Pai Gomes Charinho ou Paio Gomes Charinho foi um trovador e almirante galego, nascido em Pontevedra, descendente de uma família ilustre. Viveu no final do século XIIIRamil, Maria Luz Ínsua et al. Cantigas de amor e de escarnio e Maldicir. A Coruña: La Voz de Galícia, Sem data..

Nomeado Almirante do Mar por Afonso X de Leão e Castela, foi mais tarde destituído do cargo, como ele próprio confessou num serventês em que comparava o carácter inconstante do monarca à instabilidade do mar. A sua experiência marítima reflecte-se nas interessantes barcarolas que escreveu. Amigo de Sancho IV de Leão e Castela, contou sempre com a intervenção do filho e sucessor do monarca a seu favor.

A sua obra consta de vinte e oito poesias: dezenove cantigas de amor, seis cantigas de amigoRip Cohen. 500 Cantigas d’ Amigo: Edição Crítica / Critical Edition. Porto: Campo das Letras, 2003, pp. 297-303, um serventês, uma cantiga de escárnio contra o trovador Afonso Lopes de Baião, e uma tenção, escrita provavelmente de parceria com o próprio rei Afonso X. Na sua poesia nota-se uma propensão para a melancolia e para a escolha de temas sentimentais, e a sua linguagem, mesmo nas tenções, não ultrapassa os limites do decoro, mas também não perde o seu teor mordaz.

Envolveu-se em conspirações que tiveram lugar à morte de Sancho IV, sendo em consequência assassinado. Foi sepultado no convento Franciscano de Pontevedra.

Era pai de Álvaro Pais Gomes CharinhoLetrados e Cultura Letrada (séculos XII - XIII), por Armando José Gomes do Norte, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2013.

No epitáfio acrescentado ao seu sepulcro em finais do século XV, escrito em castelhano, consta o nome de Payo Guomez Charino. Mas nos textos do próprio Pai Gomes aparecem diferentes nomes, como Pae Gomez Charinho, Paay Gomez Charinho, Pae Gomez ou Pay Gomez Gran Enciclopedia Galega, Silverio Cañada, Lugo 2003..

"Pai" seria possivelmente somente uma alcunha, ou então já, e à semelhança do sobrenome "Pais", uma corrupção de "Paio" , que por sua vez é uma corrupção de Pelágio. "Pai" não estando portanto associado ao nome comum "pai", que só se popularizaria no século XVI - apesar de haver uso esporádico com este sentido já no tempo de Charinho.

Ver também Lista de autores de língua portuguesa

Categoria:Escritores da Galiza Categoria:Trovadores da Galiza Categoria:Literatura da Idade Média