Cinépolis é uma rede multinacional de cinemas originária do México. Presente no Brasil desde 2010, seu parque exibidor é o segundo maior do país, onde está presente em quarenta cidades de vinte unidades federativas de todas as regiões do país, sendo que seu parque exibidor conta com 56 complexos e 407 salas de cinema, média de 7,27 salas por complexo. Suas 77 703 poltronas perfazem uma média de 190,92 assentos por sala.
História
A empresa foi fundada em 1971 na Cidade do México, com o nome de Organización Ramires, pelas mãos do empresário Enrique Ramirez Miguel, quando este fundou o Cine Raza na capital mexicana. É a quarta maior empresa exibidora do mundo e a maior da América Latina. Em 28 de fevereiro de 2018 operava 652 complexos de cinema divididos em 5 334 salas digitais, situados em 240 cidades de treze países: Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Espanha (como Cine Yelmo), Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Índia, México, Panamá e Peru. Sua sede mundial está instalada na cidade mexicana de Morelia.
Chegou ao Brasil em 2010, com promessa de investimentos de R$ 500 milhões em novos complexos de cinema, inaugurando em 18 de junho daquele ano na cidade de Ribeirão Preto seu primeiro complexo no país, no Shopping Santa Úrsula, com oito salas, que anteriormente fora explorado pela rede Cinemais e se encontrava fechado.
Primeiros anos no Brasil esquerda|miniaturadaimagem|Cinépolis Boulevard Belém: terceira unidade aberta no país, em 22 de outubro de 2010 A avaliação do mercado brasileiro deixara os executivos mexicanos empolgados, pois no ano de 2009 as salas de cinemas do país venderam 111 milhões de bilhetes, o que representou um aumento de 25% sobre o ano anterior. O país passava por uma expansão da economia e crescimento da classe média, com a abertura de novos shoppings, o que facilitaria a instalação de novos complexos de cinema. Além disso, havia uma uma histórica defasagem da quantidade de salas, que somavam apenas 2 110 naquela época, menos da metade das existentes no México, o que transformava o país num imenso deserto cinematográfico. Além da promessa de investimentos de meio bilhão de reais, havia também a intenção de introduzir inovações, como um cardápio variado de opções alimentícias, o emprego de pufes e poltronas no lounge dos cinemas e uso de cores vibrantes, como azul e amarelo, nos corredores de acesso às salas. Dentre as metas da empresa estavam a instalação de 300 salas até o ano de 2012.
Entretanto, a Cinépolis enfrentou algumas dificuldades, sendo que a primeira delas foi a derrota na disputa com a Cinemark pelo complexo de quinze salas instalado no Shopping Internacional da cidade de Guarulhos, cujo administrador, a empresa australiana Hoyts General estava deixando o país. A multinacional americana dos cinemas adquiriria esse complexo por R$ 20 milhões. Entretanto, os maiores desafios estariam em superar o custo Brasil: além da burocracia e da cobrança de 2,5% relativa aos direitos autorais das músicas executadas nos filmes, o preço de instalação de um complexo de cinema chegava a ser 80% superior ao existente na matriz mexicana. Essa situação fazia com que fosse necessário vender 30% mais ingressos, a preços 30% mais altos para que se obtivesse metade da rentabilidade a qual estava acostumada em seu país de origem. Houve também desistência por parte de alguns empreendedores, que preferiram utilizar os serviços de exibidores já estabelecidos no país.
Diante destes fatores, a empresa cogitou vender a operação no Brasil, conforme relatou o seu presidente, Eduardo Acuña, à revista Istoe Dinheiro. Em uma entrevista para o portal IG em novembro de 2010, Acuña chegou a afirmar que "'o cinema é um negócio que tem investimentos altos e não traz rendas tão grandes. É um negócio difícil, mas se não fosse um bom negócio, ninguém abriria salas". Ainda assim, a meta das 300 salas foi alcançada em outubro de 2014, colocando a rede no segundo lugar entre os maiores exibidores do país, com um faturamento estimado em R$ 320 milhões. Tal desempenho em quatro anos transformou a Cinépolis brasileira na segunda maior rede cinematográfica do país e também na segunda maior operação da companhia em todo o mundo.
Ampliação e modernização
Como parte do seu programa de expansão, a Cinépolis adquiriu em setembro de 2011 a rede Box Cinemas, que possuía salas em Campinas, Jaboatão dos Guararapes, João Pessoa, São Gonçalo, São Luís e São Paulo, devido a problemas financeiros da matriz.MS Record - Cinépolis inaugura salas de cinema no shopping Norte Sul Plaza nesta sexta-feira Em abril de 2014, a empresa incorporou seis complexos da rede Cinemais, localizados nas cidades de Cuiabá, Manaus (dois complexos), Marília, São José do Rio Preto e Uberlândia. Os complexos adquiridos de outras redes estão passando ou passaram por reformas e adaptações para o padrão da Cinépolis. Graças a esta rápida expansão, tornou-se o segundo maior exibidor brasileiro.
Com relação às salas com características especiais, a Cinépolis detém no Brasil 45 salas Vips, 19 salas MacroXE (foi a segunda rede no Brasil a utilizar projeção com resolução 4K, depois da United Cinemas International - UCI), uma sala IMAX e seis salas 4DX no país. A Cinépolis encerrou o ano de 2017 detendo 369 salas, ocupando o 2.º lugar entre os maiores exibidores do país (perdendo apenas para a Cinemark) e com market share de 11,4% do parque exibidor brasileiro.
Por cinco anos, seu presidente no Brasil foi o executivo mexicano Eduardo Acuña, responsável pela implantação da empresa no país. Desde abril de 2015, o comando foi passado para Luiz Gonzaga de Luca, que fazia parte da diretoria da empresa desde 2010 e foi diretor-superintendente do Grupo Severiano Ribeiro. Com o desligamento da filial brasileira, Acuña assumiu o comando mundial da empresa. esquerda|miniaturadaimagem|Cinépolis Estação Cuiabá: único complexo da rede no estado de Mato Grosso Em 2019 iniciou uma parceria com a Pandora Filmes para o "Projeto Caixa de Pandora" e lançou filmes independentes nos cinemas do Brasil, nacionais e internacionais, que passaram pelos festivais mais importantes, como Cannes, Sundance, Veneza, Berlim e Toronto.
Ao final de 2020, com a maioria das salas de cinema do Brasil fechadas pela pandemia de COVID-19, a Cinepólis temporariamente teve a liderança da quantidade de salas em funcionamento no país.Anuário do Cinema Brasileiro de 2020
Entre os dias 20 e 27 de outubro de 2021, a Cinépolis e UCI aderiram em todo o Brasil à iniciativa "Cinema é 10" criada pela Abraplex (Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex) feita com apoio da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), que permitem que tais redes tenham ingressos no valor de dez reais para incentivar o retorno do público ao cinemas.
Distribuição dos complexos cinematográficos miniaturadaimagem|Cinépolis Pátio Batel, de Curitiba, com atividades suspensas em virtude da pandemia de covid-19 A operação brasileira da Cinépolis tem uma boa distribuição geográfica dos seus complexos pelo país, atingindo 20 das 27 unidades federativas do Brasil. É o maior exibidor da Região Norte, com seis complexos (10,71% das unidades Cinépolis no Brasil) e 48 salas de exibição (11,79% da rede exibidora) nas cidades de Manaus, Belém e Macapá. Não há unidades em cidades do interior ou região metropolitana.
Na região Nordeste, a rede está presente em sete dos nove estados, geralmente em suas capitais: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco (cidades de Jaboatão dos Guararapes e Olinda) e Bahia (Salvador e Lauro de Freitas). Destes estados, a capital pernambucana é a única a não possui uma unidade Cinépolis. Ao todo são 12 complexos e 100 salas, superando o seu concorrente mais direto que é a UCI Cinemas e suas joint ventures (UCI/Orient e UCI/Kinoplex), que detém juntas 11 unidades e 82 salas. Considerando toda a rede, 21,43% das unidades se encontram nessa região, além de 24,57% das salas de exibição.
Na região Centro-Oeste, os números são mais modestos, detendo um único complexo nas capitais de Goiás e Mato Grosso, sendo que em Mato Grosso do Sul há filial em Campo Grande e Três Lagoas, resultando em quatro unidades (7,14%) e 25 salas de exibição (6,14% de toda a rede Cinépolis). Em agosto de 2019, foi assinado um contrato com a Arena BSB para a instalação de 14 salas na futuro Boulevard Comercial, um empreendimento multiuso que a ser construído na capital federal e que incluía o estádio Mané Garrincha. Seria o primeiro cinema Cinépolis do Distrito Federal. Tal empreendimento não foi adiante em virtude de desvirtuamento do projeto original e uma série de imbróglios jurídicos que o inviabilizaram.
A região Sudeste do Brasil é que detém a maior parte do parque exibidor da Cinépolis, com 26 complexos e 184 salas (respectivamente, 46,43% das unidades e 45,21% das salas). Da mesma forma que sua concorrente americana, a rede mexicana priorizou seus investimentos na região mais rica do Brasil. Entretanto, há uma participação mínima no Espírito Santo (um complexo na cidade de Cariacica), em Minas Gerais (um cinema em Belo Horizonte e outro em Uberlândia) e no estado do Rio de Janeiro (um complexo na capital fluminense e outro em São Gonçalo). O grosso das filiais se encontram no estado de São Paulo, com quatro cinemas e 27 salas na capital paulista, além de outros quatorze municípios espalhados pela região metropolitana e interior do estado, onde foram implantados 17 complexos e 125 salas da Cinépolis. Somente o "estado bandeirante" responde por 15 municípios (37,5%), 21 complexos (35,5%), 152 salas (37,35%) e 28 409 assentos (36,56%) de toda a rede Cinépolis no Brasil.
Cidades com mais complexos Das 40 cidades onde atua no Brasil, a Cinépolis detém dois ou mais complexos em dez delas: Barueri, Belém, Campinas, Curitiba, João Pessoa, Porto Alegre e Ribeirão Preto possuem duas unidades; Fortaleza e Manaus, três cinemas; São Paulo, quatro.
Outras cidades já tiveram uma segunda unidade, como Cuiabá, Natal e Salvador.
Encerramentos e reduções de sala esquerda|miniaturadaimagem|Cinépolis Bela Vista: o primeiro no Brasil a utilizar a tecnologia 4DX, teve sua operação transferida para a Cineflix Em virtude das instabilidades do mercado exibidor brasileiro, a Cinépolis reduziu o tamanho ou encerrou as atividades em sete de suas unidades. Em novembro de 2011, o cinema do Rio Design Barra perdeu uma sala; em novembro de 2022, o complexo de Jaboatão dos Guararapes perdeu duas de suas salas; por fim, o Mais Shopping da capital paulista ficou com duas salas a menos em fevereiro de 2024 (as datas são aquelas informados pela rede exibidora nos registros da ANCINE).
O primeiro complexo a cerrar as portas foi o Rio Lagoon, localizado no complexo de lazer da capital carioca que enfrentou várias crises agravadas pela pandemia - o fechamento se deu em janeiro de 2022. Em agosto de 2022, foi a vez do Natal Norte Shopping, da capital potiguar, e do Shopping Três Américas de Cuiabá perderem suas unidades Cinépolis, sendo que este último foi alvo de disputa judicial, com o fito de se prorrogar os descontos dados durante a pandemia e assim viabilizar o seu funcionamento. Por fim, as condições precárias pós reabertura e necessidade de reformas no complexo no Shopping Bela Vista em Salvador causaram o seu fechamento.
Três dos complexos fechados foram adquiridos pela rede paranaense Cineflix, que os reabriu posteriormente. O único a não ser reaproveitado foi o do complexo Rio Lagoon, cujo empreendimento teve seu contrato não renovado com o governo do Estado do Rio de Janeiro.
Dados gerais da rede As reduções e/ou encerramentos de complexos provocaram uma perda de 4 complexos, 34 salas e 7 133 lugares. No cômputo geral, pode-se dizer que a Cinépolis implantou no Brasil um total de complexos 60 complexos, 441 salas e 84 836 assentos, conforme dados extraídos do portal de dados abertos da Agência Nacional do Cinema.