A história da França tem suas raízes no período Paleolítico, ainda na Pré-história. As culturas mais antigas são as do paleolítico (-), que deixaram rica herança artística de pinturas rupestres, como as de Lascaux. Os gregos, no , estabeleceram uma colônia em Marselha e negociaram com o interior através do vale do Ródano. No a cultura de La Tène se estendeu do leste da Gália a todo o resto do mundo celta.

As fronteiras da França moderna são muito semelhantes às fronteiras da antiga Gália, território habitado pelos gauleses, de origem celta. A Gália foi conquistada pelos romanos no , e os gauleses acabaram por adoptar a cultura e a língua latina. Em , os romanos ocuparam Marselha, a que chamaram Massília, e fundaram outros assentamentos no interior, que constituíram a base territorial da província romana da Gália Narbonense. Júlio César conquistou o resto da Gália entre 58 e , consolidando o poder romano.

thumb|300px|Território francês de 985 a 1947 em escuro. Em verde ganhos de territórios e em vermelho perdas

Apesar de a monarquia francesa ser muitas vezes datada do século V, a existência da França como país costuma ser fixada no século IX com o Tratado de Verdun, que definiu a partilha do Império Franco de Carlos Magno nas porções ocidental, central e oriental (a central foi absorvida pelas outras duas). A parte oriental pode ser considerada a origem histórica da Alemanha; já a parte ocidental formou o país que viria a ser conhecido como França.

Pré-História thumb|esquerda|200px|Pinturas rupestres em Lascaux.

Os primeiros povoadores da França são grupos nômades que se dedicavam à caça e à colheita e deram início à indústria lítica (período Paleolítico inferior): desenvolvem ferramentas de pedra, inicialmente lascadas e depois polidas. Há entre e anos os utensílios diversificaram-se; o homem de Neandertal tinha um habitat organizado e praticava o culto aos mortos. As principais jazidas são as de La Chapelle-aux-Saints, Moustier, La Ferrassie, Arcy-sur-Cure e Biache-Saint-Vaast (Paleolítico médio). Há entre e anos, surge o Homo sapiens sapiens; a indústria lítica comporta o corte de metais e nasce a manufatura de artefatos de ossos. Observam-se manifestações artísticas como as pinturas de cenas mágicas nas paredes das cavernas onde se refugiam frequentemente (pinturas rupestres de Lascaux, Font-de-Gaume, Niaux) e a arte mobiliária de Eyzies, Madeleine etc. (Paleolítico superior). Ao pé do monte de Solutré (centro da França), foram descobertos restos de milhares de cavalos selvagens presos em currais durante as gigantescas caçadas organizadas por estes caçadores pré-históricos, que enfrentavam também animais como os mamutes. No Mesolítico, sob o efeito de um clima mais suave, os caçadores-coletores evoluíram para uma economia de produção. O trabalho lítico foi renovado com a criação de indústrias microlíticas.

Os caçadores-coletores adotam paulatinamente a vida sedentária no momento da revolução neolítica, que se caracteriza, entre outras coisas, pela domesticação dos primeiros animais e pelo surgimento da agricultura; constroem cabanas e se estabelecem em pequenas aldeias. No Neolítico, as comunidades citadinas já praticavam a agricultura e caçavam com arco-e-flecha; inventaram novas formas de pesca e multiplicaram as inovações técnicas.

No III milênio (Carbonífero), há o início da metalurgia com o uso do cobre. A região possuía aproximadamente 2 milhões de habitantes. Durante o II milênio (Idade do bronze), uma civilização com funções mais diversificadas organizou-se com guerreiros e mercadores, agentes comerciais em busca de metais (cobre e especialmente estanho, provenientes da Bretanha e da Grã-Bretanha). No I milênio (Idade do ferro), as civilizações de Hallstatt e de La Tène foram exímias em metalurgia e arte funerária. Essa época marcou também a chegada dos celtas.

Os Celtas e os Lígures thumb|200px|Soldados gauleses.

Vindos do norte, os novos colonizadores celtas trazem consigo as técnicas da metalurgia, da olaria, da fabricação do vinho e sua conservação em barris. Os lígures viviam frequentemente em casas construídas sobre estacas à margem dos lagos. A arte celta reproduz animais de maneira estilizada em objetos pequenos como joias e fivelas. Até o , a França abarca uma multidão de povos ou etnias celtas, os gauleses, sendo que suas tribos eram lideradas por chefes militares (os reis) ou religiosos (os druidas).

A Gália Romana

O imperialismo romano encontra rapidamente a resistência gálica encabeçada por um carismático chefe, Vercingetórix. Finalmente, este tem que render-se ante Júlio César depois do sítio de Alésia para evitar que seus homens pereçam de fome. A Gália se converte em uma província romana e é então que se desenvolvem as características de uma civilização refinada que muitas cidades francesas ainda conservam: banhos públicos, aquedutos, fontes, teatros…

As Invasões dos Bárbaros

Entre os anos de 406 e 420 d.C., o Império Romano cede por todas as partes às pressões dos bárbaros germânicos do Norte e do Leste. A França é invadida pelos burgúndios, vândalos, visigodos, ostrogodos e, finalmente, pelos francos. No entanto, o sistema imperial permanece na aparência, e os administradores romanos recrutam bárbaros como mercenários. Estes últimos são os que permitem resistir à expedição dos hunos, encabeçada por Átila, que conduz suas tropas às portas de Paris. Os defensores da cidade são animados por Santa Genoveva. Os hunos foram detidos nos campos catalônicos.

Os Francos

Clóvis, neto de Meroveu, chefe de um novo grupos de francos que utilizavam uma arma particular, a francisca, derrotou o último exército romano estabelecido na Gália; os germanos e os burgúndios são também rechaçados; os visigodos são repelidos até o sul dos Pirenéus depois da grande batalha de Vouillé em 507. Em 486, Clóvis recebe o batismo católico. Eleito "rei dos francos" segundo a tradição germânica (seus guerreiros o carregam e o levam no alto sobre os escudos), seu poder sobre o conjunto dos habitantes da França é legitimado em 510 quando recebe, de Roma, as insígnias de Cônsul Honorário. Os franceses modernos de origem europeia são descendentes dos antigos habitantes gauleses, dos colonizadores romanos que permaneceram na Gália após a perda da soberania do Império Romano na região e dos invasores francos, a cultura galo-romana permaneceu como a dominante e começou a se fundir com as cultura dos invasores francos, o latim continuou como o idioma dominante da região e posteriormente o latim vulgar local deu origem ao francês.

Os Merovíngios thumb|direita|200px|Carlos Martel derrotou os sarracenos em Poitiers (732).

Com a morte de Clóvis em 511, a França é repartida entre seus quatro herdeiros como se fosse uma propriedade privada. As três províncias que constituem o Império (Burgúndia, Nêustria e Austrásia) começam a lutar entre si. O período que vai de 561 a 610 é marcado pela rivalidade entre duas mulheres: Fredegunda, amante de Quilderico, rei de Nêustria, e Brunilda, esposa de Sigiberto, rei da Austrásia. Em 613, Dagoberto restabelece a unidade por pouco tempo. Após sua morte em 639, seus descendentes, os primeiros reis indolentes, deixam a condução da guerra renascente aos primeiros ministros da época, os ministros de palácio. os últimos reis merovíngios perderam a Aquitânia e a Armórica.

Os carolíngios 200px|thumb|esquerda|Carlos Magno, protetor do papado, foi coroado imperador em Roma por Leão III (800) e criou um império que se estendia do Ebro ao Elba.

Os ministros de palácio são mais poderosos e mais respeitados que os próprios reis. Em 687, Pepino de Herstal, ministro do palácio de Austrásia, põe fim ao reino de Austrásia e unifica os ministérios do palácio dos três reinos. A partir desse momento, só existirá um rei (o de Nêustria) e um só ministro de palácio (o de Austrásia), que deterá o poder real. Com a morte de Pepino de Herstal, seu filho natural, Carlos Martel, se converte no novo ministro de palácio. Carlos Martel salva a França da invasão dos árabes, derrotados perto de Poitiers em 732. Seu filho, Pepino o Breve, destrona o último rei merovíngio, Quilderico III, raspa-lhe a cabeça como a um monge (os guerreiros francos tinham o cabelo comprido como sinal de valentia) e o tranca numa abadia. É proclamado rei e coroado em Soissons por São Bonifácio e, posteriormente, em Reims pelo Papa Estêvão III, dando início à dinastia carolíngia.

Carlos Magno

Depois da morte de seu pai, Pepino o Breve, em 758 e de seu irmão, Carlomano, em 771, Carlos Magno converter-se-ia no rei de todos os territórios francos, desde os Pirenéus até à Boêmia. Os primeiros anos do seu reinado são marcados por uma série de brilhantes campanhas militares, com as quais consegue a ampliação das fronteiras. Carlos Magno reconstitui de fato a unidade política romana, pelo menos em sua extensão ocidental. Árbitro da Europa, Carlos Magno administra seus territórios através de enviados especiais, os missi dominici, inspetores encarregados de receber os impostos e de aplicar as decisões de arbitragem. Em 800 é coroado Imperador do Ocidente em Roma pelo Papa Leão III. Estimulou uma renovação cultural e artística.

O Renascimento Carolíngio

O período que vai do ano 790 a 930 se caracteriza pelo ressurgimento da civilização antiga. O apogeu cultural abarca numerosas áreas: a literatura, a filosofia, as ciências, as artes, a arquitetura e a indústria têxtil. Este apogeu cultural se faz acompanhar de um apogeu econômico baseado em uma administração centralizada: ordens escritas, inventários e uma contabilidade que substitui os relatórios orais. Os administradores são formados nos mosteiros ou nas escolas de palácio, cujo modelo se estende ao povoado. Em nível político, o feudalismo começa a substituir a vassalagem, simples justaposição de relações de "homem a homem". A partir desse momento, os laços de dependência se materializam mediante a atribuição ao vassalo de um pedaço de terra chamada feudo, tomando das propriedades do senhor feudal, a quem está ligado.

Os Últimos carolíngios e os Normandos

Carlos Magno morre em 814, e seu filho Luís, o Piedoso empreende novas partilhas que provocam disputas confusas até a aliança, em 842, entre Carlos o Calvo, e Luís, o Germânico. A versão dos juramentos de Estrasburgo, pronunciados nesse pelos soldados de Carlos, representa o primeiro texto conhecido escrito em francês. Em 843, o Tratado de Verdun divide de novo o Império em três províncias. A Lotaríngia é rapidamente desmembrada; a região que rodeia Paris se constitui num ducado da França. A disputa anárquica pela herança permite, então, as incursões de marinheiros escandinavos em todo o norte da França (911, principalmente), enquanto nascia o regime feudal. Ameaçam, inclusive, Paris e constituem, perto da desembocadura do Sena, um verdadeiro Estado: o ducado da Normandia.

Hugo Capeto

thumb|200px|Hugo Capeto.

Hugo Capeto, duque da França, aparece como o salvador do reino quando rechaça o imperador alemão Oto II, que acabava de derrotar o rei carolíngio Lotário e havia tomado Montmartre. Em 985 morre Lotário e, em 987, Luís V, último carolíngio. Hugo Capeto é eleito rei pelos nobres reunidos em Senlis. Senhor unicamente de um pequeno território próximo de Paris, Hugo Capeto tem que lutar contra vassalos muito mais poderosos que ele. Por isso a clássica pergunta do conde Adalberto: "quem te fez rei?".

Hugo Capeto sagrou seu filho rei ainda em vida para garantir o princípio dinástico. Apesar de todos seus esforços, depois do divórcio de Luís VII e Leonor da Aquitânia, cuja enorme herança meridional recai sobre a dinastia anglo-angevina, o reino Capeto é novamente reduzido a um domínio medíocre, rodeado por toda parte de principados mais vastos e mais sólidos.