Alex Hornest (São Paulo, 1972), também conhecido como Onesto e Onesto Diesel, é um pintor, escultor, grafiteiro e artista multimídia brasileiro. Sua produção abrange pinturas, esculturas, intervenções urbanas, vídeos e publicações independentes.

A relação entre a cidade e seus habitantes é um dos temas recorrentes de seu trabalho. Sob a assinatura Onesto, desenvolve personagens fantásticos, frequentemente com corpos arredondados, membros finos e mãos volumosas. Essas figuras aparecem tanto em muros quanto em pinturas e esculturas, aproximando situações cotidianas de um universo imaginário.

Biografia Hornest começou a desenhar na infância e iniciou sua trajetória no grafite nas ruas de São Paulo no começo da década de 1990. Antes de se dedicar à formação artística, estudou administração de empresas. O filme Beat Street, que reúne música, dança e grafite, esteve entre as referências que despertaram seu interesse pela cultura de rua.

Em 1994, participou de uma exposição no Museu da Imagem e do Som de São Paulo. No ano seguinte, concluiu o curso de Desenho de Comunicação na Escola Técnica Estadual Carlos de Campos. Ao trabalho nas ruas somou a participação em exposições de galerias e museus. Em 2010, integrou a primeira Bienal Internacional Graffiti Fine Art, realizada no Museu Brasileiro da Escultura. Também atuou como curador da Cavalera Art Projects.

Sua atuação inclui a documentação do grafite e da pichação. Em parceria com Marky Borsky, realizou os vídeos A Invasão e Sujo. Produziu também publicações independentes, entre elas o fanzine 72 d.i.e.s.e.l..

Obra Personagens e processo de criação miniaturadaimagem|Grafite de Onesto em São Paulo.

Animais e figuras humanas de proporções alteradas ocupam um lugar central na produção de Hornest. Seus personagens apresentam contornos escuros, corpos arredondados e membros delgados, com características próximas às dos quadrinhos. Gestos, movimentos e relações de escala participam da construção das cenas.

A observação das pessoas e de sua maneira de ocupar a cidade alimenta esse repertório. Em um relato de visita ao seu ateliê, Hornest descreveu o hábito de registrar desenhos em um pequeno caderno. Esses registros convivem com a improvisação durante a pintura. O artista também diferenciou a prática de ateliê da execução nas ruas, onde o tempo disponível e as condições do lugar interferem no trabalho.

Hornest utiliza diferentes assinaturas para propostas visuais distintas. A galeria Jonathan LeVine registra 72 assinaturas associadas a conceitos de trabalho próprios. Enquanto Onesto está relacionado aos personagens fantásticos, Emprolde identifica composições abstratas e coloridas. Entre as referências citadas pelo artista estão Alberto Giacometti, Alexander Calder, Victor Brecheret e Francis Bacon.

Escultura e materiais O repertório figurativo de Hornest se estende da pintura à escultura. Além de telas e paredes, utiliza mosaicos e materiais como ferro, vidro, argila e madeira. Sua produção também inclui colagem, fotografia e meios audiovisuais.

Na exposição Animais de concreto, apresentada na Universidade Federal de Goiás em 2010, pinturas de animais em espaços abertos foram contrapostas a esculturas colocadas em caixas e jaulas. O contraste relacionava o confinamento dos animais às limitações e rotinas da vida humana.

Parte das esculturas era feita com materiais recolhidos no entorno dos locais de exposição. Hornest relacionou essa prática à observação de pessoas que construíam moradias com objetos encontrados em São Paulo. O reaproveitamento de materiais passou, assim, a integrar seu processo de criação.

Em Zôo, apresentada na Galeria LOGO, em São Paulo, em 2012, reuniu pinturas sobre tela e esculturas em bronze, concreto, resina e madeira.

Murais e colaborações miniaturadaimagem|Sobe e Desce, em Roterdã, na versão realizada em 2026.

Em 2009, Hornest participou do festival R.U.A. – Reflexo on Urban Art, que reuniu dez artistas brasileiros em Roterdã, nos Países Baixos. Na ocasião, criou Sobe e Desce, no Kruisplein. Distribuídas por duas fachadas, as figuras se movem em sentidos opostos. A disposição das paredes orientou a composição, executada sem esboço prévio. O mural foi substituído por outra pintura em 2024. Após seu desaparecimento ter sido lamentado na vizinhança, Hornest voltou a pintá-lo em 2026, com pequenas alterações nos detalhes e nas cores.

Em 2013, integrou Street-Art Brazil, organizada pela Schirn Kunsthalle Frankfurt, na Alemanha. A exposição reuniu onze artistas e grupos brasileiros, com intervenções distribuídas pelo espaço urbano.

Em abril de 2014, realizou um mural com Claudio Ethos na região da Consolação, em São Paulo, reunindo na mesma composição as diferentes linguagens figurativas dos dois artistas.

Em 2025, participou do ALL CAPS Festival, no bairro de Beverwaard, em Roterdã, onde sua pintura passou a integrar um percurso de arte urbana.

Exposições individuais Entre suas exposições individuais estão:

2004 — Aqui é o inferno, Most Urban Store, São Paulo. 2004 — Veja o que você não quer ver, Fundição Progresso, Rio de Janeiro. 2007 — So closed to be touched, Robert Berman Gallery, Los Angeles. 2007 — Muito perto para serem tocados, 111 Minna Gallery, São Francisco. 2008 — Falsos animais, Museu do Trabalho, Porto Alegre. 2009 — Bom para os seus olhos, ruim para a sua alma, Galeria Thomas Cohn, São Paulo. 2010 — Animais de concreto II, Cavalera Art Projects, São Paulo. 2010 — Momentos de lazer em uma prisão sem muros, Museu do Trabalho, Porto Alegre. 2011 — Animais de concreto III, Museu Universitário de Arte, Uberlândia. 2012 — Zôo, Galeria LOGO, São Paulo. 2012 — Entre e fique à vontade, DAP/UEL, Londrina. 2012 — Distância e convívio, SESC Ipiranga, São Paulo. 2014 — Vista de uma prisão sem muros, SESI, Sorocaba. 2014 — Gravuras do Onesto, King Cap, São Paulo. 2015 — Onesto/01, Galeria ENTRE, Sorocaba. 2015 — Onesto/02, CaixaPreta GraffShop, São Paulo. 2015 — Onesto/03, Blaze Gallery, São Paulo. 2016 — Apenas o que os porcos conseguem digerir, Disjuntor Mooca, São Paulo. 2017 — Tumulto, Okupação C.O.R.A.G.E.M, São Paulo. 2017 — Pequenos delitos, Real Vandal, Belo Horizonte. 2018 — Cometendo os mesmos erros, Galeria CRUA, São Paulo. 2018 — “Ainda” cometendo os mesmos erros, Do Beco Cultural, São Paulo. 2018 — Diálogos mudos, Cold Galeria e Bownhouse, São Paulo. 2019 — Onesto/04, Cinza General Store, Santos. 2019 — Um pouco do que sobrou, Galeria PLEXI, São Paulo.

Obras em coleções Segundo a galeria Magidson Fine Art, obras de Hornest integram coleções da Fundação Padre Anchieta, do Victoria and Albert Museum, do Museo de San Miguel de Allende, da Coleção Berardo, do Museu Afro Brasil e do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo.

Publicações Além de fanzines e vídeos dedicados à cultura de rua, Hornest publicou trabalhos em livro. Em 2008, a Zupi Design e Editora lançou Onesto, dedicado à sua produção artística.

Em 2010, publicou com Thais Ueda Tenho pena de você, pela Item72 for Collectors. O livro reúne cinquenta desenhos realizados em colaboração durante 2007, com pássaros como tema central. Um artista iniciava o desenho e o outro intervinha, utilizando tinta acrílica, nanquim e colagem. Desse processo surgiram aves em situações humanizadas, acompanhadas de textos.

Ligações externas

Objetos nulos — Alex Hornest, documentário dirigido por Diego Camacho

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