Elena Poniatowska Elena Poniatowska (Paris, 19 de maio de 1932), nascida Héléne Elizabeth Louise Amelie Paula Dolores Poniatowska Amor é uma premiada escritora e jornalista franco mexicana. A obra da intelectual varia entre contos, novelas, romances, poesias, crônicas e peças de teatro. Mais conhecida por seu romance Hasta no verte Jesús mío (1969) e pela crônica La noche de Tlateloco (1971), obras que marcam o início de seu reconhecimento internacional como autora. Ao longo de sua carreira, Poniatowska recebeu uma série de prêmios, entre eles o prestigiado Prêmio Cervantes (2013) - sendo a quarta mulher a recebê-lo, e o Premio Nacional de Periodismo, sendo a primeira mulher a receber a honraria.
Origens Elena Poniatowska é filha de mãe mexicana, Dolores Amor, apelidada de Paulette, e de pai francês de origem nobre e polaca, Jean E. Poniatowski. A mãe de Poniatowska nasceu em 1913 em Paris, e pertencia à uma família porfiriana que foi exilada durante a Revolução Mexicana. Seu pai era herdeiro da coroa polaca, e Poniatowska recebeu como herança o título de princesa da Polônia, ainda que a autora afirme que isso não lhe interessava. Devido às suas ideias, ficou conhecida pelo pseudónimo de "La Princesa Roja", A Princesa Vermelha.
Apesar de suas origens aristocráticas, Poniatowska se identifica com a esquerda política e é uma defensora dos direitos humanos, fator que influencia sua opinião sobre os setores intelectuais e a vida social de seu país. Atualmente vive com seus filhos em Chimalistac, Cidade do México.
Infância e estudos Viveu em Paris durante os primeiros anos de sua infância. Em 1942, por consequência da Segunda Guerra Mundial, foi forçada a imigrar junto de sua mãe e irmã para o México, enquanto o pai permanecia na Europa lutando no conflito.
Prosseguiu com seus estudos no México, tendo sido educada na Windsor School e no Liceo de México, onde aprendeu espanhol com sua babá Magdalena Castillo, que dedicou a vida a criá-la. No colégio, Poniatowska teve também aulas de francês, dança e piano. Em 1949, foi enviada para os Estados Unidos para continuar o Ensino Médio no Convento do Sagrado Coração do Éden, na Filadélfia. Estudou também no Manhattanville College em Nova Iorque. Decidindo, porém, não concluir os estudos, a autora retorna para seu país na década de 50, onde decidiu trabalhar com o jornalismo.
Primeiros trabalhos Depois de voltar para o México, começou sua carreira como jornalista em 1953: trabalhou pela primeira vez no jornal Excelsior, onde assinava suas crônicas como Hélène. Durante este primeiro momento, a autora entrevistou personalidades importantes como a cantora Amália Rodrigues, esposa de Alfonso Reyes, a pintora María Izquerdo, o escritor Juan Rulfo, a atriz Dolores del Río e Gertrude Duby. Durante um ano, publicava uma entrevista por dia, retratando a realidade de seu país. Naquela época, a autora já começava a se interessar por questões sociais e políticas, e pelo papel das mulheres mexicanas. Graças a sua escrita, Poniatowska conquistou um sólido público de leitores ainda em seu período como jornalista publicando entrevistas no Excelsior. Em 1955 se inicia sua colaboração no jornal Novedades de México, que continuaria praticamente ao longo de toda sua vida. Foi também no ano de 1955 que Poniatowska publicou sua primeira novela, Lilus Kikus. Além disso, o ano de 1955 marca o nascimento de seu primeiro filho, Emmanuel.
Em 1965, Elena viaja para a Polônia acompanhada de sua mãe. Durante este período, enviou ao Novedad uma série de crônicas onde questionava a moral e a justiça. Estabeleceu uma amizade com o escritor Alberto Beltrán, um socialista ferrenho, contato que influenciou e atravessou ainda mais o pensamento da autora, que se manifesta firmemente contra a desigualdade social e em favor da voz das mulheres. Em 1964, Poniatowska tem um encontro inesperado com uma mulher que gritava encima do telhado de um edifício na Cidade do México. Tratava-se da lavadeira Josefina Borquez, com quem a autora descobriu o submundo da capital de seu país e ganhou novas perspectivas. Elena então começa a reunir-se com Borquez todas as quarta-feiras para a entrevistar. A partir das notas tomadas durante essas reuniões, a autora escreveu Hasta no verte Jesús mío, obra publicada em 1969, primeiro grande livro da autora e que a rendeu o Premio Mazatlán de Literatura.
Em 1968, Poniatowska conhece o astrofísico mexicano Guillermo Haro em uma entrevista, com quem se casa e tem dois filhos: Paula e Felipe. O casal permaneceu junto até a morte do marido, em 1988. thumb | right | 200px | assinatura do livro Mariana Yampolsky Museu de Arte Popular em 2012.
Reconhecimento internacional O reconhecimento internacional veio com as obras Hasta no verte Jesús mío (1969), romance baseado em longas entrevistas com a lavadeira Josefina Borquez que ocorreram durante a década de 60, e La noche de Tlatelolco (1971), crônica publicada durante a década de 70 sobre o Massacre de Tlatelolco, onde centenas de estudantes que protestavam contra a realização dos Jogos Olímpicos foram mortos a tiros pelas Forças Armadas do México, no dia 2 de Outubro de 1968, Praça das Três Culturas na Cidade do México. Foi também cronista do terremoto de 1985 e do conflito de Chiapas.
Em 1992, publicou Tinísima, obra inspirada na vida de Tina Modotti que levou 10 anos para escrever. Publicou também a obra La piel del cielo (1992), que recebeu o Premio Alfaguara em 2001 e o Prêmio de melhor novela em português e espanhol pelas editoras People´s Literature Publishing House, Foreign Literature Learned Society, Spanish e Portuguese and Latin American Literature Society em 2002; El tren pasa primero (2005) sobre a vida de ferroviários mexicanos; El Universo o nada (2013) biografia de seu marido, o astrofísico Guillermo Haro, e outras obras de peso para a literatura mexicana e latino-americana.
Além de suas obras, Poniatowska fez visitas à universidades dos Estados Unidos e da Europa, colaborou com diversas publicações, escrevendo prefácios, participando do lançamento de livros e curtas, e do conselho editorial da revista acadêmica feminista "Fem" , além de ser a co-fundadora da Siglo XXI Editores e da Cineteca Nacional México.
Em 2007, o governo da Cidade do México, através da Secretaria de Cultura, criou o Prêmio Íbero-americano de novela Elena Poniatowska, que vale 500 mil pesos. Em 2011, foi criada a Fundação Elena Poniatowska, com o objetivo de organizar, divulgar e preservar o arquivo histórico da escritora e de sua família e apoiar grupos sociais que ela retratou em sua obra, além de promover o debate público sobre a cultura mexicana.
Em 2013 foi premiada com o Prêmio Cervantes. Foi a primeira escritora mexicana e a quarta mulher a ganhar o prêmio nos 38 anos de existência da honraria. Foi também a primeira mulher a ganhar o Premio Nacional de Periodismo, em 1979, por suas famosas entrevistas.
Ademais, é autora de 46 livros, possui 14 doutorados nacionais e internacionais e recebeu 59 prêmios e distinções nacionais e internacionais.
Prêmios e distinções
Prêmio Mazatlán de Literatura (1972 e 1992) Prêmio Biblioteca Breve (2011) por Leonora Prêmio Cervantes (2013) Prêmio Nacional de Periodismo (1979) Premio Diario El Porvenir de Monterrey (1985) Premio Íbero-americano de Narrativa Proartes. Festival Internacional de Arte de Cali (1997) Medalha Gabriela Mistral (Chile, 1997) Medalha Roque Dalton (El Salvador, 1999) Prêmio Nacional de Linguística e Literatura (2002) Courage in Journalism Lifetime Achievement Award entregue pela International Women’s Media Foundation (2006) Menção honrosa no Premio Humanidades da Faculdade de Direito da Universidad de Cuautitlán Izcalli (2011) Prêmio Internacional Carlos Fuentes a la Creación Literaria en el Idioma Español (2023) Medalha de Honra Belisario Domínguez (2023) Medalla Carmen Serdán (2024) Premio Ernesto Cardenal em Literatura (2024) Doutor Honoris Causa (1979) pela Universidade Autónoma de Sinaloa Doutor Honoris Causa (1980) pela Universidade Autónoma do Estado do México
Ver também
Juana Inés de la Cruz Octavio Paz Carlos Fuentes Gabriela Mistral Juan José Arreola Alfonso Reyes Juan Rulfo Rosario Castellanos Silvina Ocampo Victoria Ocampo Elena Garro Clarice Lispector Lygia Fagundes Telles Literatura Mexicana
Referências
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