casamento. Macunaíma, no entanto, se engraça com uma portuguesa. Vei se vinga e leva Macunaíma a se envolver com uma mulher traiçoeira, que faz com que ele perca a pedra mágica, desta vez para sempre.
Na cultura popular Na adaptação cinematográfica homônima de Joaquim Pedro de Andrade, Macunaíma em sua versão negra é interpretado por Grande Otelo, enquanto Paulo José interpreta sua versão branca. Paulo José recebeu os prêmios de Melhor Ator no Festival de Brasília e Prêmio Saci pelo seu papel no filme, enquanto Grande Otelo ganhou na mesma categoria nos prêmios Coruja de Ouro e Prêmio Air France. Ficou em primeiro lugar na lista dos 10 personagens mais marcantes do cinema brasileiro, do site Papo de Cinema.
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