thumb|Lausanne, Suíça. Aqui Padre Pedro viveu a primeira década de sua vida. Pedro Balzi, mais conhecido como Padre Pedro (Lausanne, 21 de dezembro de 1926 - Teresina, 5 de outubro de 2009), foi um sacerdote italiano e missionário fidei donum, conhecido no Piauí pelos vários trabalhos sociais realizados na comunidade Vila da Paz, zona Sul de Teresina. A Arquidiocese de Teresina iniciou oficialmente sua Causa de Beatificação e Canonização em 20 de fevereiro de 2020, reconhecendo-o "Servo de Deus".

Primeiros anos de vida

Pedro Balzi nasceu na Suíça, filho de imigrante italianos. Iniciou os estudos numa escola pública protestante de língua francesa, ainda na Suíça; conservando no seio familiar uma profunda educação católica. Entre os colegas, sempre se destacou por sua inteligência e capacidade brilhantes. Aos 9 anos, recitava de cor toda a "poesia da Criação" do primeiro capítulo do Gênesis. Experimentou os diferentes contextos da Europa entre-guerras, vivendo a dura tensão política que se instaurou. Aos dez anos, mudou-se com a mãe e os dois irmãos para a pequena comuna italiana de onde imigrado seus pais: Ponte Nossa, na Província de Bérgamo. O pai, de quem herdara o nome, continuaria na Suíça provendo o sustento da família na construção civil. Aos 11 anos e meio, ingressa no seminário, sendo ordenado padre em 1950, aos 24 anos de idade.

No norte da Itália, Pierino "redescobre" a fidelidade de um povo simples e guardado pela devoção a Nossa Senhora. No Santuário de Ponte Nossa, a Virgem Maria derramou lágrimas de sangue pela conversão dos homens numa Aparição milagrosa em 1511. Naquela Igreja, no primeiro Natal após sua chegada, recebeu a Primeira Comunhão, tendo completado sua preparação diretamente com o Pároco, Pe. Benedetto Merati, que o considerou exemplar no conhecimento da doutrina. Em pouco tempo o menino está envolvido nas atividades paroquiais, inspirado também pelo exemplo da mãe, uma educadora formada nos oratórios salesianos e dedicada à oração. Todas as manhãs, antes de ir à escola, acompanhado de outros colegas, Pierino participa da Santa Missa, geralmente servindo o altar ou no coro. É um acólito exemplar, de coração fixo em Jesus e Maria. Vocação

Sobre os primórdios e desenvolvimento da sua vocação, o próprio Padre Pedro contou em artigo publicado na Revista Santuário da Paz: Ainda seminarista e movido de um especial anseio missionário, em 1949, foi um dos três primeiros a se apresentar para o recém-fundado “Instituto missionário do Clero diocesano de Bérgamo” – a Comunidade Missionária do Paraíso. Ordenado presbítero em 3 de junho de 1950, por Dom Adriano Bernareggi, atuou por um ano, aos fins de semana, em Mariano di Dalmine, como Vigário responsável pelas atividades pastorais com as crianças e os jovens.

Missão no Polesine italiano, Diocese de Chioggia (1951-1964)

Missão na Bolívia (1964-1986)

No início da década de 1960, ao ecoar de um convite universal do Papa Pio XII através da Encíclica Fidei Donum (1957) e inspirada pelo Papa bergamasco João XXIII, a Diocese de Bérgamo é solicitada para instaurar uma cooperação missionária na Bolívia, na capital La Paz, para a qual decide enviar sacerdotes missionários “del Paradiso”, como ficaram conhecidos. Padre Pedro parte em 1964. Assumindo a imensa Paróquia de Munaypata (“colina do amor”, em aymara), formada por um povo simples e de profundas raízes indígenas, numa renovada dinâmica eclesial proposta pelo Concílio Vaticano II, ele coordenará na função de Pároco um grande trabalho de assistência espiritual e social. Aprende a língua aymara, própria dos seus fiéis, e se lança à Missão; entende seu trabalho a outras Comunidades da Arquidiocese de La Paz e a outras Dioceses bolivianas. Motiva grupos de casais no serviço pastoral e na educação religiosa dos filhos, forma crianças e jovens nos valores da ética cristã, atende os idosos com cuidado paterno. Na área social, com recursos provenientes da Itália, constrói escolas, espaços de encontro da Comunidade e, ousadamente, o Hospital João XXIII, que agrega uma Escola de Enfermagem, onde ele mesmo chegou a lecionar a matéria de Biologia. É, entre os bolivianos, um homem presente e alegre, decidido pelo bem e pela fé católica, amigo do clero e do povo simples. Sofreu o tempo de repressão da ditadura Banzer (1971-78), quando chegou a ser detido, até que se apresentou uma intervenção do Arcebispo.

Vinte e dois anos na Bolívia não esfriaram o coração ardente do missionário que amava os pobres. Nasce em seu íntimo um desejo, entendido como um novo chamado. A situação dos excluídos no Brasil, que merece destaque na imprensa internacional, alcança Padre Pedro e o faz sofrer. O Arcebispo de Teresina, Dom Miguel Fenelon Câmara, ao conhecer o empenhado sacerdote através de uma religiosa, serve aos desígnios de Deus propondo-o um trabalho com os hansenianos em Teresina. O Piauí, estado mais pobre do país naquele instante, torna-se a nova missão do Padre bergamasco. O povo boliviano terá da sua partida apenas a lembrança de uma carta, na qual ele declara esperar todos um dia no Paraíso, do qual ele mesmo se fez missionário e para o qual quis encaminhar todos.

Mudança para o Brasil Em 1986 Dom Miguel Câmara, então arcebispo de Teresina, convidou padre Pedro a fazer o mesmo trabalho em Teresina donde se instalou em 14 de março de 1987, residindo inicialmente na própria casa episcopal.

Missão no Brasil (1987-2009) No Brasil, chegando definitivamente aos 14 de março de 1987, Padre Pedro inicia os esforços para construir o Centro Maria Imaculada, especializado no tratamento de hanseníase. Esta será a primeira de outras tantas realizações numa cidade marcada pelo preconceito, até mesmo dentro da região Nordeste. Não contentando-se com as atividades que tomavam apenas parte do seu tempo, pede ao Sr. Arcebispo uma Paróquia, onde possa exercer plenamente o seu mais frutuoso ministério, o cuidado espiritual.

A Providência encarregou-se de mostrar-lhe uma área de invasão nas proximidades do Terminal Rodoviário de Teresina. Como por uma determinação pessoal, mas certamente de origem divina, pede a Dom Miguel poder estabelecer ali a sua casa e, com a graça de Deus e a proteção da Virgem Maria, a sede de uma futura Paróquia. O Arcebispo, sempre solícito ao amigo e movido por grande caridade para com aquele povo, apoiou o Missionário. Padre Pedro vai até a conhecida invasão, chamada Vila da Paz, que já é articulada por alguns líderes; ali se comunica com alguma dificuldade, mas tudo supera com a linguagem do amor, aprendida em longos anos de oração. É acolhido com alegria em um quarto de taipa com três metros quadrados, junto à Associação de Moradores, de onde escreverá ao seu irmão, na Itália, as palavras mais belas da sua Missão no Brasil: “Giovanni, me sinto feliz, pois vivo com os pobres, que tanto amo”.

Aos 8 de setembro de 1988, com a fraterna aprovação de Dom Miguel, nasce a Paróquia Nossa Senhora da Paz, instalada oficialmente dois dias depois. Em 18 de julho do ano seguinte, era nomeado Pároco o Padre Pedro Balzi, tendo sido recomendado “à Caridade de Cristo para o crescimento do Reino de Deus naquela Comunidade”, segundo o documento de Provisão, que abraçou com indiscutível fidelidade. Com a Igreja Matriz, um Santuário dedicado a Nossa Senhora da Paz, e junto às outras Comunidades da Paróquia, surgem os prédios que abrigariam desde a Pré-Escola até o Ensino Médio oferecidos gratuitamente, as oficinas de profissionalização, os centros de saúde e reabilitação, a padaria comunitária, as quadras esportivas, o projeto Esperança (de adoção a distância e distribuição de cestas básicas), as casas de acolhimento, dentre as inumeráveis obras. Nascem ainda no coração de Deus e das mãos bondosas de Nossa Senhora, os Centros Paroquiais, as Casas de Recuperação para dependentes químicos e muitas outras generosas contribuições para o povo que aprendeu a amar como pai. (Sugestão: conferir o livro “História da Paróquia Santuário Nossa Senhora da Paz”, escrito pelo próprio Padre Pedro)

Últimos anos As doenças, uma luta constante em seu ministério, aproximam Padre Pedro dos sofredores, imitando a Cristo, também sofredor. A saúde, sempre que lhe faltava por algum tempo, era recuperada com incrível vigor e desejo de continuar fazendo bem às almas. Até que, em 27 de julho de 2009, o Pároco é internado; em pouco tempo descobre ser vítima de um câncer nos ossos. Naquele ano, concelebrou da sacristia o Festejo de Nossa Senhora da Paz, praticamente consumido em bondade. Aos 4 de outubro, domingo e dia de São Francisco, quis participar da Eucaristia no Presbitério, em seu leito, sob o olhar atento de tantos filhinhos. No dia seguinte, entregou a Deus sua alma, às 10:30h da manhã. Naquele 5 de outubro, nas Vésperas do ofício de memória de São Benedito, a Antífona do Cântico Magnificat trazia: “Servo bom e fiel, vem entrar na alegria do teu Senhor”.

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