William Lendrum "Billy" Mitchell (Nice, 28 de dezembro de 1879 – Nova Iorque, 19 de fevereiro de 1936) foi um general do Exército dos Estados Unidos, reconhecido por muitos como o "pai da Força Aérea Americana".F.E. WARREN AFB: The father of the U.S. Air ForceWilliam 'Billy' Mitchell -- 'O pai da Força Aérea Americana agora mora em Forte Sam Ele é um dos mais famosos e polêmicos vultos da história da aviação estadunidense.

Mitchell serviu na França durante a Primeira Guerra Mundial e, até o término do conflito, comandou todas as missões de combate aéreo americanas naquele país. Após a guerra, foi indicado ao cargo de diretor-assistente do Serviço Aéreo do Exército Americano e começou a defender aumentos de investimentos em tecnologia aérea, pois acreditava que os aviões seriam armas vitais em futuros conflitos militares. Ele chamava a atenção principalmente para a eficácia dos bombardeios aéreos em missões de afundamentos de navios de guerra e organizou uma série de simulações contra naves ancoradas numa área de testes, buscando provar suas ideias.

Mitchell irritou muitas autoridades do Exército com seus argumentos e críticas e, em 1925, ele foi rebaixado a coronel. Nesse mesmo ano, ele foi à Corte marcial acusado de insubordinação após ter denunciado os comandantes do Exército e da Marinha por "gestão quase traidora da defesa nacional."Esse comentário completo é citado como "incompetência, negligência criminosa e quase gestão traidora dos Departamentos de Guerra e da Marinha", proferido em uma entrevista do coronel Mitchell em San Antonio, Texas, publicada no jornal New York Times conforme os apontamentos da "Corte Marcial de Mitchell (1925)" por Harold S. Sharp, The Scarecrow Press, Inc., Metuchen, N.J., 1977, pp. 430-433. Ele renunciou ao posto no Serviço Aéreo, pouco tempo depois.

Mitchell recebeu muitas honrarias após a sua morte, inclusive uma promoção a General-Comandante dada pelo Presidente dos Estados Unidos. Ele é o único homem cujo nome batizou um modelo de avião militar americano, o B-25 Mitchell.

Primeiros anos thumb|Mitchell Billy Mitchell nasceu em Nice, França, filho de John L. Mitchell, um próspero senador americano representante do Estado de Wisconsin e de Harriet Mitchell. Ele cresceu numa fazenda no lugar que hoje é um subúrbio do Condado de Milwaukee, Wisconsin, chamado West Allis. Seu avô, Alexander Mitchell, foi um imigrante escocês e uma das pessoas mais ricas daquele Estado e financiou a Ferrovia Milwaukee Road em sociedade com o Banco Marine de Wisconsin. O Mitchell Park foi chamado assim em homenagem a Alexander.

Billy Mitchell se graduou na Faculdade Columbian de Artes e Ciências da Universidade George Washington. Se alistou como soldado aos 18 anos de idade durante a Guerra contra a Espanha. Rapidamente se tornou oficial graças a influência dos pais e se juntou ao Corpo de Sinaleiros do Exército Americano. Após o término da guerra, ele seguiu carreira no Exército. Nessa época ele já se mostrara interessado em aviação, após assistir a um voo público dos Irmãos Wright. Em 1908, como um jovem oficial do Exército, Mitchell observou a demonstração de voo de Orville Wright em Forte Myer, Virgínia. Mitchell tomou aulas de pilotagem na Escola de Aviação Curtiss em Newport News, Virgínia. Um dos instrutores de voo de Mitchell foi Walter Lees, aviador de Mazomanie, Wisconsin.

Após viagens para as Filipinas e Alasca, Mitchell foi para o Estado Maior—era o membro mais jovem, com 32 anos de idade. Ele foi para a Divisão de Aeronáutica do Corpo de Sinaleiros, órgão antecessor do Serviço Aéreo do Exército. Em 1916, aos 38 anos de idade, tomou lições particulares de voo, pois o Exército o considerava muito velho e alto para treiná-lo em suas aeronaves.

Primeira Guerra Mundial Em 6 de abril de 1917, os Estados Unidos declararam Guerra contra a Alemanha e Mitchell, agora no posto de Tenente-Coronel, foi imediatamente transferido para a França. Ele colaborou bastante com os comandantes de operações aéreas do Reino Unido e França, tais como o general Hugh Trenchard, estudando as estratégias bem como as aeronaves. Em pouco tempo, Mitchell já tinha experiência suficiente e começou a planejar as operações aéreas dos americanos. Mitchell rapidamente angariou reputação de um brilhante, elegante e incansável líder. Foi promovido ao posto de general-brigadeiro e assumiu o comando de todas as unidades aéreas americanas que lutavam na França. Em setembro de 1918 ele planejou e liderou cerca de 1 500 aeronaves britânicas, francesas e italianas nos combates aéreos da Batalha de Saint-Mihiel, uma das primeiras ofensivas conjugadas ar-terra da História.

Reconhecido como um dos melhores pilotos americanos de combate da guerra, juntamente com Eddie Rickenbacker, ele se tornou muito conhecido em toda a Europa. Foi agraciado com a Cruz por Distinção em Serviço (Estados Unidos), a Medalha por Distinção em Serviço, a medalha da Vitória na Primeira Guerra e várias condecorações estrangeiras. Mesmo com todo esse reconhecimento, muito de seus superiores ficaram irritados com ele durante seus 18 meses de serviço na França.

Campanha a favor dos aviões no Pós-Guerra thumb|Right|250px|Billy Mitchell e o Bluebird Vought VE-7 thumb|esquerda|250px|Coronel Archie Miller, Benedict Crowell, tenente Ross Kirkpatrick, general Wm. Mitchell e sargento E.N. Bruce

De volta aos Estados Unidos no princípio de 1919, Mitchell foi indicado ao posto de diretor-assistente do Serviço Aéreo do Exército, contrariando suas expectativas de se tornar diretor. Para esse posto, o general Pershing indicou o general-major Charles T. Menoher, egresso da Infantaria (ele comandara a 42ª Divisão de Infantaria - Divisão Arco-Íris, na França), que se tornou a principal autoridade de controle operacional da aviação das forças em terra.

Mitchell não compactuava da crença comum da época sobre a Primeira Guerra Mundial ter sido a Guerra para acabar com as Guerras.

Suas relações com os superiores continuaram a se deteriorar e ele começou a atacar os Departamentos de Guerras e Marinha pelos aperfeiçoamentos insuficientes da tecnologia aérea. Ele defendeu o desenvolvimento de novas bombas, a serem alocadas nos aviões, motores super-turbos e torpedos lançados do ar. Ele recomendou o uso de aviões pela Guarda Florestal e para o patrulhamento das fronteiras e encorajou a realização de uma corrida aérea transcontinental, nos limites do pais, além de incentivar os pilotos a conseguirem novos recordes de velocidade, resistência e altitude—ou seja, qualquer coisa que mantivesse a aviação nas manchetes.

Bombardeios aéreos simulados Em 21 de fevereiro de 1921, Mitchell estava ansioso para testar suas teorias de destruição de navios por intermédio de bombardeio aéreo. O Secretário da Guerra Newton Baker e o Secretário da Marinha Josephus Daniels aprovaram uma série de exercícios combinados do Exército com a Marinha, conhecido como Projeto B, tendo como alvos armazéns e navios bélicos capturadas do inimigo e desativados. thumb|right|Charge de 1921 do Chicago Tribune Mitchell estava convencido que investir em navios encouraçados não era o ideal e que esse dinheiro deveria ser usado para melhorar a aviação militar. Acreditava que os aviões antinavios poderiam defender a costa americana da mesma maneira e com menos custos do que a cara combinação de canhões e navios. Mil aviões bombardeiros poderiam ser construídos com o mesmo custo de uma belonave de guerra.U.S. Centennial of Flight Commission: Billy Mitchell Sinks the Ships Mitchell enfurecera a Marinha ao afirmar que podia afundar navios "em condições de guerra" e poderia provar isso usando os navios alemães capturados, em simulações.

A Marinha concordou com relutância com a demonstração, depois que a Imprensa noticiara sobre seus próprios testes. A velha embarcação de guerra Indiana que estava estacionada na Ilha Tangier na Virginia, fora afundada em 1 de novembro de 1920 pelos próprios aviões das Forças Navais. Daniels esperava que Mitchell fracassasse com base nas conclusões de um relatório escrito pelo capitão William D. Leahy que começava dizendo que "O experimento apontara para a impossibilidade de um navio de guerra moderno ser destruído ou posto a pique pelo uso de bombas aéreas." Quando o New York Tribune revelou que os "testes" da Marinha usaram bombas falsas e que o navio na verdade fora afundado com explosivos a bordo, o Congresso expediu duas resoluções exigindo novos testes e tirando o controle dos mesmos das autoridades navais.John T. Correll, "Billy Mitchell and the Battleships", AIR FORCE Magazine, junho de 2008, pp. 64-65.

Nas negociações para os novos testes, ficou acertado que a Imprensa não os noticiaria até que todos os dados fossem analisados e que só os relatórios oficiais poderiam ser divulgados; Mitchell sentiu que a Marinha queria ocultar os resultados. Foi pedida a demissão de Mitchell uma semana antes do começo dos testes devido as reclamações da Marinha contra as críticas de general mas o novo Secretário da Guerra John W. Weeks desistiu quando percebeu que ele tinha a opinião pública e a mídia do seu lado.Correll, "Billy Mitchell and the Battleships", p.66.

Primeira Brigada Aérea Provisória Em 1 de maio de 1921, Mitchell formou a Primeira Brigada Aérea Provisória, com tripulação de ar e terra com 125 aviões e 1 000 homens vindos de Langley, Virginia, usando seis esquadrões do Serviço Aéreo: Escola de Oficiais de Campo do Serviço Aéreo, Base Aérea de Langley, Virgínia, caças SE-5) 50º Esquadrão (depois 431º Esquadrão Bombardeiro) 88º Esquadrão (depois, 436º Esquadrão de Treinamento Estratégico) Grupo de Bombardeiros do Primeiro Dia (depois, 2º Grupo de Bombardeiros), Base Aérea de Kelly, Texas (SE-5, Martin NBS-1, Handley-Page O/400 e bombardeiros Caproni CA-5) 49º Esquadrão 96º Esquadrão Bombardeiro 7º Grupo de Observação, Campo Mitchell, Nova Iorque (caças DH-4 e planadores de observação Douglas O-2) Primeiro Esquadrão de Reconhecimento Quinto Esquadrão de Reconhecimento

Mitchell assumiu o comando em 27 de maio após testar as bombas, fuzis e outros equipamentos em Aberdeen Proving Ground e começou a treinar técnicas para desviar dos canhões dos navios. Alexander Seversky, um veterano piloto russo que havia bombardeado navios alemães durante a Guerra, juntou-se à equipa e fez sugestões de que as bombas deveriam ser atiradas próximas dos navios para expandirem a pressão da água a ponto de romper os cascos. O capitão Alfred Wilkinson Johnson, comandante da Força Aérea, navegando pelo Atlântico a bordo do USS Shawmut, confirmou posteriormente que bombas perto dos navios poderiam infligir maiores danos do que os tiros em cheio.Vice Admiral Alfred Wilkinson Johnson, USN Ret. The Naval Bombing Experiments Off the Virginia Capes June and July 1921 (1959)

Regras A Marinha e o Serviço Aéreo tinham propósitos conflitantes. Apoiada pelo general Pershing, as regras e condições da Marinha queriam garantir a sobrevivência dos alvos, pois homens deveriam subir a bordo e determinarem os danos provocados pelo bombardeios. Os navios a serem atingidos deveriam estar a 100 braças marítimas para evitarem riscos para a navegação de outros navios. Foi escolhida uma área de 50 milhas na Baia Chesapeake. Os aviões estavam proibidos de usarem torpedos aéreos, e seria permitido apenas dois tiros em cheio com as bombas mais pesadas, com intervalo de tempo para avaliação dos danos. Pequenos navios não poderiam ser atingidos por bombas de 600 libras e os ataques poderiam ser interrompidos.Correll, "Billy Mitchell and the Battleships", pp. 65-66.