A Batalha do Mar de Coral foi uma batalha naval travada no Mar de Coral, ao largo do Arquipélago das Luisíadas, no Oceano Pacífico, entre 4 e 8 de Maio de 1942, entre forças norte-americanas e australianas, pelos Aliados, e navios da Marinha Imperial do Japão. Esta foi a primeira batalha da guerra em que aviões embarcados de ambos os lados em combate atacaram os porta-aviões inimigos.
Mar de Coral foi a primeira ocasião, em toda a guerra, na qual uma força naval japonesa se confrontou com uma oposição séria - e muitas fraquezas foram aí reveladas. Os norte-americanos, embora ainda inexperientes em combate aeronaval e mesmo sofrendo a perda do porta-aviões USS Lexington, afundaram o porta-aviões japonês e danificaram outros dois, o e o , obrigando-os a retornar aos estaleiros japoneses para longos reparos, ficando impossibilitados de participar na Batalha de Midway, um mês depois.
Acontecimentos no Mar de Coral Preparativos da guerra
Enquanto se davam os preparativos para a Operação Midway, um evento que teria profundo efeito sobre seu resultado estava ocorrendo a 4 800 km de distância, nos acessos ao nordeste da Austrália.
Após a excursão da frota do almirante Chūichi Nagumo ao Oceano Índico, os japoneses haviam decidido ampliar seu perímetro de defesa, mesmo sem esperar que já estivessem consolidadas suas conquistas no Sudeste Asiático. Tropas foram desembarcadas nas ilhas Salomão e na Nova Guiné. O objetivo principal era Port Moresby, na Nova Guiné, porque esta era a única base aérea de onde os aviões aliados continuavam atacando as forças avançadas japonesas.
Rabaul, cidade e porto que o Japão capturara em janeiro de 1942, dava-lhe uma base que dominava a curva norte do Mar de Coral, às vezes chamada Mar das Salomão ou Mar de Bismarck. Rabaul estava perigosamente próximo da Austrália e os planejadores de guerra do Japão tinham considerado ser possível rodear a extremidade da Nova Guiné e penetrar nas águas livres do Mar de Coral. Se tudo corresse bem, as tropas do Mikad poderiam deslocar-se para o sul até Nouméa, capital da Nova Caledônia, a orla sul do Grande Recife de Coral. No final do ano, os canhões e aviões do Japão poderiam pôr sob controle todas as regiões daquela zona.
Esta era uma teoria militar atraente e o plano que a tornaria realidade era bastante razoável. A única dificuldade é que os americanos sabiam a respeito. Os criptógrafos da Marinha dos Estados Unidos haviam decifrado quase todos os códigos secretos do Japão e quando Tóquio mandou o sinal do "Plano MO" para os comandantes subordinados, o Serviço de Informações norte-americano estava na escuta.
Originariamente, o plano consistia de um ataque que culminaria na ocupação de locais australianos bem meridionais, como Townsville, em Queensland. Mas quando os generais japoneses disseram que não podiam fornecer tropas para uma invasão da Austrália, adotou-se um plano menos ambicioso - ligado à Operação Midway. Este referia-se a desembarques nas Novas Hébridas e na Nova Caledônia, destinados a isolar a Austrália e colocar seus portos setentrionais ao alcance dos japoneses. Tulagi, do outro lado da ilha de Guadalcanal, nas Salomão Meridionais, também seria invadida.
Objetivo da Força-Tarefa japonesa Mas o objetivo principal era Port Moresby e a força japonesa destinada à operação foi dividida em seis grupos:
Força de Invasão de Tulagi, que se deslocaria para sudeste descendo a cadeia das Salomão a partir de Rabaul, tomaria Tulagi e instalaria uma base de hidroaviões ali. Este grupo era formado de um grande navio-transporte, dois destróieres e vários caça-minas e perseguidores de submarinos. Da base de hidroaviões em Tulagi, os imensos aerobotes Kawanishi japoneses poderiam cobrir toda a região oriental do Mar de Coral; O Grupo de Apoio da Ilha Misima, compreendendo dois cruzadores leves, um porta-aviões de hidroaviões e três canhoneiras, deveria instalar uma segunda base de hidroaviões na ilha Misima, ao largo da extremidade oriental da Nova Guiné, antes da invasão de Port Moresby. Daquela base poderiam cobrir a região ocidental do Mar de Coral; O Grupo de Invasão de Port Moresby, composto de cinco transportes, lança-minas, caça-minas e de uma cortina defensiva de seis destróieres, zarparia de Rabaul, contornaria a extremidade oriental da Nova Guiné e desembarcaria tropas em Port Moresby. O Grupo de Cobertura de Port Moresby, compreendendo o porta-aviões leve Shoho e quatro cruzadores pesados, ficaria ao largo de Port Moresby e protegeria o comboio de invasão; A Força-Tarefa de Porta-Aviões - os dois grandes porta-aviões Zuikaku e Shōkaku, transportando um total de 42 caças, juntamente com dois cruzadores pesados, seis contratorpedeiros e um petroleiro - travaria combate com os porta-aviões americanos se estes tentassem interferir na operação de desembarque; A Flotilha Aérea Baseada em Terra, com quase 150 aviões navais, localizada em Rabaul, tinha ordens de apoiar os navios em alto-mar sempre que fosse necessário. Com um raio de ação de 1 000 km, estes aviões podiam alcançar Tulagi e Port Moresby.
Otimismo japonês De acordo com o cronograma japonês, Tulagi seria ocupada a 3 de maio e o Grupo de Invasão de Port Moresby partiria de Rabaul a 4 de maio, dando início aos desembarques a 7 de maio. Naturalmente, que os japoneses esperavam a intervenção dos americanos. Quando estes de fato aparecessem, seriam atacados pelo Grupo de Cobertura (centrado no porta-aviões leve Shōhō) pelo oeste e pela Força de Porta-Aviões (o Zuikaku e o Shōkaku) pelo leste. Os americanos seriam, assim, envolvidos num movimento de pinças e destruídos com facilidade. Os porta-aviões japoneses então atacariam as bases aliadas na Austrália Setentrional e o Grupo de Invasão de Tulagi se deslocaria para nordeste a fim de ocupar as ilhas Odan e Nauru.
Mas o almirante Chester W. Nimitz soube de tudo isto no momento em que os comandantes japoneses participantes da operação eram informados. Seu único problema era como reunir forças suficientes a tempo de neutralizar o ataque japonês. Dos cinco porta-aviões da esquadra do Pacífico, o USS Saratoga, torpedeado em janeiro, ainda estava sofrendo reparos em Puget Sound; o Enterprise e o USS Hornet só retornariam do Ataque Doolittle para Pearl Harbor a 25 de abril e não poderiam reabastecer-se e chegar ao Mar de Coral, a 4 800 km, a tempo de oferecer ajuda.
Somente o USS Yorktown, núcleo da força sob comando do contra-almirante Jack Fletcher, estava no Pacífico Sul. O USS Lexington, a capitânia do Contra-Almirante Aubrey Fitch, estava em Pearl Harbor recebendo novos canhões antiaéreos e a única outra força à disposição de Nimitz era a Força 1, então em São Francisco, e formada inteiramente de couraçados obsoletos. Compreendendo que teria de depender do Yorktown e do Lexington, Nimitz ordenou a Fitch que juntasse suas forças com as de Fletcher. O cruzador , da Nova Caledônia, e dois cruzadores australianos, e , sob o comando do Contra-Almirante John Crace, também receberam ordens de juntar-se ao Yorktown no Pacífico Sudoeste. As ordens de Fletcher eram bem simples: por volta de 1 de maio ele deveria concentrar sua frota no Mar de Coral e impedir a captura de Port Moresby pelos japoneses.
Como o Zuikaku e o Shōkaku estavam destacados para participar da próxima operação de Midway, o Vice-Almirante Shigeyoshi Inouye, comandante da 4a Frota e a quem estava entregue a responsabilidade do ataque a Port Moresby, decidiu que a operação teria início a 3 de maio. Pelo final de abril ele contava com uma frota de 70 navios sob seu comando. Além do Zuikaku e do Shōkaku, tinha o porta-aviões leve Shoho, seis cruzadores pesados, quatro cruzadores leves, quinze contratorpedeiros e um tênder de hidroaviões. Para enfrentá-lo alinhavam-se os dois porta-aviões americanos, oito cruzadores (incluindo os dois australianos) e treze contratorpedeiros. Além disso, havia 484 bombardeiros e caças baseados em terra, na Austrália, que talvez pudessem contribuir para a batalha. O poder de fogo aliado era comparável ao japonês, mas os japoneses se sentiam plenamente confiantes no sucesso - conheciam a superioridade dos seus Zeros em combate. A bordo do Zuikaku, Shōkaku e Shōhō, os pilotos japoneses aguardavam com otimismo seu primeiro ataque aos porta-aviões americanos.
Os Grupos de Invasão e Cobertura de Port Moresby do almirante Inouye zarparam de Truk a 30 de abril e a Força de Porta-Aviões, sob o comando do Vice-Almirante Takeo Takagi, partiu no dia seguinte. Aparentemente, tudo estava saindo de acordo com os planos. Sabendo disso tudo com antecipação, graças ao seu Serviço de Inteligência, os americanos tinham alertado os australianos que, por sua vez, retiraram sua pequena guarnição de Tulagi, de modo que esta foi ocupada sem dificuldades e a frota de Inouye passava agora para a segunda fase da operação - o ataque a Port Moresby.
Segunda Fase da Operação thumb|350px|Mapa da batalha no Mar de Coral A 3 de maio, os aviões de reconhecimento baseados na Austrália avistaram os transportes japoneses concentrados ao largo da cabeça-de-praia de Tulagi, e Fletcher, no Yorktown, decidiu atacá-los. Antes do amanhecer de 4 de maio, 12 torpedeiros Devastator atacantes e 28 bombardeiros de mergulho Dauntless decolaram do Yorktown para o voo de 192 km sobre as montanhas de 1 800 m de Guadalcanal que os levaria a Tulagi. De acordo com os métodos da época, cada esquadrão voava para o alvo e atacava independentemente. Uma vez passadas as colinas cobertas de selva, os aviões-torpedeiros desceram ao nível do mar para os 20 km restantes até a baía.
Os japoneses julgavam que uma vez Tulagi conquistada ninguém se atreveria a atacá-la; por conseguinte, quando o ataque começou, o primeiro aviso veio do silvo dos bombardeiros de mergulho norte-americanos. Eles haviam conseguido o elemento surpresa. Mas apesar disto, os resultados do ataque foram decepcionantes. Perderam-se três aviões, mas apenas quatro barcaças de desembarque foram afundadas e um contratorpedeiro ficou avariado. Os pilotos, inexperientes, retornando jubilosos de uma missão que lhes parecera tão bem sucedida, afirmaram ter afundado ou avariado 14 navios japoneses, todos eles consideravelmente maiores do que aqueles que tinham estado em Tulagi. Até que se soube da verdade, um pouco mais tarde, os homens de Fletcher ficaram deleitados com a notícia, pois parecia que a frota japonesa no Mar de Coral fora virtualmente aniquilada. Mas a ilusão não demorou a desaparecer.
A atração dos japoneses para o confronto O Almirante Yamamoto também ficou encantado com a noticia de que os americanos haviam atacado Tulagi, pois isto significava que a batalha entre os porta-aviões americanos e japoneses não demoraria muito. Os porta-aviões de Takagi, que naquele momento estavam ao norte das Ilhas Salomão, receberam ordens de se dirigirem para o sul e atacar os americanos. Entrementes, o comboio de transporte de tropas para Port Moresby, protegido pelos cruzadores e pelo porta-aviões Shōhō, do Almirante Goto, deveria prosseguir.