Conde de Santiago de Beduído foi um título nobiliárquico português, criado por carta de 12 de novembro de 1667 do rei D. Afonso VI a favor de D. Lourenço de Sousa da Silva e Meneses, comendador de Santiago de Beduído na Ordem de Cristo, comenda hereditária na sua Casa. O título tomou o nome da localidade de Santiago de Beduído, então descrita como vila da província da Beira.

Transmitido na descendência do primeiro titular até ao final do século XVIII, passou no século seguinte para a Casa dos marqueses de Pombal, por via da incorporação dos vínculos da família, e foi renovado pela última vez em 1906.

miniaturadaimagem|261x261px|D. António de Carvalho e Melo Daun Albuquerque e Lorena, 6.º marquês de Pombal e 5.º conde de Santiago de Beduído, com o uniforme e as insígnias de bailio da Ordem de Malta (1899)

História O 1.º conde, D. Lourenço de Sousa da Silva e Meneses (m. 1675), era filho de Aleixo de Sousa da Silva e Meneses, 5.º aposentador-mor, senhor de Alfaiates e do reguengo de Arronches e comendador de Santiago de Beduído e de Guilhofrei na Ordem de Cristo, comendas hereditárias na sua Casa, e de sua mulher, D. Luísa de Távora.

O 1.º conde foi 6.º aposentador-mor da Casa Real, cargo em que serviu D. João IV, senhor do reguengo de Arronches e de Estarreja e comendador das comendas de seu pai. Serviu na Guerra da Restauração, primeiro como capitão de cavalos, depois como mestre de campo do terço de Moura e, por fim, como general de batalha no Exército do Alentejo.

O título foi renovado por carta de 3 de janeiro de 1728, de D. João V, em D. Lourenço António de Sousa da Silva e Meneses (1708–1786), que viria a ser o 3.º conde, e, por carta de 27 de julho de 1786, de D. Maria I, em seu irmão, D. Nuno Aleixo de Sousa da Silva e Meneses (1713–1798), 4.º conde.

Uma irmã do 3.º e do 4.º condes, D. Joana Inês Vicência de Meneses, casou com D. Brás Baltasar da Silveira, senhor de São Cosmado, de quem teve duas filhas que desposaram sucessivamente, uma após a morte da outra, Nuno Gaspar de Távora. Da primeira foi bisneto o 9.º Marquês das Minas; da segunda foi filha D. Francisca de Paula do Pópulo de Lorena, que casou com o 3.º Marquês de Pombal. Esta herdou os vínculos da Casa das Minas e, por morte de D. Luísa de Meneses, igualmente irmã dos referidos condes e que destes herdara os respetivos vínculos, também os da Casa dos Condes de Santiago de Beduído, que assim se incorporou na dos marqueses de Pombal.

O título foi renovado por decreto de 31 de julho de 1865, de D. Luís I, em D. António de Carvalho e Melo Daun Albuquerque e Lorena, 8.º conde de Oeiras (de direito) e 6.º marquês de Pombal, quando ainda era vivo o seu irmão mais velho, o 7.º conde de Oeiras.

Propriedades A Quinta Velha de Pedrouços pertenceu aos condes de Santiago de Beduído, que a conservaram até ao final do século XVIII. O 2.º conde, D. Aleixo de Sousa da Silva e Meneses (1675–1744), recebeu a propriedade por herança de D. Antónia de Sousa de Meneses. Após a morte de D. Aleixo, a quinta permaneceu na posse da sua viúva, D. Leonor Maria Josefa de Meneses (n. 1680), passando posteriormente para o seu filho primogénito e herdeiro, D. Lourenço António de Sousa da Silva e Meneses (1708–1786), 3.º conde de Santiago de Beduído e governador da Torre de São Julião da Barra.

Por morte do 3.º conde, a propriedade passou para o seu irmão, D. Nuno Aleixo de Sousa da Silva e Meneses (1713–1798), 4.º conde de Santiago de Beduído. A quinta transitou depois para a posse da irmã de ambos, D. Luísa (ou Luzia) de Meneses, a qual, em julho de 1797, procedeu à sua doação à infanta D. Maria Francisca Benedita.

Armas Até ao 4.º Conde: escudo esquartelado, sendo o 1.º e o 4.º quartéis dos Sousas de Arronches e o 2.º e o 3.º dos Silvas; coroa de Conde.

A partir do 5.º Conde: as armas dos Marqueses de Pombal.

Condes de Santiago de Beduído (1667) # Titular Datas Títulos Notas Ref. 1 D. Lourenço de Sousa da Silva e Meneses m. 1675 1.º Conde de Santiago de Beduído Filho de Aleixo de Sousa da Silva e Meneses, 5.º aposentador-mor, e de D. Luísa de Távora. Criado 1.º conde por carta de 12 de novembro de 1667, de D. Afonso VI. Foi 6.º aposentador-mor da Casa Real, senhor do reguengo de Arronches e de Estarreja e general de batalha no Exército do Alentejo. Casou duas vezes: a primeira com D. Joana da Silva, dama da rainha D. Luísa de Gusmão, filha de Luís de Saldanha da Gama, capitão de cavalos, e de sua mulher, D. Margarida de Vilhena, sem descendência; a segunda, a 30 de outubro de 1667, com D. Luísa Maria de Mendonça e Távora, igualmente dama da mesma rainha, filha dos 2.os condes de Vale de Reis, com descendência. 2 D. Aleixo de Sousa da Silva e Meneses 10 de maio de 1675 – 29 de novembro de 1744 2.º Conde de Santiago de Beduído Filho primogénito do segundo casamento do 1.º Conde. Foi 7.º aposentador-mor da Casa Real (27 de abril de 1695), senhor de Alfaiates, Estarreja e do reguengo de Arronches, alcaide-mor de Ervededo e de Alfaiates, comendador de Santiago de Beduído e de Santa Maria de Castelo Bom na Ordem de Cristo, padroeiro da capela-mor de Santa Cruz do Castelo, em Lisboa, do Conselho de Sua Majestade e deputado da Junta dos Três Estados. Casou, em abril de 1695, com D. Leonor Maria de Meneses, dama da rainha D. Maria Sofia, filha dos 2.os marqueses de Fronteira, com descendência. 3 D. Lourenço António de Sousa da Silva e Meneses 29 de dezembro de 1708 – 7 de fevereiro de 1786 3.º Conde de Santiago de Beduído Filho do anterior. O título foi-lhe renovado por carta de 3 de janeiro de 1728, de D. João V. Foi 8.º aposentador-mor da Casa Real e senhor dos senhorios, alcaidarias-mores e comendas da sua Casa. Seguiu a carreira das armas, tendo atingido o posto de tenente-general, e foi governador da Torre de São Julião da Barra e conselheiro da Guerra. Casou, a 6 de janeiro de 1749, com D. Josefa de Noronha (11 de agosto de 1731 – novembro de 1791), filha dos 2.os marqueses de Angeja, sem descendência. 4 D. Nuno Aleixo de Sousa da Silva e Meneses 17 de julho de 1713 – 30 de abril de 1798 4.º Conde de Santiago de Beduído Filho secundogénito dos 2.º Conde. Foi cónego da Patriarcal de Lisboa, tendo sido dispensado das ordens para suceder na sua Casa. Foi 9.º aposentador-mor e senhor de todos os senhorios, vínculos, alcaidarias e comendas dos seus antepassados. O título foi-lhe renovado por carta de 27 de julho de 1786, de D. Maria I. Casou, a 5 de fevereiro de 1788, com D. Francisca Leonor de Castro, 45 anos mais nova, filha dos 1.os condes de Resende, sem descendência. 5 D. António de Carvalho e Melo Daun Albuquerque e Lorena 1850 – 1911 5.º Conde de Santiago de Beduído Nasceu na freguesia de São Mamede, em Lisboa. Bisneto de D. Francisca da Silveira e Lorena, Marquesa de Pombal, neta de D. Joana Inês Vicência de Meneses, irmã do 3.º e do 4.º condes. Foi também 6.º Marquês de Pombal e 8.º Conde de Oeiras. O título foi-lhe renovado por decreto de 31 de julho de 1865, de D. Luís I, quando ainda era vivo o seu irmão mais velho, o 7.º Conde de Oeiras. Foi Par do Reino, mestre-sala da Casa Real, camarista de D. Fernando II e de D. Carlos I e grã-cruz da Ordem de Cristo. Casou, em 1873, no oratório particular dos marqueses de Pombal, com D. Maria do Carmo Fernandes (1858–1931), dama da rainha D. Maria Pia, com descendência. 6 D. Joaquim de Carvalho Daun e Lorena 15 de setembro de 1878 – 20 de julho de 1954 6.º Conde de Santiago de Beduído Nasceu em Lisboa, filho dos 6.º Marquês de Pombal e irmão do 7.º Marquês de Pombal. Foi secretário de legação e comendador das ordens de São Gregório Magno, da Santa Sé, e da Coroa da Roménia. Casou, a 5 de maio de 1924, na capela particular da residência do Visconde de Santarém, com D. Maria Amália de Barros de Saldanha da Gama (n. Lisboa, 1 de outubro de 1879), filha dos 2.º Visconde de Vila Nova da Rainha, sem descendência.

Representantes do título na República Após a implantação da República, em 1910, cessou a concessão de títulos nobiliárquicos pelo Estado. (art. 3.º, n.º 3) Desde então, reivindicaram a representação do título os seguintes membros da família: # Representante Datas Títulos pretendidos Notas Ref. 7 Sebastião José de Carvalho Daun e Lorena n. 1903 7.º Conde de Santiago de Beduído Filho do 7.º Marquês de Pombal. Casou em Lisboa, em 1927, com sua prima D. Maria da Nazaré Monteiro de Almeida (n. 1909), com descendência. 8 Manuel Sebastião de Almeida de Carvalho Daun e Lorena 6 de fevereiro de 1930 – 5 de setembro de 2021 8.º Conde de Santiago de Beduído Filho do anterior. Advogado, foi um dos sete sócios fundadores do Instituto de Arte e Decoração (IADE), criado em 1969 por António Quadros, ao qual arrendou a ala nobre do Palácio Barão de Quintela, onde residia com a família; em 1993 passou a integrar o conselho de administração da instituição. Casou com Mariana João Cabral Daun e Lorena, de quem teve seis filhos. 9 Pedro de Carvalho Daun e Lorena n. 1956 9.º Conde de Santiago de Beduído Filho do anterior. Integrou o conselho de administração do IADE até à venda da instituição, em 2007.

Referências

Santiago Beduido Categoria:Títulos criados por Afonso VI de Portugal Categoria:Fundações em Portugal em 1667