Paulo de Sacadura Cabral Portas (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 12 de setembro de 1962) é um jurista, jornalista, político e comentador português.
Biografia
Infância e juventude Nascido na freguesia de São Sebastião da Pedreira, hoje Avenidas Novas, cresce em Lisboa, no seio de uma família burguesa, rodeado por vários intervenientes na vida pública e política, porem marcada pelo casamento dos pais, que descreveria como "turbulento"
O meio social e as privilegiadas relações familiares alimentar-lhe-ão um pecoce interesse pela politica, que teria desde praticamente a pré-adolescência.
O pai, Nuno Portas, um dos mais destacados arquitetos portugueses do século XX, teria, entre outras responsabilidades, o cargo de Secretário de Estado da Habitação, durante os três primeiros governos provisórios da Revolução de 25 de Abril de 1974, de Adelino da Palma Carlos e Vasco Gonçalves.
O tio, Carlos Portas (irmão mais velho do pai), engenheiro agrónomo, foi Secretário de Estado da Estruturação Agrária no I Governo Constitucional, de Mário Soares.
O avo paterno, Leopoldo Barreiro Portas (filho de espanhóis da Galiza imigrados em Portugal), tinha sido Presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa e Procurador da Câmara Corporativa, durante o Estado Novo.
A mãe é a economista Helena de Sacadura Cabral, primeira mulher a ter integrado os quadros do Banco de Portugal, conhecida igualmente pela sua regular colaboração com a comunicação social.
O tio materno, Sérgio de Sacadura Cabral, diplomata, teve, entre outras responsabilidades, a de embaixador de Portugal na União Soviética.
Ainda na família materna foi seu tio-avô o piloto aviador Artur de Sacadura Cabral, que, com Gago Coutinho, foi responsável pela primeira travessia área do Oceano Atlântico.
Tem como irmãos Miguel Portas (1958-2012), que veio a ser militante fundador do Bloco de Esquerda, e Catarina Portas, jornalista, apresentadora de televisão e empresária, fundadora dos Quiosque de Refresco e das lojas A Vida Portuguesa (filha de relação de Nuno Portas com a também arquiteta Margarida Sousa Lobo.)
A escritora Maria Velho da Costa foi sua madrinha de batismo.
O seu percurso escolar e acadêmico foi realizado em instituições ligadas a Igreja Católica - estudou no Colégio de São João de Brito, de padres jesuítas, e licenciou-se em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa.
Militante da JSD e do PSD Iniciou a sua vida política na Juventude Social-Democrata, estrutura a que aderiu em 1975, tinha então apenas 12 anos de idade.
Alguns anos mais tarde, seria diretor adjunto do jornal oficial da JSD em Lisboa, então designado Pelo Socialismo.
Em 1979, aderiu também ao Partido Social-Democrata.
Chegou a disputar a liderança da Comissão Política Distrital de Lisboa da JSD.
Abandonou as duas estruturas em 1982, decisão influenciada, segundo afirmaria, pelo desaparecimento precoce de Francisco Sá Carneiro.
Percurso no jornalismo Paulo Portas estreou-se no jornalismo com apenas 15 anos de idade.
Entrou então como estagiário na redacção de O Tempo, jornal dirigido por Nuno Rocha, conotado com o Centro-Direita.
Seria, posteriormente, redator de A Tarde e do Semanário, acompanhando Vítor Cunha Rego, jornalista próximo do PS que, mais tarde, se aproximaria do projeto politico de Francisco Sa Carneiro.
O semanário O Independente Juntamente com Miguel Esteves Cardoso e Pedro Paixão, e através de estruturua de financiamento e empresa estabelecida por Luís Nobre Guedes, a SOCI, Paulo Portas foi um dos jornalistas fundadores de O Independente, em 1988.
Do ponto de vista editorial, tratava-se de um semanário que pretendia revolucionar a imprensa portuguesa, afirmando-se como um "contraponto libertário e culto face à imprensa esquerdista de então"; na descrição de Filipe Santos Costa — autor do livro editado em 2015, O Independente. A máquina de triturar políticos — "uma vanguarda cultural e estética que não tinha lugar na imprensa tradicional".
Do ponto de vista político, seria um projeto associado à estratégia de intervenção de uma geração de jovens que não se reviam na nomenklatura herdada dos tempos da revolução.
Nesse projeto, Portas seria o artífice jornalístico e Nobre Guedes — fundador e primeiro administrador da SOCI, que venderia a Miguel Pais do Amaral, em 1991 —, o artífice empresarial.
No "Indy", acrônimo pelo qual o jornal também era conhecido, Portas torna-se protagonista de violentas críticas e denúncias contra os governos de Aníbal Cavaco Silva e os seus ministros (Miguel Cadilhe, Jorge Braga de Macedo, João de Deus Pinheiro, entre outros). Várias vezes, os artigos de Politica do jornal o levam ao banco dos réus, mas deles quase nunca sai vencido.
Ganharia assim notoriedade e projeção mediática.
Pela mesma altura, a par do jornalismo, lecionou, na Universidade Moderna de Lisboa, a disciplina de História das Ideias Políticas, e fundou a Amostra, centro de sondagens da mesma instituição, que também dirigiu.
Carreira política Em 1995 Paulo Portas abandona a direção d'O Independente e, contradizendo o que afirmara em diversas entrevistas — chegara a afirmar-se "geneticamente anti-poder" —, inicia uma carreira politica.
O partido que o acolhe é o CDS, do qual já estava próximo, desde a liderança de Manuel Monteiro. Portas fora um dos estrategos de Monteiro, apoiando-o na revisão da orientação política do partido, que se assumia agora como liberal e anti-federalista, e com a nova designação de CDS – Partido Popular.
Manuel Monteiro inclui Portas nas listas do CDS-PP como cabeça-de-lista no Círculo de Aveiro, às legislativas de 1995, sendo assim eleito deputado à Assembleia da República.
As campanha eleitoral é marcada por uma polemica. Num circulo em que também concorriam Carlos Candal e José Pacheco Pereira, cabeças-de-lista do PS e do PSD, respetivamente, Candal será autor de um sarcástico texto, intitulado Breve manifesto anti-Portas em Português suave. Nele, o autor chamava "menino da mamã" a Portas e, nas entrelinhas, insinuava que seria apoiado pelo lobby gay. Por causa desse texto polémico, o líder do PS António Guterres vê-se forcado a retirar a confiança política a Candal.
Primeiro ciclo de liderança do CDS - Partido Popular (1998-2005) Incompatibilizado com Manuel Monteiro, disputou em 1998 a liderança do CDS-PP à sua sucessora designada, Maria José Nogueira Pinto, que derrotou.
Iniciava assim um longo percurso à frente do CDS-PP — as vitórias nas eleições internas de 1998, 2000, 2002, 2004, 2007, 2009, 2011 e 2013 fariam dele o líder partidário com mais tempo no poder: 18 anos, com um intervalo de dois, entre 2005 e 2007.
Candidato a eleições autárquicas, legislativas e europeias, Paulo Portas foi eleito deputado à Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis (1997-2001), deputado ao Parlamento Europeu (1999) e vereador da Câmara Municipal de Lisboa (2001), depois de ter encabeçado a lista do CDS a essa autarquia.
Acumulou ainda o cargo de presidente do partido com o de presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP (1999-2001).
Tentativa de coligação com o PSD de Marcelo Rebelo de Sousa Pouco tempo depois de ter formado uma pré-coligação com o PSD de Marcelo Rebelo de Sousa, intitulada «Alternativa Democrática», para enfrentar o PS de António Guterres, nas eleições legislativas de 1999, o PSD abandonou o projeto e Marcelo Rebelo de Sousa acabaria mesmo por se demitir da liderança do partido.
Como pano de fundo estavam os boatos que corriam sobre a ligação de Portas à Universidade Moderna de Lisboa, instituição cujos dirigentes se viram envolvidos num conjunto de irregularidades e desvio de dinheiros.
Marcelo resistia a defender Portas nesse transe e a quebra de confiança fez com que o projeto da Alternativa Democrática morresse ali.
Estreia no governo, com José Durão Barroso A estreia de Portas em funções de governo viria a dar-se com Durão Barroso.
A coligação com o PSD foi celebrada na sequência das eleições legislativas de 2002, em que o PSD saiu vitorioso, mas sem alcançar a maioria absoluta. Paulo Portas e Durão Barroso fizeram essa coligação pós-eleitoral, que levou o líder centrista a assumir o cargo de Ministro de Estado e da Defesa Nacional (2002-2004) do XV Governo Constitucional.
A seguir, com a indigitação de Pedro Santana Lopes na chefia do Governo, Portas foi empossado como Ministro de Estado, da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar (2004-2005) do XVI Governo Constitucional.
Demissão de líder do CDS-PP Nas eleições legislativas de 2005, não conseguindo o objetivo de obter 10% dos votos e evitar a maioria absoluta do Partido Socialista, pediu a demissão do partido.
Na disputa pela sucessão, os portistas uniram-se em torno de Telmo Correia. Seria porem José Ribeiro e Castro a sair vencedor das diretas, acabando nomeado líder no 26.º congresso do partido, em Gondomar.
Em 2005, Portas foi distinguido pelo Secretário da Defesa dos Estados Unidos da América, Donald H. Rumsfeld, com a medalha 'Distinguished Public Service Award'.
Segundo ciclo de liderança do CDS - Partido Popular (2007-2016) Em 2007 Portas voltaria com uma candidatura à Comissão Política Nacional do CDS-PP.
Impede então que José Ribeiro e Castro renove o seu mandato, obtendo quase 75% dos votos sobre este.
No intervalo, dedicara-se à análise da atualidade política, com um programa na SIC Notícias, mas não deixara o Parlamento, onde se destacava em calorosos debates com José Sócrates e os seus ministros.
Nesses anos critica fortemente as políticas de austeridade e os cortes nos apoios sociais; faz denúncias sobre a ASAE ou do Ministro da Agricultura Jaime Silva, quando Portugal teve de devolver os fundos comunitários para a agricultura, por falta de abertura de concursos; critica os projetos de obras públicas que provocariam um aumento da despesa pública.
Enquanto isso o PSD vivia lutas internas e disputas sucessivas de liderança - de Marques Mendes a Luís Filipe Menezes; de Manuela Ferreira Leite a Pedro Passos Coelho.
Reeleito deputado nas eleições legislativas de 2009, os jornalistas alimentam especulações sobre se Portas aceitaria coligar-se com Sócrates, perante o facto de o PS vencer sem maioria absoluta.
As expetativas, porém, não se confirmam e Sócrates formará governo minoritário.
Ao fim de dois anos, em 2011, o CDS-PP une-se ao PSD, ao Partido Comunista, aos Verdes e ao Bloco de Esquerda na recusa de um quarto programa de austeridade (PEC), proposto à Assembleia da República pelo governo de Sócrates.
Entretanto, a necessidade de Portugal recorrer à ajuda externa (do FMI, do BCE e da UE) face à incapacidade autónoma de travar o défice das contas públicas portuguesas induziram o primeiro-ministro socialista José Sócrates a demitir-se do cargo de primeiro-ministro e obrigaram o presidente Cavaco Silva a convocar eleições antecipadas para 5 de junho de 2011.
Foi reeleito nas legislativas desse mesmo ano.
Regresso ao Governo com Pedro Passos Coelho Portas conduziu as negociações para a constituição do XIX Governo Constitucional de Portugal pelo CDS-PP com o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que culminaram na assinatura a 16 de junho de 2011 de um acordo político de governação denominado "Maioria para a Mudança".
No dia 21 de Junho de 2011, toma posse como Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros pelo XIX Governo Constitucional de Portugal.
Nestas funções, sugeriu que as Embaixadas de Portugal se tornassem locais de mostras de produtos nacionais. Posteriormente, ficou encarregue da Economia para as questões externas, até então a cargo do Ministério da Economia e de Álvaro Santos Pereira.
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