Uma imagem mental ou figura mental é uma experiência que, na maioria das vezes, se assemelha significativamente à experiência de perceber visualmente algum objeto, evento ou cena (experiência quase sensória ou quase perceptual), mas ocorre quando o objeto, evento ou cena relevante não está realmente presente aos sentidos.McKellar, 1957Richardson, 1969Finke, 1989Thomas, 2003 Apesar de muitas vezes envolver vontade ativa na sua produção, no que se chama "visualização" e em usos de imaginação, há também ocorrências involuntárias. Às vezes, ocorrem episódios, particularmente ao se adormecer (imagens hipnagógicas) e acordar (hipnopômpicas), quando as imagens mentais, de caráter rápido, fantasmagórico e involuntário, desafiam a percepção, apresentando um campo caleidoscópico em que nenhum objeto distinto pode ser discernido. As imagens mentais às vezes podem produzir os mesmos efeitos que seriam produzidos pelo comportamento ou experiência imaginada.Kappes, Heather Barry; Morewedge, Carey K. (julho de 2016).
A natureza dessas experiências, o que as torna possíveis e sua função (se houver) há muito que são objeto de pesquisa e controvérsia em filosofia, psicologia, ciência cognitiva e, mais recentemente, neurociência.Battilani, Patrícia Fernandes (2013). O Debate da Imagética Mental. Tese de mestrado em Filosofia. Universidade de São Paulo.Thomas, 2003Thomas, 1999 Conforme pesquisadores contemporâneos usam a expressão, imagens ou imagética mental pode compreender informações de qualquer fonte de estímulos sensoriais; pode-se experimentar imagens auditivas,Reisberg, 1992 imagens olfativas,Bensafi et al., 2003 e assim por diante. No entanto, a maioria das investigações filosóficas e científicas do tópico se concentra nas imagens mentais visuais. A experienciação da representação pictórica já foi descrita por Stephen Kosslyn como "ver com os olhos da mente" ou como um "observador interno", e sua discussão gerou amplos debates e diversas posições sobre até que ponto seu caráter de experiência subjetiva envolve chamados qualias, propriedades fenomênicas ou se há proposições conceituais envolvidas ao fundo, e qual é sua organização cognitiva no processo de formação da imagem mental. Algumas vezes foi assumido que, como os humanos, alguns tipos de animais são capazes de experimentar imagens mentais.Aristotle: On the Soul III.3 428a Devido à natureza fundamentalmente introspectiva do fenômeno, há pouca ou nenhuma evidência a favor ou contra essa visão.
Filósofos como George Berkeley e David Hume, e psicólogos experimentais iniciais como Wilhelm Wundt e William James, entendiam ideias em geral como imagens mentais. Hoje acredita-se muito amplamente que muitas imagens funcionam como representações mentais (ou modelos mentais), desempenhando um papel importante na memória e no pensamento.Pavio, 1986Egan, 1992Barsalou, 1999Prinz, 2002 William Brant (2013, p. 12) traça o uso científico da frase "imagens mentais" ao discurso de John Tyndall em 1870, chamado "Uso Científico da Imaginação". Alguns chegaram a sugerir que as imagens são melhor compreendidas como sendo, por definição, uma forma de representação interior, mental ou neural;Block, 1983Kosslyn, 1983 no caso de imagens hipnagógicas e hipnopômpicas, elas não são representativas. Outros rejeitam a visão de que a experiência da imagem pode ser idêntica a (ou causada diretamente por) qualquer representação na mente ou no cérebro,Sartre, 1940Ryle, 1949Skinner, 1974Bartolomeo, 2002Bennett & Hacker, 2003 mas não consideram as formas não representacionais de imagens.
O olho da mente A noção de "olho da mente" remonta pelo menos à referência de Cícero a mentis oculi durante sua discussão sobre o uso apropriado do símile pelo orador.Cicero, De Oratore, Liber III: XLI: 163.
Nessa discussão, Cícero observou que as alusões a "o Syrtis de seu patrimônio" e "o Charybdis de suas posses" envolviam símiles que eram "extravagantes demais"; e ele aconselhou o orador a falar apenas "a rocha" e "o golfo" (respectivamente)—com o argumento de que "os olhos da mente são mais facilmente direcionados para os objetos que vimos do que para os objetos de que só ouvimos".J.S. (trans. and ed.), Cicero on Oratory and Orators, Harper & Brothers, (New York), 1875: Book III, C.XLI, p. 239.
O conceito de "o olho da mente" apareceu pela primeira vez em inglês em Chaucer (c. 1387), Man of Law's Tale, em seu livro Canterbury Tales, onde ele nos diz que um dos três homens que moravam em um castelo era cego e só podia ver com "os olhos de sua mente"; a saber, aqueles olhos "com os quais todos os homens vêem depois de ficarem cegos".The Man of Laws Tale, lines 550–553.
Base física O fundamento biológico do olho da mente não é totalmente compreendido. Estudos usando a RMf mostraram que o núcleo geniculado lateral e a área V1 do córtex visual são ativadas durante tarefas de imagens mentais.A. Ishai, J. V. Haxby and L. G. Ungerleider (2002). Imagery of famous faces: effects of memory and attention revealed by fMRI. NeuroImage 17 (2002), pp. 1729–1741. Ratey escreve: O caminho visual não é uma rua de mão única. Áreas mais altas do cérebro também podem enviar informações visuais de volta aos neurônios nas áreas mais baixas do córtex visual. [...] Como seres humanos, temos a capacidade de ver com os olhos da mente—de ter uma experiência perceptiva na ausência de informações visuais. Por exemplo, os exames de PET mostraram que quando os indivíduos, sentados em uma sala, imaginam que estão na porta da frente começando a andar para a esquerda ou direita, a ativação começa no córtex de associação visual, no córtex parietal e no córtex pré-frontal—todos centros de processamento cognitivo superiores do cérebro.A User's Guide to the Brain, John J. Ratey, , at p. 107. Os rudimentos de uma base biológica para os olhos da mente são encontrados nas partes mais profundas do cérebro abaixo do neocórtex, ou onde existe o centro da percepção. Verificou-se que o tálamo é discreto para outros componentes, na medida em que processa todas as formas de dados perceptivos retransmitidos dos componentes inferiores e superiores do cérebro. Danos a este componente podem produzir danos perceptivos permanentes; no entanto, quando danos são infligidos ao córtex cerebral, o cérebro se adapta à neuroplasticidade para alterar as oclusões de percepção. Pode-se pensar que o neocórtex é um sofisticado armazém de memória, no qual os dados recebidos como entrada dos sistemas sensoriais são compartimentados por meio do córtex cerebral. Isso essencialmente permitiria a identificação de formas, embora, dada a falta de entrada de filtragem produzida internamente, possa-se, como consequência, alucinar— vendo essencialmente algo que não é recebido como entrada externamente, mas interno (isto é, um erro na filtragem dos dados sensoriais segmentados do córtex cerebral podem resultar em alguém vendo, sentindo, ouvindo ou experimentando algo que é inconsistente com a realidade).
Nem todas as pessoas têm a mesma capacidade perceptiva interna. Para muitos, quando os olhos estão fechados, a percepção de escuridão prevalece. No entanto, algumas pessoas são capazes de perceber imagens coloridas e dinâmicas - fosfenos, por exemplo, ou a manipulação por imaginação ativa, conforme exemplos em relatos de Jung, que cita também a experiência de Goethe: “Quando fechei os olhos e inclinei a cabeça, consegui conjurar a imagem imaginária de uma flor. Esta flor não manteve sua primeira forma por um único instante, mas se desdobrou por si mesma, novas flores compostas por pétalas coloridas e folhas verdes. Não eram flores naturais, mas fantasmagóricas. Eles eram tão regulares quanto as rosetas de um escultor. Era impossível fixar a criação que surgia; no entanto, a imagem do sonho durava o tempo que eu desejava; não desvanecia nem se tornava mais forte.”A glândula pineal é um candidato hipotético para produzir um olho mental; Rick Strassman e outros postularam que durante experiências de quase morte (EQMs) e sonhos , a glândula pode secretar um químico alucinógeno N, N- dimetiltriptamina (DMT) para produzir visuais internos quando dados sensoriais externos são ocluídos.Rick Strassman, DMT: The Spirit Molecule: A Doctor's Revolutionary Research into the Biology of Near-Death and Mystical Experiences, 320 pages, Park Street Press, 2001, Isso se associa com os relatos de que o uso de drogas alucinógenas aumenta a capacidade do sujeito de acessar conscientemente as percepções visuais (e auditivas e outros sentidos). No entanto, essa hipótese ainda não foi totalmente apoiada com evidências neuroquímicas e mecanismo plausível para a produção de DMT.
A condição em que uma pessoa não consegue voluntariamente produzir visualizações mentais é chamada de afantasia. O termo foi sugerido pela primeira vez em um estudo de 2015.Zeman, Adam; Dewar, Michaela; Della Sala, Sergio (2015)
Exemplos comuns de imagens mentais incluem devaneios e a visualização mental que ocorre durante a leitura de um livro. Outra é a dos quadros evocados pelos atletas durante o treinamento ou antes de uma competição, descrevendo cada passo que eles darão para atingir seu objetivo.Plessinger, Annie. The Effects of Mental Imagery on Athletic Performance. The Mental Edge. 12/20/13. Web. https://www.vanderbilt.edu Quando um músico ouve uma música, ele ou ela às vezes pode "ver" as notas da música em suas cabeças, bem como ouvi-las com todas as suas qualidades tonais. Isso é considerado diferente de um efeito posterior, como uma pós-imagem. Invocar uma imagem em nossas mentes pode ser um ato voluntário, por isso pode ser caracterizado como estando sob vários graus de controle consciente.
Segundo o psicólogo e cientista cognitivo Steven Pinker,Pinker, S. (1999). How the Mind Works. New York: Oxford University Press. nossas experiências do mundo são representadas em nossas mentes como imagens mentais. Essas imagens mentais podem ser associadas e comparadas com outras, e podem ser usadas para sintetizar imagens completamente novas. Nessa visão, as imagens mentais nos permitem formar teorias úteis sobre como o mundo funciona, formulando prováveis sequências de imagens mentais em nossas cabeças, sem ter que experimentar diretamente esse resultado. Se outras criaturas têm essa capacidade é discutível.
Existem várias teorias sobre como as imagens mentais são formadas na mente. Essas incluem a teoria da dupla codificação, a teoria proposicional e a hipótese da equivalência funcional. A teoria da dupla codificação, criada por Allan Paivio em 1971, é a teoria de que usamos dois códigos separados para representar informações em nossos cérebros: códigos de imagem e códigos verbais. Os códigos de imagem são coisas como pensar em uma imagem de um cachorro quando você está pensando em um cachorro, enquanto um código verbal seria pensar na palavra "cachorro".Paivio, Allan. 1941 (2013). Web. Outro exemplo é a diferença entre pensar em palavras abstratas, como justiça ou amor, e pensar em palavras concretas como elefante ou cadeira. Quando se pensa em palavras abstratas, é mais fácil pensar nelas em termos de códigos verbais—encontrando palavras que as definam ou as descrevam. Com palavras concretas, geralmente é mais fácil usar códigos de imagem e trazer à mente uma imagem de um ser humano ou cadeira do que palavras associadas ou descritivas deles.
A teoria proposicional envolve o armazenamento de imagens na forma de um código proposicional genérico que armazena o significado do conceito e não a imagem em si. Os códigos proposicionais podem ser descritivos da imagem ou simbólicos. Eles são então transferidos de volta ao código verbal e visual para formar a imagem mental.Mental Imaging Theories. 2013. Web. http://faculty.mercer.edu