"Poison" é uma canção da cantora norte-americana Nicole Scherzinger, gravada para o seu álbum de estúdio de estreia a solo, Killer Love (2011). Foi composta pela própria intérprete em colaboração com RedOne, Bilal Hajji, BeatGeek, Achraf Jannusi e Kinnda Hamid, com a produção musical a cargo de RedOne e BeatGeek, e coprodução de Jimmy Joker. O seu lançamento ocorreu a 25 de outubro de 2010 em formato digital através da Interscope Records, servindo como o primeiro single do disco. Musicalmente associada aos géneros dance-pop, electropop e rock eletrónico, a obra possui uma estrutura que conjuga sintetizadores industriais, batidas eletrónicas e acordes de guitarra elétrica. No plano lírico, a narrativa explora uma atmosfera de sedução perigosa e poder feminino, na qual a protagonista assume a faceta de uma mulher fatal que utiliza o seu charme e a sua sensualidade como um veneno irresistível e intoxicante.

A receção crítica especializada foi predominantemente favorável: diversos analistas elogiaram a energia avassaladora da produção e a agressividade vocal da cantora, apontando a faixa como uma estreia a solo revigorante face ao material das Pussycat Dolls, embora alguns críticos tenham traçado comparações com a sonoridade e o conceito de "Toxic", gravada por Britney Spears. Em termos de desempenho comercial, a criação alcançou a liderança da tabela musical da Escócia, convertendo-se no primeiro número um a solo da carreira de Scherzinger, atingindo igualmente o 2.º lugar na Eslováquia, o 3.º posto na britânica Official Singles Chart e o 7.º lugar na Irlanda e na classificação continental Euro Digital Songs da revista Billboard, sendo galardoada com a certificação de disco de prata pela British Phonographic Industry (BPI).

O vídeo musical foi filmado em outubro de 2010 sob a direção do realizador norte-americano Joseph Kahn num armazém em Los Angeles, na Califórnia. A narrativa visual retrata a vocalista numa dualidade dramática entre uma super-heroína e uma supervilã inspirada na figura de Catwoman, confrontando e neutralizando adversários através de coreografias dinâmicas criadas pela dupla Rich & Tone. A sua campanha de divulgação consistiu em atuações ao vivo em programas de televisão, destacando-se uma apresentação enérgica na sétima temporada do concurso britânico The X Factor, a 28 de novembro de 2010, e ainda como parte do alinhamento da digressão europeia Killer Love Tour (2012).

Antecedentes Em 2007, Nicole Scherzinger delineou os planos iniciais para a edição do seu primeiro álbum de originais a solo, com o título provisório de Her Name Is Nicole. Durante esse período foram promovidos quatro lançamentos — "Whatever U Like" (com T.I.), "Baby Love" (com will.i.am), "Puakenikeni" (com Brick & Lace) e "Supervillain" —, dos quais apenas o segundo registou uma repercussão comercial moderada no continente europeu. Perante sucessivos adiamentos motivados por divergências concetuais com a editora discográfica, a cantora optou por cancelar o projeto. Em declarações à revista britânica X, a intérprete clarificou depois que as maquetes não tinham sido descartadas, mas sim reaproveitadas para o segundo trabalho de estúdio das Pussycat Dolls, Doll Domination (2008):

Em maio de 2010, a revista Rap-Up noticiou que a cantora preparava a retoma da sua carreira a solo através de uma balada de empoderamento intitulada "Nobody Can Change Me". A faixa foi concebida durante as sessões noturnas de estúdio em paralelo com os ensaios da décima temporada do concurso televisivo norte-americano Dancing with the Stars, estreando a 24 de maio de 2010 no programa de rádio de Ryan Seacrest na estação KIIS-FM. A receção crítica à balada dividiu opiniões: Becky Bain, no portal Idolator, considerou-a excessivamente dócil e desprovida de contundência vocal, enquanto Amos Barshad, no portal Vulture, elogiou o desprendimento do formato convencional das Pussycat Dolls, comparando a solidez da interpretação ao repertório de Kelly Clarkson.

Em agosto de 2010, o produtor marroquino RedOne revelou à BBC News a reestruturação integral do projeto artístico de Scherzinger:

A escolha definitiva do registo para liderar a promoção de Killer Love foi sugerida pelo seu então namorado, o piloto Lewis Hamilton, sendo o lançamento anunciado formalmente na conta oficial da vocalista no YouTube a 14 de outubro de 2010. O tema foi disponibilizado a 25 de outubro de 2010 pela Interscope Records na iTunes Store de vários países, como Austrália, Portugal, Reino Unido e Suécia. Foram editados dois extended plays (EP) com remisturas a partir do som original, e na Europa, foi comercializado em formato CD single, com a mesma constituição que a versão digital.

Estrutura musical e letra

"Poison" é uma composição de andamento acelerado que incorpora elementos de dance-pop, electropop e rock eletrónico, apresentando uma extensão temporal de 3 minutos e 44 segundos. A produção musical esteve a cargo de RedOne e BeatGeek, com coprodução assegurada por Jimmy Joker, tendo sido gravada ao longo de 2010 nos estúdios Koryland em Barcelona e Solid Sound em Nice. A sua arquitetura sonora caracteriza-se pela presença de sintetizadores pesados, acordes distorcidos de guitarra elétrica e arranjos pontuais de piano. Trevor Muzzy supervisionou a captação e edição vocal juntamente com RedOne — este último responsável igualmente pela programação e arranjos —, ao passo que a fase de mistura foi finalizada pelo engenheiro de som Robert Orton. De acordo com a crítica especializada, o tema demonstra uma batida pulsante e tóxica, em que alguns analistas consideraram o seu estilo semelhante ao de "Toxic" de Britney Spears. Um editor da revista Rap-Up considerou que a cantora usa um "elixir mortal na pista de dança ao cantar através de um filtro distorcido sob sintetizadores bombásticos", terminando por classificar a obra como "pop tóxica".

A autoria do texto lírico reuniu contributos da própria vocalista, de RedOne, Bilal Hajji, BeatGeek, Achraf Jannusi e Kinnda Hamid. De acordo com a partitura musical publicada pela Hal Leonard Corporation, a criação foi estruturada no compasso de tempo comum (4/4), estabelecendo um andamento vivo de 124 batidas por minuto na tonalidade de lá menor. No plano temático, a lírica concebe uma narrativa em que a protagonista personifica uma mulher fatal consciente do seu magnetismo erótico, utilizando a malícia e o perigo como metáforas venenosas de subjugação amorosa: "Esta noite vou abusar deste poder de mulher mal comportada que tenho / Pois hoje à noite estou com veneno na mente / Este poder que eu tenho, serás meu quando me esforçar, sente-te vivo".

Receção pela crítica

Após o seu lançamento, a faixa colheu apreciações predominantemente favoráveis da imprensa especializada, destacando o seu impacto percussivo. Nick Levine, no sítio britânico Digital Spy, atribuiu a pontuação máxima de cinco estrelas, asseverando que a música ostenta "barulho da melhor maneira possível" e elogiando a autoridade performativa demonstrada pela cantora, considerando-a uma opção de apresentação a solo imensamente superior ao registo delicado de "Baby Love". Bridget Daly, no portal Hollyscoop, declarou-se impressionada com a cadência, frisando que a sonoplastia confirmava as promessas de RedOne quanto ao direcionamento revigorado de Scherzinger. Dara Hickey, na página Unreality Shout, concedeu 4.5 estrelas de cinco possíveis, observando que o tema canaliza "um desejo primordial de sair e pintar a cidade de vermelho, equipada com um veneno tão poderoso quanto as guitarras e a bateria": "Não existe mensagem subliminar [...] mas ela avisa de antemão que vai equipada com algum "veneno". Deus sabe o que este veneno pode ser, se é literal ou metafórico, mas se existe alguma coisa que seja tão poderosa quanto as guitarras e a bateria, eu diria que está bem claro".

Em sentido mais comedido, Fraser McAlpine, no portal da BBC, atribuiu três estrelas à obra, notando que esta evocava fortemente a atmosfera de "Toxic", de Britney Spears, definindo-a como "uma montagem cheia de estrondos e efeitos dramáticos que exibe a sensualidade doentia de Nicole com fúria e intensidade cénica". Becky Bain, na publicação Idolator, considerou que a estrutura seguia de forma previsível as convenções comerciais, embora tenha admitido que a volatilidade das tabelas de vendas norte-americanas poderia impulsionar a faixa aos lugares cimeiros: "Temos de admitir, não ficamos empolgados com esta, que segue a fórmula padrão e previsível dance-pop a partir daquele grito duplo de início", afirmou. Por seu turno, Ben Norman, no sítio About.com, ponderou que o arranjo de RedOne privilegiava o vigor da pista de dança em detrimento de uma exploração mais subtil da verdadeira amplitude vocal da intérprete.

Vídeo musical Contexto e sinopse thumb|160px|left|alt=Fotomontagem comparativa com duas imagens de Nicole Scherzinger no teledisco: na parte superior veste fato de heroína preto com capa e máscara, e na parte inferior surge caracterizada como vilã com indumentária de cabedal e olhar intimidatório.|Nicole Scherzinger encarna duas personagens em confronto no teledisco: uma heroína com capa (em cima) e uma vilã provocadora (em baixo). O vídeo musical foi filmado em outubro de 2010 sob a direção do realizador norte-americano Joseph Kahn, decorrendo as filmagens ao longo de um único dia num armazém industrial em Los Angeles, na Califórnia, com coreografia concebida pela dupla Rich & Tone. A 8 de outubro de 2010, a artista partilhou uma fotografia dos ensaios na rede social Twitter (X), revelando um figurino ajustado de cabedal inspirado na estética de Catwoman, botas de cano alto e um rabo-de-cavalo volumoso com franja. Em declarações ao canal britânico 4Music, a cantora revelou que a narrativa exploraria a confrontação entre as duas facetas opostas da sua personalidade: uma justiceira destemida e uma vilã ardilosa. A estreia oficial concretizou-se a 29 de outubro de 2010 através da plataforma Vevo e da loja digital iTunes Store.

A narrativa visual abre com Scherzinger flanqueada por dois guardas prisionais mascarados. De seguida, a cena transita para uma avenida urbana, onde a protagonista entra numa cabine telefónica tradicional enquanto homens de fato escuro a observam do exterior; no interior da estrutura, a cantora despe o sobretudo e liberta o cabelo, desferindo olhares provocadores. Em paralelo, a montagem introduz uma sequência num armazém onde operários limpam o chão e Nicole surge através de um cacifo envergando um fato negro e uma capa de super-heroína. Ao longo do refrão, os planos alternam velozmente entre a persona heroica e a vilã provocadora a lutar contra prisioneiros vestidos com fatos às riscas (e máscaras ao estilo Irmãos Metralha) e depois contra polícias. Seguem-se sequências a bordo de um automóvel descapotável clássico, manobras sobre uma mota de alta cilindrada BMW e uma conferência de imprensa rodeada por repórteres fotográficos. No clímax final, a artista executa passos enérgicos com um corpo de bailarinos e emite ondas de choque acústicas que projetam os capangas pelo ar, afastando-se vitoriosa do enquadramento.

Controvérsia e recepção Dias antes da estreia, a produção envolveu-se em polémica pública após os organismos reguladores de radiodifusão britânicos exigirem alterações para exibição diurna. Através do Twitter, o realizador do projeto contestou a decisão: