Socioconstrutivismo é uma abordagem interdisciplinar nas ciências humanas (sociologia, pedagogia e psicologia) que tem por objeto o conhecimento e sua gênese, segundo a qual o desenvolvimento humano é socialmente situado e o conhecimento é construído através da interação com os outros.McKinley, J. (2015). "Critical Argument and Writer Identity: Social Constructivism as a Theoretical Framework for EFL Academic Writing" (PDF). Critical Inquiry in Language Studies. 12 (3): 184–207. doi:10.1080/15427587.2015.1060558. S2CID 53541628. Retrieved 4 March 2016.

É, igualmente, tratada na psicologia contemporânea, mais especificamente da psicologia da aprendizagem, começada com a obra de Lev Vygotsky, enfatizada em seus aspectos histórico-culturalistas.

Ela tem recebido denominações variadas, como ‘socioculturalismo’ ou ‘construtivismo social’, embora não tenha qualquer ligação com o strong programme. James Wertsch define como objetivo da abordagem socioconstrutivista da Psicologia a explicação das relações entre o funcionamento da mente humana e as situações culturais, institucionais e históricas nas quais este funcionamento ocorre.WERTSCH, J. (1998). A necessidade da ação na pesquisa sociocultural. Em: Wertsch, Del Rio & Alvarez (orgs.): Estudos Socioculturais da Mente. Porto Alegre, Ed. Artmed

Como o construcionismo social, o construtivismo social afirma que as pessoas trabalham juntas para construir artefatos. Enquanto o construcionismo social se concentra nos artefatos que são criados por meio das interações sociais de um grupo, o construtivismo social se concentra no aprendizado de um indivíduo que ocorre por causa de suas interações em um grupo.Edmond (2005) Narrative, Perception, Language, and Faith. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 103-120.

Um exemplo muito simples é um objeto como um copo. O objeto pode ser usado para muitas coisas, mas sua forma sugere algum "conhecimento" sobre o transporte de líquidos. Um exemplo mais complexo é um curso online – não apenas as "formas" das ferramentas de software indicam certas coisas sobre como os cursos online devem funcionar, mas as atividades e textos produzidos dentro do grupo como um todo ajudarão a moldar o comportamento de cada pessoa dentro desse grupo. O desenvolvimento cognitivo de uma pessoa também será influenciado pela cultura em que está envolvida, como a língua, a história e o contexto social. Para um relato filosófico de uma possível ontologia social-construcionista, ver o debate sobre Realismo direto e indireto.

Rejeitando a noção de que a origem da construção do conhecimento é o indivíduo, essa a corrente adota a tese de que o conhecimento é uma construção social fruto de interação entre sujeitos.VYGOTSKY, L. (1984). A Formação Social da Mente. Rio de Janeiro, Martins Fontes.

Vygotsky, influenciado por Karl Marx, tentou encontrar uma resposta de caráter nuclear para as funções psicológicas superiores humanas que evitasse o dualismo mente-corpo. Seu modelo de aprendizagem queria ser uma alternativa marxista à concepção construtivista piagetiana centrada no indivíduo. Para ele toda função psicológica aparece duas vezes: primeiro em nível social e, mais tarde, em âmbito individual: primeiro entre pessoas – interpsicológica – e depois, no interior da própria criança – intrapsicológica. Isto poderia ser aplicado igualmente à atenção voluntária, à memória lógica e à formação de conceitos: para Vygotsky todas as funções superiores são construções que se originam como relações entre seres humanos. Esta tese é oposta a do suíço Jean Piaget, que vê o desenvolvimento das estruturas cognitivas como necessário para possibilitar a aprendizagem.PIAGET, J. (1975). Epistemologia Genética. São Paulo: Abril Cultural.

Para Piaget a transmissão social é necessária para o desenvolvimento das funções cognitivas em nível mais avançado, mas não suficiente, porque a ação social é ineficaz sem assimilação ativa da criança, o que pressupõe instrumentos operatórios adequados. A abordagem socioconstrutivista tem em comum com o construtivismo social a convicção de que o conhecimento é uma produção social. No entanto, apesar de suas indefinições ontológicas, essa abordagem adota um realismo ontológico.

Conceito Lev Vygotsky Lev Vygotsky nasceu em Orsha, na Bielorrússia e foi influenciado por seu primo, David Vygodsky. Se formou na Universidade Estadual de Moscou em 1917 e começou a trabalhar primeiramente no Instituto de Psicologia de Moscou. Logo a seguir, trabalhou em outras instituições, tanto educacionais, quagos educacionais, que snto de pesquisa e clínicas, em Moscou, em Leningrado e em Kharkov, onde pesquisou extensivamente sobre as ideias de desenvolvimento cognitivo.

Além de ser um pioneiro nesta área, Vygotsky foi também um grande escritor. Seu principal trabalho contém 6 volumes, que foram escritos em 10 anos. Seu interesse acadêmico era muito amplo e passava pelas áreas do desenvolvimento psicológico, desenvolvimento infantil e desenvolvimento educacional. O contexto filosófico que seus estudos continham incluem não somente interpretações sobre o papel cognitivo no desenvolvimento de mediações, mas também a reinterpretação de conceitos psicológicos, como a noção da internalização do conhecimento. Vygotsky introduziu a noção de "zona de proximidade de desenvolvimento", uma metáfora inovadora que era capaz de descrever o potencial futuro do desenvolvimento cognitivo humano. Seu trabalho cobriu tópicos muito diversos, e passaram por ramos como a psicologia da arte, o desenvolvimento de funções mentais, a filosofia da ciência e as metodologias de pesquisas psicológicas, a relação entre o aprendizado e o desenvolvimento humano, a formação de conceitos, a inter-relação entre as linguagens e o desenvolvimento do pensamento, os estudos de disfunções de aprendizado, e o estudo do desenvolvimento humano além do normal.

As principais contribuições de Lev Vygotsky foram descritas em "Mente em Sociedade" (1930, 1978) e em "Pensamento e Linguagem" (1934, 1986). Ele, independentemente, acabou chegando às mesmas conclusões que Piaget a respeito da natureza construtiva do desenvolvimento e do potencial humano.

Educação O socioconstrutivismo tem sido estudado por muitos psicólogos da educação em todos os lugares do mundo, pois são eles que estão naturalmente preocupados com a implicação desta teoria no aprendizado das pessoas. O construtivismo é uma das teorias que explicam o desenvolvimento infantil. Foi criado por Jean Piaget através de sua teoria do desenvolvimento cognitivo. Ele também acreditava que as crianças deveriam desenvolver um conhecimento do mundo para elas próprias. Este pensamento entra em contraste com o behaviorismo, em que o desenvolvimento nasce através de formas específicas de aprendizado, onde as pessoas, teoricamente, são vistas como passivas e receptoras de influências naturais do ambiente onde vivem, as quais ajudam a transformar seu comportamento e o seu saber. A teoria de Piaget interpreta que as pessoas aprendem de forma ativa, participando ativamente de seu aprendizado, e não de forma passiva como diz a teoria do behaviorismo. O socioconstrutivismo é mais amplo que o construcionismo, incorporando o papel de outros fatores, inclusive da cultura, no desenvolvimento. Neste sentido, ele também pode ser comparado à teoria do aprendizado social, enfatizando a interação através da observação.

Principiologia O construtivismo social é uma metateoria em sociologia baseada no livro de 1966 A construção social da realidade de Peter L. Berger e Thomas Luckmann. O foco do construtivismo social é traçar as maneiras pelas quais a realidade social e os fenômenos sociais individuais são construídos. O método sociológico associado examina como as pessoas criam e institucionalizam fenômenos sociais e os transferem para tradições, passando-os para as novas gerações. Trata-se da descrição das instituições, da ação social etc., mas menos da busca de causas e efeitos. A realidade social é vista como algo dinâmico e processual que é constantemente moldado pelas ações das pessoas e suas interpretações delas.e seu conhecimento do mundo é produzido e reproduzido. Muitas direções de pesquisa posteriores, como estudos de gênero e estudos culturais, referem-se a conceitos de construtivismo social.

Constructos sociais ou construções sociais descrevem os efeitos colaterais e consequências das decisões humanas, uma conexão com as leis "divinas" ou "naturais" não é assumida. As construções sociais não são indeterminismo radical, mas o construtivismo social se vê como o oposto do essencialismo. O construtivismo social tenta principalmente descrever a vida e a participação de indivíduos e grupos no mundo. Isso inclui, por exemplo, como os fenômenos sociais surgem, como eles se tornam realidade (“objetificam-se”), como eles se institucionalizam e, finalmente, se transformam em tradições e culturas.

A construção social é, portanto, um processo contínuo de mudança e adaptação que é aceito pelas pessoas e também impulsionado pela participação ativa. As interpretações, os motivos e o conhecimento das pessoas formam a base desse processo. Como as construções sociais não são criadas pela natureza, elas precisam de apoio e manutenção constantes por meio da ação e da consciência humanas. No entanto, o processo de construção social também envolve mudanças, pois as novas gerações podem modificar e redesenhar as construções sociais com sua participação. Por exemplo, o significado de termos como “justiça” ou “lei” pode mudar ao longo do tempo.

Implicações O construtivismo social tem sido estudado por muitos psicólogos que se preocupam com suas implicações para o ensino e a aprendizagem. O construtivismo social estende o construtivismo ao incorporar o papel de outros atores e da cultura no desenvolvimento. Nesse sentido, também pode ser diferenciado com a teoria da aprendizagem social, enfatizando a interação sobre a observação. Para mais informações sobre as dimensões psicológicas do construtivismo social, torna-se relevante mencionar o trabalho de Annemarie Sullivan Palincsar.Palincsar, A. Sullivan (1998). "Social Constructivist Perspectives on Teaching and Learning". Annual Review of Psychology. 49: 345–375. doi:10.1146/annurev.psych.49.1.345. PMID 15012472. As ferramentas psicológicas são um dos conceitos-chave na perspectiva sociocultural de Lev Vygotsky.

O aumento de discussões em sala de aula está de acordo com sua teoria. Afinal de contas, muitas são as vantagens que resultam da implementação de discussões em sala de aula para as pessoas envolvidas. A participação em discussões de grupo permite, aos estudantes, generalizar e transferir conhecimentos mutuamente e os permite expressar suas ideias oralmente.Reznitskaya, Anderson & Kuo, 2007 Muitos estudos argumentam que as discussões em sala de aula são extremamente importantes, além de ser um teste, para que os estudantes expressem e testem suas ideias, simplifiquem as ideias dos outros, e aprendam mais profundamente o assunto abordado antes de expressá-los.Corden, 2001; Nystrand, 1996; Reznitskaya, Anderson & Kuo, 2007; Weber, Maher, Powell & Lee, 2008 Grupos grandes ou pequenos são beneficiados com oportunidades de aprendizado de autorregulação, autodeterminação e desejo de perseverar com objetivos.Corden, 2001; Matsumara, Slater & Crosson, 2008 Adicionalmente, a discussão aumenta a motivação dos estudantes e aumenta a habilidade de resolver problemas.Dyson, 2004; Matsumara, Slater & Crosson, 2008; Nystrand, 1996 Aumentar a oportunidade dos estudantes de conversarem e argumentarem uns com os outros e discutir suas ideias aumenta a habilidade de racionalizar o que estão pensando, desenvolver um sentido de autocrítica, e argumentar suas opiniões uns com os outros. Além disto, o sentimento de participação e colaboração aumenta, já que os estudantes passam a discutir em seus círculos e, como consequência disto, até mesmo sua confiança tende a aumentar.