Carolina Augusta Xavier de Novaes Machado de Assis (Porto, 20 de fevereiro de 1835 – Rio de Janeiro, 20 de outubro de 1904) foi a esposa de Machado de Assis. Portuguesa, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1866 a fim de cuidar de seu irmão enfermo Faustino Xavier de Novaes (1820-1869).Fábio Lucas, O Nucleo E a Periferia de Machado de Assis, Editora Manole Ltda, 2009. ISBN 8520429459 Carolina e Machado casaram-se em 12 de novembro de 1869 e viveram uma longa vida conjugal de 35 anos sem grandes perturbações.Enciclopédia Barsa, p.267.Scarano, Júlia Maria Leonor. Grandes Personagens da Nossa História. São Paulo: Abril Cultural, 1969, p.778.
Culta, os biógrafos escrevem que apresentou a Machado livros da literatura portuguesa e da literatura inglesa e outros clássicos, redefinindo o seu estilo literário para a maturidade.Rodrigues, Henrique. Machado de Assis: o Rio de Janeiro de seus personagens. Pinakotheke, 2008, p.33 Além disso, teria revisado, retificado e passado a limpo seus textos, ajudando-o a escrever.Explicando a Literatura Brasileira, Ediouro Publicações, p.113. ISBN 8500014652
Recentes análises de correspondências pessoais revelam que Machado e Carolina eram apaixonados um pelo outro e que, ao longo do casamento, o escritor temia que a esposa morresse antes e ele sofresse com a perda, o que realmente aconteceuPereira, Lúcia Miguel. Machado de Assis: Estudo Crítico e Biográfico. Belo Horizonte, Editora Itatiaia Ltda, 1988, p.109. . miniaturadaimagem|260x260px|Carolina Machado de Assis. Carolina não conseguiu engravidar, e pela falta de filhos, o casal decidiu adotar uma cadelinha, que batizaram de Graziela, e que tratavam como filha. O casamento durou até a sua morte em 1904. O viúvo entrou numa profunda depressão, encontrando consolo em sua solidão com sua cadelinha, sua única companhia. Machado de Assis cuidou do animal de estimação até seu falecimento. Com muitas saudades, escreveu um soneto em homenagem à esposa, amplamente considerado a melhor peça de sua obra poética.Assis, Machado de. Quincas Borba. p.394. Ediouro Publicações SA, 2003. ISBN 850000584X Manuel Bandeira afirmaria, anos mais tarde, que é uma das peças mais comoventes da literatura brasileira.Aguiar, Flávio. Murmúrios no espelho. In: ASSIS, Machado. Contos. São Paulo: Ática, 1976, p.110. Chama-se "A Carolina":
Querida! Ao pé do leito derradeiro, em que descansas desta longa vida, aqui venho e virei, pobre querida, trazer-te o coração de companheiro.
Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro que, a despeito de toda a humana lida, fez a nossa existência apetecida e num recanto pôs um mundo inteiro…
Trago-te flores - restos arrancados da terra que nos viu passar unidos e ora mortos nos deixa e separados;
que eu, se tenho, nos olhos mal feridos, pensamentos de vida formulados, são pensamentos idos e vividos.Obra completa, Rio de Janeiro, Aguilar, 9999, vol. III, p.313.
Ligações externas Única herdeira do grande amor de Machado de Assis conta histórias do casal
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