Isolino Leal (Três Cerros de Arapey, 6 de dezembro de 1879 — Porto Alegre, 25 de março de 1950) foi um empresário, jornalista, escritor e poeta brasileiro.
Biografia Filho de Luís Nazário Leal e Júlia Joaquina da Silva, naturais do Rio Grande do Sul, nasceu no Uruguai mas tinha cidadania brasileira. Fez seus estudos iniciais em Quaraí e depois cursou agronomia em Pelotas, porém não se formou após ter brigado com um professor. Em 1909 estava vivendo em Santana do Livramento, atuando como redator da Gazeta."Livramento". A Federação, 02/12/1909, p. 4 Em 1911 viajou a Manaus e no Rio de Janeiro fundou uma revista dedicada a promover os interesses econômicos do Rio Grande do Sul."Serviço Telegraphico". A Federação, 19/05/1911, p. 4
Depois mudou-se para Porto Alegre, fazendo parte do grupo de intelectuais e escritores conhecido como "Grupo da Praça da Harmonia", que incluía Marcelo Gama, Sousa Lobo, Roque Callage, Alcides Maya, Alceu Wamosy, entre outros.Torresini, Elizabeth Wendhausen Rochadel. "Porto Alegre: dos cinemas, cafés, jornais, livrarias e praças. A capital dos Livros (1929-1948)". In: Estudos Ibero-Amerícauos, 1995; XXI (l): 5-18 Também frequentou o círculo de intelectuais reunidos em torno da Editora Globo, que incluía Athos Damasceno, Roque Callage, Vargas Neto, Theodomiro Tostes, Carlos Teschauer e outros.Batista, Karina Ribeiro. A trajetória da editora Globo e sua inserção no campo literário brasileiro nas décadas de 1930 e 1940. Doutorado. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2008, p. 70 Foi redator e secretário do Diário de Notícias, em 1918 estava entre os fundadores da revista Máscara, em 1921 fez parte da comissão organizadora das celebrações para o sexto centenário do nascimento de Dante Alighieri."Centenario de Dante". A Federação, 08/09/1921, p. 5 em 1926 fez parte de um grupo de destacados escritores liderados por Souza Júnior que se reuniu para divulgar a literatura gaúcha em Santa Catarina e Paraná,Zalla, Jocelito. A invenção de Simões Lopes Neto: Literatura e memória histórica no sul do Brasil. Doutorado. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2018, p. 329 em 1930 foi um dos signatários do Manifesto dos Intelectuais em apoio à Revolução de 1930,Martins, Jefferson Teles. "A trajetória de Mansueto Bernardi e Othelo Rosa no contexto da Aliança Liberal: alinhamentos e tensões". In: Oficina do Historiador, 2014: Suplemento Especial - I Encontro de Pesquisas Históricas - PUCRS (EPHIS) e em 1933 estava na assembleia realizada na Biblioteca Pública do Estado que criou a Fundação Eduardo Guimarães, com o objetivo de cultuar a memória do escritor e fomentar a literatura no Rio Grande do Sul."Fundação Eduardo Guimaraens". A Federação, 24/11/1933, p. 3
Foi ainda comerciante"Edital". A Federação, 03/08/1922, p. 7 e funcionário público."Associação dos Funccionarios Municipaes". Revista do Município, 1928; II (10): 9 Foi diretor comercial dos Serviços Industriais do Município em 1928,{http://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=174637&pesq=%22Isolino%20Leal%22&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=191 "Os que fazem a Revista do Município"]. Revista do Município, 1928; II (8): 9 e diretor do Abastecimento de Água em 1930."Directoria de Abastecimento d'Agua". Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial. Rio de Janeiro, 1930, p. 613 No setor privado em torno de 1919 era chefe de escritório da Companhia Força e Luz, em 1921 diretor suplente,"Isolino Leal". Máscara, 1921; III (46): 21 e em 1924, quando a empresa foi reorganizada como sociedade anônima, assumiu uma das diretorias."Acta n. 1 da Assembléia Geral Constitutiva". A Federação, 11/08/1924, p. 6 Foi também sócio e secretário da Companhia Predial e Agrícola,"Companhia Predial e Agrícola". A Federação, 25/02/1927, p. 8 chefe de escritório da companhia de seguros Previdência do Sul,"Isolino Leal". Jornal do Dia, 26/03/1950, p. 1 conselheiro e presidente da Sociedade Avícola Porto-Alegrense,"O banquete oferecido ao general Flores da Cunha". A Federação, 24/07/1933, p. 4"Demonstração avicola". A Federação, 05/03/1934, p. 4 homenageado com o batismo com seu nome de um dos prêmios da IV Exposição de Avicultura e Indústrias Conexas de 1933,"Exposição Avícola". A Federação, 22/09/1933, p. 7 e acionista e conselheiro fiscal da Sociedade Colonizadora Catarinense."Ata da Assembléia Geral Ordinária da Sociedade Colonisadora Catarinense Sociedade Anônima". Jornal do Dia, 06/05/1949, p. 6"Sociedade Colonisadora Catharinense". A Federação, 18/03/1932, p. 5
Foi conselheiro e presidente do Tiro de Guerra nº 4 em 1922, 1923, 1928 e 1929,"Tiro de Guerra 4". A Federação, 15/05/1922, p. 6"Tiro n. 4". A Federação, 06/01/1923, p. 5"Tiro de Guerra n. 4". A Federação, 18/06/1928, p. 3"Tiro de Guerra n. 4". A Federação, 29/12/1928, p. 2 homenageado pela companhia em 1923 e 1928."Tiro de Guerra n. 4", A Federação, 06/12/1923, p. 4"Tiro 4". A Federação, 03/03/1928, p. 4 Ativo no esporte, foi delegado da Liga Santanense de Futebol,"Sports". A Federação, 11/07/1922, p. 2 conselheiro, vice-presidente e presidente da Federação Rio-Grandense de Desportos,"A Liga Sant'Annense de Football filia-se a Federação Riograndense". O Paiz, 12/03/1921, p. 6"Foot-Ball". A Federação, 16/06/1922, p. 2"O momento sportivo do Rio Grande do Sul". O Paiz, 30/03/1921, p. 6 redator da revista Ilustração Esportiva de Porto Alegre,"Sports". A Federação, 07/02/1922, p. 1 e dava palestras sobre cultura física e medicina social."Tiro de Guerra n. 4". A Federação, 20/06/1929, p. 4 Em 1921 a Liga Santanense homenageou-o organizando um campeonato batizado com seu nome."Em Livramento". A Federação, 24/08/1921, p. 2 Compôs, em 1924, o primeiro hino do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, exaltando valores como o heroísmo, a raça, honra, virilidade e a força. Analisando a letra, Francisco dos Santos Rodrigues disse que "não se trata apenas de uma referência ao passado e a história do clube. Em primeiro lugar, a torcida manifesta um compromisso com os valores exaltados na letra. [...] Os torcedores atestam para si, ao cantar o primeiro hino do clube, uma legitimidade que a memória os confere, ao mesmo tempo em que a recriam".Rodrigues, Francisco Carvalho dos Santos. Amizade, trago e alento. A Torcida Geral do Grêmio (2001 – 2011) da rebeldia à institucionalização: mudanças na relação entre torcedores e clubes no campo esportivo brasileiro. Mestrado. Universidade Federal Fluminense, 2012, pp. 18-19 Era um admirador do escotismo e recebeu homenagem no Festival dos Escoteiros de 1924."Escotismo". A Federação, 10/10/1924, p. 4
Foi casado com Eulália Pinheiro, tendo com ela o filho Luís César Leal.Spalding, Walter. "Manuel Cavalheiro de Oliveira". Annuario Genealogico Brasileiro, 1939 (I): 455 Faleceu em Porto Alegre em 25 de março de 1950. Escrevendo um obituário no Diário do Nordeste, Olmiro de Azevedo disse:
"Isolino Leal era como um velho charrua. Moreno, temperamento retraído, simples e bom, vivia para a família e os seus amigos mais íntimos. Pouca coisa publicou. Estão, porém, ali páginas que emolduram de graça o nome do poeta. Enamorado da terra e da gente continentina que tanto quis e amou, como o mesmo enternecimento de Callage e Barnasque, foi o rincão nativo que seus olhos viram melhor e para quem ergueu mais alto as estrofes de seu canto".Azevedo, Olmiro de. "Poetas Mortos". Diário do Nordeste, 24/06/1951, p. 3
Obra
Eduardo Guimarães incentivou seu talento poético e, segundo relato de Mansueto Bernardi, "acolheu com simpatia suas primeiras produções"."Livros Novos". Jornal do Commercio, 11/03/1945, p. 4 Cronista e poeta, deixou muitos trabalhos avulsos em diversas revistas e jornais. Publicou os livros Rosas de Arapeí (1915), Momentos (c. 1920), Reondilhas e Pensamentos (1920), Alma Simples (1921), Sementes (1924), Água da Sanga (1929).Spalding, Walter. Construtores do Rio Grande. Porto Alegre: Livraria Sulina, 1969, 3 vol., 840pp.Baumgarten, Carlos Alexandre. A crítica literária no Rio Grande do Sul: do romantismo ao modernismo. EDIPUCRS, 1997, p. 183 Foi colaborador da revista Máscara,"Isolino Leal". Máscara, 1918; I (4): 17"Isolino Leal". Máscara, 1918; I (43): 11 da Illustração Pelotense"Isolino Leal". Illustração Pelotense, 1924; 6 (3-4): 20 e da Revista do Município de Porto Alegre."Collaboradores". Revista do Município, 1927; I (7): 1 Assuero Garritano e Marcelo Tupinambá colocaram em música, respectivamente, seus poemas Minha Terra e Mudança, apresentados na década de 1920 em vários recitais, em Porto Alegre no Theatro São Pedro e no Clube do Comércio,"Notas de Arte". A Federação, 24/06/1929, p. 2"Varias". A Federação, 13/04/1929, p. 4 e no Rio no Teatro Municipal e no Instituto Nacional de Música."Germana Bittrencourt-Vignole". Correio da Manhã, 23/05/1925, p. 5"Artes e Artistas". O Paiz, 04/06/1929, p. 4"Varias". O Paiz, 23-24/09/1929, p. 5"Recital da soprano ligeiro Ada Bardi Bones". Correio da Manhã, 05/06/1929, p. 7
Sua obra mais conhecida é a coletânea de crônicas Alma Simples, publicada em 1921, que devido à boa receptividade teve uma segunda edição, aumentada, em 1924, publicada pela Editora Globo, quando o jornal A Federação a qualificou de "livro suavíssimo", de "alto valor literário", "fadado ao mesmo sucesso que coroou a edição inicial"."Alma Simples". A Federação, 05/04.1924, p. 5"Livros". A Federação, 10/05/1924, p. 2 A obra recebeu várias outras críticas positivas. Zeferino Brasil, sob o pseudônimo de "Phoebus de Montalvão", disse que o autor era "poeta harmonioso que eu já conhecia de há muito e prosador sutilíssimo que vim conhecer melhormente agora. Alma Simples é um livro leve no feitio e na essência, todo ele tecido numa prosa artística, mas sem artifícios, singela e clara como um raio de sol, onde sempre se encontra uma ideia. É certo que Alma Simples não é de agora; apareceu em primeira edição uns anos atrás e recebeu desta vez a consagração da crítica". E depois de tecer muitos louvores, concluiu dizendo: "Alma Simples é um livro admirável e adorável, que todos devem ler, e Isolino Leal, um poeta e prosador que honra e realça a nossa prosa e a poesia, onde a perfeição e o ritmo se acasalam numa harmonia suavíssima, que faz bem, deliciosamente bem, aos corações que amam e os espíritos contemplativos".Montalvão, Pheobus de, "Sobre Alma Simples". A Federação, 23/05/1924, pp. 1-2 César de Castro elogiou o livro dizendo que ele trazia "recursos magníficos à orientação em torno do epítome da existência do homem venturoso. [...] Isolino Leal escreve, não direi apenas com muito talento, mas sobretudo com muito coração".Castro, César de. "Alma Simples de Isolino Leal". Illustração Pelotense, 1921; III (8): 14 João Pinto da Silva disse que era "o jornal do seu espírito", e embora seu conjunto fosse fragmentário, isso se devia à multiplicidade de aspectos da emoção e da sensibilidade que o autor trabalhava, e a simplicidade alegada no título era apenas aparente, sendo no fundo "um escritor de complexa e rica psicologia, dotado de capacidade para agudas introversões, e a cujo estilo a discreta influência dos clássicos lusitanos empresta, por vezes, inesperadas sutilezas, em linhas e tons de austera sobriedade".Silva, João Pinto da. "Isolino Leal". Illustração Pelotense, 1922; IV (17-18): 34 "O maior interesse, o prestígio do volume aliás, reside justamente nessa ausência de uma simplicidade que seria, ali talvez, sinônimo de monotonia. Nada menos difícil que demonstrar que é aguda e requintada a sensibilidade deste escritor".Silva, João Pinto da. "Izolino Leal. Conclusão". Illustração Pelotense, 1922; IV (19): 25-26