Quinto Horácio Flaco (em latim Quintus Horatius Flaccus, Venúsia, — Roma, ) foi um poeta e filósofo romano, amplamente reconhecido como um dos maiores e mais importantes poetas da Roma Antiga. Sua Odes exerceram grande influência na literatura e língua latina, e seu poema didático Ars Poetica é uma das bases teóricas da poesia de tradição clássica.

A obra de Horácio, assim como a de Virgílio, foi patrocinada por Caio Clínio Mecenas com o intuito de restabelecer a ordem após a consolidação do Império Romano por César Augusto. Por conta disso, ambos os poetas foram considerados, ao longo do séculos, como os maiores da Roma Antiga, no entanto, muitos críticos modernos rejeitam essa posição.

Vida Filho de um escravo liberto, que possuía a função de receber o dinheiro público nos leilões, recebeu uma boa educação para alguém com suas origens sociais, graças aos recursos que seu pai conseguiu, levando-o para Roma onde foi discípulo de Orbílio Pupilo.

Seus estudos literários de Roma foram completados em Atenas, para onde foi, aos vinte anos.

Quando em 44 a.C. eclodiu a guerra civil que se seguiu ao assassinato de Júlio César, Horácio tomou partido daqueles que participaram da morte deste, Bruto e Cássio, servindo até a Batalha de Filipos onde, ao avizinhar-se a derrota, fugiu de volta para Roma.

Já sem o pai, que havia morrido, e tendo perdido todos os bens que este possuía, que foram confiscados, Horácio conseguiu um trabalho como escriturário, tendo assim ocasião de começar a escrever suas obras literárias.

Conhece então o poeta Virgílio, que o apresenta a Mecenas que, após nove meses, o convoca para integrar o círculo de artistas protegidos, tornando-se assim um dos poetas oficiais do estado, tendo a amizade a partir dali aumentado a tal ponto que o protetor deu-lhe de presente uma vila.

Eclodem, então, as lutas de Otaviano contra Cleópatra e Marco Antônio (32-30 a.C.), tomando então Horácio entusiasta partido do primeiro que, sagrando-se vitorioso em Ácio, dele recebeu exultação pela conquista.

Tendo início o Império, e Otaviano passando a chamar-se Augusto, tem início um período de paz que o poeta louvou, agradando ao imperador que, então, lhe oferece o cargo de secretário, sendo a oferta recusada.

Também recusa os pedidos de Mecenas e Augusto para que cantasse os feitos guerreiros, preferindo exaltar o papel de pacificador do governante, dedicando-se aos poemas curtos e com temas variados.

Segundo Enzo Marmorale, Horácio “era de baixa estatura, quase gordo, moreno, de cabelos pretos, e bom orador”; mesmo havendo jurado que não sobreviveria a Mecenas, sua morte deu-se a 27 de novembro de 8 a.C., meses após o falecimento do amigo, ao lado de quem foi sepultado no Esquilino.

Filosofia epicurista Alguns de seus poemas são apontados como exemplos do impacto da filosofia epicurista na Roma Antiga.WOODMAN, Tony & FEENEY, Denis (ed.). Traditions and Contexts in the Poetry of Horace. Cambridge: Cambridge University, 2002. Não sendo um filósofo ele mesmo no sentido estreito do termo, ele se mostrou um filósofo ao não evitar o tema em seus poemasMOLES, John. Poetry, philosophy, politics and play. In: WOODMAN, Tony & FEENEY, Denis (ed.). Traditions and Contexts in the Poetry of Horace. Cambridge: Cambridge University, 2002.p. 157. Alguns temas epicuristas destacam-se em sua obra, como a importância em se aproveitar o presente (carpe diem), o reconhecimento da brevidade da vida (memento mori) e a busca pela tranquilidade (fugere urbem).

Bibliografia thumb|Saturae, 1577 Sua obra pode ser dividida em quatro gêneros:

Sátiras ou sermones — Retrata ironia de seu tempo dividida em dois livros escritos em hexâmetros. Baseado em assuntos literários ou morais, discute questões éticas. Odes ou Carminas — Divididos em quatro livros de longos poemas líricos sobre assuntos diversos, geralmente sobre mitologia. Também em hexâmetros. Epístolas ou cartas — Dois livros feitos de coleções de cartas sobre vários assuntos. Dentre elas destaca-se a maior, a Epístola aos Pisões, conhecida como Arte Poética. Epodos ou iambos — Um livro somente, com 17 pequenos poemas líricos escritos na mocidade sobre assuntos de Roma e imitava, tanto na métrica quanto no estilo satírico, o poeta Arquíloco.

Livros (35 a.C.) Sermonum liber primus ou Sátira I (30 a.C.) Epodos (30 a.C.) Sermonum liber secundus ou Sátira II (23 a.C.) Carminum liber primus ou Odes I (23 a.C.) Carminum liber secundus ou Odes II (23 a.C.) Carminum liber tertius ou Odes III (20 a.C.) Epistularum liber primus (18 a.C.) Ars Poetica, ou Epístola aos Pisões (17 a.C.) Carmen Saeculare ou Canto secular (14 a.C.) Epistularum liber secundus (13 a.C.) Carminum liber quartus ou Odes IV

Ver também

Epicuro Virgílio Mecenas César Augusto Dulce et decorum est pro patria mori Fugere urbem

Ligações externas UFRGS - Biografia Mundo Cultural - Horácio Obras de Horácio: textos com concordâncias e lista de freqüência Arte poética em latim no Perseus Project Carmina em latim no Perseus Project Horácio - Arte Poética (Tradução de Cândido Lusitano) - em Bibliotrónica Portuguesa Obras de Horácio na Biblioteca Nacional de Portugal

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