thumb|250px|Vista da igreja da antiga abadia com a torre românica

A Abadia de Saint-Germain-des-Prés foi um estabelecimento monástico medieval de grande importância, fundado no século VI junto a Paris. O grande remanescente da abadia é a igreja, a mais antiga da cidade ainda de pé, localizada no bairro parisiense de Saint-Germain-des-Prés.

História Idade Média A abadia beneditina foi fundada em meados do século VI pelo rei de Paris, Quildeberto I, da dinastia merovíngia. Segundo se conta, o estabelecimento foi criado para guardar relíquias de São Vicente de Saragoça e um relicário com um pedaço da Cruz de Cristo, obtidas pelo rei numa expedição militar pela Hispânia visigoda.Ayers, Andrew. The architecture of Paris: an architectural guide. Axel Menges, 2004. ISBN 393069896X Devido a isso, a abadia foi inicialmente dedicada a São Vicente e à Santa Cruz.

thumb|esquerda|100px|Estátua de pedra do representando o rei Quildeberto, fundador da abadia. Proveniente da entrada do refeitório, atualmente no Museu do Louvre

A consagração da abadia foi realizada em 558 por Germano, bispo da cidade. Neste mesmo ano morreu o rei franco, que foi sepultado no novo edifício, inaugurando assim o uso da abadia como necrópole real. Vários membros da dinastia merovíngia de Paris foram sepultados ali, como Quilperico I (584) e sua rainha Fredegunda (597), Clotário II (629), Quilderico II (673) e sua esposa Biliquilda (675).

thumb|Vista da Abadia em 1687. Praticamente o único que resta atualmente é a igreja

Germano de Paris, o bispo que consagrou a abadia em 558, foi também sepultado ali após seu falecimento em 576.* Germano de Paris na Biographisch-Bibliographisches Kirchenlexikon Após sua morte, surgiu uma devoção ao redor de Germano, com os fiéis peregrinando para ver seu túmulo, o que levou a sua canonização. Seus restos foram transladados em 755 para a área detrás do altar principal da igreja, em presença do rei carolíngio Pepino o Breve e seus filhos Carlos (futuro Carlos Magno) e Carlomano. A partir de então a abadia começou a ser conhecida unicamente como Saint-Germain-des-Prés. "des-Prés" ("dos prados") significa que a abadia estava localizada fora dos limites da cidade.

Na segunda metade do século IX, ainda em época dos carolíngios, a abadia foi assaltada várias vezes pelos normandos. Um dos monges da época, Abão, o Curvo, escreveu em finais do século IX um importante poema que relata o cerco que sofreu Paris pelos normandos nos anos 885 e 886.Nirmal Dass. Viking attacks on Paris: the Bella Parisiacae urbis of Abbo of Saint-Germain-des-Prés. Volumen 7 de Dallas medieval texts and translations. Peeters Publishers, 2007. ISBN 9042919167

Muitas reformas foram realizadas na igreja ao longo da Idade Média, começando pela reforma românica da torre por volta do ano 1000, na época de Morard (abade entre 990-1014). Nos séculos XI e XII a igreja foi totalmente reconstruída: a nave data do século XI, provavelmente da época do abade Guilherme de Volpiano (1025-1030). O transepto e o cruzeiro também são do século XI, enquanto que o coro com deambulatório e capelas radiantes, em estilo gótico inicial, data provavelmente dos anos 1140. O portal gótico, localizado sob a torre românica da entrada, data dos anos 1160.

Idade Moderna No século XVII estabeleceu-se na abadia a Ordem de São Mauro, que transformou-a num dos principais centros intelectuais da França. Os Mauristas revolucionaram os estudos da história, baseando-se no rigor da leitura das fontes documentais. Entre estes intelectuais destacaram-se Jean Mabillon e Bernard de Montfaucon.

Os mauristas também realizaram grandes obras na abadia, muitas vezes respeitando o estilos arquitetónicos anteriores. A abóbada das naves, por exemplo, foi refeita na década de 1640 imitando o estilo gótico do coro.

Um dos abades no século XVII foi um antigo rei da Polônia, João II Casimiro Vasa, que abdicou ao trono em 1668. Sua tumba localiza-se no transepto da igreja.Art and history of Paris and Versailles. Bonechi Books. 1996. ISBN 8880296515.

A abadia ocupava uma enorme área em 1790, quando foi dissolvida durante a Revolução Francesa. Nessa época o complexo monástico foi ocupado por uma fábrica de salitre, e explosões acidentais causaram grande destruição. A maior parte dos edifícios se perdeu, restando apenas a igreja com uma pequena parte do claustro e o palácio abacial, construído em 1586 pelo arquiteto Guillaume Marchand para o abade de então, Carlos de Bourbon.

No século XIX, a igreja foi reformada e redecorada com pinturas murais. As torres medievais que flaqueavam o transepto foram demolidas.

Desde 1819 a tumba do filósofo René Descartes (1596-1650) localiza-se numa capela do deambulatório.

Bibliografia Ayers, Andrew. The architecture of Paris: an architectural guide. Axel Menges, 2004. ISBN 393069896X Art and history of Paris and Versailles. Bonechi Books. 1996. ISBN 8880296515.

Ligações externas Sítio da paróquia de St-Germain-des-Prés

Categoria:Igrejas de Paris Saint Germain Des Pres Categoria:6.º arrondissement de Paris