História dos Bretões () é um tratado medieval sobre a história dos povos britânicos até o . A obra teve muita influência na escritura de crónicas históricas subsequentes e é famosa por conter muitas referências ao lendário rei Artur. Sua autoria, incerta, é atribuída ao monge galês Nênio.

Fontes e influência Historia Brittonum é uma compilação de dados relativos à Grã-Bretanha retirados de várias obras anteriores, muitas das quais atualmente perdidas. A Historia é, assim, uma fonte importante para o estudo dos eventos ocorridos entre os séculos V e VII nas Ilhas Britânicas, período para o qual há grande escassez de informação. Por outro lado, abundam na obra elementos fantásticos e mitológicos, o que a faz ser vista por muitos historiadores mais como uma obra de história lendária que de história factual.

Entre as fontes utilizadas contam-se a Bíblia, obras de Gildas (Da destruição e conquista da Britânia), Paulo Orósio (História contra os pagãos) e Virgílio (Eneida), além de obras hagiográficas e genealógicas, lendas, mitos, e outras obras históricas sobre a Grã-Bretanha já perdidas. A Historia Brittonum, por sua vez, foi a base de obras posteriores como a Historia Regum Britanniae (séc. XII), de Godofredo de Monmouth. A seção da Historia Brittonum sobre as batalhas travadas por Artur teve muita importância na formação das lendas e literatura sobre o mítico rei que floresceram na Idade Média.

Manuscritos e autoria Muitos manuscritos sobrevivem da Historia, classificados em 8 recensões (famílias de manuscritos) que diferem entre si em vários aspectos. Alguns manuscritos incluem uma menção ao quarto ano do reinado de Merfino de Venedócia , o que indicaria que o texto foi escrito entre os anos 829 e 830. Porém, como os eventos históricos tratados na obra terminam no , alguns pesquisadores acreditam que o texto atual da Historia pode estar baseado numa versão ainda mais antiga. De fato alguns manuscritos atribuem a obra ao filho de Urien de Rheged, um líder militar que viveu no .

Há um grupo de manuscritos que possui um prólogo elaborado, escrito em primeira pessoa, que atribui a um tal Nênio a autoria da obra. Este Nênio é identificado como um monge galês que viveu no , mas é incerto se este personagem foi realmente o autor ou se o prólogo é uma interpolação posterior. Outra possibilidade é que Nênio tenha sido um editor de uma versão mais antiga da Historia.

O manuscrito mais completo conservado atualmente, que porém não inclui o prólogo, é o chamado Harleian 3859, datado de c. 1100 e conservado hoje na Biblioteca Britânica. Além das versões em latim, há vários manuscritos com uma versão livre da Historia em irlandês médio (Lebor Bretnach) realizada no .

Texto Seguindo o manuscrito Harleian 3859, a Historia Brittonum começa com um esquema das Idades do Mundo de acordo com a Bíblia, seguido de uma descrição da Grã-Bretanha baseada em Gildas mas que incorpora elementos lendários inspirados pela Eneida de Virgílio, incluindo uma origem dos bretões a partir de um mítico cônsul romano, descendente do herói Eneias, chamado Brutus, de cujo nome derivaria o nome da ilha ("Britânia"). É descrita também a origem dos pictos e dos escotos, além da história da colonização da Britânia pelos romanos.

Segue-se o relato do reinado de Vortigerno e de como este rei britânico permitiu a chegada à ilha dos anglo-saxões liderados por Hengest, o que eventualmente levou à conquista quase total da Britânia por este povo. Essa parte está mesclada com lendas sobre a vida de São Germano, retiradas de uma Vida de São Germano, obra atualmente perdida. Também em relação a Vortigerno é narrada uma lenda sobre uma criança chamada Aurélio Ambrósio.

A obra continua com uma biografia de São Patrício e um relato das doze batalhas travadas por Artur, descrito como "dux bellorum" (líder militar) e não rei. Estas batalhas foram travadas entre bretões e anglo-saxões, e Artur aparece como um líder britânico (celta bretão) que participou da resistência à invasão da Grã-Bretanha pelos povos germânicos do continente, ocorrida a partir do . Algumas destas batalhas aparecem em outras fontes e podem ter ocorrido de verdade, como a Batalha do Monte Badon, que também é mencionada por Gildas. Toda essa parte da Historia, apesar de ser de duvidoso valor histórico, foi muito importante no desenvolvimento das lendas arturianas na Idade Média.

Segue-se uma relação sobre a história da Grã-Bretanha com genealogias de várias casas reais anglo-saxãs, incluindo informações sobre alguns reis dos bretões, seguida de uma nota sobre antigos poetas galeses como Taliesin e Aneirin. A obra finaliza com uma lista de cidades britânicas e várias lendas fantasiosas (mirabilia) oriundas da Britânia e Irlanda.

Referências Historia Brittonum na Celtic culture: a historical encyclopedia (editor John Thomas Koch). ABC-CLIO, 2006. ISBN 1851094407

Ligações externas Historia Brittonum traduzida ao inglês no Mediaeval Sourcebook Historia Brittonum em The Latin Library (em latim)

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