O Fortaleza Esporte Clube é um clube de futebol brasileiro de Fortaleza, capital do estado do Ceará, fundado em 18 de outubro de 1918 por iniciativa de um grupo de pessoas socialmente abastadas liderado por Alcides Santos, seu primeiro presidente e que dá nome ao estádio onde são realizados os treinamentos da equipe.
Criador do Campeonato Cearense em conjunto com outras três equipes locais, venceu o torneio em sete de suas dez primeiras edições, na década de 1920. O clube o conquistou 47 vezes, sendo recordista em quantidade de títulos estaduais consecutivos, com um pentacampeonato entre 2019 e 2023, tendo dezesseis sido diretamente comemoradas sobre seu arquirrival , com o qual disputa o Clássico-Rei, um dos principais dérbis do Nordeste brasileiro. Em âmbito regional, foi o primeiro campeão de um certame entre clubes nordestinos com a conquista da Copa Cidade de Natal de 1946, venceu o Torneio Norte-Nordeste de 1970 e foi tricampeão da Copa do Nordeste, em 2019, 2022 e 2024.
O maior título de sua história é o da Série B do Campeonato Brasileiro de 2018, tendo sido também vice-campeão em 2002 e 2004; foi ainda finalista de competições hoje equivalentes à Série A, em 1960 e 1968. Em contrapartida, passou dois períodos na Série C nacional, nos anos 1990 e 2010, quando atravessava grandes crises administrativo-financeiras. Na década de 2020 suas campanhas na Série A, que incluíram as melhores colocações de um clube nordestino no sistema de pontos corridos, o levaram a disputar seus primeiros torneios continentais, tendo sido o único representante da região finalista da Copa Sul-Americana, em 2023.
História
thumb|150px|esquerda|Alcides Santos, um dos fundadores do Fortaleza O Fortaleza Sporting Club foi fundado em 18 de outubro de 1918 por iniciativa de um grupo de pessoas socialmente abastadas, entre elas o empresário Alcides Santos. Apesar de considerar-se uma continuação do Stella Foot-Ball Club, cujo nome era uma homenagem a um colégio suíço onde estudaram alguns dos homens criadores do time, historiadores alegam que o clube existia antes de 1918, tendo apenas modificado sua denominação para Stella e retomado a original. A precariedade de dados sobre este período e a falta de conquistas expressivas anteriores levaram os dirigentes a oficializarem 1918 como o marco da criação.
Seu nome, inspirado na própria capital do estado do Ceará, é associado ao período de rebuscamento do nacionalismo e do regionalismo consequentes do declínio da Belle Époque, quando os bairros centrais de Fortaleza receberam influências francesas pelo envolvimento de países europeus na Primeira Guerra Mundial. Também evidenciando o impacto da França na sociedade cearense, o clube logo adotou as cores azul, branca e vermelha, presentes na bandeira do país. A escolha foi também sugestão de Alcides, inspirado por um time que viu jogar por lá.
Em 1920, interessados no ingresso do futebol cearense na Confederação Brasileira de Desportos (CBD), dirigentes de Fortaleza, , Guarany e Bangu fundaram a Associação Desportiva Cearense (ADC), que passou a promover o Campeonato Cearense de Futebol. O tricolor venceu sete das dez primeiras edições, tendo a de 1925 sido de forma invicta e três consecutivamente, entre 1926 e 1928.
Em 1929 atritos com a ADC pela forma com a qual geria o futebol local e divergências entre seus atletas e dirigentes levaram o Fortaleza a afastar-se da competição no momento em que era líder e dissolveu-se, com parte de seus profissionais fundando em seguida o Orion, que logo em 1930 sagrou-se campeão estadual. O Fortaleza retomou suas atividades em 1932 com pessoas que saíram do Orion, encerrado no mesmo ano, e novamente foi o maior campeão da década, tendo conquistado quatro edições.
Por volta de 1941, no contexto da assinatura de um decreto-lei pela ditadura do Estado Novo promovida pelo presidente Getúlio Vargas, que ao assumir o controle do futebol brasileiro buscou enfatizá-lo como um símbolo de patriotismo, o Fortaleza adaptou o nome em inglês para Esporte Clube. Em 1946 a federação de futebol do Rio Grande do Norte promoveu a primeira competição entre clubes do Nordeste, a Copa Cidade de Natal, com a participação de campeões estaduais, incluindo o Fortaleza, sagrado vencedor no ano seguinte sob o comando do treinador Valdemar Santos após disputas com , e .
Em 1960 o Fortaleza estreou na Taça Brasil, competição da CBD que reunia os campeões estaduais do país em fases eliminatórias e estava em sua segunda edição. Os tricolores chegaram às finais como vencedores zonais do Norte-Nordeste após se sobressaírem ao então campeão na segunda fase e ao nas semifinais, tendo sido derrotados pelo robusto time do por 3–1 na ida, em Fortaleza, e 8–2 na volta, em São Paulo. O clube foi novamente vice-campeão na edição de 1968, encerrada no ano seguinte, quando passou das semifinais pelo então vice em três partidas e foi superado pelo por 2–2 na capital cearense e 4–2 no Rio de Janeiro. Em 2010 a Confederação Brasileira de Futebol, sucessora da CBD, equivaleu os torneios ao Campeonato Brasileiro contemporâneo.
Em 1970 o Fortaleza conquistou a terceira edição do Torneio Norte-Nordeste, seu segundo título regional. Depois de sete partidas em seu grupo, o time do treinador William Ponte encerrou o quadrangular final contra o , que venceu por 2–1, mas o regulamento que permitia ao clube cearense perder por até três gols de diferença lhe cedeu a taça. Dois anos depois o clube estreou na segunda divisão do Campeonato Brasileiro. O restante da década de 1970 não marcaria a agremiação, que angariou apenas dois títulos estaduais, em 1973 e 1974, voltando a vencê-lo em 1982.
Em 1990 o Fortaleza foi rebaixado pela primeira vez para a terceira divisão do Campeonato Brasileiro, retornando à segunda já no ano seguinte. Em 1992, devido a uma denúncia do Tiradentes referente à utilização do meia tricolor Fernando, em situação irregular, o Campeonato Cearense, conquistado pelo Fortaleza, esteve envolto de uma disputa judicial encerrada com a Federação Cearense de Futebol proclamando o título para ambos juntamente ao Ceará e ao Icasa. O restante da década foi marcado, além da falta de títulos, por uma grande crise administrativo-financeira em virtude de dívidas, ações trabalhistas e divisões internas em suas diretorias. O clube também enfrentou um novo rebaixamento para a terceira divisão nacional, onde permaneceu entre 1995 e 1999.
Com a situação revertida até o fim do decênio, o Fortaleza voltaria a vencer o estadual em 2000 sob o comando de Ferdinando Teixeira, retomando sua hegemonia local com mais oito títulos em dez edições, incluindo um inédito tetracampeonato, entre 2007 e 2010. Um dos destaques nos primeiros anos foi o atacante Clodoaldo, que em quatro passagens entre 1999 e 2005 marcou 120 gols pela equipe, tendo sido o artilheiro do estadual em 2002 e 2003.Ver:
Ainda nos anos 2000 o Fortaleza obteve bons desempenhos a nível nacional em pontos corridos: na segunda divisão de 2002, garantiu o acesso à elite no quadrangular sobre o em partidas de ida e volta por um placar agregado de 8–3, embora tenha perdido o título para o por 4–3, também em dois jogos. Com campanha irregular, foi rebaixado já em 2003, retornando no ano seguinte, apesar de sua crise técnica, que culminou em um acesso confirmado apenas na última rodada do quadrangular sobre o por 2–0 e fazendo do tricolor novamente vice-campeão.
Após um início com trocas de treinadores, o Fortaleza obteve expressivos resultados contra grandes clubes que o posicionaram em 13.º na Série A de 2005, com dezesseis vitórias. Na edição seguinte o clube realizou sua pior campanha no campeonato e foi rebaixado. Em 2009 caiu pela segunda vez para a Série C, onde permaneceu por sete temporadas, garantindo o acesso em 2017 sobre o por 2–1 no agregado, terminando como vice-campeão perante o .
Concomitantemente a uma reformulação administrativa, o Fortaleza, sob o comando do treinador Rogério Ceni, conquistou o título da Série B do Brasileiro de 2018 com 71 pontos. Com Ceni no ano seguinte, venceu a primeira Copa do Nordeste e garantiu uma participação inédita na Copa Sul-Americana. Depois, o argentino Juan Pablo Vojvoda levou o clube a alcançar, entre seus feitos, duas vezes a quarta colocação na tabela da elite nacional, em 2021 e 2024, uma semifinal inédita na Copa do Brasil, em 2021, três participações na Copa Libertadores da América e a primeira chegada de um time do Nordeste à final da Copa Sul-Americana, em 2023, tendo perdido o título em uma disputa por pênaltis para a , do Equador. Nesta fase também foram conquistados um pentacampeonato estadual inédito, entre 2019 e 2023, e mais dois títulos da Copa do Nordeste, em 2022 e 2024.
Símbolos Escudos
O primeiro escudo do Fortaleza consistia em um círculo com as iniciais FSC estilizadas em seu interior. A partir dos anos 1930 o clube adotou brasões que seguiam formatos heráldicos com letras inscritas em diferentes estilos. O escudo foi constantemente modificado até por volta de 1966, quando ficou estabelecida a adesão de um triângulo isósceles com a ponta para baixo, lados azul e vermelho e a base maior elevada por um retângulo, onde é escrito o nome Fortaleza — seu primeiro registro data ainda de 1961. O formato, criado pelo estilista alemão Walter Ostrich para o após sua inauguração, em 1930, também é usado por diversas equipes no Brasil. O desenho passou por várias alterações até obter um conceito definitivo no fim da década de 1990.
Em 2000 estrelas foram incluídas no escudo para representar alguns títulos: duas estrelas amarelas superiores equivaliam ao Torneio Norte-Nordeste de 1970 e à Copa Cidade de Natal de 1946, e três pratas inferiores, durante toda a década de 2000, referenciaram o tricampeonato estadual de 1926 a 1928. Com a conquista do tetra de 2007 a 2010 uma quarta foi adicionada. Em 2018, após o Fortaleza ter vencido a Série B do Campeonato Brasileiro, seus sócios aprovaram numa assembleia geral a alteração do artigo de seu estatuto que trata do escudo, tornando-o a adotar apenas estrelas que representem títulos nacionais.
Mascote miniatura|220px|Juba em 2018 Nos primeiros anos o leão começou a ser atribuído ao Fortaleza devido ao Majestic Palace, onde estava sediado, no centro da capital cearense, ser próximo à praça General Tibúrcio, também chamada de praça dos Leões, tornando o clube conhecido popularmente como o time da praça dos Leões e, depois, time dos leões, pelos sete títulos do Campeonato Cearense conquistados na década de 1920. Nos anos 1940 a agremiação chegou a ser chamada de "o Fortão", um dos mascotes criados por um jornal local para times do estado.
Inspirado na conquista do estadual de 1967, um grupo formado pelos tricolores Jackson de Carvalho, José Raimundo Costa, Silvio Carlos, Vicente Alencar e Júlio Salles viabilizaram a criação do leão, oficializado como mascote por Silvio, então dirigente do Fortaleza. Numa entrevista ao jornal O Povo em 2008, ele afirmou que a escolha foi resultado também de uma pesquisa de Raimundo, que constatou que o animal era o que mais tinha sucesso nos circos e isso poderia cativar novos torcedores. O leão ganhou o nome Juba em 2007.
Em outubro de 2020, para comemorar o seu 102.º aniversário, o Fortaleza lançou a Stella, leoa que acompanha a mascote principal em jogos como mandante. O nome, escolhido por torcedores em votação por aplicativo móvel, é uma referência ao antecessor do Fortaleza.
Uniformes Os primeiros uniformes do Fortaleza apresentavam listras verticais com suas três cores, também como influência da Belle Époque, pois na França e depois na Europa os elementos ganharam destaque em trajes militares e de marinheiros, o que figurou na iconografia esportiva europeia. O clube foi um dos poucos que seguiu aderindo cores nas vestimentas em função da dificuldade de se obter os tecidos adequados, que eram caros e geralmente importados da Europa. As listras passaram a ser dispostas horizontalmente na década de 1930.