Scopus é uma base de dados bibliográfica de resumos e citações de trabalhos científicos, lançada pela editora Elsevier em 2004 para concorrer com a Web of Science, que já existia. Arezoo Aghaei Chadegani e seus coautores avaliaram a concorrência entre as duas bases como intensa e a relacionaram à melhoria contínua da cobertura e dos recursos de busca e análise. Os preços, negociados por instituição, dificultam a comparação dos custos. A oferece uma alternativa de acesso gratuito para a pesquisa de publicações científicas.

Os periódicos indexados passam por seleção e reavaliação de qualidade. A Scopus disponibiliza indicadores como o índice h, o CiteScore, o SCImago Journal Rank, ou SJR, e o . A indexação na base é usada como critério de avaliação de publicações por agências de financiamento e instituições que estabelecem requisitos para a obtenção de graus acadêmicos.

A Scopus também permite pesquisar patentes por meio da base especializada LexisNexis, embora com recursos limitados. A cobertura reúne as bases do Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos, do Instituto Europeu de Patentes, do Escritório de Patentes do Japão, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual e do Escritório de Propriedade Intelectual do Reino Unido.

Visão geral A cobertura da Scopus abrange ciências da vida, ciências sociais, ciências físicas e ciências da saúde, com registros de publicações desde 1788 e atualização diária. Em fevereiro de 2025, a base chegou a 100 milhões de registros.

A base reúne resumos e citações de artigos, livros, capítulos e trabalhos de congressos. Também permite consultar artigos aceitos e ainda não publicados em sua versão definitiva, artigos de dados, editoriais, erratas, cartas, notas, pré-publicações, artigos retratados, artigos de revisão e revisões breves.

Em uma comparação publicada em 2006, Judy F. Burnham avaliou a facilidade de uso e a cobertura da Scopus e da Web of Science, também chamada de WoS. Sobre a Scopus, escreveu que "é fácil navegar, mesmo para quem está começando. Se o usuário conhece recursos de busca como menus suspensos e caixas de seleção, pesquisar será uma tarefa simples com o sistema de busca intuitivo. A possibilidade de partir de uma citação para buscar trabalhos anteriores e posteriores seria muito útil ao pesquisador. O caráter multidisciplinar permite ao pesquisador buscar facilmente fora de sua área". Sobre a cobertura, observou que "uma vantagem da WoS sobre a Scopus é a profundidade da cobertura, pois a base completa da WoS remonta a 1945 e a Scopus, a 1966. No entanto, a Scopus e a WoS se complementam, já que nenhuma das duas abrange tudo". Comparações entre as bases encontraram diferenças de cobertura conforme a área e o período analisados.

As buscas avançadas usam operadores que permitem controlar a proximidade das palavras. Na WoS, o operador NEAR/n procura termos próximos, independentemente da ordem. A Scopus também oferece PRE/n, que exige uma ordem específica. Assim, uma busca pode distinguir a sequência "câncer e tratamento" de "tratamento do câncer".

As bases também diferem na indexação de palavras-chave, o que altera os resultados das buscas por assunto. Uma comparação de sistemas de informação química examinou essas diferenças nos títulos, resumos e palavras-chave dos artigos e encontrou resultados que dependiam das políticas de indexação adotadas por cada sistema. Os campos disponíveis para exportação variam com o formato escolhido. Nos arquivos , a Scopus exporta o DOI do documento, mas não suas referências bibliográficas completas. O limite de exportação nesse formato é de 20.000 documentos por operação. Em 2020, a WoS oferecia uma opção de exportação de até 5.000 registros com um conjunto reduzido de dados.

A Scopus permite pesquisar substâncias por número CAS e nome químico. A WoS também recupera nomes químicos presentes nos títulos, resumos e palavras-chave. A Scopus acrescenta números CAS e termos de vocabulários especializados à indexação. O SciFinder oferece recursos específicos para a pesquisa de substâncias químicas. A WoS oferece ainda pesquisa por estrutura química, cuja cobertura depende da assinatura dos índices especializados Index Chemicus e Current Chemical Reactions.

A Scopus oferece perfis de autores com seus vínculos institucionais, número de publicações, dados bibliográficos, referências e quantidade de citações recebidas por cada documento. Usuários cadastrados podem receber alertas sobre alterações em um perfil e calcular o índice h de um autor. Em 2016, foi lançado o site gratuito Scopus CiteScore. O serviço oferece dados de citações de mais de 25.000 títulos ativos, como periódicos, anais de congressos e livros, e uma alternativa ao fator de impacto. O fator de impacto pode ter correlação negativa com a confiabilidade dos trabalhos publicados.

Os identificadores de autores da Scopus podem ser integrados ao ORCID, um identificador digital não proprietário.

Em 2018, a Scopus começou a incorporar informações parciais sobre o acesso aberto aos trabalhos, com dados do serviço . O campo que informa a disponibilidade em acesso aberto não é incluído nas exportações em formato RIS.

O número de publicações indexadas varia entre as . Em 2024, Alaa Tarazi, da Universidade da Jordânia, comparou a cobertura dos trabalhos da instituição em diferentes bases. A Scopus reuniu mais publicações, seguida pela Web of Science e pela The Lens.

Uma comparação publicada na Espanha em 2024 apresentou a The Lens, que reúne dados da Crossref, PubMed, CORE e OpenAlex, com mais de 247 milhões de registros bibliográficos. A OpenAlex, também gratuita, tinha cerca de 240 milhões de publicações. A Scilit, serviço gratuito da , reunia 149 milhões de publicações obtidas da Crossref, PubMed, repositórios de pré-publicações e editoras. A coleção principal da Web of Science tinha 85 milhões de registros, e a Scopus, 78 milhões. Esses números são os utilizados no trabalho, cuja coleta de dados terminou em junho de 2022. A comparação de publicações retratadas encontrou sobreposição entre as bases, sem que nenhuma cobrisse toda a amostra.

Uma pesquisa de 2025 de uma universidade médica da China, restrita a trabalhos sobre , encontrou 3,6% mais publicações na Scopus do que na Web of Science.

Seleção de conteúdo e conselho consultivo A Elsevier é proprietária da Scopus e publica periódicos científicos. Para evitar conflitos de interesse na escolha dos títulos e manter uma política de cobertura aberta e transparente, independentemente da editora, foi criado em 2009 um conselho internacional independente, o Content Selection and Advisory Board, ou CSAB. O conselho reúne cientistas e bibliotecários especializados por área. As críticas ao possível conflito de interesses prosseguiram.

O CSAB decide quais títulos entram na Scopus e quais deixam de ter novos conteúdos indexados. Em 2024, a base recebia cerca de 3.500 propostas de novos títulos por ano e aceitava aproximadamente 25% delas. A lista de periódicos e livros era atualizada de duas a três vezes por ano. A política de reavaliação de 2021 previa nova análise de periódicos por problemas nos padrões de publicação, desempenho abaixo dos parâmetros estabelecidos ou fora do esperado, ou como parte do acompanhamento contínuo do conteúdo.

Entre 2016 e outubro de 2021, o CSAB reavaliou 990 títulos de 539 editoras. Desse total, 536 deixaram de ter novos conteúdos indexados. A lista de títulos descontinuados também foi disponibilizada pela Elsevier em uma planilha de junho de 2021. Em 2024, a Scopus abrangia cerca de 28.000 periódicos ativos e quase 300.000 livros.

A seleção e a reavaliação não impediram a presença de periódicos predatórios na base, examinada em trabalhos publicados em 2017 e 2021.

Jonathan P. Tennant criticou a apresentação da Scopus e da WoS como bases globais. Para ele, elas têm um viés estrutural contra trabalhos de países não ocidentais, publicações em idiomas diferentes do inglês e pesquisas em artes, humanidades e ciências sociais.

Indicadores derivados de citações Ver também , e .

CiteScore

O CiteScore, ou CS, de um periódico científico é um indicador da média anual de citações a artigos recentes publicados nele. É calculado pela Elsevier a partir das citações da base Scopus. Para cada periódico, também são divulgadas sua posição na classificação e sua posição percentual dentro de uma área de conhecimento.

O indicador foi lançado em dezembro de 2016 como alternativa ao fator de impacto do Journal Citation Reports, ou JCR, calculado pela Clarivate. O CiteScore usa as citações recebidas por trabalhos publicados em uma janela de quatro anos. O fator de impacto do JCR usa janelas de dois ou cinco anos. A metodologia de quatro anos foi adotada com a divulgação do CiteScore 2019, em junho de 2020. Quando o indicador foi lançado, o especialista em bibliometria questionou sua neutralidade por entender que favorecia os títulos da Elsevier em relação aos da Nature.

SCImago Journal Rank

O SCImago Journal Rank, ou SJR, é um indicador de avaliação de periódicos científicos que leva em conta a quantidade de citações recebidas e o prestígio dos periódicos em que essas citações foram feitas.

Ver também Metaciência, estudo dos métodos e das condições em que a pesquisa científica é feita Base de dados bibliográfica, tipo de sistema ao qual pertence a Scopus Bibliometria, análise quantitativa de publicações e citações Web of Science, outra base multidisciplinar de publicações e citações

Ligações externas Site oficial Lista de títulos indexados Identificador de autor Scopus, no Wikidata Identificador de documento Scopus, no Wikidata Identificador de instituição Scopus, no Wikidata Identificador de fonte Scopus, no Wikidata

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