Charles Oliveira da Silva, mais conhecido como Charles do Bronx (Guarujá, 17 de outubro de 1989), é um lutador brasileiro de artes marciais mistas (MMA) e faixa preta de 4º grau de jiu-jitsu brasileiro. Oliveira atualmente compete na divisão peso-leve do Ultimate Fighting Championship (UFC), onde é ex-Campeão Peso Leve do UFC e atual detentor do simbólico Cinturão "BMF" do UFC. Em 20 de junho de 2026, ele ocupava a 3ª posição no peso-leve do Meta UFC Rankings e a 15ª posição no ranking peso por peso masculino do UFC.
Em 16 de maio de 2021, nocauteou o americano Michael Chandler para se tornar Campeão Peso Leve do UFC, o segundo brasileiro a conquistar o cinturão nessa categoria e o 18° no UFC. Oliveira começou a treinar jiu-jitsu ainda jovem, conquistando vários títulos antes de fazer a transição para o MMA em 2007. Ativo no UFC há mais de 15 anos, detém diversos recordes na organização, incluindo o maior número de vitórias por finalização na história, com 17, o maior número de vitórias por via rápida, com 21, o maior número de bônus recebidos, com 21 e a segunda maior quantidade de vitórias entre todos os lutadores, com 24.
Biografia Charles Oliveira nasceu em uma família pobre no distrito de Vicente de Carvalho, no município de Guarujá, São Paulo, Brasil. Charles começou a jogar futebol com o sonho de se tornar um jogador profissional, mas aos sete anos começou a se sentir mal, tinha dores regulares no corpo e problemas para andar e em alguns casos não conseguia mexer as pernas. Foi diagnosticado com febre reumática e sopro no coração, que afetou gravemente seu tornozelo, o médico disse à sua família que ele poderia ficar paraplégico. Apesar de todos os desafios, Oliveira foi apresentado ao jiu-jitsu por um vizinho chamado "Paulo", enquanto sua família tinha renda muito baixa, o treinador da academia de Jiu-Jitsu, Roger Coelho, oferecia aulas gratuitas em um programa social. Sua família ajudou a financiar seu treinamento vendendo lanches de rua e papelão descartado. "Paulo", o homem que apresentou Charles ao jiu-jitsu, morreria mais tarde no meio do fogo cruzado de um tiroteio no Vicente de Carvalho, quando Charles tinha 14 anos.
Charles Oliveira começou a treinar jiu-jitsu brasileiro aos 12 anos, ganhando seu primeiro título importante na faixa-branca em 2003. Ele é um faixa preta de jiu-jitsu brasileiro sob Ericson Cardoso e Jorge "Macaco" Patino, ganhando a faixa em 2010.
Segundo ele, seu apelido de "Charles do Bronx" vem de: “Bronx é porque é favela, né? Periferia, de onde eu venho. Bronx surgiu praticamente quando eu fui lutar um torneio [amador]. Cheguei lá e só tinha cara monstro, experiente, e eu magrelo. E eles falavam para eu colocar um apelido, era só Charles Oliveira. Quando a gente ia lutar uns campeonatos de jiu-jítsu, sempre falavam 'olha os caras do Bronx aí, da favela’. Aí coloquei Bronx”.
Carreira no jiu-jítsu brasileiro Em 2004, Oliveira venceu o Campeonato de São Paulo pela segunda vez, conquistou a Copa Nação Jiu-Jitsu em 2005 e, em 2006, ganhou um total de 16 medalhas. Em 2007, ainda faixa azul, tornou-se bicampeão mundial da CBJJE, conquistando a medalha de prata no ano seguinte como faixa roxa, além de ser campeão sul-americano da CBJJE em 2008. Oliveira recebeu todas as suas graduações até a faixa marrom diretamente de Coelho.
Em 2007, Oliveira decidiu abandonar sua carreira focada exclusivamente no jiu-jitsu para dedicar-se integralmente às artes marciais mistas (MMA), buscando ampliar suas oportunidades como lutador profissional e desenvolver um estilo de luta mais completo.
Em janeiro de 2020, Oliveira participou de uma luta de grappling no evento de MMA SFT 20 contra Lucas Barros, do Demian Maia Jiu-Jitsu. A luta foi disputada com quimono (gi) em uma gaiola, sob regras da IBJJF, e Oliveira venceu por decisão.
Carreira no MMA direita|miniaturadaimagem|200px|Charles Oliveira em 2010 Começo da carreira Revelado como uma promessa ainda jovem no jiu-jitsu, Oliveira rapidamente começou a se destacar com títulos estaduais, incluindo o campeonato paulista da modalidade. O desempenho o levou, ao lado do irmão, a treinar com Jorge Patino Macaco, um veterano do MMA brasileiro, onde teve seu primeiro contato com o mundo das artes marciais mistas.
Oliveira fez sua estreia no MMA amador no Circuito Nacional de Vale-Tudo Amador, enfrentando Rui Machado. Ele venceu a luta rapidamente, aplicando uma chave de braço em apenas 15 segundos do primeiro round.
Mesmo enfrentando resistência da família, especialmente da mãe, que não gostava de vê-lo lutando MMA, Oliveira seguiu no esporte. Em março de 2008, iniciou sua carreira no MMA profissional ao ser chamado de última hora para disputar o GP da categoria meio-médio no Predador FC 9, um torneio eliminatório realizado em uma única noite, semelhante aos "Grand Prix" do Pride FC, em que os competidores precisavam vencer três lutas na mesma noite para serem coroados campeões. No primeiro combate, Oliveira derrotou Jackson Pontes por finalização (mata-leão), avançando para a semifinal. Em seguida, enfrentou Viscardi Andrade e venceu por nocaute técnico (socos) no segundo round. Na final, derrotou Diego Braga, também por nocaute técnico ainda no primeiro round, sagrando-se campeão do torneio. O prêmio em dinheiro foi usado para ajudar sua família e comprar seu primeiro videogame.
Oliveira estreou na categoria peso-leve ao derrotar o futuro lutador do UFC Medhi Bagda em Dezembro de 2008, Em seguida Oliveira entrou para outro torneio, onde ele derrotou Daniel Fernandes e Eliene Silva por Nocaute Técnico e Nocaute respectivamente.
Em março de 2009, Charles Oliveira fez sua estreia no principal evento nacional de MMA, o Jungle Fight. No card da 12ª edição da organização, realizada no Rio de Janeiro, enfrentou Carlos Soares e venceu por finalização com um triângulo invertido com chave de braço ainda no primeiro round.
Em abril de 2009, Oliveira competiu pela primeira vez fora do Brasil, no evento Ring of Combat 24, realizado nos Estados Unidos. Na ocasião, enfrentou Dom Stanco e venceu por finalização com um mata-leão aos 3 minutos do primeiro round, conquistando o cinturão peso-leve da organização. O sucesso no exterior representou um marco importante na carreira do lutador, que contou com o apoio de vizinhos e amigos para custear a viagem e demais despesas, demonstrando o reconhecimento de seu talento ainda nas etapas iniciais da carreira.
Na sequência, Oliveira lutou duas vezes no mesmo mês: primeiro finalizou o veterano do Bellator, Alexandre Bezerra, com um estrangulamento anaconda, em seguida, venceu Eduardo Pachu por decisão dividida.
Oliveira mais uma vez competiu duas vezes na mesma noite, em Fevereiro de 2010, derrotando Rosenildo Rocha por finalização (mata-leão) no primeiro round e Diego Bataglia por nocaute (bate-estaca).
Ultimate Fighting Championship
2010 Em janeiro de 2010, Charles foi nomeado como o terceiro melhor brasileiro para assistir em 2010, de acordo com o Sherdog.
Charles entrou para o UFC e fez sua estreia contra Darren Elkins. Essa luta foi originalmente marcada para o The Ultimate Fighter: Team Liddell vs. Team Ortiz Finale, mas foi remarcada para o UFC Live: Jones vs. Matyushenko devido à problemas com o visto. Oliveira derrotou Elkins por finalização (chave de braço) aos 41 segundos do primeiro round. Oliveira foi derrubado por Elkins, mas rapidamente tentou um triângulo, antes de fazer a transição para a chave de braço, forçando-o à bater. A finalização lhe rendeu o prêmio de Finalização da Noite.
Em seguida, Charles enfrentou o campeão peso leve do The Ultimate Fighter: Team Nogueira vs. Team Mir, Efrain Escudero no UFC Fight Night: Marquardt vs. Palhares substituindo o lesionado Matt Wiman. A luta, foi no coevento principal e se tornou Peso Casado após Escudero pesar . Oliveira derrotou Escudero no terceiro round por finalização via mata-leão. Oliveira foi novamente premiado com o prêmio de Finalização da Noite, pela segunda vez no UFC.
Em 11 de dezembro de 2010, no UFC 124: St-Pierre vs. Koscheck 2, Oliveira foi escalado para enfrentar Jim Miller na terceira luta mais importante da noite. Nessa luta, Oliveira foi finalizado rapidamente com uma chave de joelho no primeiro round, sofrendo sua primeira derrota profissional.
2011 Oliveira enfrentou Nik Lentz em 26 de junho de 2011, no UFC Live: Kongo vs. Barry. A luta foi encerrada no segundo round após Oliveira acertar uma joelhada ilegal em Lentz, que passou despercebida pelo árbitro, e em seguida aplicar um mata-leão, finalizando o oponente atordoado. Oliveira foi anunciado como vencedor da luta. Dias depois, ao revisar o incidente, a Comissão Atlética do Estado da Pensilvânia decidiu anular o resultado e declarou a luta como sem resultado. A intensa troca de golpes durante o combate rendeu a ambos os lutadores o bônus de Luta da Noite.
Oliveira era inicialmente esperado para enfrentar Joe Lauzon em 19 de novembro de 2011, no UFC 138. No entanto, acabou substituindo o lesionado Paul Taylor e enfrentou Donald Cerrone em 14 de agosto de 2011, UFC Live: Hardy vs. Lytle. Oliveira foi derrotado por nocaute técnico com socos no primeiro round. Após acumular uma sequência de três lutas sem vitória, sendo duas derrotas e um no contest , seu treinador afirmou que ele planejava descer para a divisão dos pesos-pena.
2012 Oliveira era inicialmente esperado para enfrentar Robert Peralta em 20 de janeiro de 2012, no UFC on FX: Guillard vs. Miller, mas acabou enfrentando o estreante Eric Wisely em uma luta no peso-pena em 28 de janeiro de 2012, no UFC on Fox: Evans vs. Davis. Oliveira venceu por finalização com uma chave de panturrilha ainda no primeiro round, sendo a primeira vez que essa técnica foi utilizada para finalizar um adversário na história do UFC. A performance lhe rendeu mais um bônus de Finalização da Noite.
Oliveira enfrentou Jonathan Brookins em 1º de junho de 2012, no The Ultimate Fighter 15 Finale. Utilizando sua velocidade para superar Brookins na trocação, Oliveira venceu a luta por finalização com um estrangulamento anaconda no segundo round.
Oliveira enfrentou Cub Swanson em 22 de setembro de 2012, no UFC 152. Logo no início do primeiro round, Swanson acertou golpes no corpo de Oliveira, que demonstrou sentir o impacto. Em seguida, Swanson conectou um cruzado de direita, levando Oliveira à lona e resultando em um nocaute. Mais tarde, Oliveira revelou que sofreu uma lesão no joelho direito minutos antes do combate, o que comprometeu sua mobilidade e desempenho na luta.
2013 Oliveira enfrentou o ex-campeão peso-leve Frankie Edgar em 6 de julho de 2013, no UFC 162. A luta foi bastante equilibrada, com Oliveira chegando perto de finalizar o americano com uma guilhotina no final do segundo round, sendo salvo pelo gongo. Apesar do bom desempenho do brasileiro, Edgar venceu por decisão unânime. Ambos os lutadores receberam o bônus de Luta da Noite pela performance apresentada.
Oliveira era esperado para enfrentar Estevan Payan em 19 de outubro de 2013, no UFC 166. No entanto, Payan foi retirado do combate devido a uma fratura no pé e substituído por Jeremy Larsen. Posteriormente, em 5 de outubro, Oliveira também precisou se retirar da luta alegando uma distensão muscular na coxa.
2014 Oliveira enfrentou Andy Ogle em 15 de fevereiro de 2014, no UFC Fight Night: Machida vs. Mousasi. Ele venceu a luta por finalização com um triângulo no terceiro round. A vitória também lhe rendeu um dos primeiros prêmios de Performance da Noite do UFC.
Oliveira enfrentou Hatsu Hioki em 28 de junho de 2014, no UFC Fight Night: Te Huna vs. Marquardt. Ele venceu a luta por finalização, tornando-se o primeiro lutador a finalizar Hioki em sua carreira. A performance lhe rendeu mais um bônus de Performance da Noite.