Roque Augusto Ferreira, mais conhecido como Roque Ferreira (Nazaré das Farinhas, 12 de março de 1947), é um compositor, cantor e pesquisador da cultura popular brasileiro, ligado especialmente ao samba de roda e às tradições musicais do Recôncavo Baiano.

Ao longo da carreira, suas composições foram interpretadas por artistas como Clara Nunes, Maria Bethânia, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Beth Carvalho, Roberta Sá, Mariene de Castro e Fabiana Cozza.

Entre suas composições de maior repercussão está "Samba pras moças", parceria com Grazielle Ferreira gravada por Zeca Pagodinho em 1995 e utilizada como faixa-título de um álbum do cantor.

Biografia e carreira Nascido em Nazaré das Farinhas, no Recôncavo Baiano, Roque Ferreira mudou-se ainda criança para Salvador. Segundo relato do compositor, parte de seu contato com as tradições culturais que posteriormente apareceriam em suas composições ocorreu por meio das histórias e referências transmitidas por sua avó.

Começou a compor ainda jovem. Antes de dedicar-se profissionalmente à música, trabalhou durante cerca de vinte anos na área de publicidade.

Sua projeção como compositor começou no final da década de 1970. Em 1979, Clara Nunes gravou uma composição sua no álbum Esperança, tornando-se uma das primeiras intérpretes de destaque nacional a registrar sua obra.

Nas décadas seguintes, suas composições passaram a integrar repertórios de diversos intérpretes da música brasileira. Entre eles estão Clara Nunes, Maria Bethânia, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Beth Carvalho, João Nogueira e Roberto Ribeiro, além de artistas de gerações posteriores.

Samba pras moças A projeção de Roque Ferreira junto a um público mais amplo aumentou em 1995 com a gravação de "Samba pras moças" por Zeca Pagodinho. A composição, feita em parceria com Grazielle Ferreira, deu nome ao álbum Samba pras Moças.

Segundo Ferreira, a composição havia sido inicialmente pensada para Alcione, mas não chegou a ser gravada pela cantora. Posteriormente, o produtor Rildo Hora procurou Ferreira em busca de um samba de roda para Zeca Pagodinho, que acabou gravando a canção.

A música tornou-se uma das composições mais conhecidas de Ferreira e marcou sua aproximação artística com o repertório de Zeca Pagodinho.

Características da obra A produção musical de Roque Ferreira está associada especialmente às tradições musicais do Recôncavo Baiano e à cultura afro-brasileira. Sua obra inclui samba de roda, ijexá, coco e outras formas musicais relacionadas às tradições populares brasileiras.

Temas e referências ligados à religiosidade afro-brasileira, ao cotidiano nordestino, ao Recôncavo Baiano e às manifestações culturais populares aparecem com frequência em suas composições.

Segundo levantamento apresentado pela Rádio Câmara em 2025, Ferreira compôs mais de mil ijexás, cocos e sambas e teve aproximadamente 400 composições gravadas por outros intérpretes.

Além da composição musical, Ferreira desenvolveu trabalhos ligados à literatura e à pesquisa sobre manifestações culturais brasileiras. A Rádio Câmara também registra sua atuação como autor de romances e contos e seu interesse pela pesquisa etnográfica relacionada ao samba.

Intérpretes A obra de Roque Ferreira foi registrada por artistas de diferentes gerações da música popular brasileira.

Clara Nunes foi uma das primeiras intérpretes de projeção nacional a gravar sua obra, em 1979. Posteriormente, suas composições foram registradas por artistas como Maria Bethânia, Martinho da Vila, Beth Carvalho, João Nogueira, Roberto Ribeiro e Zeca Pagodinho.

Artistas de gerações posteriores também passaram a interpretar suas composições, entre eles Roberta Sá, Mariene de Castro, Fabiana Cozza e Clécia Queiroz.

Roberta Sá gravou em 2010 o álbum Quando o canto é reza, acompanhado pelo Trio Madeira Brasil, dedicado à obra de Roque Ferreira.

Entre outras gravações está "Laranjeira", composição de Ferreira registrada por Roberta Sá no álbum Que belo estranho dia pra se ter alegria, de 2007.

Pesquisa e cultura popular Além da atividade como compositor, Ferreira dedica-se ao estudo de manifestações culturais e musicais do Recôncavo Baiano.

Uma de suas pesquisas abordou o samba-chula e suas relações históricas e sociais com comunidades do Recôncavo. O trabalho envolveu anos de pesquisa sobre a manifestação musical e cultural.

As tradições do Recôncavo permanecem como uma das principais referências de sua produção artística.

Terreiros Em 2015, Ferreira lançou o álbum Terreiros. O trabalho contém 13 faixas e mantém referências presentes em sua produção, como o samba tradicional, elementos culturais do Nordeste e aspectos da cultura afro-brasileira.

Ferreira interpreta as faixas do álbum, cuja produção contou com participação do músico Júlio Caldas.

Discografia

Álbuns

2000 — Humanenochum 2004 — Tem samba no mar 2015 — Terreiros

Participações

2004 — Vozes da Purificação

Algumas composições Entre as composições registradas de Roque Ferreira encontram-se:

"Samba pras moças", com Grazielle Ferreira; "Laranjeira"; "Ogum de Ronda", com Paulo César Pinheiro; "Samba de dois-dois", com Paulo César Pinheiro; "De maré", com Toninho Geraes; "Eu conheço aquela moça", com Martinho da Vila; "Encantado", com Dudu Nobre; "Quebradeira de coco"; "Bambá de dendê"; "Pimenteira"; "Olori"; "Omim-ô".

Ver também

Samba de roda Samba Música da Bahia Recôncavo Baiano Cultura afro-brasileira

Ligações externas

Roque Ferreira no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

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