thumb|150px|O Painel do Infante. O Painel do Infante é um dos seis daqueles que constituem os chamados Painéis de São Vicente de Fora, que são muitas vezes atribuídos a Nuno Gonçalves, que estão no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Recebeu este apelido por se acreditar que nele possa estar a presença do Infante D. Henrique, imagem aliás coincidente com a teoria de que é um retrato do mesmo na contemporânea "Crónica da Guiné", de Gomes Eanes de Zurara. Para alguns teóricos, seguindo a mesma tese, pensa que este painel possa representar a "queda" da Casa de Avis e a tomada do poder por D. Afonso V. No entanto, há outros que antes pelo contrário a glorificação da mesma onde o seu irmão D. Pedro de Coimbra seria a figura de maior relevoOs Painéis em Memória do Infante D. Pedro (Um estudo sobre os Painéis de S. Vicente de Fora), por Clemente Baeta, editado por Bubok Publishing S.L., Dezembro 2012, Registo IGAC: 5470/2012, ISBN Papel: 978-84-686-3045-8.
Em 2018, Fernando Branco estabeleceu a relação entre a Crónica do Infante Santo D. Fernando (Frei João Álvares, séc. XV) e os Painéis de S. Vicente mostrando que estes, ilustram uma veneração ao Infante Santo e aos seus companheiros de martírio, na sequência do desastre de Tânger. São seis quadros cronológicos, em dois trípticos, em que este painel é o quinto “V. A Glorificação do Infante Santo (9/6/1443)”. Representa a glorificação do Infante Santo pelo S. Vicente na presença da alta nobreza da Casa de Aviz. São eles, a partir da frente, à direita: o Infante Santo, de joelhos; o jovem Rei D. Afonso V e o regente D. Pedro (homem do chapeirão); à esquerda a futura Rainha D. Isabel de Aviz (noiva do rei) e atrás a Duquesa D. Isabel de Borgonha, irmã do regente e muito empenhada na salvação do irmão Infante Santo. Todos eles estão identificados por vários pormenores deixados pelo pintor. A cena passa-se ficticiamente no domingo de Pentecostes, 4 dias após a sua morte, o que é identificado pelo texto do Evangelho de S. João/missa do Espírito Santo apresentado no livro que S. Vicente mostra. Esta cena é semelhante à descrita na Crónica (youtube Novos Painéis de S. Vicente livro).
A imagem central A imagem central reveste-se de mistério. Pensa-se que representa São Vicente (retratado noutros quadros do mesmo autor), contudo para outros, representa "Portugal" ou antes o Anjo de Portugal, ou seja, em ambos os casos que seja a essência espiritual da nação portuguesa. Nas mãos, carrega um livro religioso cujas palavras se inspiram na autoridade de Deus que é investida na figura que ante ele se ajoelha.
Na senda da hipótese original de José Saraiva, (Os Painéis do Infante Santo, Leiria, 1925), Jorge Almeida sugere que esta figura é na verdade D. Fernando, o Infante Santo, irmão do rei morto em cativeiro. Dada a importância das exéquias fúnebres à data da pintura, seria um evento traumático que um membro da família real não tivesse direito a um funeral condigno na sua pátria. O conjunto representa assim um funeral simbólico, homenageando de forma derradeira o mártir.
D. Duarte O rei D. Duarte, filho de D. João I que lhe sucederia no trono, foi um político de renome. Protegido pela Casa de Aviz e por seu pai, sofreria destino diferente dos seus irmãos D. Pedro (Casa de Coimbra) e D. Henrique (Casa de Viseu). Cresceu como um político, pouco dado às coisas da guerra, conforme retratado na sua postura serena, chapéu flamengo na cabeça (realçando as ligações políticas de Aviz a Borgonha, onde se casaria a sua irmã, a "Sibila" Infanta Isabel. A sua imagem viria a ser tradicionalmente identificada como a do Infante D. Henrique ao longo dos séculos.
D. Afonso V Ajoelhando-se perante a imagem central, está o jovem e garboso Afonso V, assumido Rei aos 14 anos, rejeitando a regência do seu tio D. Pedro. As suas políticas levaram à Batalha de Alfarrobeira (onde seu tio morreria), depois alcançaria a glória em, África, ganhando o cognome de "O Africano"; por fim perder-se-ia nas guerras intestinas de Castela, tentando colocar a "Joana, a Beltraneja" no trono para acabar semi-derrotado na batalha de Toro.
A Rainha Leonor de Aragão Em oposição a D. Duarte, seu esposo. De véu branco, a falecida viúva D. Leonor que, após falecimento do seu esposo D. Duarte, tentaria tomar o poder em Portugal, prontificando a revolta popular que recordava ainda a batalha de Aljubarrota, que culminaria na liderança do regente D. Pedro após expulsão da Rainha para Castela.
Rainha Isabel de Coimbra Isabel de Coimbra, em oposição a D. Afonso V, seu esposo. Filha de D. Pedro, é a figura mais enigmática do painel. As suas mangas são assimétricas: uma ajustada ao braço, a outra rasgada e disforme, que se pensa representar a desfloração virginal ou a dilatação necessária ao nascimento do seu filho, futuro João II; estes braços afastam as vestes vermelhas para revelar roupa de cor verde (a cor de seu pai no Painel dos Cavaleiros, e do seu filho neste mesmo painel), numa alusão aos genitais femininos e ao sacrifício da sua virtude pelo futuro da nação Portugal.
D. João II, criança Entre D. Duarte, seu avô, e D. Afonso V, seu pai, está uma criança também vestida de verde, barrete composto preso por botões (uma de duas figuras com barretes compostos, nos painéis; sendo a outra a simetricamente oposta: D. João II já homem, no "Painel do Arcebispo").
Categoria:Painéis de São Vicente de Fora