Lygia Junqueira (Conquista,COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo: Global; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Academia Brasileira de Letras, 2001: 2v. Minas Gerais, 24 de julho de 1906Biblioteca do Vale do ItajaíFundação Biblioteca NacionalBiblioteca São Francisco), São Paulo, 02 de outubro de 1983https://www.geneaminas.com.br/genealogia-mineira/restrita/enlace.asp?codenlace=1365811 foi uma escritora e tradutora brasileira, responsável por mais de 50 traduções para a língua portuguesa, entre elas várias obras de Sir Arthur Conan Doyle e várias traduções para a Coleção "Escritores Norte-Americanos", da Livraria Martins Editora. Depois do primeiro casamento, com Stanley George Smith, passou a chamar-se Lygia Junqueira Smith e, depois do segundo casamento, realizado em 2 de abril de 1948, Lygia Junqueira Caiuby. Tinha um filho do primeiro casamento, Ronald Edward Junqueira Smith; seu segundo marido, Renato Novaes Caiuby, tinha dois filhos: Sérgio Caiuby e Sônia Caiuby Labate. Faleceu em São Paulo, onde residia.

Suas traduções de O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde), de O Fio da Navalha, (William Somerset Maugham), e de Suave é a Noite (F. Scott Fitzgerald) tiveram várias edições desde os anos 40 e 50.

Formação intelectual e contexto familiar Nascida em Conquista, no interior de Minas Gerais, Lígia Junqueira pertenceu a uma geração de intelectuais e tradutores que atuaram na consolidação do mercado editorial brasileiro ao longo das décadas de 1940 e 1950. Após seu primeiro casamento, passou a assinar como Lygia Junqueira Smith e, posteriormente, após novo matrimônio em 1948, como Lygia Junqueira Caiuby.

Sua trajetória intelectual esteve vinculada ao crescimento do circuito editorial paulistano do pós-guerra, período marcado pela ampliação das traduções literárias no Brasil e pela profissionalização gradual da atividade tradutória. Nesse contexto, Junqueira estabeleceu relações com editoras como a Livraria Martins Editora, uma das principais casas editoriais brasileiras da época.

Atuação como tradutora Lígia Junqueira destacou-se como tradutora literária, sendo responsável por mais de cinquenta traduções para a língua portuguesa, especialmente de obras anglófonas. Seu trabalho concentrou-se sobretudo entre as décadas de 1940 e 1950, momento de expansão do mercado editorial brasileiro e de crescente circulação de literatura estrangeira no país.

Entre suas traduções mais conhecidas estão O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, Suave é a Noite, de F. Scott Fitzgerald, e diversas obras de Arthur Conan Doyle, incluindo títulos da série Sherlock Holmes. Muitas dessas traduções tiveram sucessivas reedições ao longo do século XX, contribuindo para a difusão da literatura inglesa e norte-americana entre leitores brasileiros.

Sua atuação esteve associada à Coleção Escritores Norte-Americanos, da Livraria Martins Editora, projeto editorial que buscava ampliar o acesso à literatura estrangeira no Brasil. A Martins Editora desempenhou papel importante na modernização do mercado livreiro brasileiro durante o período do Estado Novo, investindo tanto em autores nacionais quanto em traduções de obras estrangeiras.

Pesquisas sobre história da tradução no Brasil apontam que Lígia Junqueira Smith traduziu ao menos dezenove romances provenientes da língua inglesa, publicados por diferentes editoras brasileiras. Seu trabalho integrou um movimento mais amplo de profissionalização da tradução literária no país, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Mulheres tradutoras no século XX A atuação de Lígia Junqueira insere-se no contexto da crescente presença feminina no campo editorial brasileiro ao longo do século XX. Embora frequentemente invisibilizadas pela crítica literária e historiografia editorial, diversas mulheres tiveram papel central na tradução de obras estrangeiras no Brasil, contribuindo para a formação cultural de leitores e para a circulação de autores internacionais.

Tradutoras como Lígia Junqueira, Rachel de Queiroz e outras intelectuais atuaram intensamente nas décadas de 1940 e 1950, período em que o mercado editorial brasileiro expandiu significativamente a publicação de romances estrangeiros. Apesar disso, muitas dessas profissionais permaneceram à margem dos estudos literários tradicionais, que frequentemente privilegiavam autores e editores masculinos.

Estudos sobre história da tradução no Brasil destacam que a presença feminina foi fundamental para a consolidação da tradução literária como atividade profissional no país, especialmente no segmento de ficção anglófona.

Lista de obras Revoada Incerta, Martins, 1947 (1ª edição). Fronteira de Vidro,UFSC Livraria Martins Editora, 1953. Cinza e Vinho, Martins, 1955. Mea Culpa, Livraria Martins Editora, 1963. O Painel do Gardênia, IBRASA, 1979.

Traduções

Arthur Conan Doyle A Volta de Sherlock Holmes (The return of Sherlock Holmes), Arthur Conan Doyle, Série Sherlock Holmes, volume 10, Melhoramentos, 1966. O Cão dos Baskervilles (The Hound of The Baskervilles), Arthur Conan Doyle, com várias edições, entre elas a da Editora Ediouro (?), e da Melhoramentos (1966). Os Seis Napoleões e outras aventuras de Sherlock Holmes (The Return of Sherlock Holmes), Arthur Conan Doyle, Ediouro, s. d. A Casa Vazia e Outras Aventuras (The Return of Sherlock Holmes), Sir Arthur Conan Doyle, Ediouro (Contos: A Casa Vazia, O Construtor de Norwood, Os Dançarinos, O Ciclista Solitário, A Escola do Priorado, Pedro Negro). O Vale do terror, Arthur Conan Doyle, Círculo do Livro.

Coleção Escritores Norte-Americanos Robert Frost (Robert Frost), Lawrence Roger Thompson, Escritores Norte-Americanos, nº 14, Livraria Martins Editora, edições em 1960 e 1964. Edwin Arlington Robinson (Edwin Arlington Robinson), Louis Coxe, Escritores Norte-Americanos, nº 15, Livraria Martins Editora, 1964. John dos Passos (John dos Passos), Robert Gorham Davis, Escritores Norte-Americanos, nº 23, Livraria Martins Editora, 1962. Ezra Pound (Ezra Pound), William Van O’Connor, Escritores Norte-Americanos, nº 27, Livraria Martins Editora, 1960. Humoristas americanos (American humorists), Willard Long Thorp, Escritores Norte-Americanos, nº 40, Livraria Martins Editora, 1966. Allen Tate (Allen Tate), George Hemphill, Escritores Norte-Americanos, n° 41, Livraria Martins Editora, 1966. Ralph Waldo Emerson (Ralph Waldo Emerson), Josephine Miles, Escritores Norte-Americanos, nº 42, Livraria Martins Editora, 1966. Sherwood Anderson (Sherwood Anderson), Brom Weber, Escritores Norte-Americanos, nº 43, Livraria Martins Editora, edições em 1964 e 1966.

Coleção Biblioteca das Moças O pecado de Lady Isabel (East Lynne), Ellen Wood, Biblioteca das Moças, volume 53, Companhia Editora Nacional, 1938 (seguido de diversas edições a última em 1956). Amor de Outono (The Big Fellah), Ruby M. Ayres, Biblioteca das Moças, volume 68, Companhia Editora Nacional, 1940 e 1946. Mamãe Sabe o que Faz ("Mother Knows Best"), Edna Ferber, Biblioteca das Moças, volume 72, da Companhia Editora Nacional, 1939. Sacrificada (Lady Elwyns secret), Charlotte Mary Brame, Biblioteca das Moças, volume 83, Companhia Editora Nacional, 1940 (3 edições, a última de 1955). Mulher Sem Alma, Sophie Kerr, Biblioteca das Moças, volume 90, Companhia Editora Nacional, 1955. Dúvidas de um coração (Lorrie), Jane Abbott, Biblioteca das Moças, volume 106, Companhia Editora Nacional, 1942 (duas edições, a últilma de 1955). Sempre no Meu Coração (“I'll Wait for You”), Margaret Gorman Nichols, Biblioteca das Moças, volume 120, Companhia Editora Nacional, 1945. A mulher desejada (None so blind), Mitchell A. Wilson, Biblioteca das Moças, volume 134, Companhia Editora Nacional, 1948, (cinco edições, a última em 1954). Tecendo Sonhos (A waever of Dreams), Myrtle Reed, Biblioteca das Moças, volume 139, Companhia Editora Nacional, 1950 e 1959.

Outros (em ordem cronológica da primeira publicação do livro no Brasil)

Rebecca: A mulher inesquecível (Rebecca: a brilliant novel of an unforgettable woman), Daphne Du Maurier, Companhia Editora Nacional (1940); Abril Cultural (Coleção Grandes Sucessos, 1981). Tradução de Lígia e de Monteiro Lobato. Meu filho, meu filho (My Son, My Son!), Howard Spring, tradução de Lígia e Monteiro Lobato, Biblioteca do Espírito Moderno, Companhia Editora Nacional, 1940. Sublime Obsessão (Magnificent obsession), Lloyd C. Douglas, Livraria José Olympio Editora, 1941. Ah King (Ah King), William Somerset Maugham, Coleção Nobel, volume 59, Livraria do Globo, 1944. Dança sem ritmo (No measure danced), Harry Lee, Civilização Brasileira, 1943, Biblioteca da Mulher Moderna: 21. Verão Ardente (Deep summer), Gwen Bristow, Livraria José Olympio Editora, 1944. Fruta estranha (Strange fruit), Lillian Smith, Editora Globo, 1945. O Fio da Navalha (The razor's edge), William Somerset Maugham, com várias edições, entre elas: Livraria do Globo (Coleção Nobel nº 62, 1945); Globo (Coleção Sagitário, 1973); Abril Cultural (Clássicos Modernos nº 2, 1974 e 1983); Rio Gráfica Editora (Campeões de Venda nº 3, 1986); Nova Cultural (Best Books,1986); Folha de S.Paulo (Biblioteca Folha nº 28, 2003). Nunca é Tarde (And now tomorrow), Rachel Field (1894-1942), Civilização Brasileira, 1945. Lágrimas da meia-noite (In bed we cry), Ilka Chase, Companhia Editora Nacional, 1946.Catálogo da Companhia Editora Nacional A Inocência do Padre Brown (The innocence of Father Brown), G. K. Chesterton, Coleção Tucano, nº 22, Livraria do Globo, 1946. A Rua (The Street), Ann Lane Petry, Companhia Editora Nacional, 1947. Santuário (Sanctuary), William Faulkner, com edições do Instituto Progresso Editorial (Coleção Oceano nº 12, 1948); Abril Cultural (1980). Suave é a noite (Tender is the night), F. Scott Fitzgerald, Editora Record (1951); Civilização Brasileira (Biblioteca do Leitor Moderno, volume 20, 1964); Nova Cultural (Os Imortaisd a Literatura Universal, 1972); Círculo do Livro (1976); Editora Record (Mestres da Literatura Contemporânea, 1996); BestBolso (2008). Moulin Rouge (Moulin Rouge), Pierre La Mure, Mérito, 1954. O Barco da Morte, Agatha Christie, Lisboa: Livros do Brasil, Coleção Vampiro, nº 4, s.d., 1962. Bela e querida Inglaterra (England made me), Graham Greene, Civilização Brasileira, 1963. O Retrato de Dorian Gray (The picture of Dorian Gray), Oscar Wilde, com várias edições, entre elas: Biblioteca Universal Popular (1965); Civilização Brasileira, em 1969; 1998 (Coleção Sempre Viva, volume 1); 2000; 2001; 2002; 2004; 2005. * Arthur Miller, Robert Hogan, Livraria Martins Editora, 1965. Theodore Roethke (Theodore Roethke'), Ralph J Mills; Robert A. Ambrose Bierce Wiggins; George Allen Tate Hemphill, Livraria Martins Editora, 1966. Nathaniel Hawthorne (Nathaniel Hawthorne), Mark Van Doren, Livraria Martins Editora, 1967. O Don Silencioso (TMXMM AOH), Mikhail Alexandrovitch Sholokhov, parte poética traduzida por Aguinaldo Junqueira Filho. Editora Dois Amigos, 1965. Testemunho de Dois Homens (Testimony of Two Men), Taylor Caldwell, Editora Record, 1968. Inclui poesias traduzidas por Aguinaldo Junqueira Filho. O Peão da rainha (Queen's pawn), Victor Canning, Editora Record, 1969. O Homem de Cera (The melting man), Victor Canning, Livraria Martins Editora, 1970, 1974. As chaves da felicidade (Les clés du bonheur), François Barthe, Civilização Brasileira, 1970. Bola de sebo e outros contos e novelas (boule de suif), Guy de Maupassant, Civilização Brasileira, 1970. A Bota Nazista (The Occupyng Power), Evelyn Anthony, Editora Record, 1973. O Assassino (The Assassin), Evelyn Anthony, Livraria Martins Editora, 1974. O Sacrifício da Inocência (Ceremony of the innocent), Taylor Caldwell, Editora Record (1976); Círculo do Livro )1980). Só a terra permanece (Earth abide), George R. Stewart, Edições G.R.D., 1983. Arsenal de Família (The family arsenal''), Paul Theroux, Campeões de Venda, Rio Gráfica Editora, 1986.