Colégio Santa Maria é uma instituição católica de origem estadunidense fundada em 1948 e sediada na zona sul da cidade de São Paulo, Brasil e fundado e mantido pela Congregação das Irmãs da Santa Cruz. Inicialmente fundado como uma escola exclusivamente feminina, o colégio expandiu sua oferta educacional ao longo dos anos, incluindo cursos culturais, programas para crianças menos favorecidas e uma Pré-Escola.
Localizado no bairro Jardim Marajoara, zona sul de São Paulo, o colégio ocupa um campus de 180 mil m², com cinco prédios projetados por arquitetos como Plínio Croce, Roberto Aflalo e Gian Carlo Gasperini, além de possuir amplas áreas verdes. Oferece ensino infantil, fundamental, médio e supletivo noturno, atendendo cerca de 3.500 alunos e sendo atualmente dirigido pela Prof.ª Dra. Flávia Cristina Faria Dias.
miniaturadaimagem|Corredores Arborizados|274x274px História Em 1947, nos Estados Unidos, a Congregação das Irmãs da Santa Cruz estendeu seu campo missionário de ação, enviando um grupo de Irmãs, Sister Charlita Enright, Sister Olivette Whalen, Sister Caecilius Roth e Sister Armella Guerrero a São Paulo buscando atender às necessidades do povo e da Igreja, tais como educação escolar e catequese. miniaturadaimagem|Chegada das irmãs ao Brasil em 1947Com a ajuda do Pe. Lionel Corbeil, foi-lhes cedida a casa de Vila Betânia, onde montaram uma escola para moças. Naquele tempo, as jovens que terminavam o curso ginasial dificilmente continuavam os estudos. Em Vila Betânia, recebiam-se essas jovens que aprendiam religião, arte, decoração e praticavam diferentes modalidades esportivas. As religiosas desejavam, porém, um trabalho mais atuante e profícuo.
Em 1948, as irmãs iniciaram três projetos educacionais: um curso de cunho cultural para moças da classe alta daquela época, uma escola para crianças menos favorecidas e uma Pré-Escola, que ao longo de sua história tem se proposto a garantir uma educação de qualidade e a desenvolver valores éticos essenciais na formação da pessoa, seguindo os princípios filosóficos e pedagógicos de Padre Moreau.
Em 1976, durante a Ditadura militar brasileira, o Colégio Santa Maria sediou a "Assembleia do Povo" organizada pelo Movimento Custo de Vida (MCV), que reuniu entre 4 e 5 mil pessoas, principalmente mulheres de bairros da periferia de São Paulo, com apoio das Comunidades Eclesiais de Base.
O colégio foi dirigido por muito tempo por Sister Anne Veronica Horner Hoe (1948-2019) e Sister Diane Clay Cundiff (1945), que se aposentou do cargo no fim de 2025.Informado por nota enviada pela escola
O hino oficial do colégio é a canção The Bells of Saint Mary's composta por A. Emmett Adams em 1917.
Projetos Sociais e Voluntariado alt=Alunos do Colégio Santa Maria SP no Vale do Ribeira|miniaturadaimagem|Alunos do Colégio Santa Maria SP no Vale do Ribeiraalt=Crianças do Vale do Ribeira brincando com alunos do Colégio Santa Maria|miniaturadaimagem|Crianças do Vale do Ribeira brincando com alunos do Colégio Santa MariaO voluntariado na instituição é integrado ao currículo escolar por meio de componentes como o Ensino Religioso e os Cursos Livres.
Projetos de Inserção Social Viagens ao Vale do Ribeira: Destinadas a alunos do 9º ano e do Ensino Médio, além de ex-alunos. O projeto envolve vivências comunitárias e trabalhos práticos em cidades da região. Educação de Jovens e Adultos (EJA): O colégio mantém uma modalidade de EJA gratuita que atende centenas de alunos. A comunidade escolar frequentemente se mobiliza em campanhas de arrecadação de donativos (alimentos, roupas e itens de higiene) especificamente para as famílias atendidas por este programa.
Campanhas de Solidariedade A escola organiza anualmente um calendário de campanhas que envolvem desde a Educação Infantil até o Ensino Médio:
Campanha da Fraternidade: Alinhada ao tema proposto pela CNBB, gera reflexões e ações práticas de arrecadação. Restauração de Brinquedos: Iniciativa que envolve os alunos pequenos na coleta e reparo de brinquedos usados para doação a comunidades carentes. Rede Solidária e Sustentabilidade: O projeto "Sustenta", gerido por alunos, une a conscientização ambiental ao impacto social, promovendo a captação de recursos para melhorias em comunidades e campanhas de saúde pública (como a prevenção de arboviroses).
Cursos Livres e Monitoria Dentro da estrutura de Cursos Livres, a Inserção Social é oferecida como uma opção de formação prática. Estudantes atuam como monitores em projetos de empreendedorismo social e apoiam atividades pedagógicas voltadas para crianças de escolas públicas.
Festa junina alt=Dança da Festa Junina dos alunos do Colégio Santa Maria, São Paulo|miniaturadaimagem|Dança da Festa Junina dos alunos do Colégio Santa Maria, São Paulo alt=Dança da Festa Junina dos alunos do Colégio Santa Maria, São Paulo|miniaturadaimagem|Dança da Festa Junina dos alunos do Colégio Santa Maria, São Paulo Festa Junina do Colégio Santa Maria é um evento de caráter cultural e comunitário realizado anualmente, sendo reconhecido pela revista Veja São Paulo.
As apresentações de danças típicas envolvem alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio e são estruturadas a partir de eixos temáticos anuais, que buscam abordar a cultura de diferentes regiões do Brasil ou de outros grupos étnicos.
O evento também conta com a participação de ex-alunos em apresentações específicas. Essa prática é utilizada pela instituição como um mecanismo de preservação da memória escolar e de manutenção de vínculos entre diferentes gerações de egressos.
Novo Ensino Médio O Colégio passou por diversas reformulações quanto a sua proposta para o ensino médio após a aprovação do Novo Ensino Médio, hoje oferecendo atividades no sistema de itinerários formativos, além da carga horária geral. Também são realizadas atividades organizadas pelos próprios alunos, como o Grêmio Estudantil (que realiza eleições periódicas para escolher sua chapa representante, sendo a atual a chapa Tekoá) , coletivo Santa Sonoridade (coletivo feminista) e o Santa Post (um jornal interno no Santa Maria).
Controvérsias
Casos de bullying Notam-se diversos relatos de bullying registrados em sites de avaliação de instituições de ensino, embora sejam realizados diálogos com os alunos voltados para essa problemática.
Paralisações dos trabalhadores em 2017, 2018 e 2019 Em 2017, no contexto das mobilizações convocadas pelas centrais sindicais contra a reforma trabalhista e da previdência propostas pelo governo Michel Temer, os trabalhadores do Colégio Santa Maria se organizaram para participar. No protesto de 15 de março,
Na greve geral de 28 de abril, a escola consta no levantamento de adesões realizado pelo Sindicato dos Professores de São Paulo (SinproSP). Contudo, a direção anunciou às famílias que abriria as portas normalmente e que, ao invés da grade curricular normal, os docentes presentes iriam promover um debate com os estudantes para a "compreensão da ideia dos processos de reforma e mudanças de lei". A opção gerou polêmica entre as famílias: na opinião de Eduardo Henriques, pai de três alunos e veterinário entrevistado pela Revista Época, "era melhor que eles tivessem aderido à paralisação ou que dessem aulas normalmente". Ao final, o Colégio Santa Maria ficou fechado no dia paralisação, mas a direção não reconheceu publicamente que seus funcionários tenham feito greve, atribuindo a interrupção das aulas à greve do transporte coletivo.
Em 2018, diante do chamado de paralisação contra a retirada de cláusulas que garantiam direitos como bolsa para filhos, recesso remunerado e semestralidade na Convenção Coletiva dos Professores, a equipe de docentes do ensino médio voltou a paralisar as aulas.
No dia de greve geral convocado pelas centrais sindicais contra a Reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro em junho de 2019, houve novamente uma paralisação parcial no Colégio Santa Maria.
Caso dos Gases (2023) Em 2023, o Colégio Santa Maria enviou um comunicado aos alunos da 6ª série do ensino fundamental orientando-os a não soltar gases na classe, pois isso atrapalharia o “desenvolvimento das aulas”. De acordo com tal comunicado, alguns alunos estavam “tendo uma postura bastante desrespeitosa com os colegas e com os professores” durante as aulas, "pois estão soltando gases durante as mesmas".
Em nota enviada ao G1, a escola afirmou que alunos de uma das turmas do 6º ano "e não de todas as classes" "estavam soltando pum deliberadamente e com frequência, para desestabilizar o ambiente de sala de aula". Ressaltou ainda que "esta única turma, e não todas, foi orientada sobre a importância de liberar os gases do ponto de vista da saúde, mas que também é possível considerar a coletividade e a maneira mais adequada de agir nessa situação".
Tal acontecimento gerou polêmica entre alunos, pais e professores; visto que ultrapassou os muros da escola e foi noticiado pela grande mídia. Mudanças nas regras do Ensino Médio sobre vestimenta adequada e calor excessivo nas salas de aula (2024) alt=Paralisação dos alunos do Colégio Santa Maria, SP após mudança nas regras para o Ensino Médio.|miniaturadaimagem|Paralisação dos alunos do Colégio Santa Maria, SP após mudança nas regras para o Ensino Médio.Em 2024, o regimento interno para os alunos do Ensino Médio foi atualizado, visando impedir que as meninas usem determinadas roupas consideradas pela instituição como inadequadas para as leis do ambiente escolar, as novas regras dizem: "Nas demais aulas e atividades escolares são permitidas apenas calça, camisa, camiseta não cavada, blusa, agasalho, vestido, saia, bermuda, macacão, no ou abaixo do joelho". A medida gerou manifestações por parte das alunas, que organizaram um protesto intitulado "Shortasso". A direção manteve o regulamento, mesmo após o recebimento de uma carta de reivindicações. Além disso, uma aluna do colégio publicou um vídeo em seu perfil no TikTok que mostra a paralisação dos alunos diante do ocorrido, tal publicação atingiu por volta de 2 milhões de visualizações. Ademais, alunos e seus responsáveis se manifestaram a respeito do calor excessivo nas salas de aula do Ensino Médio, que impossibilitava que as alunas usassem calças, por exemplo, tal indignação levou a responsável por um aluno a levantar um abaixo assinado, que atingiu por volta de 600 assinaturas.
Tentativa de edição na Wikipedia (2025) Em 12 de agosto de 2025, a conta oficial da instituição foi bloqueada pela Wikipedia após sucessivas edições que violavam as políticas de conflito de interesse.
Mudança de Gestão e Protestos (2025–2026) A partir do segundo semestre de 2025, o Colégio Santa Maria passou por uma reestruturação administrativa que gerou forte oposição de alunos, ex-alunos, pais e funcionários. O estopim das críticas foi o afastamento da Irmã Diane da direção, após mais de cinco décadas na instituição, seguido pela implementação de diretrizes que foram classificadas como "conservadoras e autocráticas" pelos alunos e pais.
Dentre os pontos de maior tensão, destacam-se:
Alterações Curriculares e Religiosas: A exclusão de disciplinas eletivas voltadas à diversidade e espiritualidade no Ensino Médio, além da implementação de ritos religiosos obrigatórios (como a oração no início das atividades e a bênção de materiais escolares, como mochilas, na entrada da escola), o que foi interpretado por pais e alunos como um distanciamento do perfil historicamente pluralista e ecumênico da instituição. Condições de Trabalho: Relatos de precarização no tratamento do corpo docente, incluindo a retirada de itens de uso comum na sala dos professores (como micro-ondas e máquinas de café) e a proibição do uso de aparelhos adquiridos pelos próprios funcionários. Gestão de Pessoas: Demissões consideradas arbitrárias e a imposição de uma hierarquia rígida, que teria dificultado o diálogo direto entre a direção e os professores.